Capítulo 2 2

Mirella Narrando,

Minha nova rotina estava tão calma, eu assistia minhas aulas, enviava os meus trabalhos, estava tudo em dia, a Japa me mostrou uma casa que fica ao lado da sua, acabou de ser construída não era grande como a dela, mas eu amei cada detalhe, parecia que eu tinha escolhido cada peça da decoração era totalmente o meu estilo, ela preparou tudo mas não me deixou pagar, disse que era um presente, eu aceitei mesmo dizendo que não precisava, agora tendo conciencia de quanto tenho no banco eu poderia comandar a minha vida, meu pai tem me ligado como louco, e meus irmãos me mandaram mensagens muito desaforadas como se eu fosse a culpada pela  morte da mãe deles, mesmo com provas eles querem alguém para culpar, e eu bom sempre fui a peça mais fraca e  com isso a mais atacada, mas agora eu tinha quem me protegesse, e eu estava feliz, não escondia o frio na barriga que sentia sempre que o filho dela me olhava ou me dizia algo que eu poderia  interpretar como uma cantada, eu disse para mim mesma que deixaria que o destino se encarregasse de me mostrar se é com ele que deve seguir, não vou lutar contra, eu quero é apenas ter ao meu lado quem realmente se importa comigo, e essa família é extraordinaria, e eu não pretendo me afastar.

O estágio começou, eu pensei que a Japa teria apenas uma loja de cosmeticos, mas além das lojas ela tem uma fabrica e produtos com seu nome, eu realmente fiquei chocada, é como se ela fosse uma blogueira com uma marca de produtos exclusivos, eu amei, mas não escondia o cansaço, mas a gratidão de estar viva e feliz essa realmente não tem preço e nem culpa.

Essa sou eu, escrevendo meu novo capitulo, e espero que ele esteja de  acordo  com o destino, eu só desejo ser feliz.

Gael Narrando,

Depois que Mirella se mudou para a casa ao lado já se passaram quase um ano, ela está tão linda, começou a fazer academia com a minha mãe, e até foi treinada por ela, tem agora um olhar afiado e sedutor, e eu bom sigo ainda mais apaixonado, nós estamos ficando mas não rolou nada além e eu respeito, ela é virgem e tem seus sonhos antes de estar em um relacionamento sério , depois de tudo que ela passou com o pai esse apoio que a minha mãe deu a ela é muito importante, ela comanda todos os projetos da minha mãe na pista e falta apenas seis messes para ela se formar na faculdade, a minha formatura é daqui a duas semanas e eu vou assumir o comando, esse foi o combinado com a minha mãe desde o início e não me arrependo de ter ido para a faculdade assim eu conheci Mirella, e era sem dúvidas o meu maior presente.

Era sábado atarde quando ela subiu o morro no seu carro blindado já possuía toda uma posse de madame, e ao mesmo tempo aquelas mulheres fortes  e independente, mas também em seu olhar ainda tinha aquela doçura, ela desceu na praça aonde meus pais estavam e foi em direção a eles, e eu fui descendo lentamente, vendo ela sorrir tranquila e quando me viu me abraçou tímida mas em seu olhar tinha determinação.

Esta tudo bem?

- Tudo bem sim e com você?

Melhor agora. ( Ela riu tímida e me beijou, minha mãe olhava tranquila e admirada ela sábia que a nossa relação era parecida em partes com a dela e do meu pai, e eu ficava muito orgulhoso por isso, mas ela não deixava de perturbar o meu juízo porque se não fosse assim, não seria ela).

Japa Narrando,

Eu treinei a Mirella não  porque queria ela no comando, mas sim porque sentia que ela precisava se proteger, eu estou nessa vida a muitos anos e sei que quando as coisas estão calmas de mais as bombas vão vim com força, a formatura do meu filho foi linda, e eu morro de orgulho desse garoto, ele estava pronto para assumir o comando, faríamos um baile, e estava tudo pronto mas algo me dizia que naquele dia algo aconteceria, alertei meu marido e deixei a todos sobre aviso, poderia correr tudo bem, mas também tudo poderia sair do controle, e por ironia do destino ou não alguns donos de morros vieram, mesmo não sendo aliados estavam todos em paz, bom até percebemos quem era a fiel de um deles, a filha da madrasta da Mirella, aquela que tanto a humilhou, estava ali cheia de pose, joias pesadas e um vestido fácil  de mais, Mirella ainda não tinha chegada e a intrusa ainda não tinha me visto, fizemos as honra ao meu filho assim que ele chegou antes de subir pro camarote, até então tudo corria bem, subimos todos para o camarote e  ao lado ela mantia a pose como se fosse a dona do meu morro, mas ai ela se virou e viu Mirela, linda e com um olhar afiado, meu filho a abraçou beijando seu pescoço, e ela ainda olhava afiada pra sua ex meia irmã, e ali eu percebi que essa moça não deixaria passar, Mirela tinha mudado muito, nem de longe parecia aquela menina amedrontada, e isso a irritou, ela via que agora ela tinha muito mais  poder que ela, e a ganância lhe entregou cedo de mais.

- Já percebeu que ela não vai deixar a Mirella em paz né?

Ela ainda não sabe com quem está mexendo, e o casinho dela sabe bem que aqui o buraco é profundo de mais para ele se envolver.

- Garoto esperto.

