Capítulo 2 Capítulo 02
Melissa . . .
Acompanho ele até a porta e espero ele sair para trancá-la. Mal fecho a chave, me viro e o vejo já ter chamado o elevador.
— Vai fazer algum bagulho sábado? — pergunta assim que entramos no elevador. Apoia uma mão no espelho e a outra na barra lateral, me encurralando.
Sorrio ao sentir sua perna roçar de levinho bem no meio das minhas.
— Creio que não. — Molho os lábios, apoiando as mãos em sua cintura. — Por quê?
— Vai ter baile lá na comunidade. — Diz, entretido ao passar o indicador esquerdo sobre o meu seio. — Tu podia colar lá. — Fecha a mão sobre o meu peito, me proporcionando uma sensação gostosa.
A ideia de que a qualquer momento alguém pode entrar no elevador deixa tudo ainda mais intenso.
— Não sei… — Um gemido escapa dos meus lábios quando ele pressiona os joelhos entre os meus.
— Você não vai se arrepender se for. — Sussurra perto do meu ouvido, então deixa uma mordida no meu queixo e se afasta — as portas se abrem.
Esquisito… esquentou do nada, né?
— Calor, gatinha? — Provoca, destrancando o Audi preto.
— Não estou sentindo nada, achei que até esfriou. Acho que vou até colocar uma blusa de frio. — Me faço de sonsa, ajeitando a gola da blusa social de trabalho.
— Tu fica gostosa com essa roupa.
— Eu sou gostosa de qualquer jeito.
— Sem roupa, mais ainda, cria. Esquece. — Fala com o sotaque arrastado, daquele jeitinho que eu não gosto nem um pouco.
Sou apaixonada pelo sotaque carioca; ouvir Relíquia falando assim, com a voz grossa, me deixa até aérea. Sinto sua mão firme na minha coxa e sua boca quente distribuindo beijos lentos no meu pescoço. Arfo, acariciando sua nuca, e pressiono uma perna contra a outra, tentando aliviar o incômodo entre elas. Sua boca sobe para o meu maxilar, enquanto sua mão ocupa o lugar onde ela estava segundos atrás.
— Relíquia… — O chamo, mas sai como um gemido. Procuro o resto de sanidade que me resta para pedir que pare — alguém pode nos ver.
— Hum? — Murmura, afastando a boca e dando um leve aperto no meu ponto fraco.
— Aperta mais. — Peço, olhando em seus olhos, que agora estão escuros, cheios de luxúria. Sua mão se encaixa perfeitamente no meu pescoço e aperta.
Sorrio sem tirar os olhos dele, sentindo o formigamento aumentar. Pego sua mão, que está na minha coxa, e a levo para o meio das minhas pernas. Gemo ao sentir seu toque, mesmo por cima da calça.
— Abre a calça. — Manda, autoritário, perto do meu ouvido.
Abro o botão e o zíper da jeans, ansiosa para sentir seu toque direto na minha pele.
— Você tem cinco minutos. — Aviso, deixando uma mordida em seu lábio inferior.
Sinto sua mão, fresca, deslizar para dentro da minha calcinha. Fecho os olhos e abro um pouco a boca.
— Te faço gozar em menos de cinco. — Segura meu maxilar, me obrigando a olhar para ele.
Seu dedo médio passeia pela minha entrada, espalhando a lubrificação que já não é pouca. Sobe com ela até o clitóris e gemo sentindo o toque no ponto exato. Movimentos circulares, lentos e precisos, começam a se suceder. Fecho os olhos com aquela tortura deliciosa.
— Abre o olho, Melissa. Quero ver o teu olho revirando enquanto te fodo. — É autoritário, e eu obedeço, sentindo o corpo ferver. — Boa garota. — Sorri, malicioso, intensificando o ritmo.
Seguro sua nuca e trago sua boca até a minha, tomando seus lábios num beijo quente e cheio de luxúria. Sua língua invade minha boca no mesmo instante em que os dedos penetram em mim. Afasto os lábios, perdida no vai-e-vem dos seus movimentos, e tombando a cabeça no banco, deixo um gemido escapar.
— Ô, meu Deus… — Gemo. — M-mais rápido. — Peço, atordoada.
Ele acelera dentro de mim, firme e profundo. Gemo alto quando o indicador volta a pressionar o clitóris.
— Geme baixo, Melissa. — Ordena, apertando mais.
Caralho, como ele quer que eu não faça barulho? Com aqueles dedos me fodendo de um jeito tão perfeito, me levando ao êxtase? A qualquer momento alguém pode passar ao lado do carro — e a possibilidade de sermos pegos torna tudo ainda mais intenso.
— Onw… Relíquia, porra! — Apoio uma das mãos no vidro.
— Geme pra mim. — Me instiga, beijando meu pescoço.
Sorrio, puxo sua nuca e me aproximo do seu ouvido, mordiscando a cartilagem.
— Isso… — Gemo, chamando o seu nome. — Caralho… você me fode… tão… — Finco as unhas na sua nuca quando ele intensifica tudo.
