
Meu vizinho é um Alfa
jamilesalvatore · Atualizando · 32.5k Palavras
Introdução
Julian é bonito demais, reservado demais e mal-humorado na medida certa para fazer Sophie desejar nunca mais cruzar com ele no corredor. Ele reclama da música, das festas, das conversas e até do cheiro da comida que vem do apartamento dela. Para Sophie, ele é simplesmente um vizinho insuportável.
Mas há algo estranho em Julian.
Depois de um misterioso ataque de lobo na floresta de West Wood, Sophie começa a investigar antigos relatos de desaparecimentos e ataques naquela região. Quanto mais procura, mais percebe que existem segredos escondidos naquela cidade — e que Julian parece estar no centro de todos eles.
Enquanto isso, Julian luta contra algo que não consegue controlar. Uma antiga maldição está se aproximando do fim, e quebrá-la exigirá um preço que ele jamais imaginou pagar.
Principalmente porque Sophie está envolvida.
O cheiro dela desperta nele algo que deveria permanecer adormecido. Uma ligação instintiva, perigosa e impossível de ignorar. Quanto mais ele tenta manter distância, mais difícil fica controlar o lobo dentro dele.
Sophie, por outro lado, não pretende se apaixonar pelo homem que mais a irrita.
Muito menos descobrir que seu vizinho perfeito demais é, na verdade, um Alfa.
Entre bilhetes deixados nas portas, brigas no corredor, lobos na floresta, segredos antigos e uma atração que nenhum dos dois consegue explicar, Sophie e Julian vão descobrir que algumas maldições não foram feitas apenas para destruir.
Algumas foram feitas para unir duas pessoas que jamais deveriam ter se encontrado.
E, quando Sophie descobrir toda a verdade sobre Julian, talvez já seja tarde demais para fugir dele.
Capítulo 1
*Julian *
A primeira coisa que senti foi o cheiro dela.
A segunda foi a necessidade quase desesperada de encontrá-la.
Eu estava correndo.
Não sabia para onde.
A floresta passava por mim em manchas escuras, árvores altas se transformando em borrões enquanto minhas patas golpeavam a terra úmida. O ar frio entrava pelos meus pulmões com violência, mas não havia cansaço.
Havia apenas aquela sensação.
Aquela certeza absurda de que alguém estava à minha frente.
Alguém que eu precisava alcançar.
O cheiro dela estava em toda parte.
Doce.
Quente.
Familiar.
Impossível.
Acelerei.
Meu corpo se movia sozinho, guiado por algo muito mais antigo do que qualquer pensamento racional. Galhos batiam contra meu pelo, pedras cortavam minhas patas, mas eu não diminuía a velocidade.
Então a vi.
Uma mulher estava parada no meio da clareira.
De costas para mim.
Os cabelos caíam pelas costas, movidos suavemente pelo vento. Ela usava um vestido claro que parecia completamente deslocado naquele lugar. A lua iluminava sua silhueta.
Parei.
Meu coração disparou.
Não de esforço.
Reconhecimento.
Era ela.
Eu sabia.
Não sabia o nome.
Não sabia quem era.
Não sabia de onde vinha.
Mas alguma parte de mim a reconhecia.
O lobo dentro do meu peito praticamente explodiu.
Minha.
A palavra surgiu na minha cabeça com uma força tão brutal que quase perdi o equilíbrio.
Dei um passo.
Ela não se virou.
— Espere.
Minha voz saiu diferente.
Mais grave.
Mais áspera.
A mulher continuou imóvel.
Dei outro passo.
— Não vá embora.
Ela finalmente começou a se virar.
Meu coração bateu ainda mais forte.
Eu precisava ver seu rosto.
Precisava.
Era como se toda a minha existência dependesse daqueles poucos segundos.
Ela virou o ombro.
Depois o rosto.
E, quando finalmente estava prestes a enxergar suas feições—
Acordei.
Abri os olhos de uma vez.
Meu corpo se ergueu da cama com tanta força que quase caí no chão.
Respirei fundo.
Uma vez.
Duas.
Três.
O quarto estava escuro.
Silencioso.
Exceto pelo som da minha respiração descontrolada.
Fiquei sentado na cama, tentando entender onde estava.
Meu coração parecia querer sair pela garganta.
Passei a mão pelo rosto.
Estava molhado de suor.
— Merda...
Minha voz saiu rouca.
Olhei ao redor.
Por alguns segundos, tudo parecia estranho.
A cama.
As paredes.
A janela.
A cômoda.
Então ouvi um pequeno estalo vindo do chão.
Baixei os olhos.
