
Para sempre do Alfa Supremo
Daniane Francisca Dani · Atualizando · 204.4k Palavras
Introdução
Até que seus dezoito anos revelaram a verdade: ela é herdeira de uma linhagem poderosa, e seu sangue guarda um poder que esteve adormecido por toda a sua vida.
Mas a maior descoberta não é sobre quem ela é. É sobre a quem ela pertence.
Elisa foi destinada a Oliver, o Supremo Alfa — o líder mais temido entre todos os lobos. Ele é fogo e força, e ao vê-la, sabe imediatamente: ela é sua.
Entre perigos, segredos e um mundo que ela nunca soube que existia, Elisa precisará aprender a confiar no homem que o destino escolheu para ela. Mas ser a companheira do Alfa Supremo é mais do que um título. É um amor que pode mudar o destino de todos.
Capítulo 1
Elisa
— Nossa, não acredito que finalmente as aulas estão acabando. Só mais alguns dias e pronto... adeus, escola.
Não que tenha sido uma experiência ruim, mas, de alguma forma, eu nunca senti que aquele lugar fosse realmente o meu.
Minha única amiga, Stela, só fala do baile de formatura e do vestido que vai usar. Eu, por outro lado, não poderia me importar menos com isso.
Não me levem a mal. Eu não sou daquelas garotas que vivem bancando a excluída, dizendo que odeiam festas, compras ou qualquer tipo de diversão.
A verdade é que existe um motivo.
Sou bolsista em uma escola particular. Acho que isso já explica muita coisa.
Com o que minha vó ganha trabalhando como costureira, mal conseguimos pagar o aluguel, colocar comida na mesa e manter as contas em dia. Comprar um vestido para um baile está muito longe da nossa realidade.
Stela — Lisa, vamos ao baile! Em quatro anos de amizade, você só foi a uma festa, e mesmo assim porque era na minha casa. E nem venha dizer que ninguém te convidou, porque eu sei de pelo menos seis caras que fizeram o convite. Fora os que eu nem fiquei sabendo.
Ela interrompe meus pensamentos mais uma vez, insistindo para que eu aceite.
Elisa — Stela, você sabe que eu não gosto muito de festas... E também não gosto de deixar a Vó Mary sozinha.
Parte disso é verdade.
Eu realmente não gosto de deixá-la sozinha. Quase todas as minhas noites são passadas ajudando nas costuras.
Mas, se fosse apenas pela minha vontade... eu iria ao baile.
Afinal, seria a última festa da escola. Eu adoraria viver essa experiência pelo menos uma vez. Vestir um vestido bonito, fazer um penteado diferente, usar maquiagem e me sentir como uma princesa por uma única noite.
Só que jamais pediria dinheiro à minha avó para isso.
Não suportaria vê-la triste por não poder me dar algo que simplesmente está fora das nossas condições.
Stela — Lisa, eu queria tanto que nós fôssemos juntas... Agora vou ficar lá sozinha, sem ninguém para conversar.
Sorri divertida.
Elisa — Não seja dramática, Stela. As outras meninas da turma vão estar lá. Além disso, você vai com o Edgar. Não tem como ficar sozinha.
Stela — Mas não é a mesma coisa. As garotas da nossa sala só sabem falar de status e dos meninos do time de futebol.
Elisa — Ah, tá... Como se o Edgar também não fosse do time de futebol.
As bochechas de Stela ficaram vermelhas no mesmo instante.
Ela e Edgar estavam saindo há algum tempo, mas ele ainda não tinha pedido oficialmente que ela fosse sua namorada.
Eu tinha quase certeza de que esse pedido aconteceria justamente na noite do baile.
Cansada daquele assunto, despedi-me dela e segui para casa.
Moro a apenas duas quadras da escola, então faço esse caminho a pé todos os dias.
Assim que entrei em casa, encontrei minha avó ajustando um lindo vestido verde sobre um manequim.
Elisa — Nossa, Vó... Que vestido lindo! A senhora está consertando para alguma cliente?
Ela sorriu.
