
Meu Ídolo é Alfa
Anika Mufidah · Concluído · 79.0k Palavras
Introdução
Depois do que aconteceu naquela noite, Ryan e Alina tentaram seguir com sua rotina diária no campus. No entanto, os boatos sobre eles logo se espalharam. Seus amigos começaram a se perguntar e a sussurrar pelas costas deles. Ryan, geralmente calmo e confiante, estava incomodado com a atenção indesejada. Alina se sentia desconfortável toda vez que se encontravam no corredor do campus. Ambos tentavam evitar um ao outro, mas sentimentos mistos tornavam a situação ainda mais complicada. O que acontecerá com eles a seguir?
Capítulo 1
POV da Alina
Eu estava na beira do ginásio, meu coração batendo forte no peito. Eu tinha sonhado com esse momento por meses, praticando minhas coreografias e saltos na frente do espelho no meu quarto. As audições para a equipe de líderes de torcida da Oakwood High eram minha chance de brilhar, de ser mais do que apenas mais um rosto nos corredores lotados.
O ginásio estava cheio de atividade. Banners brilhantes com as cores da escola decoravam as paredes, e o piso de madeira polida brilhava sob as luzes fluorescentes. A equipe de líderes de torcida, resplandecente em seus uniformes azul e dourado, estava reunida, sussurrando e rindo. Respirei fundo, segurando meus pompons com força. Olhei ao redor nervosamente, reconhecendo alguns rostos das minhas aulas, mas não sentindo nenhum conforto com a presença deles.
“Certo, pessoal!” A voz da treinadora Miller ecoou pelo ginásio. Uma mulher alta e séria com uma prancheta na mão, ela era a treinadora de líderes de torcida há mais de uma década. “Vamos começar com as rotinas individuais. Lembrem-se, estamos procurando energia, precisão e espírito. Primeira, Alina Richards!”
Meu coração subiu à garganta. Dei um passo à frente, minhas pernas parecendo gelatina. Os sussurros e risadinhas das outras garotas não ajudavam meus nervos. Fechei os olhos por um momento, visualizando minha rotina, aquela que eu tinha aperfeiçoado em inúmeras sessões de prática noturnas.
“Vai, Alina!” alguém gritou, mas a voz tinha um tom de zombaria. Forcei um sorriso e tomei minha posição. A música começou, um ritmo acelerado que ecoava pelo ginásio.
Comecei minha rotina, meus movimentos precisos, mas faltando a confiança que geralmente marcava minhas sessões de prática. Executei uma estrela perfeita, seguida por uma série de saltos. Mas, ao entrar nas partes mais complexas da minha rotina, meus nervos me dominaram. Tropecei em um giro, perdendo o equilíbrio por um momento. Meu rosto ficou vermelho, mas continuei.
A última parte da minha rotina era um salto mortal. Eu tinha feito isso perfeitamente cem vezes no meu quintal. Respirei fundo, me lancei no ar—e calculei errado. Pousei de forma desajeitada, meu tornozelo torcendo sob mim. A dor percorreu minha perna, e eu desabei no chão.
Risos irromperam das outras garotas, agudos e cruéis. “Boa tentativa, desastrada!” alguém zombou. Lágrimas arderam nos meus olhos. Lutei para me levantar, mordendo o lábio para não gritar.
“Certo, já chega!” A voz da treinadora Miller cortou os risos. Ela caminhou até mim, sua expressão severa, mas não sem gentileza. “Você está bem, Alina?”
Assenti, embora meu tornozelo latejasse a cada passo. “Estou bem,” sussurrei, minha voz trêmula.
A treinadora Miller me examinou rapidamente, depois assentiu. “Vá ver a enfermeira por causa desse tornozelo. E não se preocupe, erros acontecem.”
Mas eu podia ver os olhares nos rostos das outras garotas, os sorrisos de desdém. Saí mancando do ginásio, o som das risadas delas ecoando nos meus ouvidos.
O consultório da enfermeira foi um borrão. A enfermeira gentil enfaixou meu tornozelo, instruindo-me a descansar e aplicar gelo. Assenti mecanicamente, mal ouvindo as palavras. Minha mente era um turbilhão de humilhação e decepção.
