Um Jogo do Destino

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maracaballero32 · Concluído · 153.4k Palavras

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Introdução

Emma Spencer é analista de riscos financeiros em uma importante empresa internacional.
Finalmente, depois de anos sem tirar férias, ela decide tirá-las para seu próximo casamento e lua de mel, mas tudo dá uma grande reviravolta quando está no Havaí, sozinha e sem marido. Pela primeira vez, ela joga uma moeda ao ar e decide viver uma noite sem riscos e apaixonada com o primeiro estranho que encontrar em um bar e que nunca mais verá na vida. Qual era a probabilidade de se encontrarem novamente? Completamente nula.
Mas o destino os reúne inesperadamente... E no lugar que menos esperavam.

Um jogo do destino.

Capítulo 1

Nova York, Estados Unidos.

Emma ligou a cafeteira no mesmo horário de sempre, quinze minutos antes das seis, enquanto tomava banho e se arrumava. Tomaria a primeira xícara do dia antes de ir para a empresa. Emma era uma analista de risco em uma importante empresa internacional que tinha sua sede na Alemanha. Era a melhor no seu trabalho, havia sido a melhor funcionária consecutiva durante mais de um ano. Era implacável, rigorosa, obsessiva com a limpeza, a ordem, perfeccionista e...era uma mulher excepcional. Todas as pessoas que a conheciam, a admiravam, mas não todos.

— Onde está minha gravata?! —gritou Jamie, seu noivo, saindo do quarto de roupa íntima e batendo na porta do banheiro. Emma, debaixo da água, estava concentrada massagendo seu couro cabeludo durante o minuto que sempre usava para isso nas manhãs. — Ainda está com essa coisa do seu cabelo? Vou chegar atrasado, mulher. —ele voltou a bater na porta, irritado. Emma abriu os olhos e pressionou a mandíbula com força, olhando para a porta através do vidro embaçado pela água e pelo vapor. — Emma? —ele voltou a gritar. Ela se perguntava, sempre, por que estava noiva de um homem que era totalmente o oposto dela. No começo, ele tinha sido atencioso, a adorava, respeitava seu espaço e tudo que ela fazia, mas desde que ficaram noivos, ele mudou. Começou a criticá-la, a ser mais impaciente e a quebrar as regras que ela tinha em seu próprio e elegante apartamento que estavam compartilhando. — Emma! —ele iria bater na porta quando ela a abriu. Estava totalmente nua e molhada, mas furiosa.

— Você não pode procurar a gravata sozinho? —ele tentou controlar a irritação.

— Não encontro, pensei que você tivesse mudado de lugar.

— Não mexo nas suas coisas como você também não mexe nas minhas, querido. —isso foi um sarcasmo contido da parte dela. — Lembra onde deixou da última vez? —ele pressionou os lábios formando uma linha fina.

— No cabide atrás da porta do armário. —murmurou entre dentes.

— Então? Vai procurar lá, se deixou lá, deve estar lá. E me deixa terminar de tomar banho! —exclamou irritada. Ele assentiu e voltou para buscar a gravata. Emma voltou também e apressadamente recuperou o que tinha que fazer para sair exatamente no horário previsto. Jamie entrou no armário, olhou atrás da porta e tentou não sorrir, lá estava ela, pendurada.

Seis e quinze, Emma já estava subindo na sua caminhonete para ir trabalhar. Jamie subiu no banco do carona e colocou o cinto de segurança.

— Minha mãe quer saber se pode convidar mais dez pessoas — disse Jamie digitando no celular. Ela parou o carro ao ouvir isso, e ele a olhou surpreso. — O que houve? — as mãos de Emma apertaram o volante de couro.

— Dez pessoas a mais? E as trinta que ela convidou há quatro dias? Combinamos que o casamento seria o mais simples possível, apenas com as pessoas mais próximas a nós.

— Querida, são amigos da família.

— Esse casamento é para nós, não vamos convidar toda Nova York. Há um número certo de pratos que serão servidos para os convidados. Não posso comprar mais comida, já pedi trinta pratos há quatro dias.