Mau Mau Narrando,

Eu observava atentamente tudo que acontecia a minha volta, minha esposa também observava e com seu olhar matador ela já tinha traçado todo um plano, Mirella que agora tinha uma postura mais marcante e confiante, bem diferente daquela menina que conhecemos, e com toda certeza a sua ex meia irmã percebeu isso, e ver que ela tem agora um status e poder com toda certeza despertou o pior dentro dela, eu  observava como seu até então namorado se comportada, tranquilo e bem longe de qualquer confusão, ele sabia bem aonde estava e como as coisas aqui funcionam, ele foi respeitoso  e ao se despedir foi sincero e reforçou que queria firma parceria conosco, Japa que não perde nenhum, deixou claro que para ter uma parceria conosco a sua até então fiel nunca seria bem vinda a nenhum local em sua família estivesse, intrigado e confuso, ele olhou para sua fiel e perguntou o que ela havia feito, sonsa toda vida disse que nem nós conhecia, e ele avisou se ela estivesse mentindo ele não a pouparia, pois a nossa parceria era muito importante.

- Bom acho que por hora ela não vai aprontar nada.

Tenho minhas dúvida, ela ficou com medo com a ameaça dele, mas o ódio em seus olhos  brilhavam muito mais, ela não suportava a Mirella por ela ser a filha legítima e a única herdeira, e agora por ser bem sucedida e estar com o nosso filho, e isso por se só já é uma posição muito grande no nosso meio, nós somos respeitados, conquistamos um império com lealdade, e todos do nosso meio sabe como agimos, mas ela não sabe, provavelmente é aquelas patricinhas que subiu pra curti  o baile e se envolveu, deve esta ganhando dinheiro fácil e com isso cresceu os olhos, o pai da a Mirella ainda está preso, e ela mais o irmão não são mais responsabilidade dele desde que a mãe morreu.

- Então ela vai meter os pés pelas mãos achando que está segura, e que esse cara vai  proteger ela de nós, eu tenho a impressão que já vi esse filme antes.

Ah lembrei de uma bicha invejosa que eu conheci, e que achava que seu primo ia passar proteger ele.

- Ate iria, mas ele foi pro outro lado procurando ter sempre mais e mais, se perdeu pelo caminho eu achei e o matei.

Acho que antes de deixarmos o comando ainda vamos ter alguns vermes para  eliminar.

- Eu tenho certeza, prioridade no momento é a felicidade do nosso garoto, ele está conhecendo os  prazeres da vida, vou logo levar Mirella no médico, nada de netos por agora.

Isso é medo de ser chamada de vovó.

- Vou já te da uma pisa.

Te amo minha marrenta.

- Te amo  mais meu amor.

Mirella Narrando,

Agora mais madura conseguia ver coisas que antes jamais conseguiria, eu sabia muito bem que minha ex meia irmã iria cometer um deslize e certamente não seria nada bom, com a minha sogra eu aprendi muitas coisas, inclusive sobre o comando, e como me impor caso precise, a luta me deu um corpo mais firme, sedutor e pronto para enfrentar o que fosse necessário eu escolhi estar ao  lado dele e mesmo que eu não seja envolvida não me importaria de pegar em uma arma para proteger ele, agora eu entendia que para me manter em paz eu preciso acabar com a paz de outra pessoa.

Depois daquele baile, as coisas até pareciam tranquilas mas a minha sogra já havia me avisado que tinha gente atrás da minha ex meia irmã, e que ela estava bem inconformada por eu ter mais poder que ela, haveria uma reunião das relíquias e eu sabia que ela não se aguentaria calada, seria o momento perfeito para acabar com a graça dela sem precisar sujar as minhas mãos.

Ela vai cair sozinha e eu vou apenas da um leve empurrão.

Afinal eu não preciso me expor, muito menos mostrar para as pessoas que essa desiquilibrada já fez parte da minha vida.

Pessoas assim, ou você elimina ou convive com ela para sempre.

Bota Fora Comunidade,

Contemplem a minha volta!

Eu sei que estavam com saudades.

Porém....

Nada de porém porque eu sou fofoqueira e não gosto de suspense!

Soube por fontes seguras que nossa queria Japa anda mais armada que o normal, até sua querida nora que não faz parte do movimento está andando com uma pistola na cintura, a mulher ta só o poder depois que começou a treinar um corpão viu, e quem aproveita é nosso querido Herdeiro esse que só essa semana mandou deixar duas carecas, fiel é ele, nem da aviso manda logo passar a zero, gosto assim quando tá domado, Mau mau que o diga né, também ele que não anda na linha não, Japa passa ele rapidinho.

Bom, soube que a ex meia irmã da patroa, que nunca gostou dela e aprontava muito  com ela, andou rondando o morro, atoa ela não veio, ela tem um rolo com um cara que quer aliança com os chefes porém, ele ainda não sabe a cobra que ta do lado, e nem quanto tempo sua cabeça vai permanecer no lugar caso der muita corda pra ela.

De uma coisa eu sei, e me lembro bem que a Japa jamais vai deixar alguém machucar a sua família, aquela bicha safada que o diga, foi de arrasta.

Porém tem algo a mais acontecendo, a patroa ta armada de mais para uma simples ameaça, cabeças vão rolar, não sendo a minha eu volto pra contar a fofoca.

