A Companheira Híbrida do Rei Alfa

A Companheira Híbrida do Rei Alfa

Cherie Frost · Concluído · 335.7k Palavras

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Introdução

Ele soltou uma risada baixa e sombria quando minhas mãos me traíram, estendendo-se para traçar as linhas de suas tatuagens. A tinta estava quente sob a ponta dos meus dedos, os desenhos intrincados — alguns afiados e angulosos, outros fluindo como água. Segui o caminho pelo peito dele, minhas unhas arranhando de leve seu abdômen, sentindo como os músculos se retesavam sob o meu toque. Meus dedos atrapalhados lidaram com o botão do jeans, meus movimentos desajeitados de tanta necessidade. O zíper cedeu com um snik seco, e eu empurrei o
jeans e a cueca para baixo pelos quadris dele, meu fôlego falhando quando o pau saltou para fora.

Grosso. Pesado. Cheio de veias. A cabeça já estava úmida de pré-gozo, reluzindo sob a luz fraca. Engoli em seco, minhas coxas se apertando involuntariamente, tentando abafar a dor latejante entre as pernas, mas isso só a intensificou — um lembrete pulsante da traição do meu próprio corpo.

Era maior do que ela tinha imaginado. Não tem como isso caber dentro de mim. Só o pensamento fez uma nova onda de calor se acumular entre minhas pernas, minha boceta pulsando de antecipação.

Ele percebeu. Claro que percebeu. O olhar dele escureceu, os lábios se curvando enquanto ele chutava o jeans para terminar de tirá-lo.

— Gostou do que tá vendo, híbrida? —


Lyra Soren é uma rara híbrida de vampiro e lobo, caçada e sozinha… até que o mortal Rei Alfa, Darius Kade, a reivindica como sua companheira. O vínculo entre eles é feroz, proibido e irresistível, arrastando-os para uma teia de desejo, traição e segredos encharcados de sangue. Para sobreviver, ela terá de encarar inimigos, desenterrar verdades sombrias sobre a própria família e se render ao homem que ela odeia — e deseja.

Capítulo 1

O alarme estridente despedaçou o silêncio pesado do meu apartamento como uma sirene atravessando meu crânio.

Despertei de sobressalto, com o coração disparado e o peito coberto de suor frio. Por um longo momento, fiquei apenas encarando o teto rachado, com o eco do meu pesadelo ainda grudado na mente, o cheiro metálico de sangue, a voz do meu pai chamando meu nome e o som dos gritos.

Engoli em seco e me obriguei a me mexer. O relógio no meu celular marcava 6h43 da manhã.

— Merda — murmurei. Se eu não levantasse agora, perderia o ônibus… e a entrevista. De novo.

Joguei as pernas para fora da cama. O chão estava frio, coberto pelos restos de contas que eu não conseguia pagar e cartas de rejeição de lugares que mal lembravam meu nome. Quando apertei o interruptor, nada aconteceu.

Escuridão.

Soltei uma risada sem humor.

— Claro.

O ar estava abafado, impregnado com o cheiro de metal frio e mofo. Tirei a regata úmida, peguei a toalha que nunca secava direito e entrei no chuveiro. A água estava gelada. Bateu na minha pele como estilhaços de vidro, fazendo-me sibilar entre os dentes cerrados. Esfreguei-me depressa, usando o último restinho patético de sabonete até ele escorregar dos meus dedos e desaparecer pelo ralo.

Quando encarei o espelho, uma estranha me olhou de volta. Olhos âmbar vazios. Cabelos castanho-escuros ainda úmidos dos pesadelos. Meus lábios estavam pálidos, minha pele repuxada. Tentei arrumar o cabelo, mas só havia até certo ponto que eu podia chegar sem energia e sem tempo. O terno que vesti às pressas era uma coisa cinza desbotada que encontrei na arara de promoção de um brechó, comprido demais nas mangas, curto demais nas pernas. Eu não me importava. Só precisava parecer que pertencia a algum lugar.

Quando tranquei a porta, o céu lá fora era uma mancha opaca do amanhecer. O ônibus soltou um chiado na parada, como se estivesse zombando de mim. Corri os últimos metros, com meus saltos gastos batendo na calçada, e por pouco consegui entrar antes que as portas se fechassem. Meu peito ardia enquanto eu ficava em pé, agarrada ao ferro, ignorando os olhares curiosos dos desconhecidos.

Todos os dias eram iguais, acordar em um mundo que já tinha decidido que eu não pertencia a ele.

Mas hoje parecia diferente.

