
A Babá Perfeita
autoragarces · Atualizando · 45.3k Palavras
Introdução
Capítulo 1
Liam Kavanagh se encontrava no escritório da empresa de sua família, na qual comandava, mas diferente do que deveria estar fazendo, seus olhos se encontravam no porta-retrato a sua frente em cima de sua mesa; nela, uma fotografia de ambos seus filhos, juntos e abraçados. Com apenas vinte e três anos, o moreno de olhos ônix era pai de um casal de gêmeos. Apesar de ser muito cansativo, adorava passar as horas com eles ou mesmo apenas colocá-los para dormir, como fazia sempre. Ambos eram muito parecidos consigo, com a única exceção dos olhos, que eram verdes-oliva; a mesma cor dos olhos de sua mãe; se é que podia chamá-la dessa forma, já que a mulher por quem havia se afeiçoado durante a gravidez, havia os abandonado.
Se lembrava como se fosse ontem do dia em que tudo começou.
Havia terminado o colegial, e todos iriam comemorar na casa de um dos colegas de classe. Apesar de seus pais, em especial sua mãe, pedir para que ele não fosse, não os escutou. Sabendo que beberia, pediu para que o motorista de sua mãe o levasse a casa de Ryan Maher, seu melhor amigo, quase irmão, já que praticamente cresceram juntos; seus pais eram amigos desde a infância. Sabia que o lugar estaria cheio, principalmente porque não estavam apenas o terceiro ano na grande mansão, mas também outros alunos da International House.
Assim que chegou e foi visto por três de seus amigos, incluindo o dono da mansão, foi puxado para o open-bar que o Maher havia montado no extenso jardim. A piscina estava aquecida e havia várias pessoas dentro dela; algumas se beijavam sem pudor algum, mas o Kavanagh já estava acostumado com tal cena; ele mesmo já havia feito tal coisa. Desviou os olhos rapidamente ao ser chamado por um outro amigo; sorriu caminhando em direção a ele que tinha um copo com bebida em mãos.
Seu erro começou na bebedeira.
Haviam feito uma competição, e Liam, um playboy que era o mais popular do colégio, não correria nunca de uma, e por esse motivo foi o primeiro a apoiar Connor Fitzgerald, o ruivo de olhos verdes que havia dado a ideia da competição. Não soube quem ganhou, pois havia sido puxado por uma linda garota, beijando seus lábios e tocando seu corpo, e o moreno, sem demoras a levou para um dos vários quartos de hospedes.
E esse foi o segundo erro da noite.
Acordou no dia seguinte com uma ressaca infernal, além de perceber uma garota nua ao seu lado. Soube quem era no instante em que seus olhos bateram em seu rosto; ela era de sua sala e se chamava Lillie Collins. Ela tinha cabelos castanho-claro e olhos verde-oliva, era também a capitã das líderes de torcida e havia sido a única garota daquela equipe que não havia pegado ainda, além da irmã de seu amigo ruivo, Savanna Fitzgerald e a namorada de seu amigo loiro, Aurora Devlin.
Ele não se despediu da jovem.
Ao perceber que ela ainda dormia, se vestiu rapidamente e seguiu direto para fora do quarto, já imaginando o sermão que levaria dos pais por não ter ligado e avisado que não dormiria em casa; e como sempre, ele não se importava. Desceu as escadas e encontrou Connor com uma linda loira que ele não conhecia, e imaginava que ela não fizesse parte da IH já que nunca havia visto aquele rosto antes nas dependências do colégio, encontrou também outros colegas de turma jogados pelo caminho, e imaginou, já que não viu o melhor amigo por ali, que ele continuava dormindo, provavelmente com a namorada agarrada a si, em seu próprio quarto.
Os meses se passaram, e assim como havia prometido ao pai, se focou em seu curso. Seria responsável como nunca tinha sido antes, mas isso não queria dizer que não havia festas e diversões com seus melhores amigos: Connor Fitzgerald, Shay McCarthy, Noah Devlin, e claro, Ryan Maher. Eles faziam o mesmo curso na mesma faculdade. Eram amigos desde crianças, e por seus pais terem uma empresa vinculada, estavam sendo preparados para substituírem cada um deles.