Japa Narrando,

Eu havia recebido uma pequena ameaça, essa que eu sabia nome sobrenome e endereço, mas deixei que pensasse  que estava com medo ou bolando um plano, o mau de quem não te conhece é que imagina que te fara perder o controle com meia palavras escritas, eu andava bem armada e sabia que estava sendo bem vigiada, minha nora que logo percebeu a diferença sacou logo do que se tratava, conversamos ela riu e entrou no jogo, Glock na cintura pente carregado e um olhar afiado, essa aprendeu direitinho, as pessoas olhavam intrigadas e algumas preocupadas até de mais, a página de fofoca já estava cheia de comentários e suposições, uma chuva de dúvidas e eu acompanhava cada uma delas, Mirella se divertia tirando print e me mandando, essa já tinha perdido o medo do perigo faz tempo, prova disso que jogou o carro em cima da meia irmã bem na entrada do morro, mando a infeliz pro hospital com as duas pernas quebradas, eu gargalhei  com a cena, meu filho todo preocupado desceu o morro em um desespero só, é filho do pai mesmo.

- Mãe você fica rindo?

Mirella não se machucou que desespero é esse? Ela sabia bem o que estava fazendo.

- Você criou ela igualzinha a senhora em, foi tão pouco tempo que quem não conhece acha que ela é sua filha.

E quem disse que não é, vai que você é adotado.

- Que audácia é essa senhora, eu sou sua cara.

Vou te mostrar a senhora no  meio da sua cara.

- Ficou nervosa né, quando disse que sou adotado estava rindo.

Eu posso dizer o que eu quiser.

- Que caras são essas?

- A mãe disse que sou adotado, olha audácia dessa senhora pai.

- Garoto, segura sua língua porque se essa senhora aqui se estressar sem sua língua você vai ficar.

- Tem que ficar do meu lado pai.

- Ta doido, eu conheço a mulher que eu tenho.

Ainda bem que sabe, agora vamos pra casa pois vamos fazer uma visita e levar um presente de pernas quebradas.

Mau Mau Narrando,

O olhar da minha esposa era afiado e determinado, eu sabia que ela tinha mais de um plano em mente, sabia bem que ela não ia deixar nenhuma ameaça passar, por menor que seja ela não ia perdoar, minha nora estava determinada como se guardasse por esse momento a tempos, a postura e a certeza ao dizer que estava pronta, me deu ainda mais certeza que a Japa a treinou em silêncio, ela mandou buscar a sua meia irmã no posto e mesmo com as pernas engessada foi puxada com brutalidade e colocada no porta malas do carro, o comboio foi armado, e fomos em direção ao morro de um quase aliado, ao chegar na barreira geral percebeu que não estávamos ali para brincadeira, o chefe chegou assustado, Japa desceu sem dizer nada, abriu o porta malas e puxou a infeliz que gritava, ele olhou sem entender o que estava acontecendo, mas minha esposa com seu discurso afiado e debochado, explicou bem o que estava acontecendo, Mirella riu e logo mostrou vídeos da ex irmã, esse que nem eu sabia que existia, o cara ficou alarmado puxou ela pelos cabelos, e mandou os caras liberar a madeirada, se ela ia sobreviver eu não sei, mas que se tiver amor a vida, ela não vai atrás da Mirella nunca mais.

- Foi mais fácil que imaginei, esse quer mesmo uma aliança.

Vai fazer aliança com esse morro?

- Ele vai achar que sim, mas eu não vou fazer, e meus olhos de águia vão voar por toda a parte.

Essa é a minha esposa.

HISTÓRIA NOVA,

UM CONTO DIFERENTE.

POV. Jimin

Assim que desci do carro, ao qual fiquei sentado por três horas inteiras, suspirei aliviado.

Estralei meus músculos e estiquei um pouco minhas pernas, reparando no colégio à minha frente. Era feito de pedra e com aparência antiga. Algumas torres na parte superior,e janelas abertas em intervalos regulares.

- Parece pequeno para um colégio que diz suportar mil alunos. - divaguei,inclinando um pouco a cabeça e reparando na imensa porta dupla,de madeira escura.

- Isso é porque usam magia para esconder seu real tamanho,senhor. - meu motorista falou,logo atrás de mim,colocando as malas que tirou do carro,ao meu lado,no chão.

Foi só então que reparei no fraco brilho mágico,envolto por toda a estrutura do local.

Uma buzina estridente e risadas me fizeram finalmente dar atenção aos demais novatos que chegavam. De cada carro,saíam adolescentes animados,outros nem tão empolgados.

Todos preparados para o começo de mais um ano letivo no maravilhoso Magicae Ludum,o colégio para jovens sobrenaturais de quinze à vinte anos.

Eu tenho dezessete. Mandei minha carta de matrícula apenas no anterior,mas não tinham mais vagas, então só fui aceito esse ano. Mesmo assim,era um privilégio. Estudar em Magicae Ludum não era uma das coisas mais fáceis de se conseguir. Era o único colégio para pessoas como eu,e ficava num lugar muito bem escondido dos humanos.

- Quer que eu entre com o senhor? - o motorista checou, olhando para mim.

Eu sorri.

- Não precisa, Jioh. Estou bem, agora. Tenha uma boa viagem de volta.

Paul assentiu com um pequeno sorriso e entrou novamente no carro, sumindo de vista ao seguir na estrada de chão,logo depois do portão de ferro na entrada.

Virei novamente para observar as pessoas à minha volta. Tritões, sereias, licantropos, fadas, elfos, ninfas... De tudo um pouco,e isso me fascinou.

O mundo mágico sempre ganhou um enorme carinho por mim,pelo fato de eu ser um feiticeiro, e magia de todas as formas chamarem minha atenção.

Comecei a puxar minha mala,até um pouco mais à frente. Estava leve, à medida que as rodinhas se moviam. Mas era uma mala encantada,e tinha meu closet ali dentro,além de uma pequena biblioteca onde eu guardava todos os meus inúmeros grimórios.

