
Amor Sem Força
Olivia · Atualizando · 579.6k Palavras
Introdução
Capítulo 1
A noite estava encharcada por uma chuva torrencial, a umidade tão densa que era quase sufocante.
Zoey King dobrou seu uniforme cuidadosamente e o colocou na mochila, olhando para o relógio na parede.
11:47 da noite. Ela era a única que restava no necrotério, como de costume.
"Zoey, ainda aqui tão tarde?" O segurança de plantão iluminou-a com sua lanterna enquanto passava.
"Estou prestes a sair." Ela colocou a máscara, seus dedos roçando no bisturi no bolso escondido, o toque frio fazia-a sentir-se segura.
O beco atrás do necrotério era seu atalho para casa.
Mesmo que o poste de luz estivesse apagado há meio mês, estava tranquilo.
Zoey segurava um guarda-chuva preto, seus tênis fazendo suaves respingos nas poças.
De repente, ela parou, virando a cabeça em direção a um certo ponto.
O leve cheiro de sangue misturado com a chuva era quase imperceptível, mas inconfundível.
Logicamente, ela deveria ter dado meia-volta e pegado outro caminho.
Mas Zoey gostava do silêncio e estava acostumada a esse trajeto.
Ela abaixou o guarda-chuva para cobrir a maior parte de seu rosto e continuou em frente.
Quanto mais se aproximava, mais forte o cheiro de sangue se tornava.
"Alexander Garcia, você acha que vai sair vivo daqui hoje à noite?" Uma voz masculina rude cortou a chuva.
Um relâmpago iluminou a cena no fundo do beco.
Sete homens de preto, armados com armas afiadas, cercavam um homem encostado na parede.
Apesar de estar coberto de sangue, o homem permanecia ereto, como uma espada desembainhada.
"Com licença, posso passar?" Zoey perguntou educadamente.
Sua voz repentina fez o líder dos homens de preto se virar bruscamente, estreitando os olhos para ela. "Você quer salvá-lo?"
Zoey levantou ligeiramente a borda do guarda-chuva, revelando seu queixo pequeno e lábios firmemente pressionados. "Só estou passando."
O líder deu um passo à frente, sua voz fria. "Você acha que vou acreditar nisso?"
Eles tinham encurralado Alexander ali para acabar com ele, sabendo que ninguém passaria por esse caminho.
Ele acenou com a mão, e três homens imediatamente cercaram Zoey.
Zoey franziu a testa, ficando impaciente.
"Querida, vamos ser rápidos com você..." Um dos bandidos olhou para Zoey com um sorriso lascivo no rosto.
Quando estava prestes a fazer um movimento contra Zoey, ela agiu primeiro com uma velocidade impressionante, fechando o guarda-chuva em sua mão e atingindo o bandido com o cabo, nocauteando-o instantaneamente!
"Eu disse, só estou passando." Sua voz era mais fria que a chuva, tingida de clara irritação.
Os três homens que a cercavam ficaram chocados, recuando instintivamente, apenas para serem repreendidos pelo líder.
"O que estão com medo? Peguem ela! Ela é só uma garota!"
Eles precisavam terminar isso rapidamente, sem fazer muito barulho, e definitivamente sem deixar Alexander escapar de volta para a Villa Garcia.
No caos, Alexander olhou para Zoey.
Ele não esperava tal poder explosivo de um corpo tão pequeno.
Qualquer que fosse o motivo dela estar ali, ela estava ajudando-o, e ele precisava voltar vivo para a Villa Garcia.
Aquele olhar fez Zoey parar por meio segundo.
Aqueles olhos, ela já os tinha visto antes.
Quando tinha doze anos, o orfanato pegou fogo, e alguém a empurrou por uma janela através da fumaça.
Sua última memória foi daqueles olhos, como a estrela mais brilhante da noite.
Parecia que sua intuição estava certa.
Ela tinha inicialmente planejado se virar e ir embora, lembrando-se do corpo não identificado com o qual tinha ajudado seu professor no mês passado, ainda deitado no necrotério.
Seu professor disse que era relacionado a gangues e a aconselhou a ficar longe dessas coisas no futuro.
Então, quando ela sentiu o cheiro de sangue, quis sair, mas um instinto inexplicável a fez dar um passo à frente, depois outro.
Até que ela ficou em frente a Alexander.
"Cuidado!" Alexander de repente avançou, puxando-a de volta à realidade.
Quando os homens de preto levantaram suas armas para atacar, ela puxou Alexander para trás de si, seus contra-ataques se tornando ferozes.
O bisturi cortou seus pulsos, e a coronha de uma arma que ela havia pego esmagou seus narizes.
