
Desejo Proibido
Jessy Alencar · Atualizando · 125.0k Palavras
Introdução
Ele me deu um sorriso de tirar o fôlego. Fiquei feliz por estar ajoelhada, pois minhas pernas estavam tremendo só de olhar para ele. Ele sabia o poder que tinha e sorriu quando percebeu que eu estava totalmente hipnotizada por ele.
"Bem, já que você não vai falar, eu falo. Jane, certo?" Ele perguntou. Eu assenti e fiquei sem fôlego enquanto seus olhos iam do meu rosto para o meu decote.
Desculpa, tia, mas se esse é o Sr. Park, não sei se vou conseguir manter isso.
Uma jovem do interior do Brasil ganha uma cobiçada bolsa de estudos em artes para a Coreia do Sul e se vê imersa em um mundo de contrastes e intrigas.
Determinada a permanecer no país estrangeiro, ela conta com a ajuda de sua tia, que há anos é governanta da influente família Park. Sob a tutela de sua tia, ela começa a trabalhar na casa do herdeiro mais velho dos Park e se vê envolvida em um jogo perigoso, onde a esposa do empresário, Jennie, elabora planos maquiavélicos para se livrar de um casamento arranjado.
No entanto, o destino reserva surpresas inesperadas quando o coração da jovem do interior se apaixona pelo empresário casado. Em meio a tradições antigas e emoções ardentes, ela terá que enfrentar o dilema entre seguir seus sentimentos ou os deveres impostos pela sociedade. Uma história envolvente que explora os limites do amor, lealdade e os desafios de se encontrar em terras desconhecidas.
Capítulo 1
Eu ainda estava eufórica, apesar da jornada de trinta horas do Brasil para a Coreia. Tudo era novo para mim e eu não consegui dormir nem um minuto. Nunca tinha andado de avião ou sequer viajado para lugar nenhum, e a primeira vez que fiz isso foi em uma longa viagem que mudaria toda a minha vida. Olho mais uma vez para meu caderno de desenhos, admirando o portfólio que me garantiu uma bolsa de estudos em uma das faculdades mais renomadas da Coreia, ainda sem acreditar que realmente estava aqui. Cresci com minha avó, que faleceu recentemente, pois perdi meus pais quando era criança. Quando perdi minha avó, fiquei totalmente sozinha no Brasil e não via sentido em continuar lá. Minha tia mora e trabalha na Coreia há mais de vinte anos e sempre quis que eu viesse para cá, mas seria muito difícil conseguir um visto de trabalho para alguém sem qualificações, então quando vi a bolsa GKS, vi uma chance de conseguir um visto e poder estudar e trabalhar na Coreia.
Minha tia trabalhava para a família Park há quinze anos e agora trabalhava para o filho mais velho da família, então quando ela me recomendou para a esposa dele, ela não hesitou em me contratar.
Tudo era perfeito, porque esse trabalho exigia que eu morasse lá e isso garantiria que, além de um salário, eu também teria casa e comida. Minha tia é muito discreta e não me contou muito sobre o casal para quem eu trabalharia, apenas me fez prometer que não me apaixonaria pelo dono da casa porque, segundo ela, ele era muito bonito. Sempre fui muito centrada e, mesmo que ele fosse bonito, nunca me envolveria com um homem casado, então tenho certeza de que isso não será um problema.
Desci do avião e finalmente estava em solo coreano, animada para ver minha tia depois de todo esse tempo, afinal, ela era a única família que eu tinha. Peguei minhas malas e, após passar pela imigração, saí pelo portão principal tentando encontrar a saída. Tudo era tão moderno e limpo que eu tinha certeza de que estava bem longe do Brasil. Estudava coreano há mais de um ano por conta própria e ainda tinha dificuldade para ler Hangul. Estava tentando me localizar até ouvir uma voz que só tinha ouvido pelo telefone.
"Jane, minha filha, você está enorme! Tão linda! Venha aqui!" exclamou minha tia calorosamente enquanto me envolvia em um abraço. Lágrimas encheram meus olhos ao sentir o calor do abraço familiar novamente.
"Tia Amélia! Achei que você não conseguiria vir me buscar, você disse que estaria ocupada." Respondi, emocionada com o gesto dela.
