
O Professor Que Eu Não Podia Amar
KIRBY · Concluído · 145.8k Palavras
Introdução
Aos dezoito anos, tudo o que ela deveria fazer era terminar a escola, sobreviver às aulas e tentar descobrir o que faria do próprio futuro. Até conhecer Connor Wood.
Jovem, misterioso e irresistivelmente atraente, Connor desperta nela algo que nenhum outro garoto conseguiu. Existe apenas um pequeno — e enorme — problema: ele é seu professor.
Olívia sabe que deveria manter distância. Connor sabe ainda melhor. Um envolvimento entre os dois poderia colocar em risco sua carreira, despertar suspeitas e transformar um simples sentimento em um escândalo dentro da escola. Ainda assim, quanto mais tentam estabelecer limites, mais difícil se torna ignorar o que existe entre eles.
Entre encontros escondidos, mensagens secretas, ciúmes e beijos que jamais deveriam acontecer, aquilo que começou como uma atração perigosa lentamente se transforma em algo muito maior.
Mas Connor guarda segredos.
Por trás do professor provocador que parece não ter medo de quebrar as regras, existe um homem marcado por um passado que Olívia ainda não conhece completamente. E, quando algumas verdades começarem a aparecer, ela descobrirá que amá-lo pode ser muito mais doloroso do que simplesmente ser proibido.
Porque algumas histórias de amor começam na hora errada.
E algumas pessoas entram em nossa vida quando já é tarde demais para sair sem deixar cicatrizes.
Capítulo 1
O avião tremia levemente, como se também estivesse cansado da longa travessia. Lá fora, as nuvens formavam um mar cinza e denso, e o sol mal conseguia furar aquela barreira. Dentro da cabine, o ar recirculado cheirava a café velho e a aquele odor plástico que só aviões têm. Eu estava sentada ao lado da janela, o cotovelo apoiado no braço da poltrona, o queixo na mão, olhando para nada em particular. O cansaço pesava nas pálpebras, mas a inquietação não me deixava dormir.
Ao meu lado, meu pai mexia no tablet com uma concentração forçada demais. Os ombros dele estavam tensos, a mandíbula cerrada. Eu reconhecia aquele jeito. Era o mesmo que ele usava quando tentava esconder que as coisas estavam piores do que admitia.
— Você que perde nosso dinheiro e eu que tenho de sofrer com isso.
A frase saiu mais dura do que eu pretendia. Não gritei, mas o tom carregava meses de frustração acumulada. Olívia — eu — observei imediatamente a reação dele. O olhar de papai endureceu.
— Olívia, olha o tom de voz.
Ele rosna baixo, quase um aviso, e olhou rapidamente para os lados, checando se algum passageiro havia prestado atenção. A vergonha dele era quase tangível.
— Mas pai…
— Quantas vezes terei de dizer que não adianta reclamar? Nossa casa foi para leilão, o carro foi penhorado. Só temos um ao outro e as nossas roupas.
As palavras caíram pesadas entre nós. Eu soltei um suspiro longo, cansado, e entrelacei nossos braços. O contato era automático, um gesto antigo que ainda funcionava mesmo quando a conversa azedava. O tecido da jaqueta dele estava um pouco frouxo nos ombros; ele havia emagrecido. Eu senti o calor do braço dele contra o meu e, por um instante, a raiva deu lugar a algo mais macio e dolorido.
— E só estamos aqui em Londres porque sua avó é um anjo e se dispôs a nos ajudar.
Ele tinha razão, e isso só piorava tudo. Se não fosse a avó, estaríamos sem destino. A generosidade dela nos tirava da ruína imediata, mas também nos colocava numa posição de dependência que eu detestava.
— Odeio mudanças — resmunguei, a voz baixa, quase contra o tecido da jaqueta dele. — Odeio ter que conhecer pessoas novas. Odeio escola nova. Eu já ia acabar o ensino médio e agora tenho que refazer esse ano.
Mudar de país, de continente, de vida inteira… não era apenas irritante. Era a sensação de ter o chão arrancado debaixo dos pés.
— Não vai refazer. Vai apenas pegar da metade. E na questão amigos, sua prima Jasmine vai ajudá-la.
O nome da prima fez meu estômago revirar de leve. Eu torci o nariz.
— Aquela menina é um saco — bufei. — Quando éramos pequenas, ela só queria saber de ficar no meu pé.
Lembranças antigas voltaram sem pedido: a Jasmine me seguindo pelo quintal, puxando a barra da minha blusa, insistindo para brincar de coisas que eu já considerava infantis. A diferença de personalidade sempre existira. Agora teríamos que conviver de novo, e eu não estava animada.
— Mas você terá que ser legal com ela, pois ela será com você.
— Vou ver o que posso fazer.
