
O Teste que Ele Pediu
Noah · Atualizando · 11.5k Palavras
Introdução
Eu fui a mulher que se ajoelhava para ser acreditada. Aquela mulher morreu no segundo em que ele me entregou a caneta.
Capítulo 1
O formulário tinha um cabeçalho azul e um logotipo de laboratório que eu não conhecia, e Rafael o empurrou pela mesa da cozinha com dois dedos, como se a folha pudesse sujá-lo se ele a segurasse por tempo demais.
— Eu quero que você faça — disse ele.
A Sofia dormia no quarto ao lado. Eu sabia o peso exato do silêncio dela, o ritmo da respiração de uma criança de catorze meses, e por um instante a única coisa que ouvi na cozinha foi aquilo, e não o que meu marido acabara de pôr sobre a mesa entre os nossos dois pratos de jantar que ninguém tinha tocado.
Eu tinha feito frango com limão. Era o prato que ele dizia gostar, e eu o tinha feito porque havia três dias o Rafael chegava em casa com um peso nos ombros que eu interpretava — como interpretei tudo durante sete anos — como problema no trabalho, ou cansaço, ou alguma coisa que eu pudesse consertar com um jantar quente e a pergunta certa. Eu tinha passado a tarde inteira tentando adivinhar o que estava errado com ele para poder confortar. Nunca me ocorreu que o errado era eu, na cabeça dele. Que ele tinha passado a mesma tarde ensaiando como me entregar aquele papel.
O frango esfriava agora entre nós, intacto, com a fatia de limão escorregando do filé como uma coisa abandonada.
— Você quer que eu faça um teste de paternidade — repeti.
Não foi uma pergunta. Eu precisava ouvir a frase com a minha própria voz para acreditar que ela existia dentro da minha cozinha, debaixo da luminária que nós dois tínhamos escolhido juntos numa loja na Vila Madalena dois anos antes, quando ainda éramos o tipo de casal que discute sobre luminárias.
— Mariana. — Ele passou a mão no rosto. Estava cansado, e eu odiei que ele estivesse cansado, porque o cansaço fazia parecer que aquilo custava algo a ele também. — Não é sobre você. É sobre eu conseguir dormir.
Houve uma versão minha que reagiria àquilo. Eu a senti se levantar dentro de mim, a mulher que ia perguntar quem, como, desde quando, a mulher que ia listar os sete anos, a gravidez, as madrugadas, a mulher que ia chorar de uma forma específica e útil, o tipo de choro que pede para ser consolado e, ao ser consolado, prova alguma coisa.
Eu conhecia aquela mulher muito bem. Tinha sido ela a vida inteira.
Ela teria se levantado da cadeira. Teria contornado a mesa, teria pegado as mãos dele, teria dito o nome dele de um jeito que era metade súplica e metade promessa. Rafael, olha pra mim. Você me conhece. Sete anos. Como é que você pode pensar uma coisa dessas. Ela teria oferecido o próprio rosto como prova, como se a verdade pudesse ser lida na pele de quem está com medo suficiente. E o pior — eu sabia disso com uma vergonha antiga — é que, no fundo, ela teria sentido um arrepio de gratidão pela chance de provar de novo o quanto amava. Porque era assim que ela media o amor: pela disposição de se humilhar por ele.
Olhei para o formulário. Depois olhei para o rosto dele — não para os olhos, mas para a testa, para a linha entre as sobrancelhas onde ele guardava as coisas que decidia não dizer. E o que eu senti não foi o que eu esperava sentir. Não foi o chão se abrindo.
Foi frio. Foi nítido. Foi quase alívio, da maneira como é um alívio quando uma dor que você fingia não ter finalmente tem um nome.
Puxei o formulário para perto. Peguei a caneta que estava ao lado do meu prato, a caneta com a qual eu tinha anotado a lista de compras naquela manhã — leite, fralda, manjericão — e assinei. Letra firme. Não tremi. Eu me observei não tremer como quem observa outra pessoa.
Rafael relaxou os ombros meio centímetro. Ele achou que tinha vencido. Achou que aquele era o fim.
Então eu fiz a única coisa que ele não havia ensaiado.
Virei o formulário, peguei a folha em branco que vinha grampeada atrás — o laboratório imprimia em duplicata, uma via para cada parte — e empurrei-a de volta pela mesa, até parar exatamente onde a dele tinha parado diante de mim. Estendi a caneta junto.
— Você também — disse.
Ele olhou para a folha. Depois para mim.
— Como assim, eu também?