Eu não sabia explicar por quê, mas havia algo no ar — uma estranha eletricidade estática, um zumbido baixo que se agitava sob a minha pele. O cheiro de chuva se misturava com algo mais agudo, quase… elétrico. A parte lobo dentro de mim, a metade que eu nunca reconhecia, se remexeu, inquieta. Eu a reprimi.

— Se controla — sussurrei para mim mesma, empurrando aquilo para o fundo. — Não hoje.

Eu tinha um objetivo: passar pela entrevista e talvez, só talvez, começar uma vida nova. Uma vida normal.

O prédio se erguia acima de mim como uma torre de vidro e segredos. Novagen Pharmaceuticals. A empresa em que todo mundo queria trabalhar, pesquisa genética de ponta, inovação médica, o tipo de lugar que podia fazer ou destruir carreiras. Se eles me contratassem como técnica de laboratório, eu finalmente poderia parar de apenas sobreviver.

A recepcionista mal levantou os olhos quando eu entrei, embora o olhar dela tenha passado rapidamente pelo meu terno de brechó antes de oferecer um sorriso polido, ensaiado. “Quarto andar”, disse ela, sem emoção, apontando para o elevador.

Sorri com rigidez, fingindo que não tinha notado a maneira como ela me mediu de cima a baixo.

O elevador subiu zumbindo em silêncio, meu reflexo fantasmagórico no metal polido. Assim que as portas se abriram, o cheiro me atingiu — limpo, metálico, levemente adocicado. Havia algo nele que puxava meus sentidos, afiado o bastante para fazer meu pulso disparar.

Ele se enroscou nos meus sentidos, cortante e elétrico, puxando alguma coisa lá no fundo de mim. Meu pulso acelerou, minha loba andando de um lado para o outro, inquieta, logo abaixo da superfície. Pisquei com força, sacudindo a cabeça.

Provavelmente só o perfume que ficou de alguém que acabou de sair nos andares de cima. Nada mais.

Dentro da sala de reuniões, uma bancada de cinco pessoas me esperava atrás de uma mesa elegante. Fizeram perguntas incisivas; eu dei respostas ainda mais afiadas. Falei da minha experiência, dos meus estudos e da minha precisão ao lidar com amostras bioquímicas. Pela primeira vez, minha mente não me traiu. Quando terminou, um dos entrevistadores sorriu, um leve arco aprovador nos lábios.

— Você terá notícias nossas em breve, senhorita Soren.

Forcei um sorriso educado, o coração mais leve ao me virar para ir embora. Talvez desta vez eu não tivesse estragado tudo completamente.

E então — o impacto.

Algo sólido, quente e inflexível trombou comigo. Minha pasta se espalhou pelo chão, papéis voando como pássaros assustados. Soltei um suspiro ofegante, cambaleando, mas antes que eu caísse, mãos fortes me seguraram — estáveis, firmes, elétricas.

Foi então que um cheiro me atingiu, tão intoxicante que parecia que meu corpo tinha parado de respirar.

Meu coração falhou uma batida.

E então veio a puxada — um zumbido elétrico, como fios invisíveis se enrolando no meu corpo e me atraindo para mais perto dele. Minha cabeça latejou, e minha loba rosnou ao despertar lá no fundo de mim. Pisquei, o mundo inclinando, as cores afiadas demais, os sons altos demais.

O toque dele lançou faíscas pelas minhas veias — quente, ancorando, errado. Minha respiração travou, o peito apertado, e por um instante eu não consegui me mexer.

— Você está bem? — A voz era baixa, rica, carregada de comando.

Cada célula do meu corpo reagiu àquela voz.

Quando abri os olhos, eu estava encarando os olhos mais azuis que eu já tinha visto. Olhos como água glacial — frios, antigos e impossivelmente familiares. Cabelos negros como azeviche roçavam uma linha de maxilar afiada, e a expressão dele… deuses, era ilegível.

Por um momento, o mundo foi só ele — o cheiro, o calor, o vínculo pulsando entre nós como um coração do qual eu não conseguia escapar.

E então a compreensão me atingiu.

Não. Não, não podia ser.

Mas era.

Darius Kade. O Rei Alfa.

Eu já tinha visto o rosto dele mil vezes — em telas de notícias, em pesadelos, em memórias encharcadas de sangue. O homem que governava todas as alcateias de lobisomens das regiões. O homem que, uma vez, tinha liderado a incursão que matou meu pai.

Meu maior inimigo.

Meu estômago despencou, uma dor oca rasgando meu peito. — Você… — sussurrei, a palavra como veneno na minha língua.

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