
Contrato de Amor e Fraldas
Sara Gomez · Atualizando · 206.7k Palavras
Introdução
Chloe representa o atleta como sua advogada por dois anos e mesmo que Ryan a cante em toda oportunidade que tem, a mulher tem uma regra de não misturar prazer com trabalho então está sempre o dispensando, mas em uma festa em que os dois passam na bebida, eles acabam se envolvendo em uma noite de diversão sem compromisso.
E quando a noite dar a Chloe mais do que um dor de cabeça e ela descobre que está grávida, a vida deles vira um caos hilário e inesperado.
Para manter suas reputações intactas, Ryan propõe um contrato de fachada: eles devem agir como um casal até o bebê nascer.
Entre situações embaraçosas, encontros forçados e uma série de mal-entendidos engraçados, Chloe e Ryan lutam para manter as aparências, mas acabam se descobrindo de maneiras que nunca imaginaram.
No final, será que o contrato de amor e fraldas pode transformar uma relação de fachada em um verdadeiro conto de fadas?
Capítulo 1
"United in Orange, we are Denver's heartbeat Ridin' high, Broncos, never retreat..."
Chloe
Eu estava no meu lugar favorito do bar, o canto da direita, com visão privilegiada da TV gigante que transmitia o jogo dos Broncos. Ao meu lado, Francesca, minha melhor amiga desde os tempos de faculdade, exibia um sorriso malicioso, enquanto Drew e Vance, dois dos melhores advogados da minha firma, torciam ao meu lado. Todos nós vestíamos nossas camisas dos Broncos, com os números e cores que demonstravam nossa lealdade ao time. O bar estava lotado e barulhento, cada canto preenchido por fãs gritando, brindando e, ocasionalmente, lamentando as jogadas que não saíam como esperado. O cheiro de cerveja misturado com o aroma de batatas fritas e asas de frango enchia o ar. Luzes piscavam em neon, refletindo nas mesas de madeira gastas pelo tempo. Eu podia sentir a energia da multidão, uma mistura de tensão e excitação, enquanto os Broncos enfrentavam os Buffalo Bills.
Minha mente viajava para minha infância em meio a esse caos. Eu tinha sido criada em uma casa cheia de homens. Mamãe se foi quando eu tinha quatro anos, e papai ficou com a missão de criar meus três irmãos e eu, sozinho. Enquanto outras meninas brincavam com bonecas e assistiam a Barbie, eu estava no chão da sala, chutando bolas e torcendo nos jogos de futebol americano com meus irmãos. O futebol americano era o que nos unia, e o Broncos era o sangue que corria nas nossas veias.
Nesse momento, Ryan Mitchell estava com a bola. O quarterback, meu cliente, era uma figura imponente em campo, mas naquela noite, algo parecia não estar funcionando.
Quando ele lançou a bola para o tight end e este deixou ela escapar de forma vergonhosa, senti o sangue ferver. Eu me inclinei para frente, cerrando os dentes, e soltei um grito de frustração.
“Mas que droga, pega essa bola, seu inútil!” Minha voz ecoou mais alto do que pretendia, atraindo alguns olhares e risadas dos meus colegas.
Drew não perdeu a oportunidade, ele sempre tinha uma provocação pronta, especialmente quando se tratava de Ryan Mitchell.
“Você poderia muito bem dar uma força para os torcedores do time e falar com seu cliente para se livrar desse tight end, Chloe. O que acha?” Ele sorria, um sorriso de quem sabia que estava me provocando, mas não conseguia resistir.
Revirei os olhos.
Essa era uma das peculiaridades de ser advogada de um dos maiores quarterbacks da liga. Sempre que Ryan cometia um erro, ou mesmo quando alguém do time falhava, meus colegas achavam que eu poderia dar uma “dica” a ele.
“Drew, eu não sou a conselheira técnica dos Broncos, ok? Sou advogada dele. Existe uma diferença colossal aí.”
Francesca, ao meu lado, suspirou sonhadora. Ela era o oposto de mim no que dizia respeito a Ryan Mitchell. Onde eu via um cliente, ela via um príncipe encantado.
“Não acredito que você tem o Ryan ‘maravilhoso’ Mitchell como cliente e o trata como... bem, como apenas isso, um cliente.”
Olhei para ela com humor e perguntei.
“E como você sugere que eu o trate, Fran?”
Ela deu de ombros, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
“Como seu futuro marido e pai de pequenos protótipos de deuses jogadores, é claro.”
Balancei a cabeça e soltei uma risada.
“Eu não misturo prazer com trabalho, Fran. Você sabe disso.” Minhas palavras eram sérias, mas não pude evitar o sorriso que escapou.
Francesca revirou os olhos, como sempre fazia quando eu soltava meu lema de ética.
“Isso vale para clientes normais, Chloe, não para deuses do futebol.” Ela cruzou os braços, lançando um olhar conspirador em minha direção.