Parei,no momento que dois vampiros passaram correndo por mim,quase me atropelando. Eles riam e nem pareciam perceber as pessoas durante o caminho que tomavam.

- Alunos! - ouvi uma voz alta e ao mesmo tempo mansa.

Avistei um homem parado à porta do colégio. Usando terno preto e camisa social azul,que destacava seus olhos,que mesmo eu estando à uma bela distância,eram possíveis serem identificados como azuis.

- Peço a atenção de todos! - ele continuou,com um sorriso terno,aos poucos todos foram se acalmando e parando mais perto da entrada,para ouví-lo.

O homem era alto e com os cabelos negros bem penteados. Pela palidez da pele e o anel do sol que reluzia com uma pedra de topázio em seu dedo anelar direito,deduzi que ele era um vampiro.

- Sou Kim Sihyuk. O diretor de Magicae Ludum. - declarou, colocando as mãos nos bolsos e passando seus olhos por cada novo aluno - Vocês,novatos,terão seus quartos definidos assim que eu terminar o que tenho para dizer. As regras são simples:sem abuso de poderes,sem brigas e por favor,sem guerra de comida. - alguns riram baixinho e ele balançou a cabeça,sorrindo - As aulas vocês escolherão quais querem fazer,e que dia. Não separamos as salas por idade,senão teríamos enormes problemas com os imortais de vocês. O almoço é servido ao meio dia em ponto,e o jantar às oito. Sei que alguns não tem o hábito de dormir,como eu,por exemplo,por isso não temos um toque de recolher. E, por último... culpem os veteranos por isso.

Todos se entreolharam confusos,mas a resposta veio logo à seguir, quando uma chuva de purpurina começou do nada, provavelmente sendo criada por um feiticeiro veterano.

Alguns gritaram surpresos,outros riram,e eu fiquei estático,vendo o brilho púrpura tomando conta do local.

O diretor riu, eu dei um leve pulo ao sentir meu corpo formigar. Relaxei ao perceber que era um feitiço de teleporte e num piscar de olhos,eu estava num quarto.

Era grande,com quatro camas,uma em cada extremidade. A janela enorme,bem em frente a porta e as cortinas brancas balançavam com o vento fraco.

Não tinha nada além das camas e uma porta do lado direito,onde deveria ser o banheiro.

Eu estava ao lado da cama da esquerda à porta de entrada,e coloquei minha mala ali em cima,no exato momento em que mais três garotos surgiram no quarto.

A fumaça de teleporte tinha um leve tom arroxeado e deduzi como sendo magia branca.

- Teleportes são estranhos. - declarou um garoto de expressão divertida.

Ele tinha cabelos castanhos e olhos do mesmo tom,com um leve sorriso travesso que deveria estar sempre presente em seu rosto. O que me chamou atenção,foram as asas brancas - mesmo que quase cheias de purpurina da cor púrpura - que estavam fechadas às suas costas. Pareciam de penugem tão leve. Muitas raras vezes,encontrei alguém com asas.

Sua cama era oposta à minha e nossos olhares se encontraram.

- E aí, cara? Sou Taehyung. - ele estendeu a mão,se aproximando,e eu apertei de bom grado.

- Jimin. - Respondi, sorrindo também.

- Isso é macio. - a voz nos fez virar para olhar.

Encontramos um loirinho na cama ao lado da janela. Ele ria,dando pulinhos,ainda sentado,na cama que agora lhe pertencia.

Seus olhos azuis,mais escuros do que os meus,foram fechados,ao que deu um impulso e ficou em pé,pulando,animado no colchão.

- Por favor, Jin. Se controle. - a voz mansa, me fez descobrir que dividiria o quarto com um vampiro.

Ao focar nele,reparei que meu tutor estava tremendamente certo,quando disse que todos os vampiros têm uma boa aparência.

O garoto que eu via,tinha lindos olhos avelã e cabelos negros, sua franja caia levemente sobre seus olhos. Usava calça jeans preta rasgada, e regata preta. A pedra do seu anel de sol,era um rubi.

- Por que vocês não estão cheios de purpurina,como eu e ele? - Taehyung perguntou,apontando para si mesmo e depois para mim.

O vampiro sorriu e o loirinho chamado Jin,riu.

- Eu sabia que iria acontecer,por isso saí de lá antes.

- E eu fui rápido em segui-lo. - O moreno contou,sentando na beirada de sua cama.

Dei impulso para sentar em minha cama. Todas eram altas e muito espaçosas. Caberiam facilmente cinco pessoas em cada.

- Vamos nos apresentar. - Taehyung deitou em sua própria cama,apoiando-se nos cotovelos e olhando para nós - Vocês vão ter que me aturar pelo resto do ano,então...

Jin riu.

- Você é um cara bacana. Vamos nos divertir.

Taehyung olhou confuso para ele.

- Como sabe que sou bacana?

O loirinho sentou estilo índio.

- Sou um vidente. Sei quase tudo sobre vocês e sobre o ano que teremos.

- Isso é maneiro! - Taehyung sorria, animado - Me diz,o que vou fazer em cinco minutos?

Jin balançou a cabeça, rindo.

- Eu não tenho permissão de contar o que vejo. Mas posso dizer que o jantar será incrível,já que nossos pratos se enchem com com o que gostaríamos de comer.

Fiquei feliz em ouvir isso.