Um pedaço de madeira.
Pisquei.
Só então comecei a perceber o estado do quarto.
A mesa estava tombada.
Uma das cadeiras estava partida ao meio.
O abajur tinha sido arrancado da tomada e estava no chão.
O espelho da parede estava quebrado.
Havia marcas profundas na madeira da porta.
E o tapete estava completamente revirado.
Fiquei olhando para aquilo em silêncio.
Minha mandíbula travou.
Eu já sabia o que tinha acontecido.
Não precisava perguntar.
Não precisava lembrar.
Meu lobo tinha acordado comigo.
De novo.
Fechei os olhos.
Respirei fundo.
— Controle-se.
A frase não era para mim.
Era para ele.
Ela estava lá.
O pensamento surgiu imediatamente.
Abri os olhos.
— Não existe nenhuma "ela".
Existe.
— Foi um sonho.
Não foi.
Levantei da cama.
Meu corpo ainda estava quente demais.
Caminhei até a janela e a abri.
O ar frio da madrugada bateu no meu rosto.
Precisava respirar.
Precisava esfriar a cabeça.
Precisava tirar aquele cheiro da minha mente.
Mas era impossível.
Porque o cheiro dela ainda estava ali.
Preso na minha memória.
Doce.
Quente.
Familiar.
Fechei os olhos novamente.
E, por uma fração de segundo, consegui vê-la.
A silhueta na floresta.
Os cabelos.
O vestido.
O jeito como ela permanecia de costas.
Minha mão apertou o parapeito.
— Quem é você?
Nenhuma resposta.
É claro.
Era um sonho.
Apenas um sonho.
Eu vinha tendo aquele maldito sonho havia semanas.
Sempre igual.
Sempre diferente.
A mesma mulher.
A mesma floresta.
A mesma sensação de que eu estava procurando alguém que não sabia como encontrar.
E sempre acordava antes de ver o rosto dela.
A primeira vez, achei que fosse apenas uma consequência do estresse.
A segunda, ignorei.
Na terceira, comecei a prestar atenção.
Na quarta, meu lobo começou a reagir.
E, desde então, a situação tinha piorado.
Eu não sonhava apenas com ela.
Eu sentia o cheiro dela.
Podia sentir o coração acelerado.
Podia sentir o calor da pele.
Podia ouvir sua respiração.
Tudo parecia real demais.
Real o suficiente para deixar meu lobo inquieto durante o dia inteiro.
E eu odiava isso.
Passei a mão pelos cabelos.
Olhei novamente para o quarto destruído.
Aquilo era consequência da última vez.
Eu tinha acordado no meio da transformação.
Não completamente.
Apenas o suficiente para perder o controle.
O resultado estava diante de mim.
Mais uma coisa para resolver.
Mais um problema.
Como se eu já não tivesse problemas suficientes.
Meu celular estava no chão.
Peguei o aparelho.
04h17.
Soltei um suspiro.
Eu precisava trabalhar em poucas horas.
Mas, naquele momento, dormir novamente parecia uma péssima ideia.
Porque eu sabia que, se fechasse os olhos, ela voltaria.
A mulher sem rosto.
A mulher que meu lobo insistia em chamar de nossa.
Minha boca se contraiu.
— Você está ficando maluco.
Não.
— Então me explica.
Silêncio.
Ela existe.
Fiquei imóvel.
Meu lobo raramente insistia tanto em alguma coisa.
Ele não era uma voz separada de mim, apesar de muitas vezes parecer. Era a parte mais primitiva da minha natureza, uma consciência instintiva que não obedecia à lógica humana.
E, naquele momento, ele tinha uma certeza que eu não possuía.
Ela existia.
Em algum lugar.
Eu só não sabia onde.
E aquilo me incomodava mais do que deveria.
Passei os olhos pelo quarto.
Não havia como deixar aquilo daquele jeito.
Peguei a cadeira quebrada e a coloquei contra a parede.
Depois comecei a recolher os pedaços do espelho.
Uma pequena lasca cortou meu dedo.
Observei o sangue surgir.
O cheiro metálico despertou imediatamente o lobo.
Ele se moveu dentro de mim.
Forte.
Atento.
Irritado.
— Nem pense nisso.
Ele recuou.
Joguei o pedaço de vidro no lixo.
Meu olhar caiu sobre a janela.
Lá fora, a cidade ainda estava mergulhada na madrugada.
Prédios.
Luzes distantes.
Alguns carros.
Tudo normal.
Tudo humano.
Era exatamente assim que eu gostava.
Normal.
Previsível.
Controlável.
Minha vida inteira havia sido construída em torno dessas três coisas.
