Como arruinar a vida do meu ex em 10 episódios

Como arruinar a vida do meu ex em 10 episódios

roseana2701 · Atualizando · 238.8k Palavras

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Introdução

Desde a infância, Tayla e Ryan eram inseparáveis, prometendo amizade eterna. Ela, a sonhadora que devorava Alice no País das Maravilhas; ele, o garoto gentil que vivia sob sorrisos fáceis. No entanto, uma surpresa de Tayla para Ryan se transformou na maior decepção de sua vida, destruindo o relacionamento, a amizade e os sonhos de um futuro juntos.
Anos depois, Tayla se reinventou como a voz mais ousada da internet: "Alice no País dos Prazeres", um podcast onde ensina mulheres a encontrarem o prazer através do sexo, usando cada segredo íntimo que Ryan um dia lhe confiou. Ele, agora um modelo mundialmente famoso, não sabe que a mulher que arruína sua reputação com histórias anônimas é a mesma garota que um dia amou... E o magoou profundamente.
Quando a falsa doença da vó Nona os obriga a voltar ao Rancho Palmer, eles se encontram como inimigos. Tayla carrega um segredo sob o nome de Lewis, seu filho de cinco anos. Ryan traz uma vingança pronta para ser servida. E no meio deles, um pingente de chave enferrujado, a única coisa capaz de abrir a porta do passado e fazê-los descobrir a verdade sobre o que realmente aconteceu naquela noite.
Mas algumas portas, uma vez abertas, não podem mais ser fechadas.

⚠️ AVISO AO LEITOR:
Esta obra contém linguagem forte (palavrões), referências a drogas lícitas e ilícitas, cenas de violência e conteúdo sexual. Recomenda-se discrição e atenção por parte de leitores sensíveis a esses temas.

📖 Prepare-se para um romance picante, repleto de tensão sexual e verdades explosivas!

Capítulo 1

Cidade de Solidão, Noriah Sul, janeiro de 2000.

Desde que eu o vi pela primeira vez, meu coração batia como se fosse uma bomba-relógio, prestes a explodir. E achei que algum dia aquela sensação fosse mudar. Mas nunca mudou. O que eu sentia continuava intenso, como sempre. Aquele garoto era o ar que eu respirava e estar longe dele era como estar sentada numa varanda numa noite de tempestade, esperando pela morte.

O vento cortava como uma lâmina quando subimos a montanha íngreme e pedregosa, nossos dedos entrelaçados tão firmes que doíam. Eu sabia que se caísse, ele não me soltaria. Nunca. Mas não sabia que, no fim, seria ele quem me deixaria escorregar.

Assim que chegamos, gentil como sempre, ele estendeu o casaco com o emblema do colégio sobre as pedras, para que eu pudesse sentar em cima. Respirei fundo e olhei para a cidade de Solidão, do alto do morro, e sorri quando senti seu braço gentilmente sobre meus ombros, puxando-me contra si. Seu coração batia rápido demais. Eu devia ter percebido.

- Nunca mais fui solitária em Solidão desde que você chegou. – Brinquei.

- La Solitudine é a mais bela cidade que já conheci. – A voz grave me brindou com as poucas palavras em italiano, que eu amava quando ele pronunciava – Falando nisto – Da mochila, tirou um objeto prateado: um Discman. Algo tão comum para ele, tão mágico para mim. Quando colocou os fones em nossos ouvidos e La Solitudine começou a tocar, eu ri. A música era triste, mas naquele momento, eu jurava que nunca seria como a letra.

- De onde é isto? – Perguntei maravilhada.

- Meu pai trouxe da Itália, na última viagem.

Fechei os olhos e fiquei apreciando a voz maravilhosa e a música melodramática que embalou muitas das nossas tardes no cume do morro. Quando a música encerrou, retirei o fone e disse:

- Acho que esta música inspirou o nome da minha cidade. – Suspirei, enlaçando meus dedos nos dele, ainda com a cabeça deitada em seu ombro – Porque é tão triste quanto...

Marco não disse nada. Mas senti sua respiração acelerar levemente e os dedos apertarem os meus.

- Sempre me senti sozinha e triste... Até você aparecer – confessei mais uma vez – Quando casarmos, a primeira coisa que faremos é passar a noite aqui. Veremos o pôr e o nascer do sol... E teremos uma bela história para contar aos nossos filhos. Claro que depois disto você me levará para conhecer as sete maravilhas do mundo! – Sonhei alto.

Ouvi um gemido e levantei a cabeça, virando-me na direção dele. Contemplei seus olhos castanhos grandes, de onde lágrimas grossas escorriam. Nunca, desde que o conheci, o vi triste.

