Capítulo 4 ~ Permaneça aqui

{Ponto de vista da Daisy}

— Bem — eu disse, a voz mais baixa agora. — Isso parece aquela parte em que as coisas ou melhoram um pouquinho… ou pioram muito.

DeLuca deu um passo mais perto e, com isso, fiquei ainda mais consciente da presença dele.

A sala já tinha sido intimidadora antes, mas agora, com todo mundo tendo ido embora, parecia quase perturbadora. A mesa comprida se estendia pelo centro do aposento, as cadeiras vazias afastadas como testemunhas silenciosas, enquanto o silêncio da sala pressionava meus ouvidos.

Ele parou a alguns metros, me observando, sem estar com raiva e sem impaciência também.

Só... analisando, e eu admirei isso, porque a maioria das pessoas perde a paciência comigo.

— Você estuda jornalismo — ele disse então, e eu pisquei.

— Sim.

— Você mora no campus.

— Sim.

— E você tem uma colega de quarto.

— Sim. Não consigo pagar o quarto sozinha.

— Você tem mais alguma família?

— Só a minha mãe — respondi.

De algum jeito, a conversa tinha virado um interrogatório conduzido por um homem que mal parecia interessado em falar.

Cruzei os braços.

— Essas são perguntas de aquecimento — perguntei — ou você só está tentando determinar o quão entediantes e tristes foram as minhas escolhas de vida?

Ele ignorou o comentário.

— Você estava saindo do trabalho hoje à noite.

— Sim.

— A biblioteca da Ridgewood Drive.

— Sim — confirmei com um aceno. — Bom, fico aliviada em saber que a parte do sequestro desta noite pelo menos veio com uma pesquisa precisa.

Ele me observou por mais um momento antes de falar de novo.

— Você vai permanecer aqui — anunciou, e por um instante meu cérebro simplesmente se recusou a processar a frase.

Aí eu ri.

Saiu cortante.

— Desculpa — eu disse, levantando uma mão. — O quê?

— Você vai permanecer aqui — ele repetiu, e a calma na voz dele fez o significado bater mais forte.

Eu encarei.

— Não.

A palavra saiu na hora, firme e reta.

— Você viu os homens que a levaram — ele disse.

— E daí?

— Você viu esta casa.

— Isso parece um problema solucionável.

— Você conhece o caminho — ele acrescentou, e algo frio se moveu pelo meu peito.

— Vocês me sequestraram por engano — eu disse devagar, a voz se apertando conforme a realidade do que ele estava dizendo se instalava. — E agora você está me dizendo que eu não posso voltar para casa?

— Você não pode sair.

Meu estômago despencou.

— Você não tem o direito de decidir isso!

— Tenho — ele disse, casualmente, e a raiva me atingiu tão de repente que quase me surpreendeu.

— Não — eu disse, dando um passo à frente. — Não, você definitivamente não tem! — eu gritei. A expressão dele não mudou.

— Você acha que pode simplesmente dizer a alguém que a vida dela acabou porque você fez merda? — exigi. — Eu tenho uma vida — não muito —, eu tenho aulas. Eu tenho pessoas esperando que eu apareça amanhã.

De novo, não muito.

— Você viu demais.

— Isso não é culpa minha! — retruquei, e minha voz ecoou de leve pela sala vazia.

— Você me agarrou num estacionamento — continuei, minha frustração transbordando agora. — Você me jogou dentro de uma van. Eu acordei no meio de um sequestro e, de algum jeito, sou eu que tenho que lidar com as consequências?

— Você não pode sair.

A repetição calma dessas palavras me deu vontade de bater numa parede repetidas vezes.

— Você é insano! — eu disse a ele.

— Talvez.

— Você não pode simplesmente manter pessoas presas.

— Posso.

Eu encarei ele.

— Você não sabe nada sobre mim — eu disse, a voz tremendo agora de raiva e medo. — Você não sabe da minha vida, da minha família, das minhas responsabilidades, e definitivamente não tem o direito de decidir que eu simplesmente vou sumir de tudo isso!

A expressão dele não vacilou, e aquela indiferença tornava tudo pior.

Parecia que eu estava gritando para uma tempestade que se recusava a responder.

— Isso é sequestro — eu disse.

— Não.

— É, sim!

— Não — ele repetiu, com a mesma calma. — Isto é precaução.

Soltei um ar que ficou perigosamente perto de uma risada.

— Uau — eu disse. — Isso é uma rebrandização incrível — murmurei, mas ele se virou para a porta.

— Nico — chamou, e eu percebi que havia alguém parado ali, encostado no batente com toda a calma do mundo.