Até aquela maldição.
Fechei os olhos.
Não queria pensar nisso.
Mas a verdade estava sempre presente.
A maldição estava piorando.
Eu sentia.
Meu pai sentira antes de mim.
Meu avô também.
Todos os Alfas da família Blackwood haviam passado pelo mesmo ciclo.
Primeiro os sonhos.
Depois a perda gradual do controle.
Depois a transformação involuntária.
Por fim...
A perda da humanidade.
Meu pai tinha resistido até o último momento.
Eu ainda lembrava de como ele me olhou naquela última noite.
Como se soubesse que não havia mais nada a fazer.
Como se estivesse tentando me preparar para aquilo que viria depois.
Eu tinha jurado que encontraria uma maneira de impedir que acontecesse comigo.
E, até agora, tinha falhado.
Os antigos registros falavam de uma quebra para a maldição.
Uma mulher.
Uma humana.
Alguém ligada à origem de tudo.
Mas não havia nome.
Não havia rosto.
Não havia localização.
Apenas fragmentos de uma história antiga demais.
E agora aquela mulher aparecia nos meus sonhos.
Coincidência?
Talvez.
Eu não acreditava em coincidências.
Mas também não acreditava em profecias.
Minha vida já tinha coisas sobrenaturais suficientes sem precisar acrescentar destino à equação.
Fui até o banheiro.
Acendi a luz.
O homem no espelho parecia um estranho.
Olheiras profundas.
Cabelo bagunçado.
Suor no pescoço.
Olhos dourados.
Parei.
Meu coração deu um salto.
Aproximei-me do espelho.
Os olhos ainda estavam dourados.
— Não.
A cor começou a desaparecer lentamente.
Primeiro ao redor da pupila.
Depois nas bordas.
Até voltar ao castanho escuro habitual.
Soltei o ar.
Aquilo não era bom.
A transformação estava avançando.
Eu sabia.
Meu lobo também.
E ele estava inquieto.
Muito inquieto.
Abri a torneira e lavei o rosto.
Água fria.
Respiração controlada.
Um minuto.
Depois outro.
Quando levantei a cabeça novamente, meus olhos estavam normais.
Melhor.
Eu precisava de controle.
Sempre precisei.
Meu celular vibrou sobre a bancada.
Olhei para a tela.
Uma mensagem.
Marcus: Precisamos conversar.
Franzi a testa.
Marcus não mandava mensagens às quatro da manhã.
Digitei:
Sobre o quê?
A resposta veio quase imediatamente.
A maldição.
Meu maxilar endureceu.
Claro.
Como se eu precisasse de mais um motivo para não dormir.
Venha amanhã cedo.
Três pontos apareceram.
Não. Agora.
Olhei para o relógio.
04h23.
Soltei um suspiro.
Estou indo.
Desliguei o celular.
Voltei ao quarto.
Peguei uma camisa limpa.
Antes de vesti-la, parei.
O cheiro ainda estava na minha mente.
Aquela mulher.
O sonho.
A floresta.
A sensação de que eu estava prestes a encontrá-la.
Por alguma razão, senti uma pressão estranha no peito.
Como se alguma coisa estivesse prestes a mudar.
Ignorei.
Peguei minhas chaves.
Antes de sair, olhei novamente para o quarto destruído.
— Amanhã eu resolvo isso.
Fechei a porta.
---
O corredor estava silencioso.
O prédio inteiro parecia dormir.
Desci as escadas em vez de usar o elevador.
Precisava me movimentar.
Precisava gastar energia.
Quando cheguei ao térreo, o segurança levantou a cabeça.
— Senhor Blackwood?
— Sim.
— Tudo bem?
— Tudo.
Ele olhou para mim por alguns segundos.
Provavelmente percebeu que eu estava acordado àquela hora.
Não perguntei.
Continuei caminhando.
Assim que saí do prédio, o ar frio bateu contra meu rosto.
Respirei fundo.
Melhor.
A cidade começava lentamente a acordar.
Um caminhão passou pela rua.
Uma padaria abriu as portas.
Uma mulher caminhava com um cachorro.
Tudo normal.
Até que meu lobo levantou a cabeça.
Parei.
Meu corpo inteiro ficou alerta.
Algo estava diferente.
Um cheiro.
Muito fraco.
Quase imperceptível.
Vinha do outro lado da rua.
Doce.
Quente.
Familiar.
Meu coração parou por um segundo.
Virei o rosto.
Nada.
Apenas pessoas.
Carros.
Prédios.
Respirei novamente.
O cheiro desapareceu.
Franzi a testa.
