Ele Não Me Sequestrou. Não Exatamente

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Introdução

A primeira coisa que notei quando acordei foi a fita adesiva grossa prendendo meus pulsos; a segunda foi que eu tinha sido sequestrada por um chefão bilionário da máfia que pegou a garota errada.

Eu queria dizer que minha primeira reação foi corajosa, mas foi quase só pânico. Fui enfiada à força numa mansão enorme de pedra — daquelas com colunas douradas e lustres do tamanho de carros. Se eu ia ser sequestrada, sinceramente, eu esperava algo um pouco menos... caro.

Fui arrastada para uma sala cheia de homens assustadores de terno. Foi aí que ele entrou. Adrian DeLuca. Alto, de ombros largos, com olhos verdes intensos e um físico perigosamente calmo que fez todo mundo na sala congelar. Ele era o CEO do Sequestro e, irritantemente, bonito. Ele me encarou, o maxilar marcado retesado, e disse com calma:

— Esta não é a filha da Víbora. Quem é você?

Soltei o ar.

— Bom, você me sequestrou por engano. Posso ir pra casa agora? Eu tenho faculdade pra pagar.

Mas Adrian não riu. Ele deu um passo mais perto, sua presença sufocantemente poderosa. Ele tinha mandado investigar minha vida.

— O nome de solteira da sua mãe é Volkov — sussurrou, os olhos escuros com uma promessa letal. — A mulher que pretendíamos sequestrar é a filha da Víbora... e você também.

Meu cérebro travou. Meu pai ausente era um senhor do crime impiedoso?

— Você me é útil agora — ordenou Adrian, com uma voz que não deixava espaço para discussão. — Você vai permanecer nesta casa. Vai para onde eu mandar e vai fazer o que eu mandar.

Eu fuzilei ele com o olhar.

— Você não é meu dono!

Ele se inclinou, o hálito roçando minha orelha.

— Agora sou.

Capítulo 1

{Ponto de vista de Daisy}

A primeira coisa que notei quando acordei foi que minhas mãos estavam presas com fita.

A segunda coisa que notei foi que o chão sob mim estava vibrando.

Não de leve. Não como uma máquina de lavar na centrifugação. Era mais como o ronco constante e irritado de um veículo passando por uma estrada que claramente já tinham desistido de consertar… o que me levou à terceira coisa que notei.

Eu estava deitada no chão de uma van em movimento.

Por um momento, fiquei completamente imóvel, porque meu cérebro ainda estava inicializando, que nem um notebook velho que já tinha visto situações ruins demais.

Mãos presas com fita…

Veículo em movimento…

Paredes de metal escuras…

Dois homens grandes sentados do outro lado…?

Ah.

Ah.

Ah, merda. Eu tinha sido sequestrada.

Eu gostaria de dizer que minha primeira reação foi elegante e corajosa, algo heroico e firme, mas não foi.

Minha primeira reação foi piscar várias vezes e pensar: “Bom, isso é novidade.”

Aí o pânico chegou.

Meu coração começou a martelar contra as costelas com tanta força que eu fiquei genuinamente preocupada de ele quebrar alguma coisa na saída. Sentei devagar, a fita em volta dos meus pulsos repuxando a pele de um jeito desconfortável.

Tá.

Tá.

Pensa, Daisy. Pensa.

A última coisa de que eu me lembrava era de sair da biblioteca do campus.

Eu trabalhava no turno da noite lá porque, aparentemente, a minha vida não era estressante o bastante por conta própria e eu precisava de ansiedade financeira pra dar uma apimentada de verdade nas coisas.

Estava tarde e frio, e eu estava atravessando o estacionamento do campus, quase vazio. E então—

Branco.

Nada, e agora eu estava ali; numa van, com fita adesiva e dois homens que pareciam capazes de fazer supino com geladeiras.

Ótimo.

Absolutamente fantástico.

Limpei a garganta e um dos homens olhou para mim. Ele era careca e tinha a expressão de alguém que nunca riu uma única vez na vida. Que dó.

“Boa noite”, eu disse, e ele franziu a testa na hora.

“Para de falar.”

Eu pisquei para ele.

“Bom, você me sequestrou”, apontei, com toda a razoabilidade. “Sinto que falar é a única compensação que me restou.”

O homem me encarou como se estivesse reconsiderando as escolhas de vida dele.

Do outro lado, o segundo cara franziu a testa.

“Não fala nada com ela”, disse ao primeiro, depois virou para mim. “Dá pra você calar a boca?”

Eu suspirei também.

“Tecnicamente, dá”, eu disse. “Agora? Provavelmente não.”

A van passou por um buraco e meu ombro bateu com força na parede de metal.

“Além disso”, acrescentei, fazendo uma careta de dor, “essa viagem é extremamente desconfortável. Se vocês vão sequestrar alguém, deviam mesmo investir em assentos melhores.”

O careca esfregou o rosto, como se tivessem acabado de dizer a ele que a esposa estava grávida de gêmeos quando ele nem queria mais um bebê.

