
HELOISA: O RETORNO AO MORRO
paloma.kemmerich · Concluído · 142.5k Palavras
Introdução
Capítulo 1
Heloise narrando
Eu olho para o relógio pela milésima vez e vejo os minutos passando devagar demais. As horas passam e passam, e nenhuma resposta chega. Eu ando de um lado para o outro dentro daquela sala, tentando controlar a ansiedade, esperando alguma notícia ou, pelo menos, uma ligação.
Eu jamais achei que viveria um momento assim.
Nunca imaginei que voltar para aquele morro, depois de tantos anos, fosse mexer tanto comigo. Muito menos que Henrique seria capaz de me olhar daquela forma, como se eu fosse uma completa estranha. Como se todos aqueles anos que passamos juntos na infância simplesmente não tivessem existido.
Eu paro em frente à janela e respiro fundo.
Talvez eu devesse simplesmente ir embora.
Mas alguma coisa dentro de mim se recusa a aceitar isso.
— Você ainda está aqui? — A voz dele soa atrás de mim e eu olho para trás, vendo-o abrir a porta. — Eu não mandei você ir embora do morro. Vou ter que te colocar eu mesmo para fora?
Eu encaro Henrique por alguns segundos. O mesmo rosto que eu conheci quando éramos crianças, mas agora completamente diferente. Mais duro. Mais frio. O olhar dele não tem mais nada daquele menino que eu conhecia.
— Você me deu um prazo.
— E ele está se esgotando, Heloise — RK fala, me encarando.
— Por quê, Henrique? — eu questiono, sentindo minha voz sair mais baixa do que eu gostaria.
— Porque o quê, garota?
— Eu não posso acreditar que você tenha mudado tanto.
Ele solta uma risada sem humor.
— Se passaram quatorze anos desde que você foi embora. Você achou que eu continuaria aquele moleque que comia meleca na hora do recreio?
Eu reviro os olhos, mas a verdade é que aquilo dói mais do que eu gostaria de admitir.
— Eu não posso acreditar que você tenha virado esse demônio — eu olho para ele.
— Se você não acredita e julga, faz o que eu mandei. Vaza de dentro do meu morro.
Meu coração aperta, mas eu não abaixo a cabeça.
— Eu não vou embora.
— Se você não for embora, Heloise, eu juro que te meto uma bala no meio da tua cara — ele fala, sério.
Por um instante, sinto um arrepio percorrer meu corpo. Não sei se é medo ou raiva. Talvez os dois.
Mas eu não vou dar esse gostinho para ele.
— Eu não fiz nada para você criar ódio de mim — eu bufo. — Eu não fiz nada. Eu apenas neguei te beijar no baile. Isso é o quê? Ciúmes?
O maxilar dele trava na mesma hora.
— Você só pode estar maluca — ele fala, nervoso, vindo em minha direção. — Você realmente acha que eu teria ciúmes de você? Você entra no meu morro, faz o diabo a quatro e agora vem dizer que eu tenho ciúmes de você?
Eu cruzo os braços, tentando esconder o quanto aquela proximidade me incomoda.
— Tem algum outro motivo para você estar me expulsando do seu morro, a não ser que eu esteja ficando com o seu primo? — eu o encaro. — Jv?
O olhar dele muda.
Por um segundo, tenho certeza de que acertei exatamente onde queria.
— Você pode ficar com quem você quiser — ele fala, tentando parecer indiferente. — Até mesmo com o demônio.
— Aí eu teria que ficar com você — eu falo, e ele me olha.
O silêncio entre nós pesa.
Eu quase consigo enxergar a raiva crescendo dentro dele.
— Vaza do meu morro.
— Você não pode me expulsar.
— Vaza, se não eu te mato.
Meu coração acelera novamente, mas dessa vez não é medo.
É raiva.
Uma raiva tão grande que eu sinto vontade de gritar com ele até minha voz desaparecer.
— Eu não vou embora — eu olho para ele. — Eu espero você na minha casa para me tirar daqui.