Arqueio a coluna, movendo o quadril contra seus dedos, sentindo que estou quase lá. Mordo os lábios, tentando segurar.
— Não segura. Vem pra mim, vem… Relaxa e goza. — Sussurra, rouco, curvando os dedos e acertando meu ponto G.
Minhas pernas tremem. O coração dispara ainda mais. Sinto uma corrente elétrica percorrer cada centímetro do meu corpo e me entrego ao orgasmo forte e avassalador. Encosto as costas no banco, sentindo espasmos leves, enquanto tudo pulsa ao redor dos seus dedos. Solto um gemido fraco quando ele os desliza para fora. Vejo o brilho nos dedos dele; ele os leva à boca e os chupa. Que cena…
— Que horas são? — Pergunto, respirando fundo.
— Cinco pras sete. — Agradeço, largando a bolsa no chão do carro.
Resolvo voltar rápido para me limpar — não vou conseguir trabalhar assim.
— Vou me arrumar rapidinho, já volto. — Aviso, abrindo a porta.
— Rápido, Melissa. Tenho minhas pendências. — Murmura, digitando no celular. Reviro os olhos e não respondo.
Subo correndo, me limpo e troco a calcinha em menos de três minutos. Quando volto, ele ainda está no celular.
— Pronto. — Pego a bolsa e a coloco no colo.
Saímos da garagem. Passando pelos seguranças, noto um rosto novo — nunca o vi aqui. Acho que o conheço de algum lugar, talvez de uma festa. Deixo pra lá e encosto a cabeça no banco. O trajeto todo seguimos em silêncio, só o rádio tocando baixo.
— Tá entregue. — Diz, parando o carro em frente ao consultório.
— Obrigada pela carona. — Agradeço, abrindo a porta.
Me despeço sem saber quando o verei de novo — ainda não sei se vou ao baile. Vejo o Audi se afastar até sumir da minha vista. Ajeito a bolsa e entro na clínica.
— Bom dia. — Digo à Michelle, a dona, ao entrar.
— Bom dia, Melissa. — Responde, sorrindo e organizando materiais. — Chegou adiantada?
— Acho que cheguei no horário normal. — Vejo no celular: seis e cinquenta e cinco. — Cinco minutos mais cedo, na verdade. — Falo, saindo da sala e deixando a bolsa na minha mesa. — Não vim de ônibus hoje, deve ser isso.
— Perdeu cinco minutos de sono. — Brinca, apoiada no batente da porta, rindo. Se você soubesse que não dormi quase nada…
— Não dormiu? Por quê? — Percebo que pensei alto.
— Fiquei com insônia essa noite. — Falo a primeira coisa que me vem à cabeça.
— Teve uma época que eu vivia assim. Compra flor de camomila e faz chá; foi a única coisa que me ajudou.
— Se bem me lembro, chá da própria flor é melhor que remédio, né? Dormir com remédio é pesado. — Comento, lembrando da vez que precisei recorrer a isso.
— Nem me fala. A gente vai ao médico e eles receitam uma penca de remédio. — Nega, vestindo o avental. — Tem uma paciente às sete, certo?
— Tem, pontualmente.
Conversamos até a paciente chegar. Michelle é uma ótima chefe e uma boa amiga. Trabalho para ela desde que cheguei ao Rio e me adaptei super bem. Sento na mesa e me preparo para o resto do dia — só vou parar para almoçar. . .
(. . .)
Saí do serviço às quatro. Tenho aula até às vinte e duas. Minha rotina é sempre a mesma: das sete às dezesseis. Depois pego o ônibus para a faculdade — não volto pra casa, não compensa gastar passagem. Chego por volta das dezessete e trinta e fico na lanchonete até às dezoito.
Entro no campus exausta e faminta.
— Vamo passar na pizzaria? — Heloísa sugere, parecendo ler minha mente.
— Eu imploro. — Faço drama ouvindo sua risada.
Heloísa foi uma das primeiras amizades que fiz aqui — e uma das poucas. Não sou de ter muitos amigos. Não preciso de multidão, de gente que me vira a cara na primeira oportunidade. Prefiro quem sei que posso contar. Sou desconfiada com amizades; tenho mais conhecidos do que amigos de verdade.
— Marguerita? — Heloísa pergunta assim que nos sentamos.
— Pode pegar metade de outro sabor, não precisa pedir inteira só por minha causa. Não como carne, mas você sim — não é justo.
— Marguerita mesmo tá ótimo. — Concordo. — Uma Skol pra acompanhar? — Helô me incentiva.
— A gente merece, né? — Rio quando o garçom chega.
— Boa noite. Já escolheram? — Pergunta, gentilmente.
— Boa noite. Uma pizza grande marguerita e uma Skol de seiscentos, por favor.
— Certo. Só isso? — Confirmo. — Já trago a bebida.
Agradeço e o vejo se afastar. A noite rendeu boas risadas. Cheguei em casa por volta das vinte e três e pouco — banho, escovar os dentes e direto pra cama. Caí no sono assim que a cabeça tocou o travesseiro. . .