- Então... - comecei e ganhei a atenção dos três - Já que não pode contar,vamos seguir a ideia do Taehyung. Meu nome é Park Jimin,tenho dezessete anos,e sou um feiticeiro de magia branca.

Ao dizer a última parte,senti um desconforto,por ter o olhar do vampiro em mim. Ele provavelmente ouvia meus batimentos e sabia que eu mentia, ainda que parcialmente.

- Bom... - ele desviou o olhar de mim e suspirei aliviado por não ter feito nenhum comentário - Sou Min Yoongi,vampiro e nasci em... - ele parou,olhando para o nada, como se tentasse lembrar - 1700.

Arregalei os olhos.

- Então você tem,tipo... mais de trezentos anos. O que faz num colégio?

Yoongi sorriu.

- Jin me ligou e disse que esse ano seria cheio de emoções. - deu de ombros - Então conversei com Sihyuk,um velho amigo,e ele me deixou entrar.

- Você é amigo do diretor, isso pode ser útil. - Taehyung sorriu, travesso.

Jin riu.

- Eu sou filho do diretor.

Taehyung e eu olhamos pasmos para ele.

- Mas... - comecei. Não era possível,porque vampiros não têm filhos e videntes não são imortais.

- Na verdade, ele é meu padrasto. - Expliquou, sorridente.

- Minha vez. - Taehyung se pronunciou - Kim Taehyung,dezessete anos e tenho asas que podem me deixar invisível quando quero.

- Isso vai ser útil mais vezes do que imaginam. - Jin disse em tom misterioso - Enfim... - ele apontou para si mesmo - Kim SeokJin, mas me chamem apenas por Jin,dezesseis anos,amante de festas, pavor profundo de robôs,não sei porque meu pai insiste em usá-los como guardas nas extremidades do colégio. - ele estremeceu e nós rimos - E,por último,já encontrei meu Soulmate.

Sorri ao ouvir isso.

Soulmate era a pessoa que desde que nasceu,foi destinada a ser sua alma gêmea. Depois que Soulmates se encontram,ficam juntos o resto da vida.

Eu sou um feiticeiro,e posso ficar imortal na idade que quiser,por isso sempre achei que talvez encontrasse o meu,depois de séculos vividos.

- Eu estou for a dessa de Soulmate. - Taehyung falou - Não quero ficar amarrado à alguém,o resto da minha vida.

- Quando encontrar o seu,não pensará mais assim. - Yoongi informou e Jin tinha um sorrisinho enigmático,que eu teria que aprender a conviver.

- E você, Yoongi? - indaguei - Já achou seu Predestinado?

- Predestinado? - Tae franziu a testa, se ajeitando na cama.

- Ao invés de Soulmate,nós,vampiros,temos predestinados. - Min explicou.

- Por quê? - Taehyung estava com seu olhar confuso.

- Porque não temos alma. - Yoongi deu de ombros,como se fosse óbvio.

Eu tinha aprendido isso à uns anos. Meu tutor,de magia,me explicava o máximo de tudo,para que eu soubesse quais feitiços certos,para cada ocasião.

- Você vai na enfermaria para se alimentar,ou vai fazer isso aqui mesmo? - Taehyung perguntou,apoiando o rosto nas mãos e fitando Yoongi com expectativa - Nunca vi um vampiro se alimentar.

Yoongi riu.

- Cara, você tem problemas. Não,eu não bebo sangue humano,só de animais e provavelmente vou usar a floresta para isso.

Taehyung pareceu desapontado e nós três rimos.

A floresta em volta do colégio,era dividida em três partes:a do sul,na parte de atrás,era onde as criaturas sombrias ficavam e os alunos não tinham permissão de ir,a do leste era onde teríamos algumas aulas e do oeste algumas criaturas como ninfas ou fadas moravam,então só poderíamos entrar se fôssemos convidados.

- Ah! - Jin pulou de cima de sua cama,dando um susto em todos nós. Ele correu até sua mala,ali ao lado e tirou um pergaminho de lá - Eu tenho a lista de aulas. Escolham oito.

Caminhamos até ele,e sentamos em sua cama. Fiquei no meio, segurando o pergaminho e observando a lista de matérias.

- As aulas começam segunda,às oito. - Jin explicou,parado em pé,à nossa frente - Hoje é sábado,então,provavelmente vamos ter uma festa amanhã à noite.

Cada um decidiu a sua e escrevi num papel,para não esquecer as minhas.

A única matéria que teríamos todos juntos,seria treinamento na floresta.

Depois de tudo pronto, Jin estava guardando o pergaminho na mala,quando ouvimos batidas na porta.

O loirinho correu até lá,com um grande sorriso no rosto.

Ao abrir, avistamos um garoto.

Seu cabelo era quase tão claro quanto o de Jin,a regata branca deixava à mostra seus músculos e seus olhos brilhavam de um cinza quase prata,denunciando que era um fantasma.

- Oi, amor. - ele deu um sorriso brilhante,antes de se inclinar e dar um selinho em Jin.

Taehyung e eu acenamos para ele.

- É um prazer. - Namjoon retribuiu com um sorriso - Vocês estão com fome? Eu estava indo até o refeitório.

- Eu estou sempre com fome. - Jin contou e nós rimos,seguindo os dois para for a.


POV. Jimin

- Eu só estou dizendo,que se as pessoas colocassem Sucrilhos e cereal de chocolate, juntos, ficaria bem melhor. - completei,enquanto andava entre Taehyung e Yoongi. Jin e Namjoon,mais à frente sorriram com o que eu disse.

- Você é um visionário, Jimin. - Tae opinou - Vou fazer isso quando chegarmos no refeitório.

