CONTRATO COM ACASO

CONTRATO COM ACASO

carla Pati · Atualizando · 39.7k Palavras

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Introdução

Ela sempre acreditou no amor.
Ele nunca precisou acreditar.

Samira é sonhadora, alegre, cheia de vida e um tanto desastrada. Ao começar a trabalhar na mesma agência que sua irmã para ajudar os pais, ela não imaginava que conheceria o homem que mudaria completamente sua vida.

Cam é seu chefe.
Frio. Rústico. Misterioso.

Um homem que vive para o trabalho e parece não ter espaço para sentimentos.

Mas, para continuar em seu cargo e garantir sua herança, Cam precisa cumprir uma condição imposta pelos pais:
casar-se.

E uma proposta inesperada surge.

Ela quer romance.
Ele quer conveniência.

Ela quer amor.
Ele não sabe o significado disso.

Ela quer uma família.
Ele quer um contrato.

Duas pessoas completamente diferentes.

Dois mundos que jamais deveriam se encontrar.

E, por uma coincidência — ou talvez pelo próprio destino —, duas vidas acabam unidas por algo que deveria ser apenas um acordo.

Mas o que acontece quando um contrato começa a envolver sentimentos?

Será que o amor pode nascer entre duas pessoas tão diferentes?

"Alguns mistérios nos são dados, revelando-se de forma peculiar, distinta e lenta."

✨ 1º livro da duologia Contrato.
🔞 Conteúdo maduro. 🔞

Capítulo 1

SAMIRA

— Ei, você vai se atrasar para o seu primeiro dia de trabalho! — Escuto uma voz distante e aperto os olhos com força, puxando a coberta para cobrir meu rosto. — Que saco, Samira!

Quem está me chamando é Aline, minha irmã mais velha, chata, toda certinha, impecável e sempre de mau humor, pelo menos comigo. Somos bem diferentes, não só do ponto de vista físico, o que é bem nítido, já que ela é loira e tem olhos azuis. Também é bem alta, parece uma modelo. Ela é a cara da mamãe. Eu sou morena, tenho olhos escuros, cabelos pretos e também não sou muito alta.

— Samira, acorda. Você não pode se atrasar. Ah! — Ela está começando a surtar. Melhor eu levantar. — E antes que me esqueça, vá com uma roupa bem apresentável, por favor! — Fala assim que me sento na cama, bocejando.

— Aline, desse jeito parece até que você tem vergonha de mim. — Encaro a loira carrancuda, que revira os olhos para mim sem paciência, como sempre!

— E tenho! Agora se apresse.

Poxa, Aline nunca perde uma oportunidade de ser rude comigo.

Ela sai do quarto batendo a porta, e fico com a difícil missão de me arrumar para meu primeiro dia de trabalho. Quero dizer, se tudo der certo.

O amigo do meu pai é o dono da agência em que Aline trabalha e, mesmo sendo aposentado, disse que eu podia ir hoje para começar a trabalhar.

Entro no banho e sou o mais rápida que posso. Acabo optando por algo mais formal, mas que não tire minha essência. Afinal, gosto do meu estilo.

Tudo pronto, confiro minha aparência em frente ao espelho, olho se tudo está no lugar e, feito isso, sigo para a sala, onde provavelmente Aline está irritada.

Desço as escadas apressada e me arrependo, pois, no penúltimo degrau, acontece o que tanto temi: tropeço nos meus próprios pés e, para não cair de cara, me jogo para trás, caindo de bunda e deslizando os dois últimos degraus.

Minha bunda dói e não consigo entender como isso sempre acontece comigo.

— Alláh! Filha, cuidado! — Minha mãe me ajuda a levantar. Aline aparece balançando a cabeça em negativo.

— Você parece uma jaca podre, não é possível! — Ela abre a porta. — Vamos, que estamos atrasadas!

— Estou morrendo de fome!

— Não tem problema, filha. Tome aqui, fiz para você comer no caminho, e essa aqui para comer na hora do almoço. — Minha mãe me entrega uma sacola térmica, e seguro, agradecendo.

Me despeço e sigo Aline, que já está andando bem à minha frente, claramente sem paciência.

No caminho, ela começa a falar de um jeito rude e bem superior, o qual é a sua cara!

— Espero que você se comporte. — Me olha de lado.

— Ah, Aline, não enche, eu não tenho cinco anos! — Agora quem está ficando sem paciência sou eu!

— Tá vendo? Esse tipo de comportamento que não quero no trabalho. Você não pode colocar tudo a perder. Precisa desse trabalho e eu, do meu! — Fala toda nervosa. Aff, essa menina parece uma velha rabugenta.

— Entendi, não precisa ficar repetindo isso a cada instante. Que saco! — Reviro os olhos.

— Alguma vez na sua vida seja madura! Já fiz muito de conseguir o emprego para você.

Sua expressão e seu jeito superior me fazem rir.

— De levar café para todos e separar arquivos. Serei uma ajudante geral, não pode ser tão difícil assim, e eu já te agradeci.

— E ainda resmunga. — Aline revira os olhos.

— Tá, tá, tá… OBRIGADA! Tá feliz agora? Obrigada mil vezes! Mas quem realmente conseguiu esse emprego para mim foi papai. Pois ele conhece o dono, esqueceu?

