
Mentiroso, mentiroso, bilionários
Lola Ben · Concluído · 121.4k Palavras
Introdução
~
Três homens, famosos por sua riqueza e beleza. Três irmãos que não são da mesma mãe, mas com um laço tão forte que ninguém conseguiu romper. Eles são os irmãos NAG e estão prestes a receber uma tempestade desconhecida em sua casa na forma de Chloe Pepper.
~
Trabalhar disfarçada é uma coisa, sobreviver aos olhares ardentes e gestos sedutores dos famosos e lindos bilionários é outra.
Será que Chloe conseguirá expor os crimes desses irmãos sem ser pega em seu surpreendentemente adequado uniforme de empregada? Ou ela se verá caindo nos encantos de um deles ou... dois ou... três deles, colocando assim sua missão em risco?
Capítulo 1
Adrenalina
Ela estava ligada nisso e estava perto de agarrar sua presa...
— Ai! — Chloe uivou, a mão cheia de farinha agarrando o pé que tinha acabado de bater em alguma coisa de ferro, o corpo lutando para se manter em pé.
Uma gargalhada maníaca ao longe a lembrou do que ela estava fazendo.
Sorrindo de canto, batendo o pé dolorido no chão gelado, os olhos de Chloe voaram para o homem gordo e careca que estava correndo a maior distância que provavelmente já tinha corrido na vida, graças a ela.
— Ah não, isso não. — Ela deu um sorrisinho.
E… depois dessa frase veio um corre-corre, agarrar, arremessar, socar, gemer, pressionar, enforcar e, finalmente… Chloe pegou o alvo pelo qual tinha trabalhado durante quatro malditos meses.
Enquanto quicava em cima da grande barriga do homem que ela finalmente tinha capturado com um monte de diamantes de sangue — a prova final que ela estava esperando —, Chloe tirou um segundo para descansar. E, para ser sincera, aquela barriga era um bom puff.
Ignorando os gemidos do homem que se contorcia de dor, ela se deixou mergulhar na fantasia. Férias na praia depois dos quatro meses de tormento naquela maldita fábrica de farinha não pareciam nada mal.
— Bom ver que você finalmente resolveu descansar.
Arregalando os olhos, a reação imediata de Chloe à frase foi uma careta de deboche.
— Como — ela inspirou fundo antes de falar —, diabos você consegue chegar tão cedo assim? — Imediatamente, ela fez contato visual com o homem de cabelos prateados, cuja expressão séria característica continuava muito bem no lugar. — Vocês estão me rastreando? Achou que eu ia falhar nessa missão em algum momento, não achou?
O homem franzino continuou calado, deixando ela fazer o melodrama enquanto a observava com paciência.
— Eu não acredito nisso. Eu simplesmente não consigo ter um minuto de paz.
— Acabou? — a voz firme dele perguntou enfim.
Afastando uma mecha de cabelo do rosto, com um olhar cheio de atitude, ela respondeu:
— Acabei.
— Muito bem, Agente Pepper. Eu cheguei na cidade dois dias atrás para visitar minha filha. E resolvi vir ver como você estava. Mas… — Conner lançou um olhar rápido para o homem esparramado no chão, que já tinha aceitado o próprio destino — parece que você tem tudo sob controle.
— Ah. — Chloe sentiu vergonha. E gratidão. Ela poderia ter sido punida por falar daquele jeito com um superior. — Então, senhor… — Um sorriso enorme tomou conta do rosto dela enquanto se levantava devagar. — Eu vou poder tirar minhas férias agora?
Conner suspirou. Ele sabia o quanto Pepper era teimosa e cheia de ego. Sabia que ela não ia pedir desculpas pela forma insolente como tinha falado.
— Você tem só algumas horinhas de descanso, Pepper.
Com a testa franzida, a mulher de cabelos escuros resmungou:
— Mas me disseram que eu teria duas semanas só pra mim depois dessa missão.
— Agente Pepper... — com a voz firme endurecida e a lateral do rosto contraída, Chloe sabia que precisava se recompor e evitar entrar na lista negra do agente Conner. — Nem os seus superiores ganham duas semanas de folga. Além do mais, você acabou de concluir só a sua segunda missão, não tem direito de falar em descanso. Está claro?
— Sim, senhor. — Enquanto murmurava a resposta, ela mantinha os olhos fixos no chão.