"Eu também achei que estaria," minha tia respondeu, "mas a Sra. Park estava tão animada com a sua chegada que me deu o resto do dia de folga e mandou o motorista me trazer aqui para te buscar."
"Que chefe maravilhosa!" Exclamei, meu coração se enchendo de gratidão. "Nem a conheço e já a adoro!"
"É..." minha tia respondeu, seu sorriso desaparecendo ligeiramente.
"O que foi, tia?" Perguntei, surpresa com a mudança repentina de comportamento dela. "Ela não é maravilhosa?"
"Não, ela é..." minha tia hesitou, "não tenho nenhuma reclamação sobre ela, pelo contrário, ela é muito gentil com todos os funcionários, mas não é tão gentil com o Sr. Park."
"Hã? Com o próprio marido?" Questionei, surpresa. "Por que isso?"
"Ela foi forçada a se casar pelos pais e nunca gostou do Sr. Park," minha tia explicou, com a voz tingida de simpatia, "ela é muito fria com ele, mesmo ele sendo muito bobo com ela."
"Bem, isso é entre eles, não é?" Comentei, tentando afastar a tensão. "Se ela é legal com os funcionários, isso é o que importa."
"Sim, fico feliz que você pense assim," minha tia respondeu, com um toque de preocupação na voz. "Só estou um pouco preocupada com toda essa atenção que ela está te dando, sabe. Ela fez algumas perguntas estranhas."
"Que perguntas?" Perguntei, curiosa.
"Se você era bonita, se era solteira..." minha tia parou, com uma expressão preocupada. "Ela parecia um pouco interessada demais para o meu gosto."
"Ela pode estar com ciúmes do marido," sugeri, tentando aliviar o clima.
"Não sei..." minha tia murmurou, com a testa franzida. "Como eu disse, ela não gosta dele, então provavelmente estou imaginando coisas."
"É, deixa pra lá!" Respondi, ansiosa para mudar de assunto. "O importante agora é que vou estar perto de você, vou estudar arte, que é o que eu amo, e logo serei uma artista famosa!"
"Sim, minha filha!" minha tia incentivou, com os olhos brilhando de orgulho. "Nunca desista dos seus sonhos!"
"Nunca, tia!" Afirmei, com determinação.
"Agora vamos! Você deve estar cansada e com fome," minha tia disse, liderando o caminho. "Preparei algumas comidas brasileiras de Minas Gerais que eram receita da sua avó!"
"Que delícia! É tudo o que eu preciso!" Exclamei, com o estômago roncando de antecipação.
Enquanto caminhávamos em direção ao carro, minha tia me apresentou a JinWoo, o motorista da mansão. "Jane, este é JinWoo," ela disse calorosamente, "ele é o bebê da casa."
"Aigooo! Não fale assim ou a garota vai pensar que sou mimado," JinWoo interveio de forma brincalhona.
"Não é?" minha tia provocou, com um brilho nos olhos.
"Aish... Prazer em conhecê-la, Jane! Bem-vinda à Coreia!" JinWoo me cumprimentou calorosamente. "Pode me chamar de Jin!"
"Obrigada, Jin, o prazer é meu!" Respondi, retribuindo o sorriso.
Enquanto dirigíamos em direção à mansão, não conseguia desviar os olhos da deslumbrante paisagem de Seul passando pela janela. Era difícil acreditar que eu finalmente estava aqui, depois de todo o trabalho duro e sacrifício que me trouxeram até este momento. Quando chegamos à mansão, fiquei maravilhada com sua grandiosidade.
"Uau, que casa linda! Como pode ser tão grande?" Exclamei, maravilhada com a visão.
"Você não viu nada," minha tia respondeu com uma risada. "Há duas piscinas, uma do lado de fora e outra dentro que é aquecida, uma sauna, uma jacuzzi, seis quartos, uma área de festas, um cinema e isso sem contar os quartos dos empregados que ficam em uma área menos movimentada da casa."
"Meu Deus, como você dá conta de tudo isso?" Perguntei, sentindo-me sobrecarregada.
