
Eu Morri Para Você Poder Sofrer
Ruby · Concluído · 8.1k Palavras
Introdução
Achei que tinha sido aleatório. Até ouvir meu próprio irmão e meu noivo conversando—
—Aqueles capangas passaram do limite, mas o resultado acaba sendo útil, não acaba? Dessa vez, o prêmio vai para a Charlotte.
Charlotte. A “pobrezinha órfã” que a minha família acolheu.
Por doze anos, ela roubou meus trabalhos, minhas oportunidades, meu brilho. E os dois homens em quem eu mais confiava entregaram tudo a ela de bandeja.
Eles me chamavam de mimada. Egoísta. Difícil.
Chegaram até a acreditar que fui eu quem provocou o incêndio que matou nossos pais doze anos atrás.
Mas aqui vai a verdade: foi a Charlotte que começou aquele incêndio. Eu fui a única que os puxou para fora.
Eles agradeceram à irmã errada. Por doze anos.
Agora eles me querem morta.
Tudo bem. Que Penelope Ashworth morra.
Capítulo 1
POV da Penelope
Naquela noite, mais de uma dúzia de homens me arrastou para um canto escuro do estacionamento do prédio.
Quando acordei, minhas mãos estavam destruídas. Minhas pernas, paralisadas.
Eu achei que tinha sido um ataque aleatório. Até ouvir meu próprio irmão conversando com o meu noivo—
—Aqueles brutamontes passaram dos limites. Mas, olha, tem um lado bom, né? O prêmio deste ano agora tá na mão da Charlotte.
Charlotte. A “irmãzinha coitadinha” que a minha família adotou.
Por doze anos, os dois homens em quem eu mais confiava vinham entregando, na mão dela, tudo o que era meu.
Eles me chamavam de mimada. Diziam que eu era difícil. Falavam que eu precisava aprender a dividir.
Agora, eles queriam me ver morta.
Tudo bem. Eu ia dar exatamente o que eles queriam.
Naquela noite, eu mal tinha saído da cirurgia quando eles me pegaram. Mais de uma dúzia, me arrastando para as sombras do estacionamento.
Socos. Tacos. Facas.
Quando acordei, eu estava numa cama de hospital.
Os nervos das minhas mãos tinham sido danificados sem chance de recuperação. Eu nunca mais seguraria um bisturi.
Lesão na medula. Paralisada da cintura para baixo. Eu passaria o resto da vida numa cadeira de rodas.
Meu irmão, Lysander, estava sentado ao lado da minha cama, com os olhos vermelhos, jurando que ia fazer aqueles desgraçados pagarem. Meu noivo, Nicholas, segurava a minha mão, tremendo, prometendo encontrar a melhor equipe médica do mundo.
Eu olhei para os dois e pensei: Tudo bem.
Mesmo depois de tudo, eu ainda tinha meu irmão. Eu ainda tinha meu noivo.
Eu ainda tinha os dois homens que mais me amavam neste mundo.
Então, uma semana depois, eu estava passando sozinha, tocando a cadeira de rodas perto da escada, quando ouvi duas vozes familiares.
—Você enlouqueceu?
Era… o Nicholas.
—O plano era só fazer ela perder a conferência. Agora a Penny nem consegue usar as mãos!
Minha cadeira parou.
Meu coração bateu contra as costelas com tanta força que meus ouvidos começaram a zumbir.
Aí veio a voz do Lysander.
—Aqueles brutamontes se empolgaram. Mas pensa pelo lado bom — o prêmio de neurocirurgia? Agora é da Charlotte. Sem nem ter disputa.
Meu sangue virou gelo.
—Mas— o Nicholas hesitou.
—Sem “mas”. — Lysander cortou. — A Penny é uma princesinha de herança. Foi mimada a vida inteira. Eu sou o irmão dela, você é o noivo — com a gente cuidando dela, ela vai ficar bem. Mesmo aleijada, não vai faltar nada.
—A Charlotte é diferente. — Ele fez uma pausa. — Ela é adotada. Teve que lutar por cada migalha. Ela morre de vontade de ganhar esse prêmio, mas a Penny é talentosa demais. É… um obstáculo grande demais. A Charlotte não tem ninguém em quem confiar além de mim. Eu não vou deixar ninguém ficar no caminho dela.
Eu ouvi o Nicholas soltar um suspiro longo.
—Tá bom. — A voz dele veio pesada, rendida. — A Penny tá com tanta dor que mal consegue dormir. Só… garante que os médicos deem pra ela os analgésicos fortes.
Os passos foram se afastando.
O silêncio engoliu o corredor.
Eu fiquei ali, na minha cadeira de rodas, tremendo como folha no meio de uma tempestade.
Então aqueles homens no estacionamento não tinham sido aleatórios.
Aquilo tinha sido armado. Pelas duas pessoas em quem eu mais confiava.
Abri a boca para gritar, para berrar — mas a dor e a raiva entalaram na minha garganta, e tudo o que saiu foi um gemido sufocado, estrangulado.
Eu não entendia.
Lysander era meu sangue. Depois que nossos pais morreram, ele era a única família que eu tinha neste mundo.
Nicholas era meu noivo. Ele tinha jurado me proteger para sempre.
E eles me destruíram.
Por causa de uma irmã adotiva.
Doze anos atrás, um incêndio levou meus pais — e trouxe Charlotte Vanderbilt para a minha vida.
Os pais dela morreram junto com os meus, então a família Ashworth a acolheu.
Eu ainda me lembro da primeira vez que ela ficou parada na nossa sala de estar, tímida, me chamando de “Penny”.
