
Apaixonada pelo Motoqueiro: A Garota do Vice-Presidente
Lily S.W · Concluído · 243.2k Palavras
Introdução
Os olhos dele escurecem, descendo até a minha boca.
— É errado. O seu irmão cortaria a minha garganta só por eu estar tão perto assim. Mas me diz, passarinha… — o sopro da respiração dele roça na minha pele — você tá tremendo porque me odeia… ou porque queria isso tanto quanto eu?
Wren achou que tinha enterrado pra sempre o caos de Nova Orleans — os clubes, as lealdades manchadas de sangue, os homens que viviam e morriam pelos seus kuttes. Seattle deu a ela tudo que sempre quis: liberdade, amor, um futuro.
Mas uma traição destrói tudo.
Arrastada de volta pra casa por uma tragédia, Wren acaba sob o olhar atento de Ezra Jax — vice-presidente do Raven Reapers MC e melhor amigo do irmão dela. Ele é irritante, perigoso e tentador demais pra um homem que ela jamais deveria tocar.
E quanto mais Wren é puxada de volta pro mundo dele, mais ela percebe que nada do seu passado — nem sobre Ezra — era o que ela pensava.
Em meio ao caos de guerras de gangue, dívidas que só aumentam e velhas traições, ele se torna a única constante. Quanto mais ela luta contra ele, mais fundo ela cai. E quanto mais ele a afasta, mais letal se torna o poder que ele tem sobre ela.
Porque, nesse mundo, amor não é doce.
É brutal. Sangrento.
E tá destinado a destruir os dois.
Quando lealdade é tudo e o amor pode custar a sua vida, será que Wren vai arriscar o coração pelo único homem que ela nunca deveria amar?
Capítulo 1
Wren
— Parabén... — Eu semicerro os olhos para a tela, mas a legenda se recusa a ficar nítida.
Inclino o celular, pisco forte e tento de novo. O vídeo atualiza sozinho e meu estômago afunda com o que aparece.
Largo a legenda e dou play no vídeo. Ali, escancarado nas redes sociais, está o meu noivo... no altar com alguém que não é... eu.
Fecho os olhos, torcendo para estar enganada e ser só meu cérebro embaçando tudo, como sempre faz. Quando eu abro de novo, o vídeo ainda está lá.
— Q-qu... — Nada sai. Confusão, dor, raiva, tudo me acerta de uma vez. Em menos de um minuto, eu salto de pé.
Melhor isso ser um ensaio de casamento, Tristan. Melhor isso ser uma piada.
Meu celular toca e eu atendo sem olhar, enfiando um vestido pela cabeça ao mesmo tempo.
— Wren! — a voz da minha amiga, a Judi, chega do outro lado da linha. — Você tá vendo o que eu tô vendo?
— Se você tá falando do Tristan, então...
— Tô falando do Tristan, sim. Que diabos tá acontecendo, Wren? Vocês terminaram?
Enfio os pés em um par de sapatos confortáveis.
— Eu não sei o que tá acontecendo, mas tô prestes a descobrir. Lê o endereço pra mim, por favor.
Ela passa o endereço e depois acrescenta:
— Não vai fazer nenhuma besteira.
— Quando é que eu já fiz alguma besteira? — reviro os olhos e saio do meu apartamento, acenando pra um táxi e entrando.
— Olha... — ela faz um som pensativo, e a linha fica em silêncio por um instante. — Verdade. Você é bem pé no chão. Quer que eu vá com você?
Eu balanço a cabeça, mas lembro que ela não pode me ver.
— Não, obrigada, Judi. Eu só vou descobrir o que é isso e te ligo depois.
— Tá bom... — ela suspira. — Sinto muito, Wren.
Minha garganta aperta e meus olhos enchem d’água. Desligo, olhando a rua passar pela janela enquanto tento me convencer de que isso tudo é um grande mal-entendido.
A aliança no meu dedo reflete a luz, e o peso dela assenta na minha mente. Eu amo o Tristan. A gente se ama. Ele me pediu em casamento mês passado. Era pra gente começar a planejar a festa.
Abro o vídeo de novo no celular; o casamento ainda tá rolando. E tá lindo, quase como o casamento dos meus sonhos. O rosto da mulher continua coberto pelo véu, mas o Tristan... Ele tá lá em pé, alto, sorridente, com uma cara de orgulho enquanto eles recitam os votos.
— ...senhor Fuller, o senhor aceita a senhorita...
— Moça. — O motorista me interrompe. — Chegamos.
— O-obrigada — gaguejo, entregando umas notas pra ele, e saio às pressas em direção ao hotel.
A recepcionista me escaneia de cima a baixo, me julgando. Tenho certeza de que meu vestido simples e minhas sandálias não estão à altura do padrão dela.
— Em que posso ajudar? — ela solta, com desdém, o canto da boca virado pra baixo.
Ignoro o olhar julgador e respondo:
— Eu vim pro casamento. Do Tristan Fuller e...
— Seu nome, por favor?
— Wren — pigarreio. — Wren Carlisle.
Meus dedos tamborilam no balcão, o maxilar travando com o barulho frenético do teclado.
Depois do que parece uma eternidade, ela ergue os olhos.
— Seu nome não tá na lista de convidados.
Eu pisco.
Depois, começo a rir. Simplesmente explode de mim, incontrolável. Uma gargalhada daquelas, de dobrar a barriga.