— Não.
Meu lobo não respondeu.
Ele estava atento.
Muito atento.
Olhei para o prédio atrás de mim.
Depois para a rua.
Nada.
Talvez eu estivesse imaginando.
Talvez o sonho ainda estivesse confundindo meus sentidos.
Sacudi a cabeça.
Entrei no carro.
Mas, antes de ligar o motor, olhei uma última vez para o prédio.
Não sabia por quê.
Não sabia o que esperava encontrar.
Só sabia que havia alguma coisa diferente naquela manhã.
Alguma coisa que eu ainda não conseguia explicar.
E, naquele momento, eu não fazia a menor ideia de que a mulher do meu sonho estava muito mais perto do que eu imaginava.
Na verdade, ela estava prestes a morar no apartamento ao lado do meu.
E eu ainda não sabia que, em poucas horas, conheceria a mulher que passaria a destruir minha paz, minha lógica e todas as certezas que eu tinha sobre o meu próprio destino.
Se eu soubesse...
Talvez tivesse ido embora.
Talvez tivesse escolhido outro lugar.
Talvez tivesse feito qualquer coisa para manter distância.
Mas não fiz.
E foi exatamente aí que tudo começou.
Julian
E foi exatamente aí que tudo começou.
---
Passei o restante da manhã tentando convencer a mim mesmo de que não havia acontecido nada.
Foi inútil.
O cheiro continuava preso na minha cabeça.
Não era forte o suficiente para que eu pudesse identificá-lo novamente com precisão, mas estava lá.
Uma lembrança.
Uma impressão.
Como uma palavra que eu sabia que tinha lido, mas não conseguia recordar.
Passei quase uma hora dirigindo sem destino antes de perceber que estava indo para casa.
Parei no primeiro sinal vermelho.
Meus dedos apertavam o volante.
— Ela não existe.
Meu lobo permaneceu em silêncio.
— Foi um sonho.
Silêncio.
— E aquele cheiro...
Ele ergueu a cabeça dentro de mim.
Ela.
— Você não tem provas.
Ela.
— Você está obcecado.
Ele rosnou.
Soltei o ar pelo nariz.
— Ótimo. Agora estou discutindo comigo mesmo.
O sinal abriu.
Continuei dirigindo.
Quando finalmente estacionei na garagem do prédio, permaneci dentro do carro por alguns segundos.
Não queria subir.
Não sabia exatamente por quê.
Talvez porque uma parte de mim tivesse medo de encontrar alguma coisa.
Ou alguém.
Saí do carro.
O estacionamento estava quase vazio.
Caminhei em direção ao elevador.
Quando as portas se abriram, entrei.
Apertei o botão do meu andar.
Então senti.
O cheiro.
Meu corpo inteiro ficou rígido.
Muito mais forte dessa vez.
Doce.
Quente.
Levemente floral.
Meu lobo bateu contra as minhas costelas.
Nossa.
Fechei os olhos.
— Pare.
O elevador continuou subindo.
O cheiro ficou mais intenso.
Meu coração começou a bater rápido.
Não fazia sentido.
Ela não podia estar ali.
Eu ainda não sabia quem ela era.
Não sabia onde estava.
Não sabia se era sequer humana.
As portas se abriram.
Saí.
O corredor estava vazio.
Mas havia uma coisa diferente.
Uma porta estava aberta mais adiante.
Um apartamento que, até aquela manhã, estava vazio.
Meu olhar ficou preso nela.
Havia caixas empilhadas no corredor.
Alguns móveis estavam sendo carregados para dentro.
Parei.
Não me aproximei.
Meu lobo ficou completamente imóvel.
Atento.
Esperando.
Ouvi vozes.
Uma masculina.
Depois uma feminina.
Distante.
Não consegui distinguir as palavras.
Meu corpo reagiu antes da minha mente.
O cheiro veio novamente.
Ela estava ali.
Atrás daquela porta.
No mesmo andar.
Talvez a poucos metros de mim.
Meu coração disparou.
Dei um passo na direção do apartamento.
Parei.
Não.
Aquilo era ridículo.
Eu não iria até lá atrás de uma mulher que talvez nem soubesse que eu existia.
Virei-me.
Entrei no meu apartamento e fechei a porta.
Encostei a testa na madeira.
Respirei fundo.
O cheiro ainda estava ali.
Do outro lado.
Meu lobo parecia enlouquecer.
Nossa.
— Não diga isso.
Nossa.
— Não sabemos.
Ele não respondeu.
Mas eu sentia sua certeza.
E isso era o que mais me incomodava.
---
Passei o resto da tarde tentando trabalhar.
