O CEO Acima da Minha Mesa

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McKenzie Shinabery · Atualizando · 225.0k Palavras

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Introdução

“Você acha que ela precisa de você”, ele diz.

“Eu sei que precisa.”

“E se ela não quiser esse tipo de proteção?”

“Ela vai querer”, eu digo, baixando um pouco a voz. “Porque ela precisa de um homem que seja capaz de dar o mundo a ela.”

“E se o mundo pegar fogo?”

Minha mão se fecha de leve na cintura de Violet.

“Então eu construo um novo pra ela”, eu respondo. “Mesmo que eu tenha que queimar o velho com as minhas próprias mãos.”

Eu não trabalho para Rowan Ashcroft.
Eu trabalho abaixo dele.

Da minha mesa, eu decido quem consegue acesso ao CEO mais implacável da cidade e quem nunca passa da recepção. Eu administro o tempo dele, o silêncio dele, os inimigos dele. Eu mantenho o mundo dele funcionando enquanto o meu desaba em silêncio sob contas atrasadas, uma mãe internada numa clínica de reabilitação e um irmão que sumiu sem nem se despedir.

Rowan Ashcroft é poder embrulhado num terno sob medida.
Frio. Intocável. Impiedoso.
Ele não flerta. Não sorri. Não enxerga pessoas, só utilidade.

E por muito tempo, eu fui apenas útil.

Até que ele começou a me observar.

No começo, a mudança na atenção dele é sutil. Uma pausa longa demais. Um olhar que se demora. Ordens que me puxam para mais perto em vez de me manterem à distância. O homem que fica de pé acima da minha mesa começa a controlar mais do que a minha agenda, e eu percebo tarde demais que ser notada por Rowan Ashcroft é muito mais perigoso do que ser ignorada.

Porque homens como ele não desejam afeto.
Desejam posse.

Era pra ser só um emprego.
Não um teste dos meus limites.
Não uma descida lenta e calculada para dentro da autoridade dele.

Mas se Rowan Ashcroft decidir que eu pertenço debaixo da mesa dele, que seja.
Sobreviver tem um preço, e as contas não querem saber como eu pago.

Capítulo 1

Violet

O telefone começa a berrar às 7h58, exatamente na hora de sempre — como se soubesse que o prédio já acordou e que está na hora de arruinar a vida de alguém.

Meu trabalho é garantir que esse alguém não seja Rowan Ashcroft.

“Ashcroft Industries, bom dia”, digo, já digitando com a mão livre, já passando o olho na agenda, já vigiando o conjunto de elevadores como se fosse um cronômetro de contagem regressiva. “Como posso direcionar sua ligação?”

“Eu preciso do senhor Ashcroft. Imediatamente.”

Claro que precisa.

“Posso saber quem está falando?”

“Aqui é a vereadora Hargrove. Ele sabe quem eu sou.”

Todo mundo acha que o próprio nome é uma chave. Todo mundo acha que urgência dobra as regras. Esquecem que tem uma pessoa aqui com acesso, autoridade e um sistema de segurança que me escuta — não a eles.

“Eu sei quem a senhora é, vereadora”, digo, educada o suficiente pra passar, seca o suficiente pra doer. “O senhor Ashcroft não está disponível no momento. Posso anotar um recado.”

“Não está disponível? São oito da manhã.”

“Ele começa o dia às nove”, minto com naturalidade. Rowan Ashcroft começa o dia na hora em que decide que o mundo merece a presença dele. “Se for urgente, posso agendar uma ligação mais tarde hoje.”

“Eu não vou agendar ligação. Eu estou ligando.”

“E eu estou atendendo.” Sorrio, mesmo ela não vendo. Sorrisos são armas, se você souber usar. “Gostaria de deixar um recado?”

Silêncio. Aí, cortante e ofendida:

“Diga a ele que está fazendo um inimigo.”

Eu não vacilo. Não reajo.

“Anotado”, digo, e desligo.

