Capítulo 3 O babaca chegou - II
Analu
"Ai Analu, se controle, ou perderá seu emprego em dois tempos." — me repreendo mentalmente
— Desculpe pelo embaraço! Prometo me controlar.
— Espero que sim menina! Eu facilitei para você esse emprego porque gostei de ti, você trabalha relativamente pouco, e recebe o triplo do que qualquer outro lugar te pagaria apenas para cozinhar. Então faça por onde, se quiseres ser uma psicóloga um dia, regue bem sua plantação aqui, para mais tarde colher seus bons frutos. — Morgana me aconselha e apesar de não gostar muito de quando conseguem me calar, eu concordo e sei que é para meu bem
— Sim! Você está certa! Desculpas novamente.
Pronto! Esse babaca me murchou!
Eu era um balão de gás hélio e agora pareço um maracujá de gaveta!
Sirvo o almoço séria, fora da minha postura normal e sinto seus olhos me queimando. Coloco a tigela com o macarrão, o pote com o molho pesto, o vinho já está à mesa junto com o prato e os talhares. Saio da sala de almoço, mas sua voz firme e grossa me faz parar.
— Me sirva! — ele fala firme
— Eu posso fazer isso senhor. — Morgana diz
— Quando eu quiser seus serviços, você saberá Morgana. Eu não solicitei você para nada, e acredito que fui bem claro. — ele fala um pouco rude
— Certo! Me perdoe senhor Fizterra! — Morgana baixa o olhar e se afasta da mesa, agindo como se ele fosse um rei e ela uma serviçal qualquer
"Isso me deixava com muita raiva! Ela sempre sendo obediente e esse sujeito em poucas horas que está aqui sempre sendo e agindo como um grande babaca. Ai, que raiva!" — penso trincando os dentes
Fecho a cara ao ver esse comportamento, a ignorância dele e o respeito demasiado grande dela me deixam profundamente indignada.
Isso não funciona comigo, até porque se ele fala dessa forma comigo eu taco o macarrão e o pesto bem no meio da fuça dele.
Volto para a mesa e primeiramente sirvo sua taça de vinho para que ele prove. Coloco apenas um pouco, o suficiente para uma degustação, me afasto e aguardo que ele fale algo.
Ele beberica, joga o líquido para um lado e para o outro em sua boca. Seus olhos estão fechados, e seu rosto transmite total apreciação, dou um suspiro aliviada, e enquanto ele permanece com os olhos fechados reparo seu belo rosto. Esse homem exala beleza por todos os seus poros.
"Que perfeição! Pena ser tão arrogante e babaca!"
— Onde você viu que esse vinho com massa combinam? — ele pergunta sério
— Eu pesquisei na internet. — digo firme
— Pois bem, a internet nem sempre é leal com as informações que fornece! — ele fala ríspido
— O senhor está querendo dizer que o vinho não combina? É isso? — pergunto sem esboçar nenhuma reação
— Combinar até que combina, mas não me agrada, então da próxima vez procure mais de um, para quando eu não me agradar de um você poder me oferecer uma segunda opção. Entendeu? — a forma que ele fala faz meu sangue ferver, eu sou empregada dele sim, mas não uma escrava
— Olha aqui, deixa eu te informar algo sobre... — falo com o dedo apontado para ele
Ele fita meu dedo e depois me encara, com uma cara de que diz: "Adoro desafios, tente a sorte!", mas então me lembrei que se eu for demitida hoje, amanhã mesmo ele tem outra pessoa. Já eu amanhã não terei outro emprego, então engulo minhas palavras, coloco um sorriso forçado no rosto e digo:
— Ok! Você está correto, anotarei a sua dica. Posso servir sua refeição agora? — falo com um pouco de sarcasmo
— Bom, caso a Morgana tenha sido falha em relação à algumas exigências minhas, vou lhe esclarecer. O termo "você" só é aplicado à minha pessoa quando a mesma que se dirige assim tem total liberdade e intimidade comigo, que não é o seu caso, sendo assim me chame de Senhor Fizterra. Caso não goste ou não esteja satisfeita, da mesma forma que entrou, poderá sair. Agora me sirva! — ele fala de uma forma arrogante
Mas dessa vez não, não consegui mesmo me calar, enquanto sirvo seu prato vou lhe dizendo.
— Olha Senhor Fizterra — falo dando ênfase a letra última letra — Concordo que lhe devo sim um respeito devido, já que o senhor é o meu patrão, mas não pense que me completarei de forma ofensiva e submissa como a dona Morgana e todos dessa mansão se prestan a VOCÊ! Estou aqui para lhe servir e sim sei de suas exigências, e as seguirei, mas não pense que baixarei a cabeça para você sempre que for arrogante comigo, porque não vou. Da mesma forma que entrei com certeza posso sair. Ou entramos num contexto bom para ambos, ou então aguardo seu alvará para que Dona Morgana me demita! — acabo de falar e o encaro
Ele me olha com aquele olhar frio, gélido e diz:
— Pode se retirar, qualquer coisa eu torno a lhe chamar. — ele fala sem sentimentos
Saio dalí com o coração saltando na boca e as mãos suando. Bebo um copo de água gelada enquanto Verinha que ouviu tudo pela parede diz:
— Muleca você é maluca, como afronta o homem assim?
— Simples! Ele é o meu patrão, não meu dono, portanto não preciso abaixar a cabeça sempre.
Ela me olha e volta a comer... Depois disso confesso que eu perdi a fome completamente. Pego um copo de suco de graviola e vou até o jardim que fica na parte de trás do quintal. Fico parada olhando para o céu estrelado e começo a pensar. Na verdade à sonhar com minha futura vida. Aei que não vai ser fácil, meu problema acabou de se apresentar hoje para mim, e quando digo problema não é só pela sua arrogância, frieza e indiferença, mas sim pela sua beleza mística.
Digo mística porque ele é lindo, mas esconde um mistério tão grande em seu olhar, que não sei porque eu consigo ver e sentir. Pelo visto nada será tão fácil e outra vez volto a ser a gata borralheira, que para conseguir algo na vida precisa lutar e fugir dos seus perseguidores. Mas como vou fazer isso, se o meu pior pesadelo é o meu próprio chefe?