Yoongi riu, ajeitando o topete de fios negros.

Eu achei extremamente fofo!

Chegamos na porta do refeitório,que era de madeira talhada com desenhos de sol e lua. A entrada dava lugar para o local gigantesco,com dezenas de mesas e cada uma com dez cadeiras.

Na parte superior das paredes,as janelas eram todas grudadas uma na outra,dando impressão de ser uma única janela comprida o suficiente para rodar todo o lugar.

Nem percebi que tinha ficado parado,observando tudo,quando Jin riu e me puxou pelo pulso, para dentro.

Na outra extremidade do refeitório,havia uma mesa longa que pegava da parede da direita até a esquerda,cheia de bandejas.

- Peguem uma, e sentamos a mesa. - SeokJin explicou - Depois é só pensar o que quiser comer,que a bandeja enche.

Segui meus novos amigos até lá, e peguei uma das bandejas azuis para mim.

Escolhemos uma mesa do canto,e logo Jin estava sentado e sua bandeja se encheu magicamente de frango frito e batatas fritas,além de um enorme copo de refrigerante.

Ia me sentando também,quando senti alguém me cutucar no ombro. Virei,dando de cara com um antigo amigo,que sorria alegremente para mim.

- Hyukwoo! - sorri largo,continuando de pé e o abraçando com força.

- Cara, quanto tempo. - ele riu,me abraçando de volta - Não sabia que ia estudar aqui.

- Eu também fiquei surpreso quando recebi a confirmação. - confessei, rindo um pouco ao nos separar - Ah, - lembrei dos garotos sentados na mesa - Esses são meus colegas. Pessoal, esse é o Kwon Hyukwoo, estudamos em colégios humanos juntos,quando éramos crianças.

Hyukwoo cumprimentou todos, ele já conhecia Namjoon, estudavam juntos, e Jin já sabia quem ele era.

Depois de apertar a mão de Yoongi, seus olhos pousaram em Taehyung, sentado no banco logo ao meu lado.

Os dois ficaram se encarando por uns segundos e isso foi meio estranho, mas então Tae pigarreou, e Hyukwoo pareceu sair de um transe, sorrindo hesitante e apertando a mão dele também.

- Bom,eu já vou. - Kwon declarou,virando para mim - Tenho que ajudar o pessoal a encontrar um bom lugar para a festa de amanhã.

Nos despedimos com um soquinho,e sentei ao lado de Taehyung.

- Todos os seus amigos são gatos assim? - Ele perguntou e eu ri.

- A maioria. - Brinquei.

Pensei em pudim,pão de queijo e algumas frutas,e no mesmo instante, minha bandeja não estava mais vazia.

Comemos entre conversas e risadas escandalosas - da parte de Kim - e nem vimos a hora passar.

As luzes mágicas já estavam acendendo fracamente,ao que o sol se punha, quando finalmente saímos da mesa.

- Vamos dar uma volta na floresta? - Namjoon sugeriu, abraçado de lado à Jin.

- Podem ir, eu vou para a biblioteca. - Falei e eles assentiram.

Ao sairmos pela porta, eles viraram na direita e eu na esquerda.

Sorri ao ouvir a risada de Jin e a voz de Yoongi, parecendo ao mesmo tempo irritada e risonha.

Parei no fim do corredor, perto da bifurcação,e girei meus dedos. A luz arroxeada com pequenos brilhos amarelos,rodeou meus dedos e um mini mapa do colégio, surgiu na palma da minha mão. Dois pontinhos azuis piscavam,enquanto eu andava. Um era eu, e o outro meu destino.

Eu não fazia ideia de onde a biblioteca ficava,então agradeci mentalmente por esse feitiço ser um dos primeiros que aprendi.

Enquanto andava,me lembrei do começo das minhas aulas com meu tutor. Eu não levava nada à sério, eu ria e brincava com feitiços, o que na maioria das vezes resultava em coisas explodindo.

Mas isso só durou até meus doze anos. Quando eu descobri... Quando meu pai finalmente me contou e meu treinamento passou a ser mais pesado,mais sério,e toda a alegria de criança,foi se esvaindo aos poucos.

Magia se tornou algo precioso e perigoso para mim. Me contentei em aprender muitos feitiços, mas usar apenas os menores e realmente necessários.

Minha divagação foi interrompida,quando esbarrei em alguém.

- Mil perdões. - o garoto falou,abaixando para pegar os vários livros que derrubou.

Suas asas brancas estavam fechadas às costas,mas eu podia ver algumas penas púrpuras.

Eu abaixei para ajudá-lo e ele sorriu agradecido.

Seus olhos azuis eram quase iguais os meus,e seu cabelo incrivelmente negro e meio ondulado, além do queixo quadrado,davam um ar de poder à ele.

- Sou Chanyeol. - falou,assim que ficamos em pé. Estendeu a mão, quase derrubando os livros que segurava, novamente, mas manteve o equilíbrio,rindo.

- Jimin. - Ri também.

- Me desculpe por isso. - pediu,sorrindo - Meu namorado está tendo ideias loucas para o novo dormitório,e eu fiquei encarregado de pegar os livros das matérias que faremos.

- Não são "ideias loucas". - uma voz atrás de mim, me fez virar.

O rapaz parado ali, sorrindo para Chanyeol, era bonito. Na verdade, pela aura de magia que eu sentia por ser um feiticeiro,eu soube que ele só parecia um rapaz,mas devia ter centenas de anos.