Três meses se passaram, e ele nunca mais havia visto Lillie, ou mesmo a procurou. Seguiu com sua vida e se esqueceu do que houve em um dos quartos da mansão de seu amigo loiro. E ele realmente pensou que nunca mais a encontraria, até que ela apareceu em um dia no qual estava fazendo um trabalho de faculdade na mansão Fitzgerald.
As palavras que o atingiram foram: eu estou grávida.
E então seu mundo virou de cabeça para baixo.
Sua mãe surtou e quase teve um ataque do coração ao descobrir sobre a gravidez, seu pai ficou possesso por sua irresponsabilidade e o obrigou a noivar com a moça, que incrível e surpreendentemente, era filha do contador da empresa da família, e o fez prometer que seria responsável pela criança que estava dentro da barriga de Lillie.
E ele prometeu.
Mesmo morrendo de medo de ser pai, esteve presente em cada consulta, em cada enjoo, em cada desejo, e mesmo que estivesse um caco por estar estudando e cuidando de uma grávida, não a deixou sozinha nem por um segundo, principalmente porque sabia que ele era parte responsável por ela estar passando por uma gravidez aos dezesseis anos; sim, ela era um ano mais nova que o Kavanagh.
Eles se casaram nas férias, quando ela já se encontrava com uma barriguinha a mostra, e que por esse motivo, haviam se decidido apenas no civil. E Liam agradeceu por isso, pois não estava com cabeça para planejar um enorme casamento e uma festa, mesmo sabendo que esse era o desejo de sua adorável mãe.
Seus amigos, cada um deles, o ajudavam como podiam, e o apoiavam sempre. Não se surpreendeu quando mesmo depois da confirmação de que ele seria pai, nenhum deles se afastou, como aconteceria se ainda tivesse contato com o time de basquete, porque não confiava em nenhum deles verdadeiramente.
No quinto mês de gestação, Lillie e Liam descobriram que seriam gêmeos, e isso mudou completamente a mulher, que já não estava muito bem com aquela gravidez. O Kavanagh não conseguia compreender como ela podia estar tão infeliz, mesmo depois de ver os filhos na tela preto e branco. Ele sentia um medo grandioso, mas diferente dela, sentiu-se orgulhoso ao ver a imagem deles, e andava sempre com uma cópia da fotografia em sua carteira.
Aos sete meses e meio, os gêmeos vieram a nascer.
O tempo estava chuvoso e mal haviam conseguido chegar com Lillie ao hospital, por conta do engarrafamento, mas no fim do dia, cada um da família, de ambos os lados, puderam conhecer as crianças que eles tanto esperaram; até mesmo Andrew, que havia ficado possesso ao descobrir que seu filho mais novo seria pai, havia ficado ansioso para conhecer os netos. Lillie não quis escolher os nomes, então Liam os fez: Natalie e Thomas Kavanagh.
Cada dia que se passava, mais ele se encantava pelos filhos, mas diferente dele, Lillie se revoltava cada vez mais, principalmente por conta de seu corpo, que ela vivia reclamando por ter mudado e não voltado a ser como antes. Liam tentava entendê-la, mas não conseguia. Pensou que ela não amamentaria os filhos, mas ela o fez, o que o deixou aliviado, afinal, seria complicado procurar por uma ama de leite.
Um ano se passou, e Liam percebeu uma nova mudança em Lillie.
Ela brincava com os bebês, cuidava deles durante o dia, já que o marido estudava naquele período, e durante a tarde, o deixava com ambos para que pudesse começar o curso de modelo que tanto sonhou em fazer e o marido a apoiou completamente; seus bebês já não dependiam tanto dela, então ela achou que era a hora.
E então quase seis meses depois ela começou a se revoltar por nunca dar certo, e começou a culpar os próprios filhos por sua incapacidade de poder modelar, e culpou ainda mais ao marido, por ela ter ficado grávida e consequentemente, com um corpo horroroso; o que não era verdade, mas ela não acreditava nas palavras do Kavanagh; não mais, não quando não conseguia ser aceita para ser modelo ou mesmo fotografar.