Ele me encara por alguns segundos antes de responder:
— Você tem dois dias.
— Eu já disse que não vou embora — eu encaro ele novamente. — Nem nos seus melhores sonhos.
— Você vai — ele fala, como se tivesse certeza absoluta.
Eu dou um pequeno sorriso, tentando não demonstrar o quanto aquelas palavras mexeram comigo.
— Você sabe que eu não tenho nada sério com Jv? — eu pergunto.
Ele permanece calado.
Talvez porque não saiba o que responder.
Talvez porque saiba exatamente o que responder e não queira admitir.
— Você não é de confiança. Você é suja que nem seu pai.
Meu sorriso desaparece na mesma hora.
— Não coloque meu pai no meio e nem me compare com ele.
— Maldita hora que eu deixei você subir de volta nesse morro — ele fala.
Sinto meu peito apertar.
Por mais que eu tentasse não demonstrar, ouvir aquilo vindo dele doía. Eu esperava raiva, esperava ameaças, esperava até mesmo desprezo. Mas não esperava que ele fosse usar meu pai para me atingir.
E, mesmo assim, eu não iria recuar.
— E bagunçar sua vida, RK? — eu questiono, dando um passo em sua direção. — É esse seu medo, não é mesmo?
Ele me olha com raiva.
Eu abro um pequeno sorriso.
Porque, naquele momento, tenho certeza de que existe alguma coisa por trás de toda aquela raiva. Alguma coisa que ele não quer admitir nem para si mesmo.
Eu saio de dentro da casa dele sem esperar outra resposta e desço em direção à minha.
Cada passo que dou parece carregar um pouco da raiva que estou sentindo.
Eu não consigo acreditar que Henrique tenha se tornado aquele homem.
Ou talvez ele sempre tivesse sido assim e eu simplesmente não estivesse enxergando.
Entro dentro de casa e bato a porta atrás de mim, respirando fundo. Meu corpo inteiro está tenso. Eu passo as mãos pelo cabelo e começo a andar de um lado para o outro novamente.
Ele estava querendo me expulsar apenas por ciúmes.
Ciúmes e orgulho.
Tudo porque eu neguei ficar com ele na frente de todo mundo.
Infantil.
Ele é um merda de um dono de morro infantil.
Eu paro no meio da sala e solto uma risada nervosa.
Quatorze anos.
Quatorze anos se passaram e, de alguma forma, Henrique ainda consegue me tirar completamente do sério.
Eu não sei o que é pior: ele ter mudado tanto ou eu ainda me importar com o que ele pensa de mim.
Talvez seja isso que mais me incomode.
Porque, apesar de toda a raiva, de todas as ameaças e de todas as coisas horríveis que ele me disse, uma parte de mim ainda tenta encontrar aquele menino que conheci anos atrás.
E talvez eu esteja cometendo um grande erro ao insistir em ficar.
Mas, pela primeira vez, eu não quero fugir.
Se Henrique quer me expulsar daquele morro, vai ter que fazer isso olhando nos meus olhos.
Porque eu não vou facilitar para ele.
Muito menos dar a ele a satisfação de achar que conseguiu me assustar.
Últimos Capítulos
#97 Capítulo 97 EPILOGO
Última Atualização: 8/20/2026#96 Capítulo 96 95
Última Atualização: 8/20/2026#95 Capítulo 95 94
Última Atualização: 8/20/2026#94 Capítulo 94 93
Última Atualização: 8/20/2026#93 Capítulo 93 92
Última Atualização: 8/20/2026#92 Capítulo 92 91
Última Atualização: 8/20/2026#91 Capítulo 91 90
Última Atualização: 8/20/2026#90 Capítulo 90 89
Última Atualização: 8/20/2026#89 Capítulo 89 88
Última Atualização: 8/20/2026#88 Capítulo 88 87
Última Atualização: 8/20/2026
Você Pode Gostar 😍
Amante
Sem sabem o que o futuro lhe reservava, ele ainda poderia se arrepender dessa escolha.
