Capítulo 3 KNOX
KNOX
A porta do banheiro se fechou atrás de nós com um clique suave e definitivo, isolando o tum-tum implacável do grave que vinha do andar de baixo. Abafou o caos o bastante para que eu ouvisse a respiração dela — rápida, curta, já carregada de expectativa.
Ela estava morena naquela noite, pernas longas enfiadas em um jeans colado que abraçava cada curva, os lábios brilhantes pintados de um vermelho profundo e pecaminoso que pegava a luz fraca da única lâmpada no teto como sangue fresco.
Cinco minutos antes, do outro lado da sala de estar lotada, ela tinha prendido o olhar no meu — aquele olhar inconfundível: reconhecimento, fome crua, a promessa silenciosa de eu sei exatamente quem você é, e eu vim pegar o que der. Sem apresentações. Nome era coisa de gente que planejava ficar depois do nascer do sol.
Ela não perdeu tempo.
Se jogou de joelhos ali mesmo, no mármore frio, os dedos ágeis e experientes enquanto abria meu cinto, puxava o zíper, baixava o jeans só o suficiente para me libertar.
Sem hesitação. Sem preliminar provocativa. Só intenção pura, gananciosa. Eu me encostei na pia, a quina do balcão mordendo minhas palmas onde apoiei uma das mãos.
A outra foi para o cabelo dela — ondas grossas e escuras escorrendo pelos meus dedos como tinta. Eu não a conduzi, não de verdade.
Só deixei a mão ali, fazendo-a sentir o peso sutil do controle, a ordem não dita que dizia vai em frente, me impressiona — e depois eu acabo com você.
— Porra, Knox — ela sussurrou, a voz rouca..
Os olhos dela subiram — grandes, escuros, as pupilas dilatadas de desejo — enquanto ela me envolvia com a mão, acariciando uma vez, duas, testando meu tamanho antes de se inclinar.
Ela começou devagar, provocando — os lábios macios e quentes ao redor da cabeça, a língua desenhando círculos preguiçosos e deliberados que mandaram um choque familiar, elétrico, direto pela minha coluna.
Eu observei com os olhos semicerrados enquanto as bochechas dela afundavam com a sucção, o zumbidinho de satisfação vibrando contra mim toda vez que eu estremecia na língua dela.
Ela me levou mais fundo, centímetro por centímetro, até o nariz roçar na minha pele e a garganta tremular ao redor da invasão, engasgando de leve, mas se recusando a recuar.
O suor se acumulou na linha do cabelo; o rímel começou a borrar nos cantos dos olhos pelo esforço e pelas lágrimas que se formavam quando ela se forçava demais.
Ela já parecia lindamente destruída, e a gente mal tinha começado.
Soltei um gemido baixo — parte genuíno, mais teatral. Efeitos sonoros mantinham elas motivadas, mantinham a performance andando.
Meu quadril avançou uma vez, duas — estocadas curtas, controladas, que ela recebeu com entusiasmo ansioso, as mãos apertando minhas coxas com força suficiente para deixar marcas em meia-lua.
Era bom — quente, molhado, absurdamente apertado — mas a adrenalina era a mesma de lançar uma espiral perfeita no último quarto: satisfatória no momento, automática, quase mecânica.
Eu poderia ter gozado ali mesmo, deixado ela engolir cada gota e sair com uma historinha presunçosa para contar às amigas. Uma parte de mim considerou isso. Rápido. Limpo. Feito.
Mas o tédio venceu. Fechei os dedos no cabelo dela — só o bastante para diminuir aquele ritmo frenético, sem puxar — e então a arranquei de mim com um estalo molhado.
Ela arfou, os lábios inchados e brilhantes, a confusão tremeluzindo por meio segundo antes de a fome tomar conta de novo.
Puxei-a para ficar de pé num único movimento bruto, girei-a na direção da pia e a dobrei sobre o mármore.
— Mãos na bancada — ordenei, a voz baixa e áspera como cascalho.
— Bunda empinada.
Ela obedeceu na hora, apoiando as duas palmas espalmadas, as costas arqueando, o jeans já enfiado até o meio das coxas.
Chutei as pernas dela para mais longe uma da outra, puxei o denim mais para baixo e apertei a bunda nua com força suficiente para deixar a marca vermelha da minha mão.
Ela gemeu — alto, carente — e empurrou o corpo para trás contra mim como se estivesse implorando.
Catei uma camisinha na carteira — sempre prevenido —, desenrolei com uma mão enquanto a outra deslizava entre as coxas dela, encontrando-a encharcada e pronta.
Dois dedos entraram sem aviso; ela gritou, o quadril sacudindo.
Encurvei os dedos, bombeei uma vez, duas, então puxei e os substituí pelo meu pau num único golpe brutal.