Meu escritório estava silencioso.
O computador diante de mim exibia uma planilha que eu deveria estar analisando havia pelo menos quarenta minutos.
Não li uma única linha.
Minha atenção estava em outra coisa.
No apartamento ao lado.
Através da parede, eu conseguia ouvir movimentações ocasionais.
Uma caixa sendo arrastada.
Passos.
Uma porta abrindo.
Depois fechando.
Nada extraordinário.
Nada que justificasse a minha atenção.
Mas eu escutava tudo.
Até que ouvi uma risada.
Parei de digitar.
Foi curta.
Feminina.
Leve.
Meu peito apertou.
Meu lobo levantou a cabeça.
Ela.
Fechei os olhos.
Não queria admitir.
Aquela voz não era a da mulher do sonho.
Não exatamente.
Mas havia alguma coisa nela.
Uma familiaridade impossível.
Como se eu já tivesse ouvido aquela risada centenas de vezes.
Levantei-me.
Caminhei até a janela.
A cidade se espalhava diante de mim.
Eu deveria estar pensando na maldição.
Nos registros.
Em Marcus.
Na floresta.
Em qualquer coisa que não fosse a mulher desconhecida que acabara de se mudar para o apartamento ao lado.
Mas não consegui.
Então ouvi um baque.
Depois outro.
E uma voz feminina reclamando alguma coisa.
Sorri sem perceber.
— Ela está brigando com os móveis.
Meu lobo permaneceu atento.
Proteja-a.
— Ela consegue se virar sozinha.
Não sabemos.
— Você não sabe nada sobre ela.
Silêncio.
— Nem eu.
Voltei para a mesa.
Sentei.
Tentei trabalhar novamente.
Cinco minutos depois, desisti.
Peguei o celular.
Havia uma mensagem de Marcus.
Precisamos conversar novamente.
Digitei:
Sobre o quê?
A resposta veio quase imediatamente.
Descobri mais uma coisa.
Meu corpo ficou tenso.
O quê?
Demorou alguns segundos.
A mulher da profecia não é apenas a chave para quebrar a maldição.
Esperei.
A mensagem seguinte apareceu.
Ela pode ser a razão pela qual a maldição existe.
Franzi a testa.
Explique.
Marcus ligou.
Atendi.
— Fala.
— Não por mensagem.
— Marcus...
— Você está sozinho?
Olhei para a parede.
— Sim.
— Tem certeza?
Franzi a testa.
— Por quê?
Ele ficou em silêncio.
— Marcus?
— Porque existe uma coisa nos registros que não mencionei antes.
— O quê?
— O vínculo não começa quando o Alfa encontra a mulher.
Minha respiração parou.
— Então quando começa?
— Quando ela se aproxima.
Meu olhar foi automaticamente para a parede.
Para o apartamento ao lado.
— O que isso significa?
— Significa que, se você realmente sentiu o cheiro dela hoje...
Não respondi.
Marcus percebeu.
— Julian?
— Estou aqui.
— Você sentiu?
Passei a língua pelos dentes.
— Sim.
Silêncio.
— Onde?
Olhei para a parede novamente.
— No meu prédio.
Marcus não disse nada por alguns segundos.
— Você tem certeza?
— Tenho.
— Então não se aproxime dela.
Minha mandíbula travou.
— Por quê?
— Porque ainda não sabemos o que o vínculo fará quando vocês estiverem frente a frente.
— Você acabou de dizer que o vínculo já começou.
— Começou. Mas ainda está adormecido.
— E quando despertar?
— Pode não haver volta.
Fiquei em silêncio.
— Marcus...
— Não procure essa mulher.
— Ela mora aqui.
O silêncio do outro lado foi absoluto.
— O quê?
— O apartamento ao lado do meu estava vazio. Hoje alguém se mudou para lá.
— Julian, escute com atenção.
A voz dele mudou.
Ficou séria.
— Não entre naquele apartamento. Não tente descobrir quem ela é. Não siga o cheiro.
— Eu não faria isso.
Meu lobo rosnou.
Mentiroso.
Marcus continuou:
— Preciso pesquisar mais.
— Então pesquise.
— E, até lá, mantenha distância.
— Entendido.
Desliguei.
Fiquei sentado alguns segundos.
Depois olhei para a parede.
— Isso vai ser impossível.
---
No início da noite, o barulho ao lado finalmente diminuiu.
A maior parte da mudança parecia ter terminado.
Eu deveria ter ficado aliviado.
Em vez disso, senti uma estranha inquietação.
O prédio estava silencioso.
Silêncio demais.