A porta se abriu completamente e ele entrou, caminhando devagar na nossa direção.

Ele também era jovem e alto, com cabelo escuro e olhos penetrantes que passearam entre nós com interesse imediato.

O olhar dele parou em mim. Depois passou para DeLuca.

— Por que — disse ele, devagar — tem uma universitária discutindo com você no meio da noite, Adrian?

Adrian.

Mais um nome para aquela figura irritante sem esforço.

— Um erro — disse DeLuca, mas eu apontei para ele na mesma hora.

— Ele me sequestrou.

O recém-chegado piscou uma vez e então olhou de novo para DeLuca.

— Você sequestrou uma universitária?

Uma pausa.

— Essa é nova.

DeLuca o ignorou.

— Ela fica aqui.

O recém-chegado me analisou outra vez, claramente reavaliando a situação. Eu estava exausta, então ergui a mão num cumprimento.

— Oi.

Um sorriso fraco apareceu no rosto dele.

— Oi — ele respondeu, e então olhou de volta para DeLuca. — Então estou supondo que você quer que eu fique de olho nela.

— Sim.

Ele suspirou.

— Bom — disse, encostando-se na parede —, isso deve ser interessante.

{DeLuca}

~ Horas Depois ~

Fechei a porta do escritório atrás dos homens e abri a pasta que eles haviam colocado sobre a minha mesa.

Erros raramente aparecem sozinhos. Eles geralmente revelam algo maior escondido sob a superfície.

Essa foi a minha crença por muito tempo, e era a minha crença agora.

Dentro da pasta havia uma única folha contendo informações adicionais de antecedentes.

Daisy Bennett…

Idade: vinte e um…

Universitária…

Sem histórico criminal e sem conexões com qualquer organização que valesse a pena mencionar…

À primeira vista, ela era exatamente o que parecia ser; um erro.

O alvo tinha sido a filha da Viper, e Daisy Bennett não era essa mulher.

Mas, enquanto eu continuava lendo, um detalhe me fez parar.

Mãe: Elena Volkov (nome de solteira)…

Franzi a testa e me recostei lentamente.

— Volkov.

Mais cedo naquela noite, meus homens tinham confirmado a identidade da Viper… e descobriram que era Roman Volkov.

— o sobrenome que a mãe dessa Daisy Bennett também carregava.

Era oportuno demais para ser aleatório, então acessei o sistema para fazer minha própria pesquisa sobre Daisy e me aprofundar no passado dela.

Acessei os registros internos e suas modificações e, depois de cerca de uma hora, encontrei algo estarrecedor.

A Viper, também conhecido como Roman Volkov, era notoriamente conhecido como um demônio implacável no mundo do crime, mas com quem eu não me preocupei até que as operações dele tirassem a vida da minha mãe. Por isso venho caçando-o há algum tempo, sem conseguir capturá-lo nem descobrir um ponto fraco — até que me disseram que ele tinha um filho, uma filha.

O desgraçado conseguia procriar… e descobriu-se que o nome da filha dele era Anastasia Volkov, que acabáramos de falhar em capturar.

Mas agora…

Larguei o arquivo e me pus de pé. Então saí do escritório.

Nico estava mexendo no celular, encostado na parede do lado de fora do quarto de hóspedes, quando eu cheguei.

— Ela perguntou se as janelas eram à prova de balas e eu olhei pra ela de um jeito esquisito — ele me contou, e então… — São?

— São.

— Ok. Legal.

Passei por ele e entrei no quarto. Daisy Bennett estava sentada na beira do sofá, com os braços apertados contra o peito como se estivesse se preparando para outra discussão.

Ela ergueu os olhos na mesma hora.

— Me diz que você veio anunciar que eu vou embora, porque eu não vou tolerar mais essa palhaçada! — ela berrrou, enquanto eu parava a certa distância, nem um pouco preocupado com a aversão dela.

— Quem é seu pai?

Ela franziu a testa.

— Meu pai?

— Sim.

Ela deu de ombros.

— Eu não sei.

Eu esperei.

— Minha mãe me criou — ela disse. — Ele foi embora quando eu era bem pequena. Eu não sei muita coisa da história.

Não havia hesitação na voz dela… nem indício de enganação. Eu a observei por um instante e vi que ela estava dizendo a verdade. Eu sabia.

— Por quê? — ela perguntou então, num tom mais fraco.

Eu respondi:

— A mulher que pretendíamos pegar hoje à noite era a filha do senhor do crime mais renomado da cidade — tirando meu pai.

Ela fez uma expressão confusa.

— Tá…?

Eu dei um passo mais perto.

— E você também é.

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