Antes que eu pudesse responder, Ryan estava em ação novamente na tela. Meu foco voltou-se imediatamente para a TV.
“Corre, Ryan! Corre e lança essa bola!” Eu estava praticamente em pé na mesa. E então ele o fez – com uma precisão que só um quarterback do calibre dele poderia ter, Ryan lançou a bola direto para o reciever, que correu como o vento, marcando o touchdown que todos estávamos esperando.
O bar explodiu em gritos e celebrações. Francesca, Drew e Vance pularam, batendo palmas e abraçando quem estivesse por perto. Eu me vi perdida na euforia do momento, gritando junto com todos, meu coração batendo tão rápido quanto os pés dos jogadores no campo. Mas, por um segundo, enquanto observava Ryan na TV abraçando seus companheiros de time e a câmera focar em seu rosto, não pude deixar de pensar nas palavras de Francesca. “Futuro marido e pai de pequenos protótipos de deuses jogadores.” Era uma ideia tão absurda, que só me fazia gargalhar.
“Você está bem, Chloe?” Drew me cutucou, interrompendo meus pensamentos.
Sacudi a cabeça, afastando a ideia.
“Claro, só estava pensando que milagre nosso quarterback vai fazer para ganharmos essa partida.” Meu sorriso voltou ao rosto, e junto com ele, a determinação de deixar as ideias malucas da minha melhor amiga para trás.
O jogo terminou com um estrondoso “touchdown” final, selando a vitória dos Broncos sobre os Buffalo Bills. Quase todo o bar estava feliz, exceto por alguns poucos fãs dos Bills que soltavam suspiros resignados.
Eu, Drew, Vance e Francesca terminamos as nossas asinhas de frango e as últimas gotas de cerveja, e enquanto ríamos e relembrávamos os melhores momentos do jogo saímos do bar. A noite de Denver estava fria, típica da cidade nessa época do ano, o vento gelado nos atingiu como uma bofetada assim que paramos na calçada. Eu encolhi no meu casaco, desejando secretamente ter trazido algo mais quente, enquanto o resto do grupo parecia não se importar com o clima. Drew e Vance, nos abraçaram, um de cada lado, como se fôssemos um time saindo de uma batalha vitoriosa.
“Nos vemos na segunda-feira, no escritório?” perguntei, com um sorriso já meio preguiçoso, o sono chegando.
Vance, ainda com o braço ao redor dos meus ombros, respondeu com um tom dramático.
“Um dia inteiro sem te ver é muito tempo, Chloe. Que tal eu aparecer amanhã para um café da manhã? Só nós dois?”
Gargalhei, batendo de leve em seu ombro, o empurrando para que me soltasse.
“Vance, faz três anos, você deveria desistir.”
Desde o minuto que nos conhecemos, ele demonstrou interesse, sempre tentando me conquistar de maneiras cada vez mais criativas. Mas o bom do Vance era que ele sabia levar minhas rejeições na esportiva, e nossa amizade nunca foi prejudicada por isso.
Ele deu de ombros, um sorriso provocador nos lábios.
“Não custa tentar. Quem sabe, um dia, você tenha uma resposta diferente para mim.”
Drew, que estava ao lado, bateu nas costas do amigo com uma risada.
“Se você acha que vai vencer a Chloe pela insistência, você definitivamente não a conhece. Ela é a pessoa mais durona que eu já encontrei na vida.”
Sorri ao comentário, sabendo que ele estava certo. Não era fácil me dobrar, e eu me orgulhava disso. Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, Francesca, que conhecia minhas teimosias como ninguém, contribuiu com assunto.
“Durona? Isso é pouco, Drew. Conheço a Chloe há dez anos e nunca a vi ceder em nada, por nada! Teve uma vez, no nosso primeiro ano de faculdade, que ficamos presas na biblioteca por causa de uma nevasca. Eu, desesperada, tentando achar uma maneira de sair de lá e ela… o que ela fez?” Francesca fez uma pausa dramática, olhando para mim com um sorriso malicioso, claramente adorando ter a atenção de todos. “Ela decidiu que, já que não podíamos sair, iríamos usar o tempo ‘produtivamente’.” Francesca fez aspas com os dedos. “E nos enfiou em uma maratona de leitura dos nossos livros de direito, recusando qualquer pausa para o que ela chamava de ‘desperdício de tempo’. Resultado: estudamos até a madrugada, e quando finalmente pudemos sair, ela ainda disse que não queria perder o ritmo e fomos direto para a aula. Foi a noite mais cansativa da minha vida, mas, claro, passamos na prova com as melhores notas.”
Todos começaram a rir, e eu dei de ombros, fingindo indiferença.
“Isso só me fez uma boa advogada. E não peço desculpas por isso.”
Drew ainda rindo, balançou a cabeça.