"Ah, não sou só eu," minha tia explicou. "Tem um jardineiro, um piscineiro, um cozinheiro e algumas empregadas que vêm durante o dia e vão embora à noite."
"Então, de todos os funcionários, só nós duas vamos morar na mansão?" Questionei, tentando entender a situação.
"Sim!" minha tia confirmou. "Antes era só eu, mas quando expliquei a situação para a Sra. Park, ela ficou mais do que feliz em te receber em casa."
"Ela parece ser legal," comentei, embora um toque de ceticismo permanecesse em minha mente.
"Legal? Aquela mulher é o diabo!" JinWoo murmurou baixinho, recebendo uma reprimenda severa da minha tia.
"Olha a boca, menino!" ela repreendeu, com um tom firme.
"Desculpe, Dona Amélia," JinWoo se desculpou rapidamente, mas sua expressão permaneceu azeda. "Mas não consigo gostar dela por causa do que ela faz com o Sr. Park."
"Fique quieto, isso não é da sua conta!" minha tia retrucou, lançando-lhe um olhar de advertência.
"Mas todo mundo vê que..." JinWoo protestou, apenas para ser silenciado por outro olhar afiado da minha tia.
"Shh! Você não viu nada! Primeira lição ao trabalhar na casa dos outros..." minha tia me aconselhou, abaixando a voz para um sussurro. "Jane, você tem que fingir que não vê nada de errado no que seus patrões fazem."
"Eu?" repeti, sentindo um desconforto se instalar no meu estômago. "Enquanto eles pagarem meu salário, ela pode fazer o que quiser com a vida dela."
"Isso mesmo, minha filha!" minha tia afirmou, com um tom mais alegre. "Nós ficamos fora dos assuntos dos patrões. Agora vamos entrar! Jin, ajude com as malas."
Ele pegou uma das minhas malas, e eu segui minha tia para dentro da mansão, meus sentidos formigando de antecipação. Quando o aroma da comida brasileira se espalhou pelo ar, não pude deixar de sorrir. Parecia casa.
Dentro da mansão, o cheiro de comida caseira brasileira nos envolveu, despertando memórias da cozinha da minha avó.
"Meu Deus, tia, é cheiro de frango com quiabo?" Exclamei, com a boca salivando.
"Poderia ser outra coisa?" minha tia riu, com os olhos brilhando de diversão.
Com antecipação, sentei-me à mesa da cozinha enquanto minha tia enchia meu prato com comida fumegante. Saboreei cada mordida, os sabores me transportando de volta à minha infância.
"Yumi, igualzinho ao que a vovó fazia!" Exclamei, saboreando o gosto.
"De quem você acha que eu aprendi?" minha tia respondeu com um sorriso.
Quando Jin voltou, minha tia serviu um prato para ele, e ele começou a comer com entusiasmo.
"Você começa a faculdade amanhã?" Jin perguntou, com os olhos brilhando de curiosidade.
"Sim! Amanhã é meu primeiro dia na Faculdade de Artes da Coreia!" Respondi, com a excitação borbulhando dentro de mim.
"Não acredito! Meu irmão Eunji estuda lá também!" Jin exclamou, com um sorriso se espalhando pelo rosto. "Vou te apresentar a ele amanhã e pedir para te ajudar lá, assim você não vai se sentir tão perdida!"
"Sério? Se não for muito incômodo, eu adoraria," respondi, grata. "Porque já estava me imaginando perdida e sozinha lá amanhã!"
"Não é incômodo nenhum! Tenho certeza de que meu irmão adoraria conhecer uma garota tão bonita," Jin disse com um piscar de olhos.
"Se sua noiva ouvir você falando assim, ela vai te dar uma surra," minha tia interveio com uma risada.
"Mas eu disse com todo respeito, estou noivo, mas meu irmão é solteiro, não foi nada demais!" Jin protestou, com as bochechas levemente coradas.
"Meu Deus, a menina mal chegou e você já está tentando arranjar um namorado para ela! Ela é muito jovem para isso, tem só vinte anos e tem que pensar em estudar, não em namorar," minha tia brincou, repreendendo-o de forma leve.
"Aish, Dona Amélia, não quis dizer desse jeito," Jin disse, coçando a cabeça de forma envergonhada.