Eu dei a ela a minha Barbie favorita, na inocência de pensar: Finalmente, eu tenho uma irmãzinha.
Eu não fazia ideia de que essa irmãzinha “indefesa” viraria a maior maldição da minha vida.
Primeiro, Charlotte quebrou um vaso antigo que meu pai estimava. Ela apontou para mim com lágrimas nos olhos e disse que tinha sido eu.
Depois, ela “sem querer” perdeu o meu trabalho de pesquisa. Ops. Foi mal.
Toda santa vez, Lysander franzia a testa para mim: “Penny, para com isso.”
E Nicholas massageava as têmporas e suspirava: “A Charlotte não fez por mal. Dá um desconto.”
E as coisas só pioraram.
O artigo que eu passei três meses sem dormir direito para escrever? Publicado no nome da Charlotte.
A bolsa no exterior que eu lutei tanto para conseguir? Foi a Charlotte no meu lugar.
Eu vi tudo o que era meu escorregar devagar para as mãos dela.
E a parte mais patética? Eu realmente acreditei que eu não era boa o bastante.
Só hoje eu finalmente entendi: desde o começo, tudo o que eu amava tinha sido entregue de bandeja para a Charlotte — pelos dois homens em quem eu mais confiava.
Eu não sei quanto tempo fiquei sentada naquele canto.
Eu não conseguia pensar em um único motivo para continuar vivendo.
Minhas mãos estavam destruídas. Minhas pernas, inúteis.
A única família e o único amor que eu ainda tinha eram as mesmas pessoas que tinham me empurrado para o inferno.
Fechei os olhos. A imagem do parapeito de um terraço piscou na minha mente.
Talvez... se eu pulasse, tudo acabaria.
Foi então que meu celular vibrou.
Um número desconhecido brilhava na tela.
Eu fiquei encarando por um bom tempo. Por fim, atendi.
“Senhorita Ashworth.” A voz do outro lado era calma, profissional. “Aqui é do Instituto Azura. Ficamos sabendo do que aconteceu com você. Talvez... você queira se juntar a nós?”
Eu ri. E, enquanto eu ria, as lágrimas desciam pelo meu rosto.
“Eu não sirvo pra nada agora. Eu só vou ser um peso.”
“Não.” A voz foi firme, segura. “Nós podemos te dar uma segunda chance. Podemos fazer você segurar um bisturi de novo. Andar de novo.”
“Mas há uma condição: quando você entrar para o Instituto, precisa cortar todos os laços com o seu passado. Nada de contato com família ou amigos. Para o mundo lá fora, Penelope Ashworth estará morta.”
Eu encarei o teto do hospital e, de repente, a morte já não parecia tão assustadora.
Penelope Ashworth.
A mulher que foi amada por vinte e oito anos — e depois esmagada em pedaços.
Talvez ela realmente devesse morrer.
“Tá bom.” Eu ouvi a minha própria voz, calma, como se eu estivesse falando de outra pessoa. “Eu aceito.”
Últimos Capítulos
#10 Capítulo 10
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Última Atualização: 4/30/2026
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Por isso foi mais do que um pouco confuso quando chegou uma carta com o meu nome já impresso em um horário de aulas, um dormitório me esperando e matérias escolhidas, como se alguém me conhecesse melhor do que eu mesma. Todo mundo conhece a Academia, é onde bruxas aperfeiçoam seus feitiços, metamorfos dominam suas formas e todo tipo de criatura mágica aprende a controlar seus dons.
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A única pessoa mais curiosa do que eu é Blake Nyvas, alto, de olhos dourados e, com toda certeza, um Dragão. As pessoas sussurram que ele é perigoso, me avisam para manter distância. Mas Blake parece determinado a resolver o mistério que sou eu e, de algum jeito, eu confio mais nele do que em qualquer outra pessoa.
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"O que há de errado comigo?
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Eu tenho que me acostumar.
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**
Como bailarina, minha vida parece perfeita—bolsa de estudos, papel principal, namorado doce, Tyler. Até Tyler mostrar suas verdadeiras cores e seu irmão mais velho, Asher, voltar para casa.
Asher é um veterano da Marinha com cicatrizes de batalha e zero paciência. Ele me chama de "princesa" como se fosse um insulto. Eu não suporto ele.
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**
Eu odeio garotas como ela.
Mimadas.
Delicadas.
E ainda assim—
Ainda assim.
A imagem dela parada na porta, apertando o cardigã mais forte em torno dos ombros estreitos, tentando sorrir apesar do constrangimento, não sai da minha cabeça.
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Eu não deveria me importar.
Eu não me importo.
Não é problema meu se Tyler é um idiota.
Não é da minha conta se alguma princesinha mimada tem que ir para casa a pé no escuro.
Não estou aqui para resgatar ninguém.
Especialmente não ela.
Especialmente não alguém como ela.
Ela não é meu problema.
E vou garantir que ela nunca se torne um.
Mas quando meus olhos caíram nos lábios dela, eu quis que ela fosse minha."
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Mas tudo mudou no dia em que me disseram que minha loba havia adormecido. O médico me avisou que, se eu não marcasse ou rejeitasse Alexander dentro de um ano, eu morreria. No entanto, nem meu marido nem meu pai se importaram o suficiente para me ajudar.
Em meu desespero, tomei a decisão de parar de ser a garota dócil que eles queriam que eu fosse.
Logo, todos me chamavam de louca, mas era exatamente isso que eu queria—rejeição e divórcio.
O que eu não esperava era que meu marido, antes arrogante, um dia implorasse para eu não ir embora...