A Bailarina no Morro
Enquanto aprendem a enfrentar as dores do passado, descobrir o valor da confiança e superar preconceitos, eles percebem que o amor verdadeiro nasce dos atos mais sinceros. Entre escolhas difíceis, recomeços e emoções intensas, cada passo revela que até os corações mais feridos podem encontrar um novo motivo para acreditar.
Porque, às vezes, basta um único gesto de amor para transformar vidas e mudar uma história para sempre.
A Herdeira da Máfia
O CEO Acima da Minha Mesa
“Eu sei que precisa.”
“E se ela não quiser esse tipo de proteção?”
“Ela vai querer”, eu digo, baixando um pouco a voz. “Porque ela precisa de um homem que seja capaz de dar o mundo a ela.”
“E se o mundo pegar fogo?”
Minha mão se fecha de leve na cintura de Violet.
“Então eu construo um novo pra ela”, eu respondo. “Mesmo que eu tenha que queimar o velho com as minhas próprias mãos.”
Eu não trabalho para Rowan Ashcroft.
Eu trabalho abaixo dele.
Da minha mesa, eu decido quem consegue acesso ao CEO mais implacável da cidade e quem nunca passa da recepção. Eu administro o tempo dele, o silêncio dele, os inimigos dele. Eu mantenho o mundo dele funcionando enquanto o meu desaba em silêncio sob contas atrasadas, uma mãe internada numa clínica de reabilitação e um irmão que sumiu sem nem se despedir.
Rowan Ashcroft é poder embrulhado num terno sob medida.
Frio. Intocável. Impiedoso.
Ele não flerta. Não sorri. Não enxerga pessoas, só utilidade.
E por muito tempo, eu fui apenas útil.
Até que ele começou a me observar.
No começo, a mudança na atenção dele é sutil. Uma pausa longa demais. Um olhar que se demora. Ordens que me puxam para mais perto em vez de me manterem à distância. O homem que fica de pé acima da minha mesa começa a controlar mais do que a minha agenda, e eu percebo tarde demais que ser notada por Rowan Ashcroft é muito mais perigoso do que ser ignorada.
Porque homens como ele não desejam afeto.
Desejam posse.
Era pra ser só um emprego.
Não um teste dos meus limites.
Não uma descida lenta e calculada para dentro da autoridade dele.
Mas se Rowan Ashcroft decidir que eu pertenço debaixo da mesa dele, que seja.
Sobreviver tem um preço, e as contas não querem saber como eu pago.
Bastardo Perfeito
"Vai se foder, seu filho da puta!" retruquei, tentando me soltar.
"Diga!" ele rosnou, usando uma mão para segurar meu queixo.
"Você acha que eu sou uma vadia?"
"Então isso é um não?"
"Vá para o inferno!"
"Bom. Era só isso que eu precisava ouvir," ele disse, levantando minha blusa preta com uma mão, expondo meus seios e enviando uma onda de adrenalina pelo meu corpo.
"O que diabos você está fazendo?" ofeguei enquanto ele olhava para meus seios com um sorriso satisfeito.
Ele passou um dedo sobre uma das marcas que ele havia deixado logo abaixo de um dos meus mamilos.
O desgraçado estava admirando as marcas que ele deixou em mim?
"Envolva suas pernas em mim," ele ordenou.
Ele se inclinou o suficiente para pegar meu seio na boca, sugando forte um mamilo. Mordi meu lábio inferior para abafar um gemido enquanto ele mordia, fazendo-me arquear o peito em direção a ele.
"Vou soltar suas mãos; não ouse tentar me parar."
Desgraçado, arrogante e completamente irresistível, o tipo exato de homem com quem Ellie jurou nunca mais se envolver. Mas quando o irmão de sua amiga retorna à cidade, ela se vê perigosamente perto de sucumbir aos seus desejos mais selvagens.
Ela é irritante, inteligente, gostosa, completamente louca, e está deixando Ethan Morgan louco também.