Eu não tô na lista de convidados do casamento do meu próprio noivo.
— Tá bom — faço que sim com a cabeça, fungando e limpando uma lágrima imaginária. — Onde é que tá acontecendo o casamento?
A recepcionista me encara como se eu tivesse perdido a cabeça. E talvez eu tenha mesmo.
— Hã... então, é no jardim. Lá pelos fundos. — Ela aponta.
— Valeu. — Eu sigo na direção que ela indicou.
Ela corre na minha direção.
— Não, senhora, a gente não pode deixar a senhora ir pra lá...
Eu me viro de repente, e ela recua, olhos arregalados.
— Meu noivo... — levanto o dedo anelar — vai se casar com outra pessoa. Eu tenho direito de falar com ele.
Pela primeira vez, o olhar dela suaviza.
— Sinto muito por isso. Mas não é permitido...
— Não me impede, por favor — eu imploro. — Eu só quero conversar, nada mais.
Ela olha em volta, pro saguão vazio, e então suspira.
— Eu vou te dar dez minutos. Se você não tiver saído até lá, eu chamo a segurança.
— Sem problema.
O olhar dela atravessa a minha alma.
— Eu não posso perder meu emprego, senhora — ela avisa, rangendo os dentes.
— Você não vai perder. Obrigada... — Dou uma olhada no crachá dela. — Stephanie.
— Dez minutos.
Eu disparo na direção que ela apontou. Ninguém tenta me parar, ninguém pergunta nada, até eu arrombar as portas duplas.
O aviso da Judi ecoa na minha cabeça, mas eu ignoro. Talvez eu faça mesmo uma pequena estupidez. Eu só preciso saber.
— Tristan! — eu grito, avançando pelo corredor enfeitado com flores. Todos os olhares se viram pra mim, suspiros e murmúrios enchem o ar.
Tristan e a noiva — uma mulher que eu não conheço — estão de pé atrás de um bolo enorme, prontos pra cortar.
Os olhos dele se arregalam quando me vê, mas ele se recompõe na hora.
— Wren — ele diz, seco, quando eu chego perto o bastante. — O que você tá fazendo aqui?
— Amor, quem é ela? — a noiva pergunta.
— Eu é que devia estar fazendo essa pergunta — digo pra ela, e depois viro de novo pro Tristan. — O que tá acontecendo?
— Eu tô me casando — ele responde, dando de ombros, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Bom, é.
Engulo em seco.
— É, eu tô vendo. M-mas a gente tá noivo... era pra ser comigo.
— Noivos? — a noiva arqueja.
Ele se inclina na direção dela.
— É dela que eu te falei, amor. Me deixa resolver isso, vai lá sentar.
E ela obedece. O que ele quis dizer com isso? O que ele contou sobre mim?
— Tristan. — Meu coração se parte, minha voz se parte junto. Eu pisco, tentando segurar as lágrimas.
— Eu mudei de ideia, Wren. — Ele revira os olhos. — Você não devia estar aqui.
A indiferença dele me dá nos nervos. Ele nem ao menos sente culpa, nem um pouco.
— No momento em que você decidiu tornar isso público, você praticamente me convidou — retruco, depois suspiro. — Amor, fala sério, eu fiz alguma coisa?
— Não.
— Tá, a gente pode conversar sobre isso? Eu não tô entendendo, Tristan. — Estendo a mão pra ele. — Me ajuda...
Ele agarra minha mão antes que ela alcance o rosto dele, os dedos se fechando com força em volta do meu pulso.
— Não encosta em mim. Vai pra casa, Wren.
— Você tá me machucando — eu sussurro.
O rosto dele endurece, carrancudo.
— Você tá estragando o meu casamento.
— Eu tô estragando o seu casamento? — Arranco minha mão da dele, fulminando-o com o olhar. — Você tá estragando a minha vida! Meus planos!
— Vai embora, Wren!
A raiva surge queimando nas minhas veias, borbulhando no meu peito.
— Você não teve nem a decência de terminar comigo? Você me pediu em casamento mês passado! — eu grito.
A plateia reage com um coro de suspiros.
— Eu não tô mais interessado! — ele berra de volta. — Você não sabe entender indireta, esse casamento é uma baita indireta, Wren.
— Nossa — eu dou uma risada incrédula. — Você é um belo de um merda!
A mão dele dispara, estalando na minha bochecha. Com força.
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Rowan Ashcroft é poder embrulhado num terno sob medida.
Frio. Intocável. Impiedoso.
Ele não flerta. Não sorri. Não enxerga pessoas, só utilidade.
E por muito tempo, eu fui apenas útil.
Até que ele começou a me observar.
No começo, a mudança na atenção dele é sutil. Uma pausa longa demais. Um olhar que se demora. Ordens que me puxam para mais perto em vez de me manterem à distância. O homem que fica de pé acima da minha mesa começa a controlar mais do que a minha agenda, e eu percebo tarde demais que ser notada por Rowan Ashcroft é muito mais perigoso do que ser ignorada.
Porque homens como ele não desejam afeto.
Desejam posse.
Era pra ser só um emprego.
Não um teste dos meus limites.
Não uma descida lenta e calculada para dentro da autoridade dele.
Mas se Rowan Ashcroft decidir que eu pertenço debaixo da mesa dele, que seja.
Sobreviver tem um preço, e as contas não querem saber como eu pago.