"Sim, tia, pode relaxar. A última coisa na minha mente é namorar," tranquilizei-a. "Quero focar nos meus estudos. Mas concordo em conhecer seu irmão porque será ótimo ter um conhecido na faculdade."
"Então está combinado, amanhã antes da aula, vou pedir para ele vir te buscar!" minha tia declarou com um sorriso.
"Muito obrigada!" Exclamei, com o coração cheio de gratidão.
Continuamos comendo e rindo até que uma mulher linda, que parecia ter acabado de sair da capa de uma revista, entrou na cozinha. Todos se levantaram quando a viram chegando, então eu segui o exemplo, imitando suas ações. Ela era uma visão em rosa pastel, sua saia xadrez e blazer exalando uma aura de luxo. Joias delicadas adornavam seus pulsos e pescoço, sem dúvida valendo mais do que eu poderia imaginar, e seu cabelo castanho chocolate caía em cascata pelas costas. Sua elegância e figura esguia contrastavam fortemente com minha genética, marcada por quadris largos e coxas grossas.
"Boa noite, Sra. Park," eles disseram em uníssono, suas vozes harmonizando como um coro bem ensaiado.
"Muito boa noite," ela respondeu com um sorriso, seu olhar travesso se fixando em mim enquanto me olhava de cima a baixo. "Sra. Park, esta é minha sobrinha Jane."
"Que menina linda!" ela exclamou. "Você foi modesta quando me falou sobre a beleza dela! Bem-vinda, Jane! Espero que você seja muito feliz nesta casa!"
"Muito obrigada, Sra. Park," respondi, grata.
"Assim você me faz sentir velha. Somos quase da mesma idade. Me chame de Jinhee," ela insistiu calorosamente.
"Não, Sra. Park, esse tratamento é fundamental em respeito aos nossos patrões. Você é nossa patroa e, independentemente da sua idade, deve ser tratada com respeito!" outra voz interveio.
"Agradeço isso, e sei que todos vocês são respeitosos, mas além de ser sua patroa, também quero que Jane me veja como uma amiga!" Sra. Park declarou. "Jane, sinta-se à vontade para usar a casa como se fosse sua! Você pode usar as piscinas, a sauna, o cinema! Pode se sentir livre para fazer o que quiser."
Sua gentileza me emocionou, e não pude deixar de sorrir. "Que generosidade da sua parte, Sra. Park! Muito obrigada por esta oportunidade! Prometo trabalhar duro para retribuir sua generosidade!"
"Oh, tenho certeza de que sim!" Sra. Park respondeu calorosamente. "Deixei o uniforme separado para você na sua cama, deve servir mesmo que você seja um pouco mais... Voluptuosa do que eu imaginava pelas fotos que vi de você."
O ênfase que ela colocou em "voluptuosa" me fez corar. Diferente das mulheres coreanas que têm poucas curvas, eu tinha quadris largos, um bumbum grande, coxas grossas e uma cintura fina. O uniforme que ela escolheu para mim deve ser apertado pelos padrões coreanos.
"Tudo bem, se for muito pequeno ela pode usar um dos meus..." outra voz começou, apenas para ser interrompida bruscamente.
"NÃO!" Sra. Park exclamou alto, nos assustando a todos. Rapidamente se recompondo, ela continuou, "Quero dizer, não, não quero que ela use um uniforme velho. Mandei fazer um uniforme lindo especialmente para ela, e quero que ela o use amanhã!"
"Claro, Sra. Park, como desejar," veio a resposta obediente.
"Boa noite, Sra. Park," nos despedimos dela enquanto ela saía da cozinha, me deixando soltar o fôlego que não percebi que estava prendendo. Minha tia e Jin trocaram olhares preocupados.
"Aquela bruxa está tramando algo. Você viu a maneira como olhou para Jane? Eu quase podia ver o veneno escorrendo," um deles comentou.
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"Diga isso," James exigiu.
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James rosnou e lentamente empurrou contra Cassidy novamente, a fricção entre os dois fazendo com que suas coxas se apertassem mais em torno dos quadris dele. "Diga que você é minha."