- Eu... Fiz alguma coisa de errado? Falei algo que você não gostou? – Me preocupei.

Marco sorriu em meio às lágrimas e limpou-as, depois ajeitando os cabelos, pondo a franja que caía sobre a testa para trás. Em seguida pegou meu rosto entre suas mãos e disse com pesar:

- Eu vou ter que partir, minha garota dos cabelos de fogo.

- Partir? – minha voz mal saiu – Como assim? O Ensino Médio mal começou! Você não pode ir embora.

Ele me abraçou com força e senti seu aroma de perfume caro, misturado com o cheiro natural dos eucaliptos à nossa volta. Senti suas mornas lágrimas molharem minha blusa e fiquei tentando compreender o que estava acontecendo. Porque eu não havia me preparado para aquilo. O nosso plano era ficarmos juntos para sempre.

- Meus pais estão completando 25 anos de casados. E mamãe pediu uma viagem de presente.

- Mas... – sorri, fazendo-o me encarar – É só uma viagem!

Marco suspirou:

- Passei a vida pulando país em país, vivendo como um nômade, minha garota. Sei que não voltaremos para Solidão.

Engoli em seco e olhei para o céu azul, sem uma única nuvem e falei com toda minha certeza:

- Irei com você!

Marco sorriu e meneou a cabeça:

- Você sabe que isto é impossível, minha garota.

- Você... Não pode me deixar. Eu... Amo você.

Seus lábios encontraram os meus e senti o gosto salgado de nossas lágrimas em meio ao nosso beijo. O abracei com força e tudo que passava na minha cabeça era que eu nunca esqueceria aquele garoto, aquele momento e tudo que vivemos juntos.

- Escreverei cartas para você e postarei nos correios! – Marco prometeu.

- E... Se elas se extraviarem?

- Mando e-mails.

- Eu... Não tenho computador.

- Pode acessar pela escola.

- Só temos aula de computação uma vez na semana!

No entanto não tinham outras alternativas. Ou usávamos aquilo para nos comunicarmos ou jamais teríamos contato novamente.

- Não tenho sequer endereço para lhe dar. A vida inteira eu morei um pouco em cada país. E incrivelmente na cidade de Solidão foi onde me encontrei. E será a minha pior despedida.

Abaixei a cabeça, deixando as lágrimas escorrerem, sem saber o que dizer. Meu coração doía, o peito estava apertado e minhas pernas trêmulas. Era como se o mundo estivesse acabando naquele momento.

- Eu... Eu... Poderíamos fugir, garota dos cabelos de fogo! Só nós dois...

Levantei os olhos em sua direção:

- E eu destruiria o seu futuro – sorri – O amo demais para isto. Você tem uma vida inteira pela frente... E cheia de perspectivas. Eu... Sou só uma garota do interior – suspirei – Ao menos... Serei aquela que certamente você lembrará para sempre. Porque eu tenho certeza de que o que eu sinto é recíproco.

- Não vamos perder contato, minha garota dos cabelos de fogo. São só alguns milhares de quilômetros de distância que nos separarão... Não é nada para o amor que sentimos.

- E se um dia você me esquecer?

- Eu jamais a esquecerei. Nos falaremos por e-mail. Uma vez a cada semana você abrirá sua caixa de mensagens e terei escrito para você onde estou e o que faço.

- Não importa o que aconteça, acessarei a minha caixa de e-mails – garanti, limpando as lágrimas – E entrarei escondida na escola nas férias... E quando eu me formar... Roubarei um dos computadores.

Começamos a rir, em meio às lágrimas. Marco pegou uma mecha dos meus cabelos e ajeitou atrás de minha orelha:

- Vamos marcar um ponto de encontro.

- Um... Ponto de encontro?

- Sim.

Observei-o enquanto ele falava sem parar, empolgado, tentando encontrar alternativas para que nunca perdêssemos contato. Mas eu sabia que a probabilidade de aquilo dar certo era praticamente nula.

Os lábios grossos dele alternavam-se entre as palavras e os sorrisos empolgados cada vez que achava uma solução. Ele tinha uma covinha do lado direito da bochecha e aquilo me encantava ainda mais.

Eu era uma adolescente. E nenhuma expectativa de ser alguém importante na vida. Morava no meio do nada e nunca tive direito a escolhas. Meus pais mandavam e eu obedecia.

Vi Marco pela primeira vez na manhã de Natal, durante a missa da cidade. Me chamou a atenção a postura dele e a roupa, diferente dos garotos dali. Eu cantaria a música principal da celebração, acompanhada do coral. Estava envergonhada e nervosa. Mas foquei nele, que estava junto da família num dos últimos bancos. Ele sorriu para mim e piscou. Aquilo me deu uma segurança que jamais imaginei ter.