Não era uma promessa. Era o máximo de concessão que eu conseguia oferecer naquele momento.
A voz metálica da comissária de bordo ecoou pelos alto-falantes, cortando o silêncio tenso entre nós:
“Senhores passageiros, apertem os cintos, já vamos desembarcar em Londres.”
O anúncio fez meu peito apertar. O tempo havia acabado. A nova vida estava logo ali, do outro lado da pista.
— Queria que esse voo demorasse mais um pouquinho. Não estou preparada para essa nova vida.
A confissão saiu baixa, quase sem força. Eu estendi a mão e prendi o cinto. Papai, sem dizer nada, pegou minha mão. Os dedos dele estavam um pouco frios, mas o aperto era firme, como se ele precisasse daquele contato tanto quanto eu.
— Oli, eu já pedi desculpas um milhão de vezes pela minha burrice, mas eu sou obrigado a pedir de novo. Afinal de contas, aquele dinheiro iria ser seu. Prometo a você que vou trabalhar duro e recuperar tudo!
A voz dele saiu rouca. Os olhos estavam vermelhos nas bordas, embora ele tentasse disfarçar. Eu vi ali não só o pai que havia cometido erros, mas o homem que carregava o peso daquilo todos os dias.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, sentindo o polegar dele passar uma vez sobre as costas da minha mão. Então respondi:
— Confio em você, Paul Campbell.
[...]
O saguão do aeroporto fervilhava com aquele caos organizado típico dos grandes terminais internacionais. Malas rolando em todas as direções, vozes em dezenas de idiomas e o som distante de anúncios de voos. Eu ainda sentia o corpo pesado do voo, as pernas um pouco inchadas, a cabeça latejando de cansaço e de uma ansiedade que não diminuía.
Papai caminhava ao meu lado, puxando o carrinho de mão ainda vazio. Ele parou de repente e me olhou de lado.
— Você lembra como é a sua avó? — perguntou.
— Não muito. Faz dez anos que não vejo ela ou Jasmine.
Ele assentiu, como se já esperasse essa resposta, e então ergueu o braço, apontando para uma direção específica entre a multidão.
— Então olha ali.
Segui o gesto dele. Entre as pessoas que esperavam próximos à saída da área de desembarque, vi uma mulher de mais ou menos setenta anos acenando com entusiasmo. Os cabelos curtos e loiros, cortados de forma prática, brilhavam sob as luzes fluorescentes do aeroporto. Ela era baixa e usava óculos escuros grandes demais para o rosto delicado. Ao seu lado, uma garota mais ou menos do meu tamanho permanecia imóvel. Vestia um moletom preto oversized, os cabelos vermelhos — obviamente tingidos, porque eram de um tom artificialmente intenso — presos no alto da cabeça em um coque desordenado. Também usava óculos escuros e fones de ouvido grandes, o olhar perdido em algum ponto distante, como se o resto do mundo fosse apenas ruído de fundo.
— São elas?
— Sim — respondeu papai, a voz mais baixa. — Vamos pegar nossas malas.
Seguimos até a esteira de bagagens. No total, eram seis malas. Três minhas e três dele. Não trouxemos nada além das roupas, sapatos e alguns pertences mais íntimos. O resto havia ido a leilão. Foi a única coisa a ser feita para que meu pai não fosse preso. Enquanto esperávamos as malas aparecerem, observe as pessoas ao redor: famílias se abraçando, empresários falando ao telefone, turistas puxando malas coloridas. Nós éramos apenas mais um grupo deslocado, carregando o peso de uma vida que havia sido reduzida a seis volumes de tecido e plástico.
Quando finalmente colocamos todas as malas no carrinho, empurramos o peso pesado na direção das duas figuras que nos esperavam. O coração batia um pouco mais rápido, não de emoção, mas de uma estranha tensão.
— Paul! — a senhora exclamou assim que nos aproximamos, tirando os óculos escuros. Os olhos dela, de um azul claro e vivo, se encheram de lágrimas. — Que saudade, meu filho.
Papai se inclinou e a abraçou com força. A diferença de altura entre eles era quase cômica, mas o abraço era genuíno, carregado de alívio e de vergonha.
— Obrigado por me ajudar nesse momento difícil, mamãe.
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Imersa no mundo dos CEO's desde que nasceu, sua vida sempre se enlaçou a homens que usavam ternos. E ela cabia despir cada peça de roupa que os envolvia, a começar pelas gravatas, aproveitando-se dos belos corpos que cruzavam seu caminho, dos donos e herdeiros das maiores empresas de Noriah Norte.
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Tudo poderia ser incerto e catastrófico na vida de Maria Lua Casanova, exceto os homens de terno... Estes sim, sempre foram a sua tentação.












