
ENTRE CICATRIZES E ARCO ÍRIS ( O BEBÊ ARCO ÍRIS DO CEO)
marcelacampos1022 · Atualizando · 171.2k Palavras
Introdução
Naquela noite, ela descobre uma verdade ainda mais dolorosa: seu casamento nunca foi baseado em amor. Ele apenas se aproximou dela por causa de sua fortuna. Em meio à discussão, Isabella sofre uma violência que provoca a perda do bebê que carregava.
Destruída, ela abandona tudo e retorna à Itália, onde encontra novamente o carinho dos avós. Determinada a reconstruir sua vida, assume o legado da família e tenta aprender a conviver com as cicatrizes que o passado deixou.
Até que Alessandro Bellini reaparece.
CEO poderoso, arrogante e conhecido por não se envolver emocionalmente com ninguém, Alessandro desperta sentimentos que Isabella jurou nunca mais permitir. Porém, existe algo estranho nele: Alessandro parece conhecer detalhes de sua vida que jamais contou.
A aproximação se torna inevitável quando Isabella conhece Sofia, a filha de quatro anos de Alessandro. A menina conquista seu coração e, ao mesmo tempo, desperta a lembrança dolorosa da criança que perdeu.
Enquanto Isabella tenta aprender a confiar novamente, Alessandro esconde um segredo capaz de mudar tudo.
Quando o passado retorna para ameaçar a mulher que ama, ele precisa decidir entre continuar escondendo a verdade ou revelar tudo.
Então, duas linhas aparecem em um teste de gravidez.
Grávida novamente, Isabella terá que enfrentar seu maior medo: perder outro bebê.
Entre segredos, proteção, família e uma paixão inesperada, os dois descobrirão se o amor pode realmente nascer depois da dor.
Porque, às vezes, depois da pior tempestade, nasce o mais lindo arco-íris.
Capítulo 1
Meu nome é Isabella Moretti, e durante muito tempo acreditei que minha vida era exatamente aquilo que sempre havia sonhado.
Eu tinha uma profissão que amava, uma família conhecida, dinheiro suficiente para nunca precisar me preocupar com o amanhã e um marido que, aos meus olhos, era o homem que escolhera passar o resto da vida ao meu lado.
Eu acreditava que era feliz.
Talvez essa seja a parte mais dolorosa de admitir hoje.
Eu não percebi os sinais.
Ou talvez tenha percebido alguns deles e escolhido acreditar nas explicações que Matteo me dava, porque era muito mais fácil confiar no homem que eu amava do que aceitar a possibilidade de que ele pudesse estar mentindo para mim.
Meu nome é Isabella Moretti. Tenho vinte e nove anos e sou pediatra no Hospital Moretti, em Milão, uma instituição que pertence à minha família materna há décadas.
O hospital é enorme, moderno e conhecido por seu atendimento infantil. Cresci ouvindo histórias sobre aqueles corredores. Minha mãe passou boa parte da vida ajudando meus avós a construir aquele patrimônio, e, depois que ela morreu, eles fizeram questão de me ensinar que uma herança não era apenas dinheiro.
Era responsabilidade.
Era história.
Era a oportunidade de fazer algo bom com aquilo que recebemos.
Por isso escolhi a pediatria.
Queria estar ali.
Queria cuidar de crianças.
Queria olhar para uma mãe desesperada e conseguir dizer que o filho ficaria bem.
Queria segurar uma mão pequena durante um exame, distrair uma criança assustada com alguma brincadeira e comemorar junto com uma família quando uma doença finalmente desse sinais de melhora.
Talvez eu gostasse tanto da pediatria porque crianças não sabiam fingir.
Quando tinham medo, choravam.
Quando estavam felizes, sorriam.
Quando amavam alguém, demonstravam sem vergonha.
Eu desejava que os adultos fossem assim também.
Naquela manhã, acordei antes do despertador.