Marco a ligação como ALTA PRIORIDADE e enfio por baixo de outras três com o mesmo rótulo. Ameaças não assustam Rowan Ashcroft. Ele coleciona inimigos como homem rico coleciona relógio — não pela função, mas pela prova do que pode pagar.

O telefone toca de novo.

“Ashcroft Industries.”

“Ele está aí?” um homem rosna.

“Quem gostaria?”

“Waters. Ele vai atender.”

“O senhor Ashcroft não está disponível”, repito, porque já disse alguma versão dessa frase tantas vezes que dava pra estar gravada na minha coluna. “Gostaria de deixar um recado?”

“Eu não deixo recado.”

“Então o senhor não fala com o senhor Ashcroft”, digo, calma. Calma deixa as pessoas com mais raiva. “Tenha um bom dia.”

Clique.

A próxima ligação entra antes de eu conseguir respirar. A tela pisca CENTRO DE REABILITAÇÃO e meu estômago se fecha.

Agora não.

Mesmo assim, eu atendo. “Aqui é Violet Pierce.”

“Senhora Pierce”, diz uma mulher, a voz clínica e cansada — a voz de quem dá notícia ruim pra viver. “Precisamos falar sobre o saldo pendente da sua mãe.”

O saguão brilha ao meu redor. Piso de mármore. Paredes de vidro. Riqueza silenciosa. Eu me vejo refletida no balcão — profissional, controlada, sem rachaduras.

“Eu paguei semana passada”, digo.

“Sim”, ela responde, sem se impressionar. “E agradecemos. Porém, o próximo pagamento vence hoje. Se não recebermos até as cinco da tarde, vamos precisar reavaliar a permanência dela.”

Reavaliar a permanência dela.

É assim que eles chamam quando a compaixão vira condicional.

“Quanto?” pergunto.

Ela me diz. O número acerta como um soco.

“Eu vou dar um jeito”, digo.

Uma pausa. “Tem certeza?”

Meus olhos caem no post-it colado embaixo do monitor.

DESAPARECIDO: DREW PIERCE

O rosto do meu irmão me encara de uma foto antiga — sorrindo, vivo, sumido.

“Eu disse que vou dar um jeito.”

“Obrigada, senhora Pierce.”

A ligação termina. Outra linha acende na mesma hora.

Pânico é luxo. Pânico é pra gente cuja vida não depende de ficar de pé.

Eu atendo. Depois a próxima. Depois a próxima.

Às 8h20, eu já barrei quatro executivos, redirecionei dois investidores, reagendei o jurídico, cancelei uma visita surpresa e intercepto uma entrega indo pro andar errado. Eu não bebi água. Eu não olhei minha conta.

Não preciso.

Não dá.

Às 8h35, Avery Quinneth chega cheirando a dinheiro e confiança, zero estresse em saltos que custam mais do que minhas compras da semana.

“Bom diaaa”, ela canta, smoothie na mão.

Nem levanto a cabeça. “Sua reunião das nove passou pras dez.”

O sorriso dela vacila. “O quê? Por quê?”

“A entrevista do Theo com a imprensa adiantou. O Rowan quer o marketing de prontidão.”

Ela pisca. “O Rowan quer… marketing?”

“Quer”, digo. “Se ajusta.”

Ela faz bico. “Você podia ter me mandado mensagem.”

“Eu não mando lembrete pra adulto.”

Ela se inclina. “Ele tá de mau humor hoje. Eu ouvi ele no telefone ontem à noite.”

“Imagino”, digo.

Ela vai embora como se fosse dona do lugar.

Ela não é.

Às 8h42, Camille atravessa o saguão, tablet debaixo do braço. Ela não acena — só levanta o queixo de leve.

Eu tô te vendo.

Eu respondo com um olhar que diz agora não.

Porque o elevador apita.

Rowan Ashcroft nem chegou ainda —

— e meu peito aperta do mesmo jeito.

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