Levantei-me e fui até a cozinha.
Abri a geladeira.
Nada parecia apetitoso.
Fechei.
Abri novamente.
Peguei uma garrafa de água.
Foi quando ouvi um pequeno som.
Um cachorro latindo.
Virei a cabeça.
Um latido abafado veio do apartamento ao lado.
Meu lobo ficou alerta.
Outro cheiro.
Franzi a testa.
Havia algo diferente agora.
O cheiro dela misturado ao de animal.
Um cachorro.
Respirei profundamente.
Não deveria.
Mas fiz.
O aroma atravessou meus sentidos.
Meu corpo inteiro reagiu.
O lobo avançou.
Meus olhos arderam.
A garrafa de água amassou entre meus dedos.
— Droga.
Joguei o plástico na pia.
Fiquei imóvel.
Precisava sair dali.
Peguei as chaves.
Desci para a garagem.
Não sabia para onde iria.
Só precisava ficar longe.
Entrei no carro e dirigi até a saída da cidade.
Quando percebi, estava indo em direção a West Wood.
Pisei no freio.
O carro parou no acostamento.
Olhei para a estrada que levava à floresta.
O sonho voltou à minha mente.
A mulher.
A clareira.
O vestido.
O rosto que eu nunca conseguia ver.
— Talvez seja lá.
Meu lobo respondeu.
Ela.
Olhei para a floresta.
Uma parte de mim queria entrar.
Outra sabia que Marcus estava certo.
Se eu realmente estivesse no início da maldição, precisava descobrir a verdade antes que fosse tarde.
Saí do carro.
O vento trouxe o cheiro das árvores.
Terra molhada.
Folhas.
Pinheiros.
E, por um segundo...
Aquele cheiro.
O mesmo.
Parei.
Não vinha da floresta.
Vinha de mim.
Ou talvez da minha memória.
Fechei os olhos.
Uma imagem surgiu.
Sophie.
Não.
Eu não sabia o nome dela.
Ainda.
Apenas uma mulher.
Uma silhueta.
O rosto escondido.
Estendi a mão para o vazio sem perceber.
— Quem é você?
Nada respondeu.
Então ouvi um uivo distante.
Meu lobo respondeu dentro de mim.
Meu corpo inteiro arrepiou.
Não era um uivo comum.
Era um chamado.
E, pela primeira vez, tive certeza de que não estava procurando aquela mulher.
Ela estava sendo conduzida até mim.
Voltei para o carro.
Precisava descobrir quem ela era.
Mas não naquela noite.
Ainda não.
Porque alguma coisa dentro de mim dizia que, quando finalmente víssemos o rosto um do outro...
Nada na minha vida permaneceria igual.
E eu ainda não estava pronto para isso.
---
Quando voltei ao prédio, já passava das onze.
O corredor estava escuro.
Caminhei em silêncio até minha porta.
Foi quando ouvi uma voz do outro lado da parede.
Ela.
A mulher desconhecida.
Falando ao telefone.
Não consegui entender as palavras.
Apenas o som.
Parei.
Meu coração acelerou.
Não devia estar ouvindo.
Não devia estar prestando atenção.
Mas fiquei ali.
Até ouvir uma única frase claramente.
— Acho que esse lugar vai ser perfeito para mim.
Meu peito apertou.
Meu lobo se moveu.
Nossa casa.
Fechei os olhos.
— Não.
Entrei no meu apartamento.
Tranquei a porta.
Depois coloquei a chave sobre a mesa.
Fiquei olhando para ela.
Eu não sabia o nome dela.
Não conhecia seu rosto.
Não sabia sua história.
E, ainda assim, alguma coisa dentro de mim já parecia ter tomado uma decisão.
Eu a encontraria.
Mas não naquela noite.
Naquela noite, eu faria o que Marcus havia pedido.
Manteria distância.
Tentaria dormir.
Tentaria esquecer.
Tentaria convencer meu lobo de que aquela mulher não era nossa.
Só que, enquanto eu apagava as luzes, ouvi novamente um som vindo do apartamento ao lado.
Uma risada.
A mesma risada que eu tinha ouvido horas antes.
E, pela primeira vez em semanas, meu lobo não rosnou.
Não tentou assumir o controle.
Apenas ficou em silêncio.
Como se estivesse ouvindo.
Como se reconhecesse aquela voz.
Como se soubesse que, finalmente, ela tinha chegado.
Eu me deitei.
Fechei os olhos.
E, naquela noite, o sonho mudou.
Não havia floresta.
Não havia lua.
Não havia corrida.
Havia apenas uma porta.
Uma porta branca.