Ela gritou — agudo, quebrado, ecoando nos azulejos. Não dei tempo para ela se ajustar.
Imprimi um ritmo castigador: fundo, rápido, implacável.
A pia chacoalhava a cada batida do meu quadril contra a bunda dela; as unhas dela arranharam o mármore, deixando riscos brancos e tênues.
Agarrei o cabelo dela com uma mão, puxando a cabeça para trás para eu ver o rosto dela no espelho embaçado — olhos vidrados, boca aberta num fluxo constante de gemidos e palavrões, o rímel escorrendo pelas bochechas como lágrimas negras.
— Mais forte — ela arfou. — Porra… mais forte, Knox—
Eu obedeci.
Uma mão deslizou até o pescoço dela — sem estrangular, só segurando — enquanto a outra encontrou o clitóris e esfregou círculos rápidos e ásperos.
Ela se despedaçou quase na hora — o corpo travando, as coxas tremendo, um grito cru e gutural rasgando a garganta quando gozou forte em volta de mim, apertando tanto que me puxou direto para a beira.
Eu não lutei contra.
Enterrei o rosto na curva do pescoço dela para abafar o meu próprio grunhido, o quadril dando trancos erráticos quando o orgasmo veio — quente, ofuscante, me esvaziando de tudo o que eu ainda tinha dentro da camisinha.
Por alguns segundos, o mundo se resumiu ao pulso nos meus ouvidos, ao calor úmido do corpo dela, ao jeito como ela ainda tremia contra mim.
Então acabou.
O banheiro fedia a sexo — suor, látex, o perfume enjoativo de baunilha dela, o leve gosto metálico do esforço.
Ela se virou nos meus braços, sem fôlego e com os olhos brilhando, erguendo o rosto em busca de um beijo como se a gente tivesse acabado de dividir algo profundo.
Eu dei um roçar rápido e educado de lábios — distante, mecânico — e então me afastei para ajeitar o jeans e o cinto.
— Aquilo foi… — ela começou, a voz ainda trêmula, os olhos reluzindo com o brilho pós-orgasmo.
— Divertido — completei por ela, exibindo o sorriso que geralmente encerrava as coisas sem sujeira.
— Você é boa, querida. A porta é por ali.
O sorriso dela vacilou por meio batimento, um lampejo de decepção que ela tentou esconder. Mas se recompôs rápido.
Elas sempre se recomponham.
Ela alisou o vestido com as mãos trêmulas, conferiu o batom no espelho (borrado além de qualquer salvação) e saiu, acenando de leve por cima do ombro.
Fiquei ali depois que ela foi embora.
Joguei água fria no rosto, observei as gotas escorrendo pelo vidro enquanto encarava meu reflexo.
O mesmo cabelo escuro caindo nos meus olhos, a mesma mandíbula marcada, sombreada pela barba por fazer, o mesmo olhar cor de avelã entediado me encarando de volta.
Mais uma noite. Mais um corpo. Mais um entalhe num cinto que tinha deixado de parecer uma conquista meses atrás. Só mais uma terça-feira — exceto que era sexta, e o fim de semana se estendia à frente como mais do mesmo. Sequei as mãos numa toalha com monograma (o decorador do meu pai insistia nesses pequenos luxos) e voltei a empurrar a porta para o caos.
O grave bateu em mim como uma força física — luzes estroboscópicas baixas e roxas, corpos se esfregando em grupos suados, copos vermelhos da Solo apertados em mãos que provavelmente nunca tinham visto um dia de trabalho de verdade.
Uma sexta-feira típica no palácio fora do campus que eu e os meus caras chamávamos de casa.
Tecnicamente, uma das “propriedades de investimento” do meu pai — uma monstruosidade de seis quartos nas colinas, com janelas do chão ao teto, uma piscina que brilhava num azul neon e metragem quadrada suficiente para deixar a maioria das pessoas tonta.
Quem contava os zeros quando a bebida corria solta e a playlist nunca parava?
Me encostei na ilha da cozinha, cerveja nova na mão, observando o reino como sempre. Quarterback do time D1 mais bem ranqueado do país.
Herdeiro aparente da Reyes Holdings, aquele tipo de império imobiliário gigantesco que fazia “dinheiro antigo” parecer pouco.
Um rosto que me colocava em outdoors de esporte, anúncios de energético e — mais importante — em camas sem muito esforço.
A vida era nojenta de tão boa e previsível.
Uma loira com um top curtíssimo, quase inexistente, se aproximou, rebolando com uma confiança ensaiada.
— Knox — ela ronronou, com a voz doce como xarope.
— Ouvi dizer que você lançou quatro TDs na semana passada. Esse braço não é a única coisa impressionante em você.
Eu sorri de canto, deixando meu olhar descer pelo corpo dela, lento e deliberado — o bastante para fazê-la corar.
