Capítulo 4 A suspeita recai sobre Marty
Zeus balançou a cabeça e lançou um olhar para Memphis. “Arruma uma jaula pra mim. Preciso levar elas de volta pro complexo. Lá a gente tem uma proteção melhor do que aqui, no meio do nada. Depois fecha essa porra de lugar e todo mundo volta pro clube. A gente precisa descobrir que porra tá acontecendo por aqui.” Ele desviou o olhar, fulminando com os olhos o integrante do Diabolus que tinha voltado com eles. “Afinal, que diabos os Dragons querem agora?”
Memphis bufou. “Você sabe muito bem o que eles querem. Eles querem o nosso território e a gente morto.”
“É.” Zeus assentiu. “Eu sei disso, mas por que agora e o que ela tem a ver com isso?” Ele fez um gesto com a cabeça na direção de Marty.
“Eu não tenho nada a ver com isso”, Marty afirmou de novo.
“Então por que você veio aqui hoje, justo hoje?” Zeus perguntou.
Marty mordeu o lábio e desviou o olhar. Eles não iam ficar felizes se soubessem o verdadeiro motivo de ela ter vindo. Todos odiavam Sam e tinham expulsado a mulher dali fazia um tempo. Droga, ela precisava encontrar Sam, porque aquela tinha sido a primeira vez em dois anos que ela chegara perto de encontrá-la.
Marty sabia que eles iam querer saber por que ela estava procurando Sam, e ela não estava pronta para contar. Aquilo era entre ela e Sam. Ela baixou os olhos para a própria mão e sentiu a dor que aprendera a suportar. Tinha levado dez anos para aceitar que nunca mais teria o uso completo da mão. Não como antes, mas ela se reeducara a usar a mão de novo — e fizera isso dez vezes melhor do que os médicos disseram que ela conseguiria. Ela precisava mesmo encontrar Sam, e aquele lugar tinha sido sua última esperança.
Droga, ela estava sempre um dia atrasada e sem um tostão no bolso. Ia ter que recomeçar a busca do zero.
No Complexo dos Brothers
Zeus pegou emprestado o veículo do irmão e depois levou Angel e Marty de volta para o complexo. Dois motociclistas os escoltaram, enquanto Memphis ficou para trás para lidar com a polícia e o corpo de bombeiros.
Quando entraram no complexo, as portas da frente se abriram e homens saíram do clube.
Zeus desligou a caminhonete. Os homens formaram uma linha, e alguns franziram a testa quando viram Marty sentada ali. Claramente acharam que ela era Sam, e não ficaram nem um pouco felizes por ela ter voltado.
Marty baixou os olhos para a menininha sentada ao lado dela.
Quando o pai parou a caminhonete, Angel soltou o cinto de segurança num estalo e subiu no colo de Marty. Angel estava bem acordada e se inclinava o máximo que conseguia para perto de Marty. O bracinho continuou enrolado no braço de Marty, e Marty apertou a menina contra si e sussurrou algo no ouvido dela.
Angel se afastou um pouco para Marty conseguir tirar o próprio cinto.
Envolvendo o corpo de Angel com os braços, ela sussurrou: “Vamos entrar?”
Angel assentiu.
Quando Zeus saiu e deu a volta na caminhonete para abrir a porta dela, Marty já estava pronta para descer. Ela hesitou, encarando os homens à frente do veículo. Olhando para Zeus, disse: “Os nativos parecem um pouco inquietos esta noite.”
Zeus deu de ombros. “Você tem que entender uma coisa: Sam Wyatt fez papel de idiota por aqui. Ela irritou muita gente antes de a gente encher o saco e chutar a bunda dela pra fora.”
“E o fato de eu não ser a Sam não vai fazer a menor diferença, vai?”
De novo, ele deu de ombros.
Marty fulminou-o com o olhar. “Olha, por que você simplesmente não me diz para onde a Sam foi e me deixa ir? Eu não estou aqui para arrumar confusão.”
Zeus encarou-a. “Por que diabos você estaria procurando a Sam? Ela não passa de uma traíra encrenqueira.”
“Eu sei, eu ouvi e eu entendo, mas, sinceramente, eu não quero procurar por ela, só que eu fiz uma promessa. Então eu tenho que tentar.” Foi tudo o que ela disse.
“Então anda logo. A gente vai precisar de algumas respostas.” Zeus tentou pegar a filha, mas ela não largava Marty. Ele rosnou, frustrado, e recuou.
Marty desceu da caminhonete e, assim que ficou de pé, firmou Angel nos braços enquanto avançava.
Quando chegaram à fileira de homens parados entre eles e a sede do clube, um deles rosnou: “Que porra ela tá fazendo de volta aqui e por que você tá confiando nela com a Angel?”
Zeus olhou ao redor para os homens e explicou: “Essa não é a Sam. Ela salvou a Angel de ser morta hoje à noite. A Angel não larga ela, então eu não tenho escolha a não ser deixar ela segurar a minha filha.”
“Como assim ela salvou a Angel de ser morta hoje à noite?” outra voz gritou.
Zeus ergueu as mãos. “Eu sei o que vocês estão pensando, porque eu pensei a mesma coisa. Ninguém ouviu a história inteira, e isso me inclui. Ninguém além dela e da Angel sabe o que aconteceu antes de a gente encontrar as duas no beco atrás do bar, mas eu sei que ela atirou em alguém que teria levado a Angel — ou pior, teria matado ela. Esse agressor morreu a três quarteirões do bar porque ela atirou nele no beco. E o que é interessante é que esse motoqueiro estava usando um colete dos Dragons.”
O resmungo entre os irmãos começou e cresceu até virar um crescendo alto.
Zeus levantou as mãos de novo, e a multidão se acalmou. “Eu fechei o bar e todo mundo da cidade vai estar aqui em breve. A gente precisa de respostas e vai conseguir elas logo.”
“Então por que você tá dirigindo a caminhonete do Memphis?” um dos homens perguntou.
Zeus lançou um olhar duro para o grupo. “Eu ia trazer a minha, mas olha só… alguém enfiou um pano no tanque de gasolina e tocou fogo naquela porra.”
O rugido da multidão quase ensurdeceu Marty quando todos viraram o olhar acusador para ela.
Angel choramingou e apertou o abraço em volta do pescoço de Marty. Marty começou a esfregar as costas dela com cuidado, tentando acalmar seus gemidos.
Zeus virou a cabeça e viu o quanto a filha estava abalada. Ele se virou e disse aos homens: “Olha, eu sei o que vocês podem estar pensando, mas a gente não tem prova de que qualquer coisa disso seja culpa dela. Todo mundo precisa dar um passo pra trás e esperar até todo mundo chegar antes de tirar conclusões. Agora, a gente tem que entrar, e eu preciso cuidar da Angel.”
Os homens se abriram quando Zeus agarrou o cotovelo de Marty e a escoltou para dentro da sede do clube.
Ao passar por eles, Marty ouviu os resmungos baixos e os comentários maldosos, mas ignorou enquanto levava Angel para dentro. Quando entrou, viu três mulheres na área da cozinha.
Quando a viram, todas pararam e encararam. Ou melhor — fuzilaram-na com o olhar.
Zeus a conduziu até uma mesa perto da cozinha.
Ela se sentou e ajeitou Angel para ficar mais confortável no colo.