“Um dia, Chloe, você vai encontrar um adversário à altura da sua teimosia. E eu vou estar na primeira fila, comendo pipoca, assistindo ao grande show.”
“Não fique esperando por isso, Drew,” respondi com humor, lhe dando uma piscadela. “Agora, estou indo para casa ter uma boa noite de sono. Vocês deviam fazer o mesmo.”
Abraçamos-nos uma última vez, e me despedi dos meninos, prometendo que nos veríamos na segunda-feira. Entrelacei meu braço no de Francesca, e nós começamos a caminhar lado a lado pelas ruas frias de Denver, rumo ao nosso prédio, que ficava a apenas alguns quarteirões do bar.
Meu dia seguinte, era domingo, e passou lento e preguiçoso, exatamente do jeito que eu precisava. Me joguei no sofá com um moletom confortável, meias grossas e uma pilha de besteiras ao alcance da mão. O dia foi dedicado a maratonar episódios de Suits, o que, para muitos, poderia parecer estranho para uma advogada que já passa a semana imersa no mundo jurídico. Mas, para mim, era um jogo divertido de apontar todos os erros judiciais que eles cometiam. Suits era meu prazer culposo, mas também uma forma de desligar a mente, mesmo que estivesse sempre atenta ao que era feito de errado na tela. Mas, como todo bom descanso, ele tinha que chegar ao fim, e quando o alarme tocou às seis da manhã na segunda-feira, a Chloe preguiçosa do domingo foi substituída pela Chloe metódica e produtiva, a advogada perfeccionista que não deixava espaço para erros.
Eu me arrastei para fora da cama, troquei o moletom pelo meu equipamento de corrida e saí para uma corrida matinal pelas ruas de Denver. O ar estava frio e nítido, revigorante. Minhas pernas se moviam em um ritmo constante, e com cada passo, eu sentia a preguiça do domingo ser deixada para trás. De volta ao meu apartamento, um banho quente me trouxe à vida, e às sete e meia, eu já estava de saída, café tomado, cabelo preso em um coque impecável, vestindo meu conjunto de saia e blazer.
O céu estava coberto por nuvens, e pequenos flocos de neve começavam a cair, transformando lentamente Denver em um cenário branco e sereno. Dirigindo pelo centro da cidade, o trânsito estava típico de uma segunda-feira, mas não me incomodava, porque enquanto isso o rádio tocava baixinho, e eu mentalmente organizava o dia à frente. Meu celular tocou quando já tinha feito metade do meu percurso, olhei para a tela no suporte do carro e vi que era Felicity, minha assistente. Apertei o botão do viva-voz.
“Bom dia, Felicity. Estou a caminho,” disse, antecipando, se ela estava me ligando era porque algo precisava realmente da minha atenção.
“Bom dia, Chloe! Desculpe ligar tão cedo, mas recebi uma chamada da equipe de Ryan Mitchell. Ele quer um horário hoje com você, para tratar de algo pessoalmente,” Felicity falou em seu tom de eficiência que eu tanto apreciava.
Piscando, intrigada, segurei o volante com mais firmeza.
“Ryan quer me ver pessoalmente? Isso é incomum.”
Ryan Mitchell, com toda a sua agenda lotada e as muitas pessoas ao redor para resolver assuntos para ele, raramente sentia a necessidade de uma reunião cara a cara. A maior parte das vezes, resolvíamos tudo remotamente ou através de sua equipe.
“Sim,” Felicity continuou, “Ele pediu um horário o quanto antes, mas sua agenda está lotada hoje. Pensei em mover algum cliente para outro dia, mas preferi confirmar com você primeiro.”
Resisti ao impulso de soltar um suspiro frustrado.
Ryan raramente pedia reuniões desse tipo, o que só aumentava minha curiosidade — ou, talvez, minha apreensão. Se ele queria algo em cima da hora, poderia ser sério. Talvez algum contrato urgente, ou pior, um escândalo que exigiria uma solução rápida.
“Não mova nenhum cliente ainda, Felicity,” instrui. “Verifique com quem ligou se ele pode aparecer depois das seis, quando meu expediente termina. Se ele puder, ótimo. Se não, aí sim podemos mover o Joseph Brick para quarta pela manhã. O caso dele não é urgente.”
“Perfeito, vou resolver isso agora mesmo. Quando você chegar, já teremos uma resposta,” Felicity respondeu.
“Obrigada, Felicity,” disse, antes de desligar a ligação. Soltei um longo suspiro, o som se perdendo no silêncio do carro.
O que quer que fosse, eu estaria pronta. Meu trabalho como advogada não me deixava margem para surpresas – cada problema era apenas uma questão de tempo e estratégia até ser resolvido. Mas, secretamente, eu torcia para que não fosse nada muito grave. Denver já estava fria o suficiente, eu não precisava de uma crise em pleno início de semana.
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