E alguém do outro lado.
Coloquei a mão na maçaneta.
Meu coração disparou.
Uma voz feminina sussurrou meu nome.
— Julian...
Meu sangue gelou.
Girei a maçaneta.
A porta começou a se abrir.
E, antes que eu pudesse enxergar quem estava do outro lado...
Acordei.
De novo.
Mas dessa vez havia uma diferença.
O cheiro dela estava no meu quarto.
Forte.
Real.
E eu sabia que aquilo já não era apenas um sonho.
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Alexander Reed Blake, viúvo, filho mais velho, Herdeiro e presidente da renomada Reed & Blake - Elevate Architecture, é conhecido por ser rígido, meticuloso e obcecado por controle - enquanto tenta manter a vida nos eixos com três filhos que desafiam qualquer babá. E claro com uma paixão Secreta por sua secretária que ja dura quase dois anos.
Aneliese só precisava sobreviver a três dias.
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O Sangue que Nos Condena
Aléxia Santos cresceu assistindo ao sofrimento de sua mãe e de sua avó, e jurou que seria a primeira a quebrar esse ciclo. Determinada, racional e focada em sua carreira como designer de interiores, ela acredita piamente estar no controle absoluto de sua vida e de suas emoções. Tudo muda quando Marcos Fontes cruza seu caminho como o novo e poderoso cliente de sua agência. Magnético, imprevisível e emocionalmente indisponível, ele desperta em Aléxia uma paixão avassaladora e viciante que desafia toda a sua lógica.
Enquanto se afunda no labirinto dessa relação tóxica e destrutiva, Aléxia se apoia em Lucas, seu arquiteto parceiro e amigo de longa data, sem perceber que a resposta para a sua verdadeira felicidade sempre esteve ao seu lado. Quando cartas antigas de sua bisavó revelam a verdadeira natureza dessa "maldição", Aléxia precisa enfrentar seus próprios traumas e reescrever sua história antes que o sangue que corre em suas veias a condene para sempre.
Sua Rainha Alfa
Contrato de Amor e Fraldas
Chloe representa o atleta como sua advogada por dois anos e mesmo que Ryan a cante em toda oportunidade que tem, a mulher tem uma regra de não misturar prazer com trabalho então está sempre o dispensando, mas em uma festa em que os dois passam na bebida, eles acabam se envolvendo em uma noite de diversão sem compromisso.
E quando a noite dar a Chloe mais do que um dor de cabeça e ela descobre que está grávida, a vida deles vira um caos hilário e inesperado.
Para manter suas reputações intactas, Ryan propõe um contrato de fachada: eles devem agir como um casal até o bebê nascer.
Entre situações embaraçosas, encontros forçados e uma série de mal-entendidos engraçados, Chloe e Ryan lutam para manter as aparências, mas acabam se descobrindo de maneiras que nunca imaginaram.
No final, será que o contrato de amor e fraldas pode transformar uma relação de fachada em um verdadeiro conto de fadas?
Jogo do Destino
Quando Finlay a encontra, ela está vivendo entre humanos. Ele fica encantado com a loba teimosa que se recusa a reconhecer sua existência. Ela pode não ser sua companheira, mas ele quer que ela faça parte de sua alcateia, loba latente ou não.
Amie não consegue resistir ao Alfa que entra em sua vida e a arrasta de volta para a vida na alcateia. Não só ela se encontra mais feliz do que esteve em muito tempo, como sua loba finalmente se manifesta. Finlay não é seu companheiro, mas se torna seu melhor amigo. Juntos com os outros lobos de alto escalão da alcateia, eles trabalham para criar a melhor e mais forte alcateia.
Quando chega a hora dos jogos da alcateia, o evento que decide a classificação das alcateias para os próximos dez anos, Amie precisa enfrentar sua antiga alcateia. Quando ela vê o homem que a rejeitou pela primeira vez em dez anos, tudo o que ela pensava saber é virado de cabeça para baixo. Amie e Finlay precisam se adaptar à nova realidade e encontrar um caminho para sua alcateia. Mas será que essa reviravolta os separará?
A Esposa Substituta do Traficante
Pouco tempo depois de sua chegada, Bruna descobre que André trabalha como traficante para o poderoso chefe do tráfico de Paraisópolis, um homem respeitado, temido e cercado por inimigos. Antes que consiga processar essa revelação, um ataque inesperado coloca toda a organização em risco e ameaça destruir a delicada aliança entre Paraisópolis e Heliópolis.