Conner soltou um suspiro profundo.
— Você sabe que ainda tem um longo caminho pela frente nesta agência, certo? Não tenha tanta pressa. Enfim, tem uma missão nova pra você, e essa é bem grande. Então deixa essa bagunça comigo, vai lá se recompor. O David vai passar pra te pegar e a gente vai conversar sobre essa nova missão. Certo?
Chloe fez um breve aceno de cabeça em concordância.
— Bom trabalho, agente Pepper. Não esquece: a próxima é bem grande, então se prepara. — Conner tocou o braço dela e deu uns tapinhas de um jeito quase paternal.
— Bom... — disse Chloe, respirando fundo, enquanto o sonho das férias era guardado na gaveta — eu até gosto quando elas são grandes.
— Você tá ficando mais magro ou o quê? — O jovem a quem a pergunta foi dirigida girou na cadeira de escritório de couro com rodinhas, um largo sorriso de boas-vindas no rosto.
— Olha só quem apareceu — disse ele.
Chloe, feliz por estar de volta, fez uma pequena reverência antes de se sentar.
— Como foi Chicago?
— Uma loucura. Levei muita cantada.
— Quem é que não ia querer dar em cima de uma gata que trabalha numa empresa de farinha?
Chloe lançou um olhar de lado para Steve, decidindo ignorar o elogio disfarçado.
— Então, o que aconteceu enquanto eu tava fora? — ela perguntou.
— Isso aqui ficou um tédio sem você. — O loiro puxou a cadeira na direção dela, o rosto se iluminando ainda mais. — Mas o agente Skipper foi pego se masturbando. — Os olhos de Chloe se arregalaram. — Ele tava fazendo isso bem aqui.
— Bem aqui? — Chloe deu uma olhada rápida em volta do perímetro da sala de reuniões, como se a estivesse vendo pela primeira vez.
— Ali. — A mão direita dele apontou para a ponta da mesa de madeira polida, estrategicamente desenhada. — Ele tava se masturbando olhando pra agente Sarah. Ela tava no telefone e, sem saber, tava sendo usada de inspiração.
— Isso aconteceu mesmo?
— Pode perguntar por aí. A agente Sarah ficou morrendo de vergonha quando o agente Conner entrou no meio da cena.
— Vocês com certeza não vão contar pra Pepper sobre o agente Skipper, vão? — Ao ouvirem a voz do superior, os dois se endireitaram na mesma hora.
— Agente Quem, senhor?
— Isso.
Observando os dois em silêncio, Conner pegou um controle remoto e apertou um botão, fazendo a tela do projetor ganhar vida.
— Quem são os modelos? — Os lábios de Chloe se curvaram num sorriso divertido enquanto ela analisava as fotos que a encaravam de volta.
— Eles não são… modelos. São os irmãos NAG.
—Irmãos NAG — ela repetiu, sem saber o que achar daquela marca de nome tão estranho.
— Isso, os solteiros mais cobiçados de Londres. Bilionários, pra ser mais específico.
— E o que eu se suponho que eu deva fazer com eles?
Conner sentou-se na cadeira em frente a Chloe.
— Você vai se tornar a empregada deles.
— Hã?
— A Agência precisa que você construa um relacionamento pessoal com esses homens.
Chloe apoiou a mão debaixo do queixo e girou na cadeira, examinando as imagens com atenção.
— E eu só consigo criar esse relacionamento virando empregada deles?
— É a única opção.
Recostando-se, soltando um grande suspiro, Chloe continuou:
— Qual é exatamente o esquema aqui, senhor?
— Vamos começar por isso. — Ele apertou o controle de novo e um vídeo começou a carregar.
"Oi… oi. Meu nome é Natalie Summers. O que eu vou falar pode parecer loucura, mas eu acho… acho que fui estuprada. Duas semanas atrás, eu saí pra uma festa com amigos na boate NAG. Quando cheguei em casa, acordei e notei uma substância esbranquiçada saindo de mim, eu coletei e, ahm…
Me disseram que era esperma. No hospital, falaram que iam tentar colaborar com a polícia pra descobrir de quem é, mas até agora ninguém me disse nada. Eu acho que eles tão escondendo…"
O agente Conner pausou o vídeo e voltou para as imagens.