O que começou como um simples jogo agora o atormenta. Ele não consegue tirá-la da cabeça, mas nunca permitirá que alguém entre em seu coração novamente.
Mesmo enquanto ambos lutam com todas as forças contra essa atração ardente, serão capazes de resistir?
Rainha de copas
Mas não seria tão óbvio se não fosse você.
Mais uma feita por mim, com bastante carinho, espero que gostem.
A Noiva do Alfa Mafioso
Helena — Amor Proibido — Meu Ex genro
Durante vinte anos, Helena acreditou que conhecia a vida que havia construído.
Respeitada como médica, casada com um dos empresários mais influentes do país e mãe de Eduarda, uma modelo de sucesso que vive em Milão, ela tinha a certeza de que, apesar das imperfeições, sua família era sólida. Até que um escândalo destrói tudo.
Decidida a colocar um ponto final no casamento, Helena pede o divórcio. Mas, antes mesmo de conseguir reconstruir a própria vida, recebe uma ligação.
Eduarda sofreu um grave acidente e está em coma.
Ao desembarcar em Milão, Helena descobre que a filha escondia uma vida inteira de segredos. Um casamento do qual ela jamais ouvira falar. E um emaranhado de mentiras que parecem não fazer sentido.
Enquanto tenta desvendar quem Eduarda realmente se tornou, Helena encontra em Julian o único porto seguro em meio ao caos. O homem que todos acreditam ser o marido de sua filha.
À medida que a convivência aproxima os dois, nasce um sentimento que ambos sabem que jamais deveria existir. Afinal, como se apaixonar pelo homem que, aparentemente, pertence à própria filha?
Mas, em uma história onde nada é exatamente o que parece, cada revelação abre espaço para uma nova dúvida, e cada verdade escondida pode transformar completamente o destino de todos.
O CEO QUE ME SALVOU QUER MEU AMOR
Ela se sente como a Cinderela presa em um castelo escuro sem saída, até que o CEO mais poderoso e arrogante se fixa nela e, sem pensar duas vezes, se torna sua salvação.
No entanto, o que ela não sabia é que o CEO quer seu amor, seu corpo e sua alma.
As marcas do passado não a deixarão em paz. Seu ex quer tê-la de volta, mas ela se tornou forte o suficiente para enfrentar seu passado — e não está mais sozinha.
O CEO que salvou sua vida está disposto a dar tudo por ela… e a incendiar o mundo inteiro por ela.
PROTEGIDA POR MIM
Aos oito anos, foi abandonado por quem deveria amá-lo, cuidar dele e protegê-lo. Cresceu sozinho, cercado pelo crime e pela violência, até transformar a sobrevivência em sua única regra.
Anos depois, Terror conquistou o comando da Rocinha ao matar Gotinha, o antigo dono do morro, um homem cruel que havia cometido um crime imperdoável contra uma menina de apenas doze anos. Para Terror, aquilo não foi apenas uma disputa pelo poder. Foi justiça.
Desde então, ele segue suas próprias regras e mantém o controle do morro com mãos firmes. Para alguns, é apenas um criminoso. Para outros, é o homem que faz a justiça que ninguém mais teve coragem de fazer.
Por trás do vulgo Terror existe Bernardo, um homem marcado pelo abandono e por uma infância que nunca teve. Vencer se tornou uma questão de honra e uma forma de pedir desculpas, todos os dias, ao menino que precisou aprender a sobreviver sozinho.
Mas sua vida está prestes a mudar.
Ele está acostumado a proteger seu território, seu nome e seu império. O que não esperava era encontrar alguém que despertasse nele um instinto ainda maior: o de proteger.
E quando essa mulher entrar em sua vida, Terror descobrirá que existem batalhas que não podem ser vencidas com armas, poder ou medo.
Porque, dessa vez, o homem mais temido da Rocinha terá alguém que poderá perder.
Refém do Don italiano
Jade Correia não se curva.
— Você não sabe nada sobre mim.
— Um dia vai me procurar, e vai implorar de joelhos pela minha ajuda.