Vó Mary — Não, Lisa. Esse vestido era da sua mãe. Guardei junto com algumas outras lembranças dela. Como sei que o baile está chegando, resolvi fazer alguns ajustes para deixá-lo mais moderno. Achei que você poderia usá-lo.
Ela observou minha reação com carinho.
Vó Mary — E então? O que achou?
Senti meus olhos marejarem.
Elisa — O que eu achei?
Passei a mão delicadamente pelo tecido.
Elisa — Eu achei perfeito, Vó. Ainda mais por saber que era da mamãe.
Sem conseguir conter a emoção, abracei minha avó.
Ela retribuiu o abraço com os olhos cheios de lágrimas.
Vó Mary — Que bom que gostou, meu amor. Ah... também comprei um par de sapatos para combinar com o vestido. Fui economizando aos poucos para conseguir comprar.
Olhei para ela, surpresa.
Elisa — Vó, não precisava! A senhora trabalha tanto para nos sustentar... Não devia gastar dinheiro comigo. Eu prometo que vou ajudar com mais costuras para pagar esses sapatos.
Ela cruzou os braços imediatamente.
Vó Mary — Nem pensar. Eles são um presente meu para você. E não quero mais ouvir essa conversa. Agora vá lavar as mãos, porque o almoço já está pronto.
Sorri, sabendo que era impossível discutir quando ela usava aquele tom de voz.
Fui para o pequeno quarto que dividíamos, deixei minha mochila sobre a cama e segui para o banheiro.
Nossa casa era simples.
Tinha apenas um quarto, um banheiro pequeno, cozinha, sala e um espaço onde minha avó atendia as clientes e trabalhava com suas costuras.
Não tínhamos muito.
Mas eu era feliz.
A Vó Mary era tudo o que eu tinha no mundo.
Meu maior sonho era terminar a escola, conseguir um emprego e ajudá-la para que ela finalmente pudesse descansar um pouco depois de tantos anos de trabalho.
Ela lavou as mãos e, por um instante, encarou o próprio reflexo no pequeno espelho do banheiro.
Seus olhos verdes chamavam atenção de qualquer pessoa que a olhasse. Os cabelos, longos e ondulados, chegavam até a altura do quadril e possuíam um tom avermelhado incomum.
Stela sempre dizia que eram lindos.
Vó Mary costumava contar que aquela cor era herança do pai.
Elisa nunca o conheceu. Nem sequer tinha uma fotografia dele.
Sabia apenas o que a avó lhe contava: que ele era ruivo e que os olhos verdes haviam sido herdados da mãe.
Às vezes, ela se perguntava como teria sido crescer ao lado do pai.
Não sentia raiva por ele ter ido embora.
Vó Mary sempre dizia que ele precisou partir para protegê-las.
Elisa nunca soube exatamente do quê.
Talvez aquela fosse apenas uma maneira de impedir que ela crescesse acreditando que havia sido abandonada.
Mesmo assim...
Gostaria de conhecê-lo um dia.
Ela saiu do banheiro e foi para a cozinha.
Vó Mary já a esperava com um prato fumegante de sopa.
As duas se sentaram no sofá e comeram em um silêncio confortável, daqueles que só existem entre pessoas que se amam.
Quando terminaram, Elisa recolheu os pratos, lavou a louça e limpou a pequena cozinha.
Ao voltar para a sala, encontrou a avó novamente diante da máquina de costura.
Vó Mary — Lisa, já terminei os ajustes no terno do Sr. Miller. Você pode levá-lo para a Sra. Miller, por favor?
Ela apontou para um embrulho cuidadosamente colocado sobre o sofá.
Elisa — Claro, Vó.
A família Miller sempre contratava os serviços de Vó Mary.
Elisa suspeitava que eles faziam aquilo não apenas pela qualidade do trabalho, mas também porque sabiam que aquele dinheiro ajudava bastante nas despesas da casa.
Ela pegou o embrulho.
Elisa — Não vou demorar. Assim que voltar, ajudo a senhora com as costuras.