Fiquei alguns segundos olhando para o teto enquanto sentia o corpo ainda pesado de sono. Ao meu lado, Matteo dormia tranquilamente.
Virei o rosto para observá-lo.
Ainda conseguia sentir aquele carinho familiar quando olhava para ele.
Matteo era bonito, ambicioso e inteligente. Tinha começado sua própria empresa de transporte alguns anos antes, e minha família havia ajudado nos primeiros passos do negócio.
Eu nunca considerei aquilo um problema.
Meu pai dizia que era natural ajudar alguém que fazia parte da família.
Meus avós eram mais cautelosos, mas eu sempre defendia Matteo.
Ele tinha sonhos.
Eu queria ajudá-lo a realizá-los.
Estendi a mão e toquei de leve seu cabelo.
— Bom dia — murmurei.
Ele abriu os olhos.
— Já vai trabalhar?
— Vou.
Ele fechou os olhos novamente.
— Então vai.
Sorri, mesmo com a resposta fria.
Levantei-me, tomei banho e me arrumei rapidamente. Antes de sair, voltei ao quarto.
Inclinei-me e beijei sua testa.
— Eu te amo.
Ele demorou alguns segundos para responder.
— Também te amo.
Aquilo bastava para mim.
Naquele momento, bastava.
Peguei minha bolsa e fui para o hospital.
Meu carro atravessou as ruas de Milão enquanto o céu começava a clarear. Eu gostava daquela cidade.
Quando cheguei ao hospital, fui recebida pelo movimento habitual.
Enfermeiros atravessavam os corredores.
Médicos conversavam enquanto consultavam prontuários.
Pais aguardavam atendimento com crianças no colo.
Assim que coloquei meu jaleco, senti aquela familiar mudança dentro de mim.
Eu deixava de ser apenas Isabella.
Ali, eu era doutora Moretti.
Uma profissional.
Uma mulher responsável por cuidar de vidas pequenas demais para entender por que estavam sentindo dor.
— Doutora Isabella!
Virei-me e encontrei Clara Bianchi vindo em minha direção.
Ela era enfermeira-chefe da pediatria e uma das minhas melhores amigas.
— Bom dia — respondi.
Clara me analisou.
— Você está com cara de quem dormiu pouco.
— Porque dormi pouco.
— Matteo?
Sorri.
— Não. Trabalho.
Ela cruzou os braços.
— Você trabalha demais.
— E você reclama demais.
— Alguém precisa cuidar de você.
Ri.
— Eu sei me cuidar.
— Não quando o assunto é vida pessoal.
Antes que eu pudesse responder, Leonardo Romano apareceu atrás dela.
— Estão falando mal de mim?
— Infelizmente, não — Clara respondeu.
Leonardo era pediatra e meu amigo havia anos. Entre nós existia uma amizade leve, construída sobre confiança e muitas provocações.
— Bom dia, Isabella.
— Bom dia, Leo.
Ele me entregou uma pasta.
— Temos três novos pacientes na ala infantil.
Peguei os documentos.
— Então vamos começar.
Era assim que meus dias funcionavam.
Eu entrava no hospital e esquecia o mundo lá fora.
Naquela manhã, atendi uma criança com febre alta, acompanhei um menino que estava em tratamento e passei alguns minutos conversando com uma mãe que chorava porque o filho precisaria permanecer internado.
Sentei ao lado dela.
Segurei sua mão.
— Ele está sendo muito bem cuidado.
— Eu tenho medo — ela confessou.
— Eu sei.
Ela me olhou.
— Como consegue ficar tão calma?
Sorri.
— Porque alguém precisa transmitir segurança para ele. E para você também.
Quando saí do quarto, respirei fundo.
Era isso que eu amava.
Sentir que meu trabalho tinha significado.
Durante o almoço, Clara sentou ao meu lado.
— Você está feliz?
A pergunta me pegou desprevenida.
— Estou.