Sem alternativas e pressionado pelas circunstâncias, André toma uma decisão extrema. Bruna é a única pessoa capaz de ajudá-lo, não por vontade própria, mas por carregar uma impressionante semelhança física com a falecida esposa do chefe do morro. Essa coincidência desperta a atenção da liderança e faz dela uma peça indispensável para preservar a estabilidade entre as duas comunidades, evitando uma guerra que pode custar inúmeras vidas.
O Homem da Vixen
De Melhor Amigo a Noivo
Savannah Hart achava que tinha superado Dean Archer—até sua irmã, Chloe, anunciar que vai se casar com ele. O mesmo homem que Savannah nunca deixou de amar. O homem que a deixou de coração partido… e agora pertence à sua irmã.
Uma semana de casamento em New Hope. Uma mansão cheia de convidados. E uma madrinha de casamento muito amarga.
Para sobreviver a isso, Savannah leva um acompanhante—seu encantador e bem-apessoado melhor amigo, Roman Blackwood. O único homem que sempre esteve ao seu lado. Ele deve um favor a ela, e fingir ser seu noivo? Fácil.
Até que os beijos de mentira começam a parecer reais.
Agora Savannah está dividida entre manter a farsa… ou arriscar tudo pelo único homem por quem ela nunca deveria ter se apaixonado.
Uma Usurpadora O pecado que Ela escolheu.
Ariana Santinno vive o oposto. Rica, influente, filha do conselho da máfia. Criada para ser moeda de troca. Destinada a um casamento com o homem mais temido do submundo.
Elas nunca deveriam se encontrar.
Mas quando se veem, entendem o impossível: são idênticas.
Duas mulheres com o mesmo rosto. Destinos opostos.
Uma precisa desaparecer. A outra precisa sobreviver.
Mattheo Messina Denaro, o Anjo da Morte, não aceita mentiras, nem mulheres manchadas, nem escolhas sentimentais. Aproximar-se dele é atravessar uma linha sem retorno.
Suzana sabe que o que está prestes a fazer é errado. Sabe que é pecado. Sabe que destruirá tudo o que aprendeu sobre fé, moral e si mesma.
Mesmo assim, ela escolhe.
Porque alguns amores não salvam.
Casada com um Mafioso Misterioso
O despertar dela ocorre em um hospital, onde sua memória é um enigma após um misterioso acidente. Apresentando-se como Felipe Lombardi, um homem narra sua vida, porém lacunas e segredos sussurram que há mais a ser descoberto.
Em meio a sonhos perturbadores e dúvidas sobre seu marido, Maria Júlia é resgatada por Davi Miguel, um soldado que a revela a verdade: o homem que ela acreditava ser seu marido é um impostor, e a realidade é mais complexa e perigosa do que imaginava.
Determinada a desvendar os enigmas que a cercam, Maria Júlia une forças com Davi, embarcando em uma jornada internacional. Um objetivo os une: destruir Felipe Lombardi, um homem misterioso com contas a acertar. Em meio a reviravoltas surpreendentes, verdades ocultas emergem, revelando que o verdadeiro marido de Maria Júlia é alguém muito diferente.
Nessa trama intensa e emocionante, segredos profundos e um romance apaixonado colidem.
O Alfa Perdido do Mundo das Bruxas
Uma bruxa ousada e linda, que também é enfermeira no mundo humano, tem um perseguidor peludo.
Um lobo, que continua a observá-la na floresta enquanto ela pratica sua magia.
Esse lobo a admira e até quer ser levado para casa. Ele se dá ao trabalho de se machucar para que Hunnie não possa sair da floresta sem ele hoje.
Mal sabia ela... ele queria sua companheira e queria que sua magia quebrasse um selo que o prendeu em sua forma de lobo!
Um Rei Lobo-Demônio, BAHM!!
"Fechei os olhos para voltar a dormir depois que tudo se acalmou. O que exatamente aconteceu a seguir, provavelmente me assombrará para sempre.
Abri os olhos quando senti suas garras se alongarem e arranharem minha calcinha.
A brisa da minha janela bateu nos meus pelos expostos por um curto período de tempo, antes que Wolfy enfiasse seu nariz profundamente sob minha perna, jogando-a sobre sua cabeça e lançando sua língua contra meu tecido agora rasgado."
Por que esse homem também quer marcá-la?
Ela não pode permitir isso! Ela tem que rejeitar essa criatura e viver sua vida.
Seu coven nunca aceitaria o fato de que ela transformou um lobo em homem e ele se tornou seu companheiro! Afinal, seu próprio coven a rejeitou por praticar magia negra. Então ela definitivamente não pode causar mais problemas.
Mergulhe na série quente e ardente de Witchy World!