Um pouco sem palavras, Chloe se recostou, a imagem da jovem chorando se repetindo na cabeça dela.
— Senhor… — a voz dela quase falhou. — O que está acontecendo?
— Esse vídeo foi gravado pela vítima há cerca de dois meses, e até agora ela não sabe de quem era o esperma. Nós resolvemos abrir nossa própria investigação e descobrimos que o esperma pertence a… — ele gesticulou em direção à tela — a um desses homens.
De boca aberta, Chloe encarou os homens sorridentes e charmosos.
— A quem exatamente, senhor?
— O homem no meio é Amir Cook. Ele é o culpado.
Chloe não sabia por que o peito apertou daquele jeito, mas encarar fixamente a imagem dele só piorava a sensação.
— Pepper, isso não é só sobre a Natalie. Temos algumas informações incertas, mas muito provavelmente verdadeiras, sobre os negócios ilegais desses homens. Tráfico de pessoas.
O olhar de Chloe voltou para a foto de Amir Cook. O sorriso era o melhor traço dele na imagem. Os olhos tinham um brilho que deixava a pele lisa e a estrutura do rosto ainda mais atraentes. Aquela visão a deixou levemente com inveja.
Então ela perguntou:
— Quem são os outros?
— À esquerda está Nathaniel Stone. E o último é Gabriel Hovers. Esses homens têm a mão em praticamente tudo no país. Na verdade, o Nathaniel está, neste momento, tentando entrar oficialmente na esfera política do país. Antes que isso aconteça, precisamos expor esses homens, porque, quando ele fizer oficialmente parte do sistema, vai ser bem difícil levá-los à justiça.
— Então, Nathaniel, Amir, Gabriel. NAG. Agora faz muito sentido. Tá, voltando à Natalie, dá pra dizer que a influência desses homens é o que está causando a demora em revelar o culpado?
— Sim. Eles não podem se dar ao luxo de deixar um problema desses manchar os negócios, podem? Então… — Conner se inclinou para a frente, o olhar preso na Chloe pensativa. — O que me diz? Topa? Você é a única…
— Eu vou fazer.
— Mas se você quiser… Vai mesmo? — Chloe assentiu, ignorando o choque no rosto do chefe. Conner ficou alguns segundos em silêncio antes de dizer:
— Nesse caso, o conselho está preocupado com os seus hormônios.
Chloe olhou para Steve, que deu de ombros.
— Meus hormônios?
— Bom, como você está vendo, esses homens são extremamente bonitos. Eles conseguem qualquer mulher que quiserem sem fazer esforço. E você vai trabalhar pra eles. Então sim, hormônios. E, como você também é uma mulher atraente, é bem possível que eles queiram tentar a sorte com você.
Chloe bufou, segurando a vontade de cair na risada.
— O quê? Eu não me apaixono fácil assim. Além do mais… — o olhar dela voltou pra primeira imagem — eles nem são tão bonitos assim.
— Chloe — Steve chamou a atenção dela. — Amor, eu sou homem e eu tenho inveja deles… talvez só um pouco de inveja, mas tenho.
— Eu vou ficar bem — garantiu Chloe. — Meus hormônios vão ficar bem.
Conner assentiu.
— Se você está dizendo. É que, quando sexo entra em qualquer tipo de relacionamento, as coisas mudam. Mas, se você vai ficar bem, tudo certo. Vamos te passar o briefing mais tarde. Aproveite a folga. Steve, precisamos ir.
— Certo, senhor. — Steve deu um tapinha de leve no ombro de Chloe. — Se cuida. A gente se fala depois.
Chloe respondeu com um sorriso, e os dois homens saíram, conversando.
"Meus hormônios vão ficar bem", repetiu Chloe por dentro, os olhos voltando para a foto serena de Nathaniel Stone.
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Eu vou me acostumar.
Eu tenho que me acostumar.
Ele é irmão do meu namorado.
Esta é a família do Tyler.
Não vou deixar um olhar frio desfazer isso.
**
Como bailarina, minha vida parece perfeita—bolsa de estudos, papel principal, namorado doce, Tyler. Até Tyler mostrar suas verdadeiras cores e seu irmão mais velho, Asher, voltar para casa.
Asher é um veterano da Marinha com cicatrizes de batalha e zero paciência. Ele me chama de "princesa" como se fosse um insulto. Eu não suporto ele.
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**
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