O que mais me chamou a atenção,foram seus olhos. Pareciam olhos de gato e eram realmente bonitos.

- Baekhyun, transformar sua cama em um mini castelo com colchão em cima, é no mínimo maluquice. - Chanyeol zoou,mas seu sorriso era carinhoso para o outro,e eu sorri com isso.

- Castelos são incríveis. - Baekhyun retrucou,balançando os dedos e fazendo os livros nos braços de Chanyeol, começarem a flutuar perto de si.

- É melhor eu ir - Chanyeol sorriu para mim - E impedí-lo de transformar as camas dos nossos colegas de quarto,em banheiro para o gato.

Nós dois rimos e Baekhyun revirava seus olhos diferentes.

Os dois saíram,me deixando parado no corredor, imaginando como seria ter um namorado.

Eu nunca tive um,e não por não ter pretendentes,ou não querer. Apenas por não poder.

Virei de volta para a biblioteca, me obrigando a esquecer aquele assunto e não cutucar a ferida.

Fiquei maravilhado, quando finalmente contemplei o lugar.

Prateleiras que se estendiam até onde se podia ver,entupidas de livros. Sofás e poltronas voavam pelo lugar, com alguns alunos sentados neles, lendo. O chão era repleto de frases de livros. E o teto com desenhos de cupidos dormindo em nuvens. No centro, um balcão onde um goblin - pelo menos eu achava que era um goblin - estava sentado carimbando um monte de livros. Ele era verde e tinha uma cara azeda, como se tivesse comido algo estragado.

Caminhei por entre as prateleiras,procurando um livro interessante.

Quando achei um sobre os primeiros feiticeiros do mundo,fui até uma mesa ao lado de uma janela. Fiquei me perguntando se algum dia,eu voltaria a ser a pessoa alegre e de bem com a vida, como eu era, e quando pararia de fingir a felicidade.

O livro era bom. Eu estava sentado confortavelmente na poltrona de veludo vermelho,com os cotovelos apoiados na mesa de madeira escura e o livro aberto numa das dez primeiras páginas.

Eu ouvia algumas risadas vindo do lado de for a da janela,que tinha vista para a clareira atrás do colégio.

Fui sentindo minhas pálpebras pesarem cada vez mais,e quando dei por mim,estava dormindo.

Meus sonhos,por eu ser um feiticeiro,sempre foram mais realistas do que os das outras pessoas. Normalmente eu sabia que estava sonhando,mas não podia mudar nada ou me obrigar a acordar.

Dessa vez,conseguia me ver sentado numa pedra,no topo de uma colina,observando o horizonte onde o sol nascia.

Passos foram ouvidos e eu me vi virando o rosto,e sorrindo tão feliz que virei também,para ver quem era.

Fiquei frustrado,quando não consegui discernir o rosto. O corpo era alto e bonito, mas o rosto estava desfoque e tudo que eu via era um brilho fraco e verde.

Meu outro eu levantou,correndo até essa pessoa,que parecia ser um homem.

Mas antes que os dois se abraçassem,o homem sem rosto caiu de joelhos. O som que saiu de sua garganta era horrível,era sufocante,as mãos foram para o pescoço,como se tentasse buscar ar. As veias dos braços foram ficando pretas até chegarem nos dedos.

Me vi gritando e chorando,mas não conseguindo mais correr. Era como se uma parede de vidro tivesse crescido entre meu eu do sonho e o homem que já não respirava mais.

O corpo caiu na grama e ainda sem ver o rosto,senti uma lágrima escapando do meu olho.

Eu ouvia o grito e o choro desesperado do meu outro eu,mas ao fundo,eu também ouvia uma voz chamando meu nome.

No começo era um sussurro,até que foi aumentando o volume e com um pulo,percebi ser a voz de Yoongi.

Levantei o rosto da mesa, piscando atordoado, enquanto tentava focar minha visão.

Yoongi estava parado em minha frente,com um sorrisinho e a mão no meu ombro. Jin logo atrás, comia um pacotinho de amendoim doce e quando senti uma folha sendo desgrudada do meu rosto, percebi Taehyung do outro lado da mesa,rindo.

- Sono gostoso, hein? - ele brincou, colocando a folha na mesa.

Massageei meu rosto e cocei meus olhos,passando a língua em meus lábios secos.

- O que aconteceu?

- Nós te procuramos pelo colégio todo. - Yoongi contou - É uma da madrugada, cara. Estamos indo para o dormitório.

Me surpreendi pela quantidade de tempo que dormi,e por lembrar apenas de fragmentos do sonho.

Levantei da poltrona,estralando minhas pernas e balançando meus dedos da mão direita, fazendo o livro voar da mesa para o antigo lugar na prateleira.

- Jimin, cara, posso pedir uma coisa? - o Kim moreno falou,ficando ao meu lado,enquanto andávamos para for a da biblioteca.

Assenti,colocando minhas mãos nos bolsos da calça jeans que usava.

- Tem um feitiço para mudar a cor do cabelo? Seria maneiro se você deixasse o meu roxo,ou azul. Ah, verde também seria bacana.

Yoongi, Jin e eu rimos.

- Tem, sim. Posso fazer se você quiser.

- Valeu, cara. - Sorriu, passando o braço pelos meus ombros.

A conversa continuou entre os três,enquanto minha mente vagava,tentando lembrar mais detalhadamente do meu sonho.

Nas paredes do corredor,tinham algumas pequenas janelas em intervalos regulares,de onde eu podia ver homens parados perto do portão e da floresta. Estavam todos na mesma posição e nem se mexiam,então deduzi que deviam ser os robôs que Jin falou mais cedo.