— Você tem dinheiro, por que isso te preocupa? — Ao ouvir isso, Emma preferiu não dizer mais nada, mas tudo começou a se tornar vermelho. — Então? Dez pessoas a mais? Vou dizer que sim — Jamie voltou ao celular e digitou enquanto ela tentava controlar sua irritação. Olhou novamente para a rua e continuou dirigindo. Enquanto dirigia, revisava mentalmente todos os detalhes do casamento: ela havia pago TUDO. Toda a recepção e... a lua de mel. E lembrar-se de que ele ainda tinha o cordão umbilical ligado à mãe fazia-a duvidar se queria mesmo seguir com isso. Era isso que realmente queria para o resto da vida?

**** Chegaram à empresa onde ambos trabalhavam. Jamie era o chefe de recursos humanos e ela, a melhor analista de risco financeiro da empresa.

— Vamos almoçar juntos, como sempre, na mesma hora? — Perguntou antes de cada um seguir para seu elevador que os levaria ao andar. Pela primeira vez desde que estavam juntos, Emma negou.

— Tenho uma reunião. Almoce sem mim. — Ele arqueou uma sobrancelha e ela não esperou mais. Entrou no elevador e fez exercícios de respiração. — "Vamos almoçar juntos, como sempre, na mesma hora?" — disse em voz alta num tom irônico. Ao chegar ao seu setor, fez sua rotina diária: guardou seus pertences, ligou o computador, pegou sua segunda xícara de café e começou a trabalhar.

— Emma? — chamou sua chefe direta. Ela levantou os olhos da tela para observá-la.

— Sim? — A senhora Byrne a olhou com um sorriso.

— Pode vir comigo um momento? Precisamos falar sobre os dias que você pediu para o casamento e a lua de mel. — Emma assentiu, levantou-se da cadeira e bloqueou a tela do computador com senha. Seguiu a senhora Byrne e entrou com ela no escritório. A chefe ofereceu uma cadeira e Emma se sentou, aguardando que ela começasse a falar. — Bom, Emma. Com a nova fusão com a empresa dos Müller, teremos mais trabalho e... — fez uma pausa — haverá muito trabalho quando você voltar da lua de mel.

—Eu sei, senhora Byrne. —disse Emma.

—Você acha que vai manter o mesmo ritmo depois que se casar? —Emma assentiu e, pela segunda vez, teve dúvidas.

—Claro, com isso você não precisa se preocupar.

—Assim espero, você é a melhor analista de riscos que temos, suas análises e a quantificação de todos os riscos que você fez com bancos e outras entidades financeiras nos colocaram como os melhores do país.

—Obrigada... —Emma sorriu.

—A propósito, está tudo pronto para o casamento? É daqui a dois dias. —Emma assentiu. —Que tal começar suas férias a partir de hoje? —ela levantou as sobrancelhas, surpresa.

—Hoje? —perguntou Emma.

—Sim, sua agenda está livre. Esses dois dias vão por minha conta, vá ao spa, à sauna, relaxe para o que vem no final de semana. Que acha? —Emma assentiu.

—Posso sair depois do almoço? Quero fazer uma limpeza no meu escritório.

—Claro, sem problema. Então nos vemos no seu casamento, —a senhora Byrne piscou para ela e Emma sorriu.

—Obrigada mais uma vez... —saiu do escritório da chefe e sua mente já estava planejando o resto da tarde, assim era Emma, sempre ativa. Entrou em sua sala e fez o que queria fazer antes de sair para duas semanas de férias, passou toda a manhã organizando seu escritório e reacomodando tudo. Quando deu a hora do almoço, tentou ligar para o noivo, mas ele não atendeu. Ligou para o celular dele, mas também não teve resposta. Emma imaginou que ele poderia estar na cafeteria, mas não o encontrou lá. Um dos colegas dele o viu conversando com uma das recepcionistas.

—Tom? —o homem virou o rosto para ela.