A surpresa foi tê-lo reencontrado na escola que eu faria o Ensino Médio. Nossos olhos se encontraram e eu soube que ele seria o meu amor para sempre.

Já no primeiro dia de aula começamos a conversar e passarmos o tempo todo juntos. E depois daquilo nunca mais nos separamos. E todos os dias, quando acabava a aula, ele me levava até próximo de casa, em segurança. E no caminho subíamos o morro e nos beijávamos e fazíamos juras de amor. E eu achei que seria para sempre, porque o que sentia por Marco jamais seria capaz de sentir por outra pessoa novamente.

- Vamos, escolha um ponto de encontro. – Ele me pediu de forma séria, com os dedos alisando meu queixo.

- Eu... Não sei. – Eu não acreditava que haveria um encontro novamente entre nós dois.

- Qualquer lugar no mundo! Diga e eu estarei lá.

Suspirei e proferi, sorrindo:

- Taj Mahal.

Os olhos dele se estreitaram e depois deu um sorriso questionador:

- Por que o Taj Mahal?

- Porque é a única maravilha do mundo moderno que você ainda não conhece. Então... Se tudo der certo, nos encontraremos um dia no Taj Mahal, onde visitaremos o lugar juntos, eu e você. – Sorri, em meio às lágrimas, sabendo o quanto aquilo era loucura.

- Você é incrível, minha garota! – Ele beijou meus lábios – Estarei no Taj Mahal.

- Quando?

- Eu... Não tenho ideia de quando será! – Ele meneou a cabeça, rindo.

- Muita coisa teria que dar errado para nos encontrarmos lá... Como... Os seus e-mails nunca chegarem...

- Eu os mandarei e eles chegarão sim. - Garantiu

- Se não chegarem... Daqui há dois anos você vai ter 18... Então... Poderá fazer suas escolhas... E vir me buscar... Caso queira. – Sugeri, envergonhada, temendo que ele achasse que eu fosse uma garota desmiolada.

- Eu virei.

- E... Se você conhecer alguém neste meio tempo?

- Você será meu único e eterno amor, garota dos cabelos de fogo.

Eu ri:

- Você... Ainda lembra o meu nome? Porque sempre me chama de... Garota dos cabelos de fogo.

- Lembro seu nome, sobrenome, número do seu armário, da sua roupa, do seu pé. Sei até que os fios dos seus cabelos medem 45 centímetros. E que nos conhecemos no dia 25 de dezembro do ano passado, na igreja. Você cantava no coral e usava uma roupa bem esquisita.

Começamos a rir de novo. Marco retirou um embrulho da mochila e me entregou:

- Eu comprei para você.

- Um presente?

- Sim. Espero que goste.

Abri o embrulho amassado e dentro havia uma echarpe branca com minúsculas flores azuis.

- É... A coisa mais linda que alguém já me deu! – Confessei.

- Amo você, minha garota. E amarei para sempre.

- Quando você irá partir?

Ele respondeu de forma hesitante:

- Amanhã.

- Amanhã? Mas... Você sabia disto antes? Por que... Só me disse agora?

- Eu não sabia antes, juro. Como disse, minha vida sempre foi assim. Um dia aqui, outro acolá. É por conta do trabalho do meu pai... E dos desejos de minha mãe. Às vezes me sinto como um andarilho.

- Andarilhos não correm o mundo nos lugares mais lindos! – observei – Vocês... São pessoas de sorte!

- Não, não somos! – ele franziu a testa – Nunca, em toda a minha vida, eu quis tanto ficar num lugar. E foi por você... Meu amor!

- Eu... Sou o seu amor? – Minha voz mal saiu.

- Por toda eternidade.

O abracei com força:

- Veremos o pôr do sol juntos – garanti – E também o nascer dele... Aqui... Hoje.

Marco afastou me encarou:

- Mas...

Limpei as lágrimas e disse, num tom corajoso:

- Quero que me faça sua... Desejo ser a sua mulher – falei com toda certeza – Não importa que não nos encontremos nunca mais, que o destino nos afaste para sempre. Ainda assim quero ter na memória a minha primeira vez... Com você.

Marco pôs para tocar novamente a nossa música: La Solitudine. E ali, no alto do morro, sob o sol do final da tarde, me fez mulher. Eu não tive medo. Pelo contrário, sabia que ele jamais faria qualquer coisa que pudesse me machucar.

Fizemos amor até o dia amanhecer, tendo como testemunhas o sol e a lua, o pôr e o nascer do sol, que tanto sonhamos um dia ver dali, juntos.