Alexander, de costas para ela, usou suas habilidades de combate para derrubar dois homens, mas sua visão ficava cada vez mais turva por causa dos ferimentos.
Os homens de preto atacavam com mais ferocidade, seus movimentos mortais, mas não eram páreo para Zoey.
Eles não conseguiam entender como essa garota aparentemente delicada podia ser tão formidável.
Ela poderia ser a guarda-costas de Alexander?
"O que vocês estão esperando? Se eles não morrerem, nós morreremos!" o líder dos homens de preto rugiu.
Ouvindo isso, os homens restantes hesitaram por um momento, depois avançaram furiosos.
Zoey se movia rapidamente, cada golpe de seu bisturi preciso e impiedoso.
Em menos de um minuto, todos os homens de preto estavam no chão, gemendo, incapazes de se levantar.
Ela sacudiu a chuva de seu guarda-chuva, pronta para passar por cima do Alexander semi-consciente e ir embora.
Quando ela passou por cima dele, sua mão ensanguentada de repente agarrou com força a perna de sua calça.
"Largue," Zoey disse friamente.
Alexander não soltou, sua voz rouca. "...Me leve com você."
Zoey olhou para baixo, encontrando um par de olhos lindos, tão familiares que ela franziu os lábios e a testa.
Alexander desmaiou completamente antes que ela pudesse responder.
Ela suspirou, finalmente, e se agachou para colocar Alexander sobre seu ombro, indo para sua base secreta.
Não havia câmeras naquele beco; ela poderia simplesmente tê-lo deixado lá.
Mas aqueles olhos eram familiares demais, e ela instintivamente o pegou.
Ela havia trabalhado duro para escapar de seu passado e não podia se dar ao luxo de se envolver com a polícia novamente.
Sua base secreta ficava no porão, não muito longe do prédio do laboratório.
Era onde ela dissecava corpos especiais.
Zoey jogou Alexander na mesa de dissecação, a luz forte revelando o ferimento aberto em sua omoplata.
Suas roupas encharcadas de sangue estavam no caminho, então ela já as havia rasgado quando o trouxe.
Ela colocou luvas de borracha e selecionou a melhor agulha de sutura da bandeja, administrando anestesia primeiro.
Quando ela começou a costurar, a agulha perfurando sua carne, os olhos de Alexander se abriram de repente, sua mão apertando seu pulso.
"Quem te enviou?" Sua voz era fria, seus olhos cheios de intenção assassina.
Zoey ficou surpresa que a anestesia não tivesse funcionado nele.
Ela tentou se soltar, mas não conseguiu, então o golpeou no estômago com o joelho.
Alexander grunhiu, mas seu aperto não afrouxou; em vez disso, ele a puxou para mais perto, seus rostos a centímetros de distância.
Ele sorriu, sua respiração pesada de dor. "Você é bem habilidosa. Não é a primeira vez, é?"
Zoey estreitou os olhos, sua outra mão de repente puxando um bisturi para o pescoço dele.
"Solte, ou eu vou dissecar um cadáver em vez de costurar um ferimento."
Alexander olhou nos olhos dela acima da máscara, finalmente a soltando para que ela pudesse continuar costurando.
"Você odeia matar, não é? No beco, você teve a chance de matá-los, mas só os nocauteou."
Zoey não respondeu, a agulha perfurando sua carne novamente.
A anestesia realmente não funcionava nele; as veias saltavam em sua testa enquanto ele rangia os dentes.
Vinte e sete pontos, levando meia hora inteira.
No final, Alexander estava encharcado de suor, como se tivesse sido puxado da água.
Ele tentou se sentar, apenas para Zoey dar um golpe na nuca dele, nocauteando-o novamente.
"Você fala demais. É irritante." Zoey o enfiou em um saco de estopa, jogou-o sobre o ombro e o largou na rua.
Quando Alexander acordou, encontrou-se de volta na Vila Garcia.
"Como eu voltei aqui?"
O guarda-costas respondeu nervosamente, "Sr. Garcia, encontramos você na Rua Central, deitado ao lado de uma lata de lixo."
Só Deus sabia o quão chocados eles ficaram ao encontrar Alexander ao lado de uma lata de lixo.
Eles pensaram que era uma brincadeira de inimigos, mas depois que um médico profissional o examinou, descobriram que seu ferimento estava perfeitamente costurado, sem outros problemas.
Então ficaram ainda mais curiosos, mas não ousaram perguntar.
Alexander pressionou o pescoço dolorido.
"Descubram tudo sobre esta noite. Quero saber quem eram aqueles homens."