Vó Mary — Vá com cuidado, meu amor.
Elisa sorriu, deu um beijo na testa da avó e saiu.
A casa dos Miller ficava a cerca de quinze minutos dali.
Enquanto caminhava, cantarolava baixinho uma música que fazia sucesso no rádio.
De repente...
Sentiu um arrepio percorrer sua nuca.
A estranha sensação de estar sendo observada voltou.
Ela parou e olhou discretamente para trás.
Não havia ninguém.
Franziu a testa.
Nos últimos meses, aquela sensação vinha se repetindo com frequência.
Talvez estivesse ficando paranoica.
Ou talvez fosse apenas coisa da sua cabeça.
Balançou a cabeça, tentando afastar o pensamento, e continuou caminhando.
Poucos minutos depois, chegou à casa dos Miller.
Tocou a campainha.
A porta se abriu quase imediatamente.
Sra. Miller — Olá, Lisa! Tudo bem?
Ela sorriu calorosamente.
Sra. Miller — Faz tempo que você não aparece por aqui. Já estava começando a achar que você e a Stela tinham brigado.
Elisa riu.
Elisa — Faz mesmo. O fim do semestre foi corrido demais. Tivemos muitas provas e trabalhos. Mas a Stela e eu continuamos juntas todos os dias na escola.
Sra. Miller — Imagino. Ainda mais sendo bolsista... Você precisa manter notas excelentes o tempo todo. Deve ser muita pressão.
A mulher sorriu com carinho.
Sra. Miller — Mas você é uma menina muito inteligente e esforçada. Fico feliz que minha Stela tenha uma amiga como você.
As bochechas de Elisa coraram imediatamente.
Ela nunca soube lidar bem com elogios.
Elisa — Obrigada, Sra. Miller... Eu gosto muito da Stela. Ela é como uma irmã para mim.
Ela entregou o embrulho.
Elisa — Vó Mary pediu para trazer o terno do Sr. Miller.
A mulher abriu um sorriso satisfeito.
Sra. Miller — Ficou perfeito, como sempre.
Ela entregou o pagamento da costura.
Sra. Miller — Leve esse dinheiro para sua avó. E fique para tomar um lanche conosco.
Elisa — Muito obrigada, mas acabei de almoçar.
Ela sorriu educadamente.
Elisa — A Stela está em casa?
Sra. Miller — Está, sim. Chegou toda triste dizendo que você não vai ao baile e que nada terá graça sem você.
Elisa sorriu discretamente.
Elisa — Na verdade, é justamente sobre isso que eu queria falar com ela. Minha avó conseguiu me convencer a ir ao baile.
Mal terminou a frase...
Stela — O quê?!
A voz ecoou pela escada.
Stela praticamente desceu correndo.
Sem se importar com mais nada, abraçou Elisa com força.
Stela — Eu não acredito! Você vai mesmo!
Ela dava pequenos pulinhos de felicidade.
Stela — Nós vamos nos divertir muito! Vem! Quero te mostrar o meu vestido!
Elisa — Calma!
Ela riu.
Elisa — Eu só vou se conseguir um par. Não vou passar a noite inteira segurando vela para você e o Edgar.
As duas caíram na risada.
Elisa — Mas hoje não posso demorar. Prometi para a Vó Mary que voltaria logo.
Antes que Elisa pudesse dizer mais alguma coisa, a Sra. Miller interveio.
Sra. Miller — Não se preocupe. Vou ligar para a dona Mary avisando que você ficará um pouco mais conosco.
Stela nem esperou uma resposta.
Segurou Elisa pela mão e praticamente a arrastou escada acima.
Stela nem esperou uma resposta.
Segurou Elisa pela mão e praticamente a arrastou escada acima.
Assim que entraram no quarto, ela fechou a porta com um sorriso animado.
Stela — Lisa, não se preocupe. Você pode ir ao baile com o Alec. Hoje mesmo ele me perguntou se você já tinha um par e disse que estava pensando em te convidar.
Ela arqueou as sobrancelhas, lançando um sorriso malicioso.
