Capítulo 2 Apenas uma criança - Vincent
— Você foi chamado. — Lorenzo inclina a cabeça na direção do escritório do meu pai, e eu suspiro.
Dou a última tragada no cigarro, saboreando o tabaco no peito antes de jogá-lo no chão e esmagá-lo até apagar.
Eu sei o que é isso.
Eles provavelmente encontraram uma noiva adequada.
Malditos irlandeses e malditos russos estão mexendo com a minha vida.
Eu nunca tive qualquer expectativa de encontrar amor na minha vida. Eu entendo os meus deveres, e entendo muito bem. Sempre soube que provavelmente me casaria com alguém escolhido para mim, mas pelo menos achei que seria alguma italiana simpática da mesma cidade, com quem eu pudesse chegar a algum tipo de acordo.
Tem uma mulher na minha cama agora, que sabe exatamente como satisfazer as minhas necessidades, e ela sabe exatamente onde nós estamos.
Eu cuido dela, e ela cuida de mim.
Caso encerrado.
Uma garota da minha própria comunidade saberia o seu lugar; agora eu tenho que me casar com alguma pirralha irlandesa para manter a paz entre as duas organizações e passar a perna nos russos.
Eu nunca quis um irmão, mas um teria sido bem útil agora.
Lorenzo me acompanha para dentro do escritório do meu pai; o homem mais velho está sentado atrás da mesa, com um charuto pendendo dos lábios.
— Sente-se. — ele ordena, pegando o telefone.
Normalmente, quando estamos a sós, ele não me dá ordens, mas Lorenzo está conosco, então eu me sento.
— Encontramos uma noiva adequada.
— Quem? — quero saber na hora.
— Ela é a filha do Don do grupo de Boston; nos garantiram que ela está intacta. — Os olhos do meu pai encontram os meus, em desafio.
É uma tradição tão arcaica essa merda de a noiva ter que ser virgem. Eu não tenho tempo para treinar virgens nem para ser delicado. Eu gosto de foder, de preferência pelo menos uma vez por dia. Garotas inexperientes não vão aguentar comigo várias vezes ao dia.
Mas eu fico quieto, apenas erguendo uma sobrancelha para o meu pai.
— A filha dele não está na Irlanda? — Lorenzo pergunta, franzindo a testa. — Pelo que eu sei, ele não a criou. A esposa dele morreu e mandaram a criança embora.
— Ela voltou recentemente para os Estados Unidos depois de terminar a escola.
— Em que universidade ela estudou? — fico curioso.
Educada e virgem. Parece manutenção alta pra mim.
— Depois de terminar o ensino médio.
Eu empaco com aquela informação e encaro meu pai, tentando ver se ele não está com algum parafuso a menos. Como diabos ele decide por alguém que acabou de sair do ensino médio? Não é de se admirar que a garota ainda seja uma porra de virgem.
— Ela ainda é uma criança! — exclamo, me levantando da cadeira para servir um conhaque forte.
— Ela tem dezenove. — A voz do meu pai é calma e controlada, como se a idade da garota não fosse um problema do caralho. — Isso está longe de ser criança neste mundo. Além disso, uma diferença de oito anos entre um homem e uma mulher não é tão incomum.
— Sim, mas só se a mulher for mais velha! — eu retruco. — Que tipo de vida essa garota conhece, se acabou de sair da escola!
— Ela vai saber o lugar dela, assim como você sabe o seu. — Há uma ameaça sutil na voz do meu pai, e eu viro o conhaque de uma vez e sirvo outro.
Lembram-me do meu lugar desde que eu nasci. Como caralhos eu poderia esquecer?
Mas uma garota de dezenove anos como esposa? Eu vou devorá-la viva e cuspir de volta até não sobrar nada.
E se ela acabar como...
Eu imediatamente expulso o pensamento da minha mente.
— Como ela é? — pergunta Lorenzo.
Ele me conhece bem. Eu tenho um tipo, um visual que eu sempre procuro. Talvez, se ela se encaixar nessa estética, eu aceite a ideia com mais facilidade.
Meu pai entrega o telefone a Lorenzo, que encara a foto por um bom tempo antes de me passar o aparelho.
O dispositivo parece quente demais quando eu o toco, e fecho os olhos por um instante antes de olhar para a garota.
Porra.
A foto é claramente da escola dela, talvez do anuário.
Lily Sullivan.
O cabelo ruivo e rico está preso no alto da cabeça num rabo de cavalo bem arrumado. A pele é branca como alabastro, com um nariz fino e uma boca larga de lábios cheios, e aqueles olhos verdes penetrantes, da cor de uma floresta misteriosa, encarando a câmera em desafio.
Ah, Lily Sullivan tem cara de que vai ser problema — com P maiúsculo.
— Ela não parece alguém que vai saber o lugar dela — cuspo, mas não consigo evitar ficar levemente intrigado.
Ela é absurdamente linda, provavelmente a mulher mais bonita que os irlandeses tinham na manga, e é por isso que escolheram ela para esse acordo.
Porque esse acordo vai ser inquebrável. Se a gente assinar isso com a união das duas famílias, ficamos unidos nos negócios pelo mundo inteiro. Vamos nos tornar mais poderosos do que qualquer outra máfia, e vamos enterrar o machado de guerra.
O detalhe?
Eu tenho que engravidar minha esposa, e, quando o bebê nascer, o juramento entre os italianos e os irlandeses será assinado com sangue.
— Falando francamente, você também não parece — meu pai começa a soar entediado. E ele não está errado; eu gosto de forçar os limites. Gosto de assumir acordos arriscados, só porque eu sei que vou ter sucesso, custe o que custar.
— Quando é o encontro? — pergunta Lorenzo, tirando as palavras da minha boca.
— Voamos para Boston amanhã — declara meu pai, em tom definitivo. — Vamos jantar com os Sullivan. Se o pai dela concordar com todos os termos, o casamento será em duas semanas.
Eu tento esconder o sorriso atrás do copo, a empolgação por essa nova aventura queimando nas minhas veias.
Qual vai ser o gosto da buceta da senhorita Lily Sullivan?
Saio do escritório do meu pai com o pau latejando, mas, por sorte, Amber já está na cama, vestindo nada além de um robe curto de seda branca.
— Já tá duro por mim? — ela sussurra, numa voz sedutora, enquanto vem rastejando até mim para baixar meu zíper.
Mas não é o cabelo loiro dela que eu imagino enrolado na minha mão enquanto ela abaixa a boca até o meu pau.
É um cabelo da cor de sangue.
Meu tom favorito.