"E aquela mulher, descubram quem ela é e por que estava naquele beco."
Três dias depois.
Na villa particular de Alexander, Oliver Taylor entrou abruptamente com Daniel Wilson logo atrás.
Oliver era subordinado de Alexander e estava muito preocupado com a condição de saúde dele. O propósito de trazer Daniel era examinar os ferimentos de Alexander.
Alexander estava relaxando em um sofá de couro na sala de estar, com a camisa aberta revelando o peito enfaixado. Ele parecia pálido, mas ainda tinha aquele olhar intenso e afiado nos olhos.
"Ouvi dizer que te encontraram ao lado de uma lixeira?" Daniel provocou, com um cigarro apagado pendurado nos lábios. "Quem teve a coragem de fazer isso?"
Alexander lançou-lhe um olhar frio. "Cala a boca."
Daniel riu, mas quando puxou a bandagem manchada de sangue, congelou.
Seus olhos se arregalaram, e o cigarro caiu de seus lábios.
"Esses pontos..." Sua voz apertou. "São perfeitos."
Como médico em um hospital de guerra internacional, ele tinha visto inúmeros ferimentos, mas nunca uma costura tão precisa.
Cada ponto estava precisamente espaçado a 0,03 polegadas, misturando-se perfeitamente à pele e não deixando cicatrizes.
Daniel agarrou o ombro de Alexander abruptamente. "Quem fez isso? Qual hospital?"
Sua voz tremia de excitação. "Existem menos de cinco pessoas no mundo com essa habilidade!"
Os olhos de Alexander brilharam. "Ainda estou investigando."
Daniel relutantemente trocou a bandagem, abaixando a voz. "Isso é obra de um médico das forças especiais. Nenhuma pessoa comum poderia fazer isso."
"Eu sei." Um brilho perigoso passou pelos olhos de Alexander.
Quando encontrasse aquela mulher, ele se certificaria de "agradecer" devidamente.
Assim que Daniel saiu, uma ligação veio da Vila Garcia.
Oliver atendeu, ficando pálido. "Sr. Garcia, ele..."
Alexander arrancou o telefone, sua voz firme. "Está tudo bem."
Depois de desligar, ele jogou o telefone de volta para Oliver.
"Mentir para o Sr. Finn Garcia assim..." A voz de Oliver vacilou.
Se o avô de Alexander, Finn, descobrisse sobre o ataque, toda a Cidade Esmeralda estaria em tumulto.
Alexander zombou. "O que você encontrou?"
Oliver rapidamente puxou algumas informações na tela.
A exibição mostrou uma foto de uma garota de aparência delicada, rotulada: [Zoey, estagiária de medicina, especializada em dissecação de animais.]
"Então," Alexander zombou, "fui salvo por uma veterinária?"
Suor brotou na testa de Oliver. "O arquivo dela está criptografado pelo exército. Isso é tudo que conseguimos encontrar."
Ele puxou imagens de vigilância. "E no dia do incidente, ela foi a única que passou por aquele beco."
Alexander encarou a tela, lembrando dos olhos impacientes, mas intensamente focados, que ele havia visto antes de perder a consciência.
Um sorriso surgiu em seus lábios. "Interessante."
"Sr. Garcia, as pessoas naquela noite não pareciam ser bandidos comuns, mas Zoey lidou com eles sozinha e..."
A voz de Oliver caiu. "E ela te costurou sem pestanejar. Zoey não é uma pessoa comum. Vamos realmente entrar em contato com ela?"
"Claro." Um brilho brincalhão apareceu nos olhos de Alexander. "Ela é minha salvadora, afinal."
Oliver estremeceu com a luz perigosa nos olhos de Alexander.
Alexander mal havia retornado ao país quando foi emboscado. Teve sorte de ser salvo, apenas para ser encontrado por seus próprios homens ao lado de uma lixeira.
Qualquer um guardaria rancor pelo resto da vida por isso.
"Sr. Alexander Garcia, sobre o Sr. Finn Garcia..."
"Cale a boca." A voz de Alexander estava calma. "Quero ver Zoey."
Oliver ficou surpreso. "Agora?"
"Sim, agora." Alexander caminhou em direção à porta, seu casaco preto traçando um arco afiado atrás dele.
Oliver lembrou dos olhos frios e gelados de Zoey nas imagens de vigilância e de repente sentiu que ela não seria fácil de abordar.
A entrada grandiosa de Alexander poderia acabar recebendo um tratamento frio.
Hora do almoço, atrás da faculdade de medicina.
Zoey estava mordendo um sanduíche, sua caneta anotando rapidamente dados experimentais em seu caderno.