— Feliz, ficarei se você não perder esse emprego, muito menos me incomodar e me trazer problemas na agência. — Fala com desdém. — Demorei muito tempo para chegar onde cheguei, não estrague tudo!

Não respondo. Sei que, apesar de toda essa rabugice, Aline está preocupada.

Passamos o retante do trajeto em silêncio até chegarmos à empresa.

O prédio da agência é lindo, todo em vidraçaria escura, o que deixa o prédio um verdadeiro espelho. Não é muito alto, mas é muito imponente e refinado, isso porque nem vi por dentro.

Uau!

Entramos e olho todos os detalhes. Diferente do lado de fora, o ambiente é mais alegre. Muitas pessoas trabalham diante de suas telas de computadores, concentradas em suas tarefas, enquanto outras circulam de um lado para o outro.

Quem me olha enquanto passamos, cumprimento. Já Aline passa direto, toda entojada, se achando uma das donas.

Sorrio vendo seu jeito esnobe e superior.

— Bem, vamos ver Sinem, ela que conduzirá sua contratação. Seja educada, está bem! — Ordena, e seguro o riso. Ela está se achando.

— Tá bom. — Falo olhando tudo ao meu redor.

Aline bate na porta e adentramos uma sala ampla.

— Bom dia, senhorita Sinem. — Aline fala com voz de cordeiro.

— Bom dia. — Falo para a mulher ruiva de olhos azuis à nossa frente. Ela tem cara de poucos amigos.

— Bom dia! — Fala sem nos olhar.

— Essa é minha irmã, que veio para a vaga de ajudante geral. O senhor Moretti pediu para lhe dar a vaga. — Aline fala em um tom calmo e cuidadoso.

— Isso veremos.

A mulher se levanta, me olhando pela primeira vez, de cima a baixo.

— Olhe essas roupas, bem inapropriadas.

Fala em tom ríspido.

Que mulher enjoada.

Sei bem que aqui não se usa uniforme e que não há nenhum termo proibindo determinado estilo de roupa!

Ela entorta o nariz e depois volta a me avaliar.

— Você disse que o senhor Moretti pediu para lhe dar essa vaga? — Pergunta a ruiva esnobe.

Aline balança a cabeça em confirmação.

— Se ele disse… Está contratada. — Declara nitidamente com desgosto.

— Ufa! — Comemoro com alegria, batendo palminhas.

Aline me olha, balançando a cabeça em desaprovação.

Acabo a comemoração no mesmo instante.

Aline e eu agradecemos e saímos da sala da mulher, que me olhou o tempo todo como se eu fosse uma coisa.

Não fui com a cara dela. Mulher arrogante!

Meu sensor de alerta interior acendeu para ela.

No corredor, Aline começa a falar:

— Inferno, como você é escandalosa!

— Eu só fiquei feliz. — Falo baixo.

Aline bufa, passando a mão nos cabelos.

— Bem, já sabe, o Salim se encarregará de mostrar suas funções. Ah! Não deixe de fazer o que te pedirem sem reclamar, ouviu?

Aqui é tão grande, com tanta gente, que não consigo parar de olhar em volta. Me lembra a escola.

Amei esse lugar, vou me dar muito bem aqui!

— Sam! Você está me ouvindo? — Fala irritada.

— Hã?

— Você nem me ouviu! Distraída como sempre, que saco! — Ela reclama, passando a ponta dos dedos nas têmporas.

— Calma, Aline, pode falar, estou ouvindo.

— Só faça o que te mandarem, está bem!?

Um homem se aproxima de nós falando:

— Bom dia! Ora, ora, quem é a moça nova?

O homem, de jeito engraçado, me circula enquanto me avalia divertidamente.

Ele é muito bonito: loiro, olhos azuis, deve ter 1,75 de altura. Seu rosto é bem marcado, o queixo largo com um furinho, que lhe dá certo charme. Ele parece bem-humorado.

Veste um terno elegante na cor preta, que cai bem ao seu corpo.

— Bom dia! Me chamo Samira. — Falo estendendo a mão para ele.

— Sou Salim, querida. Prazer em conhecê-la. — Fala pegando minha mão e retribuindo com um aperto leve.

— Samira é minha irmã. Você terá que mostrar todo o trabalho a ela, que está ocupando a vaga de ajudante geral. — Aline fala com indiferença para Salim.

Ela se vira para mim.

— Samira, por favor, não faça nenhuma merda!

— Deixa comigo, mana, está tudo sob controle. — Falo sorrindo para ela, que me olha apreensiva e revira os olhos.

— Bom… Tenho que ir, o trabalho me espera.

Aline vai me deixando com Salim.

Antes que ela se afaste completamente, porém, seguro seu braço.

— Aline?

Ela olha para mim.

— O quê?

— Você acha mesmo que eu vou conseguir?

Por um instante, sua expressão muda. Ela me observa em silêncio e, pela primeira vez naquela manhã, não parece irritada.

— Só tente não fazer nenhuma merda, Samira.

Reviro os olhos.

— Você é péssima dando apoio emocional.

Um pequeno sorriso aparece em seus lábios, e vejo satisfação nele.

— Eu sei.

Ela se vira e vai embora.

Observo minha irmã desaparecer pelo corredor e respiro fundo.

Agora estou por minha conta.

Meu primeiro dia de trabalho começou de verdade.

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