—Oi, Emma. Já vai almoçar?

—Não, estou procurando Jamie, você o viu? —Tom franziu a testa.

—Não, pensei que fossem almoçar juntos, ele comentou algo sobre ir ao apartamento.

—Ah, —Emma franziu a testa, —Obrigada, Tom. —despediu-se e foi, carregando uma caixa até seu carro. Colocou-a na parte traseira da caminhonete, subiu e saiu da empresa direto para seu apartamento. Emma ficou pensando por que Jamie não avisou que iria almoçar fora. Dez minutos depois, estava chegando ao prédio. Desceu com a caixa no ombro e, enquanto subia as escadas, repassou mentalmente a quantidade total de pratos de comida para o casamento daqui a dois dias. Esperava que a chef não se importasse se ela adicionasse mais dez pratos de última hora. Colocou a chave na porta e entrou. Ao fechar a porta, ouviu a voz de Jamie.

—Aí está você. —deixou a caixa de lado e foi à procura dele, tirou os sapatos e os levou para o armário. Cruzou o corredor até a última porta e, quando a abriu, ficou atônita.

— Emma! — exclamou Jamie tentando cobrir sua nudez. A morena que estava nua no meio da cama deles ficou pálida. — Não é o que você está pensando... — começou a dizer Jamie. Emma entrou no closet e se aproximou do móvel onde guardava todos os sapatos de salto alto. Colocou os que tinha nas mãos no espaço vazio, se virou e encontrou os chinelos que usava em casa. Ao sair, os dois estavam se vestindo às pressas, mas ao vê-la, pararam paralisados.

— Quando terminar de pegar suas coisas, leve esses lençóis também. Não os quero no meu apartamento.

— O quê? Isso é tudo que você vai dizer? — exclamou Jamie atônito.

— O que você quer que eu diga? Está claro que você está transando com sua assistente pelas minhas costas. Estou facilitando as coisas: pegue suas coisas, esses lençóis e saia do meu apartamento.

— Emma, por favor, estamos a dois dias do casamento, já temos tudo pronto. — Emma cruzou os braços. — Por favor, não vamos perder tudo por causa de um deslize. Depois de casarmos, teremos um ao outro para o resto de nossas vidas.

Emma se aproximou da cama e, com um movimento brusco, puxou os lençóis brancos e os jogou no rosto de Jamie.

— Eu mesma vou arrumar suas coisas e mandar para a casa da sua mãe, então, saiam.

— Emma... — tentou Jamie, tentando raciocinar com ela.

— FORA, AGORA. — Ele se assustou, ela nunca tinha falado daquele jeito. A mulher morena saiu correndo do apartamento, mas Jamie não queria ir embora.

— Já temos tudo do nosso casamento, querida. — Ela encurtou a distância, ficando frente a frente com ele.

— EU tenho tudo do MEU CASAMENTO. FUI EU quem PAGOU tudo, então eu resolvo isso.

— Por que você sempre faz isso? — Ela arqueou uma sobrancelha.

— O que você está tentando dizer? Que precisava de ação porque não encontra na sua própria cama com sua noiva? Desculpe, vou me corrigir: EX-NOIVA. Então é melhor você sair deste apartamento com o que está vestindo ou eu mesma vou te tirar à força.

— Vou esperar você se acalmar, tá bom? E depois a gente conversa.

— Não vamos conversar mais, depois que você sair por aquela porta, não vamos nos falar nem hoje, nem amanhã, nem pelo resto das nossas vidas, Jamie. Oficialmente, — Emma tirou o anel de noivado e o entregou na mão dele — Não somos NADA. AGORA SAI. Não, espera, — ela arrancou o anel de volta — Esse é meu também, foi comprado com o meu dinheiro.

Jamie caminhou até a saída com as calças e a camisa de vestir mal abotoada. Emma fechou a porta na cara dele quando ele se virou para tentar falar. Ela soltou um longo suspiro, mas o que mais a preocupava era...

... Que não havia lágrimas para chorar.

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