— Você quer certeza de que a Sofia é sua filha. — Mantive a voz no mesmo lugar onde se deixa um copo cheio sobre uma mesa que balança: com cuidado, sem derramar. — Tudo bem. Vamos ter certeza. Mas, se a gente está abrindo a porta da dúvida, vamos abrir inteira. Você esteve no parto. Eu estava anestesiada da cintura para baixo, com os olhos no teto. Você viu pegarem a Sofia, viu levarem ela, viu trazerem de volta. Eu não vi nada. Então: como você sabe que o bebê que voltou no berço foi o mesmo que saiu de mim?
— Mariana, para com isso.
— Não, é sério. — Eu não estava gritando. Era pior, para ele, que eu não estivesse gritando. — Hospital troca bebê. Sai no jornal. É raro, mas é exatamente tão raro quanto uma esposa fiel que de repente, sem motivo, não é mais. Se a gente vai viver pelo que é possível em vez de pelo que a gente sabe, então vamos ser justos com o possível. Eu confio na Sofia ser nossa do mesmo jeito que eu confiava, até dez minutos atrás, que você confiava em mim. Acontece que confiança, segundo você, não vale mais nada nesta casa. Tudo bem. Eu me adapto.
O silêncio mudou de textura.
— Mariana, isso é absurdo.
— É exatamente tão absurdo quanto o seu — concordei. — É a mesma quantidade de absurdo. A diferença é que o seu absurdo está assinado por mim, em cima da mesa, e o meu ainda está esperando a sua assinatura. — Empurrei a caneta mais um centímetro na direção dele. — Faça o teste, Rafael. Faça você também. Se a gente vai descobrir a verdade sobre esta família, descobre os dois. Não só eu.
Ele não pegou a caneta. Ficou olhando para ela como se ela pudesse morder.
— Você está distorcendo tudo — disse ele, por fim. — Eu peço uma coisa simples, razoável, e você... transforma numa acusação contra mim.
— Eu transformei numa pergunta — corrigi. — A mesma pergunta que você fez. A única diferença é que a sua estava apontada pra mim e a minha está apontada pro mesmo lugar de onde você atirou. Se a pergunta é razoável quando você faz, ela é razoável quando eu faço. Se ela é uma acusação quando eu faço, então ela era uma acusação quando você fez. — Eu me recostei na cadeira. — Escolhe, Rafael. As duas perguntas são a mesma. Ou as duas valem, ou nenhuma vale. O que não vai existir mais nesta casa é uma régua pra mim e outra pra você.
Ele abriu a boca, fechou. A caneta continuava deitada sobre a segunda folha, do lado dele agora, e ele não a tocava, e cada segundo que ele não a tocava era um segundo em que a sua própria lógica o estrangulava devagar.
E foi ali, naquela cozinha, com a nossa filha dormindo no cômodo ao lado e o jantar esfriando entre nós, que eu entendi uma coisa que ia organizar tudo o que veio depois.
O teste que ele tinha pedido não era uma pergunta sobre a Sofia.
Era uma pergunta sobre quem mandava nesta casa.
E eu acabara de devolver a pergunta.
Últimos Capítulos
#13 Capítulo 13 — Quem Manda Nesta Casa
Última Atualização: 6/24/2026#12 Capítulo 12 — O Termo
Última Atualização: 6/24/2026#11 Capítulo 11 — O Resultado
Última Atualização: 6/24/2026#10 Capítulo 10 — A Mesa
Última Atualização: 6/24/2026#9 Capítulo 9 — O Envelope
Última Atualização: 6/24/2026#8 Capítulo 8 — O que a Camila Não Sabia
Última Atualização: 6/24/2026#7 Capítulo 7 — O Homem que Apressava
Última Atualização: 6/24/2026#6 Capítulo 6 — A Regra da Bianca
Última Atualização: 6/24/2026#5 Capítulo 5 — Página Doze
Última Atualização: 6/24/2026#4 Capítulo 4 — A Mulher que Se Ajoelhava
Última Atualização: 6/24/2026
Você Pode Gostar 😍
Secretária, você quer transar comigo?
Talvez por isso nenhuma durasse mais de duas semanas; ele se cansava delas muito rápido. Mesmo assim, Valeria disse não, o que fez com que ele passasse a persegui-la, bolando diferentes estratégias para conseguir o que queria, sem deixar de lado a diversão com as outras mulheres.
Sem perceber, Valeria acabou virando seu braço direito, e ele passou a precisar dela até para respirar. Mas ele só reconheceu que a amava quando ela chegou ao próprio limite e foi embora.