O mesmo roteiro. O mesmo calor previsível. Eu podia ter levado ela para cima naquele instante, repetido a cena do banheiro com um rosto diferente, gemidos diferentes. Em vez disso, virei a cerveja e senti apenas o frio descendo pela garganta.
A loira continuou falando — alguma coisa sobre o jogo, minhas estatísticas, como eu ficava gostoso no huddle.
Assenti nos momentos certos, mostrei o sorriso quando era esperado, mas minha mente já estava longe.
Me afastei da ilha, abrindo caminho pelo amontoado de corpos em direção ao pátio dos fundos. Precisava de ar. Precisava de algo que não fosse essa merda roteirizada, em looping.
Lá fora, a noite estava fresca, e as luzes da cidade borravam dourado e vermelho no horizonte.
Tirei um cigarro do bolso — um mau hábito que eu guardava exatamente para esses momentos em que a euforia acabava cedo demais — e acendi com um estalo do meu Zippo. Puxei fundo. A fumaça se enrolou na escuridão como se tivesse lugares melhores para estar.
Meu celular vibrou contra a coxa. Grupo do time.
Hunter: Ei, Knox, cadê você? Essas minas ficam perguntando de você.
Eu: Ocupado sendo lendário. Dá seu jeito.
Hunter: 😂 Lendário é o caralho. Te vi dispensar aquela loira na cozinha. Tá tudo bem, mano?
Eu: Nunca estive melhor. Só tô de saco cheio das reprises hoje.
Guardei o celular no bolso antes que a inevitável enxurrada de emojis e memes começasse a chegar.
A verdade era que eu já nem sabia mais que porra eu estava a fim.
Ganhar jogos era fácil — recuar, ler a blitz, lançar mísseis no meio de marcação tripla.
Mulheres eram ainda mais fáceis — sorrir, flertar, transar, repetir. O dinheiro? Só ficava lá, crescendo, esperando a formatura, quando eu entraria no negócio da família como todo homem Reyes antes de mim. Uma gaiola dourada com vista pro oceano.
Mas, ultimamente, cada touchdown parecia vazio. Cada conquista sumia antes de o suor secar. Cada zero na conta bancária era só mais um dígito num número que já não me impressionava. Eu estava indo no piloto automático, na reserva, e o tanque estava perigosamente baixo.
Joguei o cigarro por cima do corrimão, vi a brasa desenhar um arco e morrer na escuridão lá embaixo. Em algum lugar por aí tinha que existir alguma coisa de verdade.
Alguma coisa que não viesse embrulhada para presente com sorrisos falsos, acesso fácil e resistência nenhuma.
Alguma coisa que talvez fizesse meu pulso disparar do jeito que disparava quando as luzes do estádio acendiam e a torcida rugia meu nome — não por causa de quem meu pai era, mas por causa do que eu sabia fazer.
Ou talvez eu só estivesse dramático no pós-gozada, pensando demais depois de cerveja demais.
De um jeito ou de outro, voltei pra dentro. Reis não abandonam as próprias festas cedo.
Mas, quando atravessei a porta de vidro de correr, os olhos varrendo o ambiente por hábito — catalogando rostos, saídas, oportunidades — eu vi: um lampejo de listras vermelhas e brancas cortando a multidão perto do bar improvisado.
Uniforme de garçonete?
No meio desse circo de república?
Estranho pra caralho.
De início, deixei pra lá.
Provavelmente era só mais uma garota de irmandade fazendo alguma fantasia temática, ou alguma menina do buffet que tinha entrado por engano num bico. Mas meu olhar fisgou mesmo assim. Ficou tempo demais.
As listras abraçavam curvas que não combinavam com esse mar de tops curtinhos e minissaias.
Eu não conseguia ver o rosto dela — não de verdade.
A luz baixa e a multidão se mexendo mantinham os traços dela na sombra, meio escondidos atrás de uma cortina de cabelo solto e do ângulo da cabeça enquanto ela abria caminho no meio do povo.
Mas o corpo dela… porra.
Ela tinha o tipo de corpo que fazia o tempo parar por um segundo. Ela se movia com propósito — eficiente, direta — desviando de cotoveladas e passando bebidas como se já tivesse feito aquilo mil vezes.
Tinha alguma coisa no jeito como ela se portava: ombros para trás, queixo erguido, mesmo quando algum idiota bêbado esbarrou nela e derramou cerveja na manga.
Ela não se encolheu. Não pediu desculpas. Só limpou e continuou andando.
Interessante.
Pela primeira vez na noite, o tédio rachou — só um fiozinho, só o bastante pra deixar algo novo entrar.
Talvez hoje não estivesse destinado a ser mais uma reprise, afinal.
Saí de perto do balcão da cozinha.
Hora de descobrir quem ela era.