Stela — Você sabe que ele tem uma queda por você... Ou melhor, ele é completamente apaixonado.
Elisa revirou os olhos.
Elisa — Lá vem você de novo com essa história. O Alec é o capitão do time de futebol. Em quatro anos de escola ele nunca sequer conversou comigo. Além disso, praticamente todas as garotas da escola são apaixonadas por ele.
Stela — Claro que ele nunca falou com você! Você não dá abertura para ninguém se aproximar.
Elisa cruzou os braços.
Elisa — Se fosse assim, eu não teria recebido nenhum convite para o baile.
Stela soltou uma risadinha.
Stela — Ah, Lisa... Todos aqueles convites foram feitos pelo sistema da comissão do baile. Os meninos mandavam flores e um cartão sem precisar convidar pessoalmente. Assim, se a garota recusasse, eles não passavam vergonha na frente de todo mundo.
Ela balançou a cabeça, divertida.
Stela — Mas quer saber? Tenho certeza de que vários deles passaram o ano inteiro querendo te chamar para sair. Você é quem nunca deu oportunidade.
Elisa pensou por alguns segundos.
Talvez a amiga tivesse razão.
Ela realmente nunca se preocupou em conhecer nenhum garoto.
Não era por antipatia.
Simplesmente sempre esteve focada nos estudos.
Além disso...
Nunca havia encontrado alguém que despertasse aquele frio na barriga de que tantas garotas falavam.
Ela acreditava que só valia a pena viver um romance quando fosse amor de verdade.
Elisa — Eu estava focada na escola, Stela. Nunca estive na fase de sair com garotos.
Stela — E, por causa disso, você vai terminar o ensino médio sem nunca ter dado um beijo.
Elisa deu de ombros.
Elisa — Não vejo problema nenhum nisso.
Stela caminhou até o guarda-roupa.
Stela — Pois eu vejo.
Ela abriu um enorme sorriso.
Stela — Vou falar com o Alec. Vou passar o número da sua casa para ele ligar. Assim vocês conversam um pouco antes do baile e se conhecem melhor.
Elisa riu.
Elisa — Faça o que quiser. Quando chegar a hora certa, meu primeiro beijo vai acontecer. Não tenho pressa.
Stela resolveu mudar de assunto.
Com todo o cuidado do mundo, retirou um vestido da capa protetora.
Era longo, preto e coberto por delicadas pedrarias no corpete.
O tecido valorizava perfeitamente seu corpo.
Stela — E então? O que achou?
Os olhos de Elisa brilharam.
Elisa — Está lindo! Você vai arrasar nesse baile.
As duas passaram um bom tempo conversando sobre a formatura.
Pouco depois, a Sra. Miller entrou no quarto carregando uma bandeja com sucos, bolos e alguns salgados.
Enquanto servia o lanche, voltou-se para Elisa.
Sra. Miller — Lisa, você já recebeu resposta de alguma faculdade?
Ela sorriu.
Sra. Miller — A Stela contou que foi aceita na universidade em Nova York. Como não queremos ficar longe dela, vamos nos mudar para lá depois da formatura. E parece que o Edgar também foi aprovado.
Stela imediatamente fez uma careta.
Elisa — Eu não me inscrevi em nenhuma faculdade.
A mulher demonstrou surpresa.
Elisa — Pensei em tentar uma bolsa de estudos, mas teria que morar em outra cidade.
Ela sorriu com tristeza.
Elisa — Não posso deixar minha avó sozinha. Quero ficar aqui, arrumar um emprego e ajudá-la. Mais para frente, talvez faça um curso técnico.
A Sra. Miller assentiu compreensiva.
Sra. Miller — Você é uma menina muito responsável, Lisa. Mas não desista dos seus sonhos. Você ainda é muito jovem. A faculdade sempre estará esperando por você.
Elisa sorriu agradecida.
Elisa — Obrigada.
Ela olhou para Stela.
Elisa — Estou muito feliz por você. Ainda mais porque vai realizar esse sonho ao lado do... namoradinho.
Stela arregalou os olhos.