De repente, várias sombras bloquearam a luz.
"Zoey?" O líder girou um cano de metal. "Meu chefe quer uma explicação."
Ela levantou o olhar devagar, seus olhos indiferentes por trás dos óculos grossos. "Quem é seu chefe?"
"Não se faça de boba!" O cano balançou em direção à sua cabeça. "O motociclista que você salvou dois dias atrás! Ele está morto!"
O cano parou a cinco centímetros de sua cabeça.
Ele claramente mexeu com a pessoa errada.
A mão esquerda de Zoey segurou o pulso do atacante, enquanto a ponta de sua caneta pressionava contra sua garganta.
A luz do sol refletia na caneta; um leve empurrão acabaria com sua vida.
O homem estava completamente chocado. Nunca imaginaria que Zoey, que parecia tão delicada e frágil, pudesse atacar com tal precisão implacável, subjugando-o instantaneamente.
Essa mulher não era uma médica? Como ela poderia possuir habilidades tão formidáveis?
"Primeiro," Zoey ajustou os óculos, "seu amigo morreu de ataque cardíaco."
"Segundo," a ponta da caneta fez sangue brotar, "você estragou meu almoço."
No chão estava seu sanduíche amassado, o recheio de creme misturado com sujeira, o que só piorou seu humor.
Quanto mais pensava nisso, mais irritada ficava, e aplicou mais pressão.
O homem gritou, ameaçando, "Se você me machucar, meus amigos não vão te deixar em paz!"
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Mas enquanto eu olhava para aqueles olhos magnéticos, percebi algo aterrador:
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Por isso foi mais do que um pouco confuso quando chegou uma carta com o meu nome já impresso em um horário de aulas, um dormitório me esperando e matérias escolhidas, como se alguém me conhecesse melhor do que eu mesma. Todo mundo conhece a Academia, é onde bruxas aperfeiçoam seus feitiços, metamorfos dominam suas formas e todo tipo de criatura mágica aprende a controlar seus dons.
Todo mundo, menos eu.
Eu nem sei o que sou. Nada de mudança de forma, nada de truque mágico, nada. Só uma garota cercada por gente que consegue voar, conjurar fogo ou curar com um toque. Então eu fico nas aulas fingindo que faço parte daquilo, e escuto com atenção qualquer pista que possa me dizer o que está escondido no meu sangue.
A única pessoa mais curiosa do que eu é Blake Nyvas, alto, de olhos dourados e, com toda certeza, um Dragão. As pessoas sussurram que ele é perigoso, me avisam para manter distância. Mas Blake parece determinado a resolver o mistério que sou eu e, de algum jeito, eu confio mais nele do que em qualquer outra pessoa.
Talvez seja imprudente. Talvez seja perigoso.
Mas, quando todo mundo olha pra mim como se eu não pertencesse àquele lugar, Blake me olha como se eu fosse um enigma que vale a pena decifrar.
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"O que há de errado comigo?
Por que estar perto dele faz minha pele parecer apertada demais, como se eu estivesse usando um suéter dois tamanhos menor?
É só a novidade, digo a mim mesma com firmeza.
Apenas a estranheza de alguém novo em um espaço que sempre foi seguro.
Eu vou me acostumar.
Eu tenho que me acostumar.
Ele é irmão do meu namorado.
Esta é a família do Tyler.
Não vou deixar um olhar frio desfazer isso.
**
Como bailarina, minha vida parece perfeita—bolsa de estudos, papel principal, namorado doce, Tyler. Até Tyler mostrar suas verdadeiras cores e seu irmão mais velho, Asher, voltar para casa.
Asher é um veterano da Marinha com cicatrizes de batalha e zero paciência. Ele me chama de "princesa" como se fosse um insulto. Eu não suporto ele.
Quando minha lesão no tornozelo me obriga a me recuperar na casa do lago da família, fico presa com os dois irmãos. O que começa como ódio mútuo lentamente se transforma em algo proibido.
Estou me apaixonando pelo irmão do meu namorado.
**
Eu odeio garotas como ela.
Mimadas.
Delicadas.
E ainda assim—
Ainda assim.
A imagem dela parada na porta, apertando o cardigã mais forte em torno dos ombros estreitos, tentando sorrir apesar do constrangimento, não sai da minha cabeça.
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Eu não deveria me importar.
Eu não me importo.
Não é problema meu se Tyler é um idiota.
Não é da minha conta se alguma princesinha mimada tem que ir para casa a pé no escuro.
Não estou aqui para resgatar ninguém.
Especialmente não ela.
Especialmente não alguém como ela.
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