Tinha que ser você
A Princesa Escrava
“Sim... mestre,” eu disse sem fôlego.
Outro golpe, mas este foi no meu traseiro. Foi forte e ardia como se eu tivesse acabado de ser atacada por uma vespa. Ele passou o polegar sobre a marca e arrepios subiram pela minha espinha.
“Você está gostando disso?” Ele perguntou. Sua voz era rouca e fez minha cabeça ficar toda confusa.
“Eu...” Abri os olhos, mas não consegui responder.
Ele me golpeou novamente. Joguei a cabeça para trás e ofeguei levemente.
“Responda-me.” Ele rosnou.
“Sim... sim... mestre...” eu disse pesadamente.
O reino de Silver Aisles está em uma guerra contínua com o Rei dos lobisomens. Seus dois reinos colidem há anos, e a situação só piorou depois que o Rei lobisomem Arthur matou toda a família do Príncipe Viktor enquanto voltavam de um baile e o capturou, torturando-o diariamente. Dois anos após Viktor ser capturado pelo reino dos lobisomens, ele escapou, sem saber que Violette foi quem o ajudou a se libertar. Viktor até retaliou sequestrando a única filha do Rei lobisomem, a Princesa Violette...
Reclamada pelo Marido Dela e Seus Melhores Amigos
— Se você os quer, Myla — se você precisa do que eu não consigo te dar, eu não vou te impedir. — A voz de Hayden baixou, áspera e baixa.
— Você é minha esposa — disse ele. — Mas você também é uma mulher. E eu prefiro ver você sendo tocada por mãos que eu sei que te amam do que te ver murchar aos poucos, esperando por algo que talvez eu nunca consiga te dar de novo.
Quando o marido de Myla não consegue mais dar a ela o que antes dava depois de ficar paralisado num acidente, ele oferece outra coisa: seus dois melhores amigos, que por acaso também são antigos amantes dele. Agora, ela se vê presa num mundo de vendas nos olhos, ordens sussurradas e três homens que não conseguem parar de tocá-la… nem de se tocar. Mas uma paixão tão perigosa tem um preço. Principalmente quando um perseguidor obcecado está disposto a destruir tudo para tomá-la para si.
Espere: sexo quente hétero, gay, bi e de todo tipo; menages bagunçados e “foursomes” sem culpa; voyeurismo (porque às vezes é mais excitante só assistir); e… b**m.
Esposa Secreta do Playboy
Sophia foi para Las Vegas apenas para afogar suas mágoas. Mal podia imaginar que acabaria se tornando esposa de alguém. Mas quem é o sortudo?
Quem sabe?
Nem ela se lembra. Ela estava completamente bêbada!
Tudo o que ela tem é um contrato de casamento com data de validade e um saldo bancário grande o suficiente para fazê-la arregalar os olhos.
Termos contratuais:
Não se case com ninguém mais, a menos que eu permita.
Tente não se prostituir. Sua sogra não ficaria feliz.
Se eu solicitar um relacionamento de convivência, você tem que aceitar.
Sexo é opcional.
Rescisão do contrato? Desculpe, querida... Na minha família, casais não se divorciam.
PS: Eu estava brincando. Vamos nos encontrar daqui a três anos para acabar com essa merda e ganhar mais dinheiro.
Se existem regras contra fazer sexo enquanto bêbado, deveria haver regras contra se casar enquanto bêbado também.
Porque ISSO não é justo!
O Primeiro Olhar do Bilionário
Casamento arranjado: O Príncipe e eu
Nesse instante, Ziza sentiu seu coração encolher, morrer e afundar profundamente no fundo de seu estômago ácido. Tomá-la como sua? Sua mão em casamento? Certamente o rei não seria tão cruel a ponto de dar sua mão em casamento ao seu filho bestial.
Ela acabou de perder o emprego, perdeu o namorado e foi torturada por seus meio-irmãos e pela mãe deles. E isso era o que ela recebia—casar-se com um príncipe implacável e frio que a esbofeteou e insultou?!
Será que ela teria ao menos um vislumbre de esperança nesse casamento arranjado?
A Herdeira Vira-Lata Contra-Ataca
Os espectadores aguardavam, ansiosos, a queda dela — só para assistirem, estarrecidos, às famílias mais influentes da Capital se curvarem diante dela com reverência.
Elizabeth abriu um sorriso frio. “Querem me caçar? Então é melhor pedirem permissão aos meus punhos primeiro!”