Stela — Ah, não! Já basta a minha mãe com essa história. O Edgar não é meu namorado!
Elisa riu.
Elisa — Ainda não.
Ela piscou para a amiga.
Elisa — Tenho quase certeza de que ele vai fazer o pedido durante o baile.
Stela lançou uma almofada em sua direção.
As três caíram na risada.
O tempo passou tão depressa que, quando Elisa percebeu, já estava escurecendo.
Ela levantou-se.
Elisa — Acho melhor eu ir. A Vó Mary deve estar preocupada.
Naquele momento, o Sr. Miller acabava de chegar do trabalho.
Assim que soube que Elisa voltaria andando, ofereceu-se para levá-la em casa.
Sr. Miller — Já está escurecendo. Eu posso levá-la.
Elisa sorriu educadamente.
Elisa — Muito obrigada, mas não precisa. Eu moro pertinho. Gosto de fazer esse caminho caminhando.
Ela se despediu de todos e saiu da casa dos Miller sem imaginar que aquela seria a última caminhada tranquila de sua vida.
A noite já havia tomado conta da cidade.
As ruas estavam praticamente desertas, iluminadas apenas pelos postes espalhados ao longo da calçada.
Elisa caminhava tranquilamente quando, mais uma vez, sentiu aquele arrepio percorrer sua nuca.
A sensação de estar sendo observada voltou.
Ela parou e olhou discretamente por cima do ombro.
Não havia ninguém.
Respirou fundo e tentou convencer a si mesma de que aquilo era apenas fruto da sua imaginação.
Continuou andando.
Depois de alguns minutos, já a duas ruas de casa, avistou três homens parados bem no meio da rua.
Eles não conversavam entre si.
Apenas olhavam diretamente para ela.
Seu coração acelerou.
Por um instante, pensou em voltar e aceitar a carona do Sr. Miller.
Mas já era tarde.
Respirou fundo e tentou manter a calma.
Talvez estivesse exagerando.
Talvez fossem apenas três homens conversando.
Ergueu a cabeça e continuou caminhando.
Quanto mais se aproximava, mais desconfortável se sentia.
Quando estava a poucos passos deles, tentou passar sem olhar em seus rostos.
Foi um erro.
Os três se moveram ao mesmo tempo.
Em questão de segundos, cercaram-na.
Elisa deu um passo para trás.
Instintivamente tentou correr.
Antes que conseguisse, um deles segurou seu braço com tanta força que ela sentiu os dedos afundarem em sua pele.
Um sorriso cruel surgiu no rosto marcado por uma enorme cicatriz.
Os cabelos escuros, longos e sebosos, combinavam perfeitamente com o cheiro desagradável que exalava.
Homem da cicatriz — Aonde pensa que vai, docinho?
Ele apertou ainda mais seu braço.
Homem da cicatriz — Estávamos esperando por você. Foi difícil encontrá-la... mas finalmente está em nossas mãos.
Elisa tentou se soltar.
Elisa — Me larga!
Outro homem a observava de cima a baixo com um sorriso nojento.
Seus olhos passeavam pelo corpo dela sem o menor pudor.
Segundo homem — O Alfa Dom não disse que ela era tão gostosa...
Ele lambeu os lábios.
Segundo homem — Acho que vou me divertir um pouco antes de entregá-la.
Um arrepio de nojo percorreu o corpo de Elisa.
Elisa — Não encoste em mim!
Ela tentou afastá-lo com a mão livre.
O homem apenas riu.
Segundo homem — Gosto das bravinhas...
Antes que pudesse se aproximar, o terceiro homem deu um passo à frente.
Ele parecia ser o líder.
Seu olhar era frio.
Terceiro homem — Chega.
Os outros dois se calaram imediatamente.
Terceiro homem — O Alfa Dom quer a garota intacta. Se desobedecermos, será a nossa cabeça.
Ele olhou para Elisa.
Terceiro homem — Amarrem-na. Coloquem-na no carro antes que alguém apareça.
O desespero tomou conta dela.