Eu sabia que jamais me arrependeria de minha decisão. O único lamento daquele nosso encontro foi que o tempo passou depressa demais e acabou.

A jaqueta masculina ainda cobria minhas costas quando eu estava sentada com os joelhos para cima, escorando meu queixo par apoiar a cabeça enquanto observava o Rio da Solidão, cercado de pinheiros por toda a margem. Era ali o lugar onde os jovens se reuniam nos finais de tarde. Eu nunca fui. Sempre me senti diferente dos demais. E parecia que a vida inteira fiquei a esperar por aquele garoto que estava ao meu lado.

- Machuquei você? – Ele perguntou pela décima vez eu acho.

- Não! – Garanti novamente.

- Foi... A minha primeira vez também. – Falou, sem jeito.

O encarei:

- Mas... Você pareceu tão... Seguro. E... Saber tudo. – Fiquei surpresa.

- Era para ser você, minha garota dos cabelos de fogo – sorriu e alisou meus fios vermelhos – Encrenquei você, não é mesmo? Seus pais devem estar procurando-a neste momento.

Levantei assustada, lembrando que eu tinha uma família. E que certamente minha mãe e meu pai já tinham acionado até o xerife local atrás de mim.

- Preciso ir!

Eu já tinha feito loucura o bastante em ter passado a noite ali e não ter avisado nada. E embora tivesse medo de aparecer em casa àquela hora, sabia que mais cedo ou mais tarde teria que enfrentar meus pais e que não seria nada fácil.

Peguei a echarpe e fui descendo o morro.

- Ei, espere! – Marco veio atrás de mim.

Segui praticamente correndo, desesperada. Marco partiria de Solidão para sempre, mas eu não. Teria que ficar e enfrentar a minha família. E não haveria desculpa para ter passado a noite fora.

Ele me alcançou, pegando-me pelo braço:

- Não pode partir assim!

- Você partirá... Não eu. E este é o problema. Vou ficar... E precisarei justificar esta noite que passei fora pelo resto da minha vida.

- E o nosso encontro. – Ele perguntou.

- No Taj Mahal. – Eu ri daquela ideia louca, descendo novamente, com pressa.

- Quando? – Ele quis saber.

- Daqui há 25 anos – gritei – Vinte e cinco é nosso dia... Nos conhecemos no dia 25 e... Hoje é dia 25. – Lembrei imediatamente, olhando para trás enquanto ainda caminhava.

- Vinte e cinco anos é muito tempo. – Sua voz chegou até mim em forma de eco.

- Acredite, é pouco tempo para eu conseguir todo dinheiro que preciso para chegar na Índia. – Fui sincera – Nos encontraremos no Taj Mahal, daqui a há 25 anos.

- No dia 25 de dezembro – ele gritou – Pois estará fazendo 26 anos que nos conhecemos.

- Estarei lá... No Taj Mahal, daqui há 25 anos, no dia 25 de dezembro.

- Como a reconhecerei?

Levantei a echarpe, que voava com o vento:

- Estarei usando o presente que você me deu! – Temi já não ser mais ouvida.

- E eu estarei com o discman, ouvindo a nossa música. – A voz de Marco foi levada pelo vento, devido à nossa distância, mas não o suficiente para que eu não pudesse ouvir que ele estaria ouvindo a nossa música.

Te imploro, Marco, me espere

Porque não posso viver a vida sem você.”

Marco deixou a cidade, levando o ar que me fazia respirar e viver.

Mas naquela noite, sob as estrelas que testemunharam nosso amor e nossa despedida, fizemos algo bem maior que uma promessa.

E quando Marco partiu de Solidão, levou consigo três coisas: o Discman com nossa música, a certeza de que um dia nos encontraríamos novamente e o segredo que eu carregaria sozinha para sempre, nossa filha.

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“Selecionada para o quê? Eu nem sei onde estou. Ou estou muito chapada ou isso é algum tipo de pegadinha elaborada...”

Ela olhou para as outras mulheres. Elas eram jovens, talvez até mais jovens do que ela. Duas com cabelo escuro e pele oliva estavam encolhidas uma ao lado da outra, com os olhos vidrados e arregalados. Pareciam ser irmãs, talvez.

Havia uma loira sentada ereta, suas mãos tremiam enquanto ela levantava algo até os lábios e dava uma mordida. A última era uma coisinha pálida, encolhida no chão com os braços ao redor dos joelhos e o cabelo castanho caindo no rosto.


Mia se encontra capturada por uma raça alienígena exótica e arrastada através de um portal para o mundo deles, Callaphria.
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