— De verdade?
Olhei para ela.
— Claro.
Leonardo se sentou à nossa frente.
— Então por que demorou tanto para responder?
Revirei os olhos.
— Vocês dois são impossíveis.
Clara sorriu.
— Só queremos você bem.
Meu sorriso diminuiu por um instante.
Eu conhecia minhas inseguranças.
Principalmente por causa da minha família.
Meu pai nunca foi exatamente carinhoso comigo.
Depois que minha mãe morreu, ele se casou novamente. Minha madrasta engravidou pouco tempo depois, e Valentina nasceu.
Minha meia-irmã sempre recebeu uma atenção que eu nunca tive.
Ela era a filha mimada.
A princesa da casa.
Eu era a menina que precisava entender que meu pai tinha outras prioridades.
Foi doloroso durante minha adolescência.
Por isso, quando tive idade suficiente, passei a morar com meus avós maternos.
Eles foram meu verdadeiro lar.
Meu avô sempre me dizia que eu era forte.
Eles acompanharam minha faculdade, comemoraram minha formatura e estiveram presentes no meu casamento.
Quando penso neles, sinto paz.
Quando penso em Matteo, sinto amor.
Pelo menos era isso que eu sentia naquela época.
Eu acreditava que ele era diferente, completamente seguro e especial.
Acreditava que havia escolhido alguém que me amava por aquilo que eu era, não pelo sobrenome que carregava.
Essa certeza era importante para mim.
Porque eu conhecia o peso de ser herdeira.
Conhecia os olhares interessados.
As pessoas que mudavam de comportamento quando descobriam quem era minha família.
Com Matteo, eu acreditava ter encontrado alguém que me enxergava apenas como Isabella.
Minha maior amiga, minha meia-irmã, havia sido quem o apresentou.
Valentina sempre dizia que ele era perfeito para mim.
Naquela época, não percebia como aquela frase se tornaria dolorosa.
Mas naquele período eu não tinha motivos para desconfiar.
Ou, pelo menos, não queria enxergá-los.
Naquela noite, quando voltei para casa, encontrei Matteo sentado no sofá, olhando alguns documentos.
Aproximei-me por trás e o abracei.
— Dia difícil?
— Normal.
Beijei sua bochecha.
— Senti sua falta.
Ele sorriu de lado.
— Eu também.
Sentei ao lado dele.
Eu encostei a cabeça em seu ombro e imaginei nosso futuro.
Uma casa maior.
Talvez filhos.
Eu queria ser mãe.
Muito.
Mas Matteo dizia que ainda não era o momento.
— Um dia — ele prometia.
E eu esperava.
Porque acreditava que tínhamos tempo.
Acreditava que nosso amor seria suficiente para atravessar qualquer dificuldade.
Acreditava que minha família, apesar das diferenças, ainda poderia fazer parte da minha felicidade.
Acreditava que as pessoas que estavam ao meu redor eram exatamente aquilo que demonstravam ser.
Eu não sabia que algumas das maiores mentiras da minha vida já estavam sendo construídas atrás de sorrisos.
Não sabia que meu casamento escondia segredos.
Não sabia que meu marido escondia outra mulher.
E não imaginava que a mesma irmã que eu defendia tantas vezes teria um papel na destruição da minha família.
Naquela noite, antes de dormir, Matteo me abraçou.
Fechei os olhos contra seu peito.
— Eu te amo — sussurrei.
Ele beijou meus cabelos.
— Eu sei.
Sorri.
Se alguém me dissesse naquele instante que minha vida perfeita estava prestes a desmoronar, eu jamais acreditaria.
Eu era Isabella Moretti.
Pediatra.
Herdeira.
Esposa.
Neta.
Irmã.
E, acima de tudo, uma mulher que ainda acreditava no amor.
Eu só não sabia que, em pouco tempo, descobriria que amar alguém não significa conhecê-lo de verdade.
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