“Fritzo”, ele resmungou para o motorista, e uma voz veio da frente.

“O quê?”

O homem se inclinou um pouco para a frente.

“Ela não parece nem age como o alvo. Acho que pegamos a garota errada.”

Silêncio.

A van continuou andando e, depois de um momento, o motorista falou.

“É essa garota. E o DeLuca vai lidar com isso quando a gente chegar na base.”

DeLuca.

O nome soou importante e, ao ouvi-lo, tentei me sentar mais ereta, ignorando a fita que cravava nos meus pulsos.

— Então — eu disse, num tom casual — quem é DeLuca?

Perguntei, e nenhum dos dois homens respondeu.

Que falta de educação.

O segundo cara murmurou alguma coisa entre os dentes, visivelmente aflito, e eu peguei só um pedaço.

— …se o chefe descobrir que a gente fez merda com o trabalho do Viper…

O Viper.

Bom, isso parece extremamente normal e nada assustador. Resolvi perguntar sobre isso também.

— Que Viper? — perguntei, e os dois me fuzilaram com o olhar. Eu olhei de um para o outro.

— Sabe — eu disse —, eu sinto que, se tem um Viper envolvido nessa situação, eu provavelmente deveria ser informada.

— Para de falar! — rosnou o careca, firme.

— Eu só estou dizendo — continuei —, comunicação é importante em ambientes estressantes — preguei.

A van diminuiu a velocidade, e o motor roncou ao virar para o que pareceu ser um caminho de cascalho. Os dois homens se endireitaram de repente, e um deles olhou pela janela traseira.

— Chegamos.

Chegamos?

Chegamos onde?

A van avançou mais um pouco e, de repente, parou. Em seguida, ouvi um som mecânico do lado de fora — um gemido metálico profundo.

A curiosidade falou mais alto quando me inclinei para o lado, tentando espiar pela janelinha minúscula de trás, e foi aí que eu vi.

Portões enormes de ferro.

Do tipo que aparece em filme, onde vilões ricos moram em mansões dramáticas à beira de penhascos. Eles se abriam devagar agora, e então a van passou por eles.

Eu fiquei sentada, em silêncio atônito, enquanto o veículo descia uma longa entrada ladeada por sebes perfeitamente aparadas e luzes de jardim brilhando.

Isso não era um galpão nem um beco suspeito. Não chegava nem perto do nível de sequestro para o qual eu tinha me preparado mentalmente.

Passamos por uma fonte; uma fonte de verdade!... com luzes e estátuas elegantes.

Que tipo de criminoso investe em paisagismo?

A van finalmente parou, o motor foi desligado e as portas se abriram. O ar frio da noite invadiu o interior, enquanto um dos homens agarrou meu braço e me puxou para ficar de pé. Eu tropecei um pouco quando ele me arrastou para fora da van.

E então eu vi a casa.

Chamar aquilo de casa era, na verdade, um insulto, porque aquilo era enorme:

Uma mansão gigantesca de pedra se erguia diante de nós, iluminada por luzes douradas e quentes que escapavam de janelas altas.

Sacadas.

Colunas douradas.

Portas de vidro.

O tipo de lugar que parecia pertencer a um bilionário ou a uma família real europeia — ou a alguém que tivesse pelo menos três iates.

Eu encarei, depois olhei para os meus pulsos cobertos de fita. Depois de volta para a mansão.

— Uau — eu disse, baixinho.

O careca me empurrou para a frente.

— Anda.

Eu caminhei em direção às enormes portas de entrada, ainda encarando. Porque, se eu ia ser sequestrada, sinceramente eu esperava algo um pouco menos... caro.

Quando as portas se abriram e eu entrei na mansão, um pensamento bem claro atravessou minha mente, algo que eu deveria ter me perguntado antes.

Afinal, quem é o meu sequestrador?

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"Porque seu ex está assistindo," ele disse, recostando-se na cadeira. "E eu quero que ele veja o que perdeu."

••••••••••••*
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“Você não mexe as mãos quando eu tirar as minhas. Entendeu? Se você desobedecer, eu vou te amarrar e te deixar aqui até os seus pais virem te procurar e te encontrarem cheia até a borda com a minha porra.”***************************************Alguém está me seguindo.
Eu quase fui assaltada, ou talvez algo ainda pior pudesse ter acontecido.
Mas teve um cara que me salvou, tipo um super-herói moderno, mascarado num capacete preto.
Eu devia ter ficado apavorada quando ele cortou a garganta do meu agressor e depois assentiu pra mim, esperando eu entrar no carro em segurança, e pôs a mão no meu vidro.
Em vez de sentir medo, eu estou sentindo...
Excitada.
Viva.
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Então eu faço o que ninguém em sã consciência faria. Eu fico rodando pelas ruas da cidade quando eu devia estar na cama, descansando, só esperando mais um vislumbre do meu salvador.
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