Virei o rosto quando senti Taehyung parar.

- Eu vou dar uma volta. - disse Yoongi,pegando um amendoim doce de Jin - Nos vemos amanhã,quando acordarem.

Ele acenou e um segundo depois não estava mais ali,deixando apenas uma onda de vento que bagunçou nossos cabelos.

- Eu queria ter super velocidade. - Jin comentou, voltando a andar ao meu lado.

- Você vê o futuro, SeokJin. - Taehyung lembrou,olhando indignado para o loiro - O que pode ser mais legal do que isso?

Os dois ficaram discutindo até chegarmos no nosso dormitório. Tudo que eu fazia era comer alguns amendoins do vidente e ouvir o que diziam.

A porta foi aberta e cada um foi para sua cama.

Em segundos,pude ouvir o ronco baixo de Taehyung e a respiração lenta de Jin.

Coloquei meu pijama e fiquei embaixo do edredom, fitando a janela fechada,mas que pelo vidro,podia-se ver a lua alta no céu.

Não sei quanto tempo permaneci assim,porque não conseguia dormir novamente.

Mas num certo momento,decidi levantar e ir até o refeitório,beber um copo de leite morno,quando tinha insônia em minha casa,a empregada sempre levava um copo para mim.

Sentia saudades de Sana. Era uma boa mulher.

Abri a porta com cuidado,tentando não acordar os dois Kim,e saí pelo corredor,com meus pés descalços emitindo sons fracos no chão.

Virei em alguns corredores,até lembrar que eu não sabia o caminho. As duas vezes que andei pelo colégio,estava com os meninos.

Bufei, irritado comigo mesmo,quando percebi que tinha me perdido. O corredor que me encontrava, era quase idêntico ao do meu quarto,com exceção de uma porta de madeira, pintada de azul,do outro lado.

Desviei meu olhar para meus dedos. Precisava criar outro feitiço de mapa,para conseguir chegar até onde queria,senão acabaria no porão,ou numa sala de tortura, sei lá. Ninguém sabe exatamente o que se tem em Magicae Ludum.

Quando a fumaça arroxeada começou a tomar conta dos meus dedos,ouvi um som. Era uma música, chegando à mim meio abafada e ao virar meu rosto,percebi que vinha da porta azul. Ela estava fechada,mas mesmo assim,me vi caminhando até lá.

Meus passos eram lentos e hesitantes,mas parei em frente à ela,levando meus dedos para a maçaneta e girando devagar, não querendo atrapalhar o dono do som.

Empurrei um pouco a porta,dando visão de uma sala de música, grande, com vários instrumentos espalhados.

Meus olhos pararam instantaneamente,na figura sentada de frente para o piano. Seus dedos longos dançavam sobre as teclas e a melodia saía suave,assim como sua voz, enquanto cantava baixinho.

Só para seus olhos, vou mostrar meu coração

Para quando você está sozinho e esquece quem você é

Estou perdendo metade de mim quando estamos separados

Agora você me conhece, só pelos seus olhos

Só para os seus olhos

Era uma letra bonita,e encostei a cabeça no batente da porta, apreciando a música que parecia me inundar confortavelmente.

De repente o som de risadas estridentes e passos pesados foi ouvido e virei para o corredor, encontrando duas garotas rindo e seguindo para o lado oposto de onde eu estava. Elas nem me notaram e logo sumiram de vista.

Percebi que a música tinha parado e olhei para dentro da sala novamente.

O rapaz estava com o rosto virado para mim,a luz da lua que entrava pela janela,me dava perfeita visão de suas feições másculas e seus olhos verdes brilhantes. Seus cabelos de uma cor achocolatada caíam em seus olhos, vestia uma fina camiseta cinza.

Usava também calça de moletom da mesma cor e chinelos pretos.

- Eu te acordei? - sua voz rouca me fez parar de admirá-lo e focar apenas em seus olhos estranhamente familiares.

- Não. - neguei de prontidão - Eu só estava... esquece. - fiz uma gesto com as mãos - Acho que nunca ouvi essa música.

Ele deu um meio sorriso,olhando pensativamente para o piano.

- Eu a compus.

- É realmente linda. - falei e recebi um sorriso maior,me deixando com a vista de uma covinha que me fez sorrir automaticamente.

- Você é novo aqui? - perguntou,virando mais para o lado e ficando com uma perna de cada lado do banco.

Assenti.

- E você?

- Segundo ano. - contou - Foi inesperado quando fui aceito já na primeira tentativa.

O silêncio se instalou entre nós,estávamos ocupados demais nos examinando. Ele inclinou a cabeça um pouco para o lado,como se estivesse tentando lembrar de algo.

Notei algumas tatuagens em seus braços,mas o que mais me chamava a atenção,eram seus olhos verdes,tão intensos e quase irreais de tão lindos.

Pigarreei,coçando minha nuca e me endireitando, ainda na porta.

- Eu... preciso ir. - Falei, sorrindo um pouco.

- Ok. - ele assentiu - Posso saber seu nome?

Obriguei minhas pernas a se mexerem,e caminhei até perto do banco que ele estava sentado,estendendo minha mão,num cumprimento.

- Park Jimin.

- Jeon Jungkook. - respondeu,apertando minha mão com determinação.

Pode ter sido impressão,delírio da minha cabeça,mas vi algo em nossas mãos. Mais especificamente,em nossos dedos mínimos.

Algo como... uma fraca luz vermelha.


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