Quem era aquele tal de Dom?
E por que aqueles homens a chamavam de Alfa?
Será que estavam confundindo-a com outra pessoa?
Sem pensar, Elisa começou a gritar.
Elisa — Socorro!
Debateu-se com toda a força que tinha.
No impulso, acertou um chute entre as pernas do homem da cicatriz.
Ele urrou de dor e a soltou.
Aproveitando a oportunidade, Elisa tentou fugir.
Não conseguiu dar nem dois passos.
O líder agarrou seus cabelos com violência e puxou sua cabeça para trás.
Antes que ela pudesse reagir...
Um tapa forte atingiu seu rosto.
A dor foi tão intensa que Elisa caiu no chão completamente desnorteada.
Seu lábio ardeu.
Sentiu o gosto metálico do sangue.
O homem caminhou lentamente em sua direção.
Um sorriso cruel deformava seu rosto.
Elisa recuou pelo asfalto usando as mãos, mas ele continuava se aproximando.
Foi então...
Que um rosnado feroz rasgou o silêncio da noite.
Todos olharam na mesma direção.
Um enorme lobo surgiu das sombras.
Era muito maior do que qualquer lobo que Elisa já tinha visto em fotografias.
Sua pelagem avermelhada, mesclada com tons castanhos, brilhava sob a luz da lua.
Os olhos dourados estavam fixos nos três homens.
O animal posicionou-se à frente de Elisa.
Como se estivesse protegendo-a.
O líder sorriu.
Terceiro homem — Então você finalmente apareceu...
Antes que pudesse terminar a frase, o enorme lobo avançou.
O impacto o lançou vários metros para trás.
Os outros dois homens também atacaram.
No instante seguinte...
Os corpos deles começaram a mudar.
Braços e pernas se alongaram.
Ossos estalaram.
Pelos cresceram rapidamente.
Em poucos segundos, os três homens haviam se transformado em enormes lobos.
Elisa ficou paralisada.
Seu cérebro se recusava a acreditar no que seus olhos estavam vendo.
Quatro lobos gigantes lutavam bem diante dela.
Rosnados ecoavam pela rua.
Presas se chocavam.
Garras rasgavam o asfalto.
O lobo avermelhado enfrentava os três sozinho.
Foi o instinto de sobrevivência que finalmente despertou Elisa.
Ela se levantou cambaleando.
Sem olhar para trás...
Correu.
Correu o mais rápido que suas pernas permitiam.
Só parou quando alcançou a porta de casa.
Ofegante, olhou várias vezes para a rua.
Não havia ninguém.
Nem homens.
Nem lobos.
Apoiou a mão sobre o peito, tentando controlar a respiração.
Seu coração parecia querer sair pela boca.
Respirou fundo.
Precisava se acalmar.
Jamais poderia contar aquilo à Vó Mary.
Quem acreditaria que homens haviam se transformado em lobos?
E, acima de tudo...
Será que o lobo de pelagem avermelhada estava bem?
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A doce vingança do CEO sem coração
Gabe Clifford é o CEO da maior indústria farmacêutica do mundo. Inteligente, sagaz, um homem sem coração, capaz de tudo para alcançar o que deseja.
Ele levou anos preparando sua vingança contra os Abertoon.
Ela seguiu sendo bondosa e alegre, mesmo quando tudo ao seu redor parecia desabar.
Ele queria destruí-la para saborear cada lágrima de Ernest Abertton, o homem a quem dedicou sua vida para ver sofrer.
Ela era apaixonada pelo irmão dele.
Ele montou a teia e ela era a presa.
O que Gabe não sabia era que a vingança poderia ser muito mais doce do que imaginava. Olívia, por sua vez, jamais imaginou que poderia existir alguém tão sem escrúpulos e coração como aquele homem.
Um desejo de vingança maior que tudo.
Uma mulher decidida a mudar seu destino.
Um casamento tratado como negócio.
Ele a usou como forma de vingança contra o homem que mais odiava. Só não esperava que conhecê-la seria seu pior castigo.