Liam se lembrava do dia exato no qual Lillie o havia deixado sozinho com dois bebês de pouco mais de dois anos para criar. Havia saído mais cedo para a faculdade por conta de uma prova importante, não sem antes visar a esposa sobre tal, pedindo para que ela não saísse com os filhos naquele dia por conta do mal tempo. Quando voltou para casa, havia uma mulher que ele mal conhecia – só sabia que era uma antiga amiga de Lillie, do tempo do colegial –, e descobriu, por uma carta, que ela havia entregado a ele, que sua esposa havia o deixado por querer uma vida melhor.
Naquele momento, Liam só tinha uma coisa em seus pensamentos, apesar de estar trabalhando, algo que o preocupava, ou melhor, alguém: a babá de seus filhos. Aquele era o primeiro dia dela, e estaria com eles pelas próximas horas, sozinha, sem mesmo a governanta, que havia pedido uma folga por conta de seu filho mais novo que havia adoecido e não tinha ninguém para ficar com ele no hospital. E esse era mais um motivo para ele se preocupar com os três. Na verdade, se preocupava com o que ambos seus filhos pudessem aprontar para colocar a nova babá para fora de suas vidas. Não duvidava que isso poderia acontecer naquele mesmo dia.
Realmente, conhecendo como os conhecia, temia pela mulher.
Já fazia praticamente um ano que os gêmeos não mais eram cuidados pela amada avó, Ivy Kavanagh, simplesmente porque ela e seu pai estavam sempre viajando agora que ele estava no comando da empresa junto de seus amigos, e ele tinha de concordar que ambos mereciam se divertir, e por isso no instante em que seus pais tomaram a decisão de aproveitarem a vida agora que um deles não mais precisasse cuidar da empresa, começou a procura de babás experientes e que pudessem cuidar bem do seu bem mais precioso.
Haviam sido seis até agora, e nenhuma conseguia ficar mais de um mês, infelizmente, por conta dos pestinhas de seus filhos. Uma delas, ele podia dizer apenas para ele mesmo, que ela mereceu, já que havia sido grossa com sua garotinha, e seu filho, todo protetor que era, havia lhe jogado na piscina gelada, no meio da tarde de um intenso inverso, fazendo-a ficar extremamente resfriada. Ela não voltou no dia seguinte, e Liam já esperava por isso.
As outras, ele havia apenas ficado sabendo por ambos o que fizeram, diferente do que foi com a outra, e por isso haviam se vingado; mas Liam os conhecia bem para saber que mesmo se elas fossem boas pessoas, ainda assim eles fariam o que fosse para expulsarem-nas de suas vidas.
E por esse motivo ficou tentado em ligar para casa, para perguntar por ambas as crianças, e claro, pela babá da vez, mas tinha coisas importantes pela frente e não podia se dar ao luxo de desistir da reunião que estava prestes a começar apenas porque tinha medo do que seus filhos estariam aprontando com a jovem.
Esperava que eles não dessem trabalho dessa vez, afinal havia gostado da moça.
Havia pedido para que eles se comportassem, mas não sabia se eles realmente o fariam; conhecendo como os conhecia, ele já imaginava a resposta e estremecia só de imaginar mais além. Eles eram crianças geniosas, e sabia do que poderiam ser capazes. E era isso que fazia Liam pensar se não devia ligar e descobrir se estava "ainda" tudo bem. Talvez devesse. Ou talvez devesse pedir ao seu irmão para dar uma olhadinha neles. Ou...
Liam estava preocupado. E não conseguiria trabalhar com aquela preocupação em mente, mas antes que pudesse se levantar a porta se abriu de forma um tanto bruta.
— Senhor? Desculpe entrar assim, mas é sobre seus filhos.
Liam suspirou longamente, fechando os olhos, e já preparado para tudo que fosse sair dos lábios de sua secretária.
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