Tabu
Algumas noites depois do evento no clube onde conheci o Senhor, fui com meu pai a uma festa de boas-vindas para um dos amigos dele que voltou para Las Vegas. Desde a morte da minha mãe e do meu irmão, eu sou sempre o par do meu pai, não que sejamos muito próximos, mas eu tenho que fazer o que é esperado de mim. Meu pai é um homem muito rico e influente, o que eu tento ao máximo não ser. A festa de boas-vindas de hoje à noite era uma daquelas que eu realmente não queria ir. Quero dizer, ele é um velho amigo do meu pai, o que eu faria lá? Eu estava de costas para o grupo quando o amigo do meu pai se juntou a nós. Quando ele falou, eu tinha certeza de que conhecia aquela voz, assim que me virei e meu pai nos apresentou, tudo o que saiu da minha boca foi: "Senhor?"...
A Seleção da Rainha Dragão
Apenas um Cavaleiro de Dragão — o Príncipe Herdeiro.
A Seleção da Rainha dos Dragões é uma seleção especial para escolher a próxima rainha dos dragões entre as melhores filhas das famílias nobres mágicas fundadoras. Treze garotas — uma de cada família — são escolhidas para disputar a coroa, tornar-se a próxima rainha dos dragões e a futura esposa do Príncipe Herdeiro Cassian, o melhor cavaleiro de dragão dos três reinos e o cavaleiro do antigo e poderoso dragão Taheer, de mil anos.
Entre elas está Lira. Lira não é nobre, não tem poderes; ela é uma impostora. Movida pela sede de vingança, ela se infiltrou na seleção para destruir a família real que havia executado injustamente o pai dela, um ex-conselheiro acusado de traição. O plano dela: matar o príncipe.
Donati
Frankie Donati não é um homem bom. Ele não fica derretido. O coração dele não dispara. Ele não se apaixona. Ele usa, toma, conquista e descarta. Simples assim. Até deixar de ser. Tem uma garota nova no clube. Ela é jovem, linda e parece que saberia usar aquele bisturi pra fazer muito mais do que aliviar as pálpebras inchadas de um lutador. E acha que consegue se esconder dele.
Gloria Rubanov está fugindo. Quando o homem a quem ela foi prometida ainda criança vem cobrá-la, a mãe faz a única coisa em que consegue pensar: pede a um amigo pra esconder a filha no meio da família mafiosa mais perigosa do país, os Accardi. Mas, com os Accardi atolados numa guerra própria, é só uma questão de tempo até o noivo dela descobrir onde ela está… e vir buscá-la de volta.
Quando um encontro casual em uma situação comprometedora vira obsessão, só existe uma maneira de Frankie Donati deixar outro homem ficar com o que é dele: vão ter que arrancá-la de suas mãos frias. Mortas.
O GAROTO QUE PODIA GERAR UM HERDEIRO
“Você acha que eu vou deixar o Cassian levar a culpa?”
“Ele é meu filho. E você? Você é só um rosto que eu me arrependo de ter trazido ao mundo!!”
Lucien nasceu com um segredo.
Um que nem ele entendia.
Um que o pai sempre soube — e por isso o odiou.
Enquanto o irmão gêmeo, Cassian, vivia uma vida de liberdade, Lucien vivia trancado atrás de portas, punido por simplesmente existir.
Ele não podia sair.
Ele não podia viver.
Ele era escondido. Esquecido. Quebrado.
Até que uma festa mudou tudo.
Uma princesa da máfia foi ferida.
A culpa caiu em Cassian.
Mas o pai deles fez questão de garantir que Lucien pagasse o preço.
Naquela noite, Lucien foi entregue a Zayn Kingsley —
Um herdeiro bilionário da máfia.
Um dos Oito que governam a cidade das sombras.
Ele tem duas esposas. Uma filha. E um pai morrendo, sussurrando:
“Me dê um filho. Um verdadeiro herdeiro. Ou você vai perder tudo.”
Zayn não acredita em fraqueza.
Não acredita em amor.
E com certeza não acredita em homens como Lucien.
Zayn é frio. Implacável. Homofóbico.
Mas o que Zayn não sabe…
É que Lucien carrega mais do que dor.
Ele carrega um segredo que desafia a biologia, a lógica e tudo o que Zayn achava que sabia:
🩸 Lucien pode gerar um herdeiro.
E o que começou como punição vira obsessão.
O que começou como ódio começa a queimar em algo proibido… e aterrorizante.