Sentei no banco fora do consultório da enfermeira, olhando para meu tornozelo enfaixado. O sonho que eu tinha acalentado por tanto tempo parecia despedaçado além de qualquer reparo. Eu tinha me imaginado no uniforme azul e dourado, liderando as torcidas nos jogos de futebol, sentindo a emoção de fazer parte de algo especial. Agora, tudo o que eu sentia era o gosto amargo do fracasso e a crueldade dos meus colegas.
Meus pés arrastavam-se enquanto eu caminhava pela rua mal iluminada, as luzes neon do The Lantern Bar piscando à frente. Eu nunca tinha pisado em um bar antes, muito menos sozinha. Mas esta noite, eu precisava afogar minhas mágoas em algo mais forte do que minhas próprias lágrimas. O término com Tom ainda era recente, as feridas cruas e doloridas. Passei os últimos dias mergulhada na tristeza, mas esta noite, eu queria sentir algo diferente, qualquer coisa diferente.
Quando empurrei a pesada porta do bar, uma onda de ar quente e abafado me envolveu. O murmúrio baixo de conversas misturava-se com o tilintar de copos e o suave dedilhar de um violão vindo do pequeno palco no canto. Eu vasculhei o ambiente com o olhar, meus olhos se ajustando à luz fraca. O bar estava meio cheio, uma mistura de frequentadores habituais e pessoas como eu—procurando uma fuga.
Caminhei até o balcão, deslizando para cima de um banquinho gasto. O barman, um homem de meia-idade com um sorriso amigável, aproximou-se de mim.
“O que posso te servir?” ele perguntou.
“Algo forte,” respondi, minha voz mal passando de um sussurro.
Ele assentiu e logo colocou um copo de líquido âmbar na minha frente. Dei um gole cauteloso, a queimação do álcool era desconhecida, mas estranhamente reconfortante. Continuei a bebericar, deixando o calor se espalhar por mim.
À medida que a noite avançava, o álcool tecia seu feitiço enevoado. O mundo ao meu redor borrava-se nas bordas, e eu afundava mais fundo no consolo que a bebida proporcionava. Terminei meu primeiro copo e sinalizei para o barman trazer outro. Cada gole fazia a sala girar um pouco mais, mas eu acolhia a tontura—era uma distração dos pensamentos dos quais eu estava fugindo.
O bar ficou mais barulhento, o murmúrio das conversas subindo a um cacofonia. Notei quando alguém se sentou ao meu lado, mas uma voz suave e constante rompeu minha névoa.
“Noite difícil?” ele perguntou.
Virei-me para ver um jovem com um sorriso calmo e olhos que pareciam ver através de mim. Eu não reconhecia seu rosto, mas algo em sua presença era reconfortante.
“É,” respondi, minha voz arrastada. “Pode-se dizer que sim.”
Caímos em uma conversa que fluía e reflua como as marés, passando de um tópico para o outro. Ele falava sobre coisas triviais—música, filmes, o tempo—mas de alguma forma, parecia profundo. Seu riso era contagiante, e por um momento, esqueci por que tinha vindo aqui.
O tempo perdeu seu significado. Bebidas iam e vinham, cada uma me fazendo sentir mais leve, mais distante dos meus problemas. Ele ouvia com interesse genuíno, nunca pressionando demais ou perguntando detalhes que eu não estava pronta para compartilhar. Encontrei conforto em sua presença, uma estranha sensação de familiaridade com alguém que eu nunca tinha conhecido antes.
Em algum momento, a sala girou mais rápido, e minhas pálpebras ficaram pesadas. Notei quando ele passou o braço ao meu redor, me guiando para fora do banquinho.
“Vamos te levar para um lugar mais confortável,” ele murmurou, sua voz gentil, mas firme.
Assenti, minha cabeça balançando. Eu confiava nele, mesmo enquanto minha visão borrava e meus pensamentos se tornavam desconexos. Fizemos nosso caminho através da multidão, seu aperto firme e tranquilizador. O barulho do bar diminuiu à medida que entramos em um corredor mais silencioso, as luzes fracas lançando longas sombras nas paredes.
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Última Atualização: 7/30/2025
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