
Possuída Pelo Alfa Impiedoso
Laila Wyatt · Atualizando · 654.7k Palavras
Introdução
Ela nunca deveria ter sobrevivido.
Ivy Mooncrest é a vergonha da própria alcateia — uma Gamma só no nome, condenada por pecados que nunca cometeu. Quando o Alfa Brian a envia para o domínio dos predadores mais perigosos que existem, ele não lhe dá uma missão.
Ele lhe dá uma sentença de morte.
Os Irmãos Thorn. No Obsidian, o clube exclusivo deles, onde as sombras dançam com o desejo e o poder, três lobos reinam com autoridade absoluta:
Jaxson — frio, calculista, intocável.
Malric — astuto, perigoso, sempre três passos à frente.
Kael — o executor implacável, cujo olhar penetrante arranca cada mentira, cada máscara, cada defesa.
Um erro, e ela é apagada. Um deslize, e ela é devorada. Mas Ivy não é a peça frágil que eles esperam.
À medida que Ivy é puxada para mais fundo no império sombrio deles, as linhas começam a se desfazer entre missão e desejo, entre cativa e participante disposta. Os irmãos não querem apenas a obediência dela. Eles querem que Ivy se entregue. Seus segredos. Seu corpo. Sua alma.
E, em um mundo em que poder é tudo e confiança pode ser fatal, Ivy encara uma escolha impossível:
Queimar no fogo deles — ou deixá-los forjá-la em algo inquebrável.
AVISO: Este é um romance paranormal dark, com conteúdo explícito, dinâmicas de poder e elementos de BDSM. Traz uma alcateia moralmente cinzenta, alfas possessivos e uma protagonista que gosta de brincar com fogo.
Capítulo 1
Ivy
No momento em que o Alfa Brian me convocou, eu soube que tinha alguma coisa errada.
Ele nunca me chamava. Aliás, mal reconhecia que eu existia, a não ser pra lembrar que eu não era boa o bastante.
Conseguir o título de Gamma feminina tinha sido um milagre, um pelo qual eu sangrei.
Eu treinava mais duro, por mais tempo, com mais ferocidade do que qualquer outra pessoa só pra ser vista.
Meus nós dos dedos se abriam nos postes de treino até ficarem em carne viva. Meus músculos gritavam depois das corridas ao amanhecer, enquanto o resto da alcateia ainda dormia. Eu me agarrava a migalhas de reconhecimento.
E, no fim, tudo o que eu consegui foi o título.
Não o cargo. Não a confiança. Só a coroa oca que zombava de mim.
Brian fez questão disso.
Toda missão que importava ia pra outra pessoa. Toda reunião de estratégia, encerrada antes que eu chegasse na porta. Toda reunião do conselho, a minha voz cortada antes mesmo de tocar o ar.
“Você só iria fracassar”, ele dizia, cada palavra uma gota de veneno escorrendo pelas minhas veias.
Gamma no nome. Fantasma na prática.
Nixon, o Gamma masculino, nunca me deixava esquecer disso. O sorriso de canto de boca dele dizia tudo o que a boca não precisava dizer: Você não pertence a este lugar.
Talvez ele estivesse certo. Talvez esse caminho nunca tivesse sido meu. Mas o que mais me restava?
Eu nasci uma Mooncrest, e aquele sobrenome tinha sido uma maldição desde o dia em que meu pai traiu o Alfa e pagou com a própria vida.
Se tivesse acabado ali, talvez a gente tivesse sido poupado.
Mas a desgraça não morre com o culpado; ela escorre pelo sangue, manchando todo mundo que toca. Minha mãe, meu irmão e eu vivíamos sob essa sombra desde então, marcados por pecados que não eram nossos.
Se dependesse do Brian, ele teria me expulsado anos atrás.
Então, quando ele me chamou ao escritório dele, sem aviso, sem motivo, eu me preparei.
Coração disparado. Pensamentos em turbilhão.
Será que alguém finalmente tinha achado um motivo pra me derrubar de vez?
Entrei pronta pra qualquer coisa.
Menos pra esperança.
Brian não se levantou de trás da mesa. Nem chegou a levantar o olhar de verdade.
Só deixou o olhar passar por mim com aquela indiferença gelada que cortava mais fundo do que ódio.
— Bom dia, Alfa — eu disse, a voz tensa, o corpo reto como uma lança.
Um aceno seco. Nada além disso.
Houve um tempo em que ele teria sorrido.
Um tempo em que ele teria atravessado a distância entre nós e me puxado pra perto, o sussurro roçando a minha pele enquanto prometia pra sempre sob o luar.
A gente tinha sonhado em voz alta, ele como futuro Alfa, eu como a Luna dele. Um par unido não só pelo destino, mas pela escolha.
Esses sonhos se quebraram na noite em que o pai dele morreu.
Quebrados pela mão do meu pai.
Desde então, Brian me apagou. Reescreveu a história como se a gente nunca tivesse existido. O amor que um dia foi meu foi derramado em outra pessoa, como se eu tivesse sido só um tapa-buraco pra coisa real. Fingir que eu nunca importei era mais fácil pra ele.
Mas eu não tive esse privilégio.
—Ivy — ele disse por fim, o tom seco e frio. — Você está sendo designada para o CCAO. Operação secreta de infiltração.
Assim. Sem preparo. Sem explicação.
O Comitê de Segurança do Conselho Alfa?
Nível de elite. Fora do alcance de lobos como eu.
Até oficiais experientes rezavam por uma chance de trabalhar pro CSCA. E eu? Eu não tinha recebido uma única missão em anos.
Se isso fosse uma piada, seria cruel.
Se não fosse, era loucura.
Quem devia ter sido escolhida era a Beta. A Emily, com o histórico impecável e a linhagem perfeita, devia ter sido escolhida. Qualquer um, menos eu.
— Você vai trabalhar infiltrada no The Obsidian — Brian continuou, passando por cima do meu silêncio como um rolo compressor. — Como dançarina.
As palavras bateram mais forte que uma lâmina entrando no meu estômago.
The Obsidian.
Meu estômago despencou.
Aquele lugar não era um clube; era um reino de sombras. Um covil onde os ricos, os poderosos e os corruptos se misturavam em fumaça, luxúria e segredos perigosos. Até o nome era sussurrado como uma maldição.
O The Obsidian pertencia aos Irmãos Thorn.
Meu pulso rugiu. Os Thorn não eram só alfas; eram predadores embrulhados em seda, homens que não matavam os inimigos, apagavam eles.
Me mandar pra lá não era um trabalho. Era uma sentença de morte.
— Você vai investigar os Irmãos Thorn — Brian disse, a voz reta como um decreto. — Vai reunir tudo o que conseguir. E vai se reportar apenas ao seu contato no CSCA.
A contestação escapou antes que eu pudesse segurar.
— Você não pode estar falando sério.
Os olhos dele se estreitaram, lascas de gelo brilhando sob os cílios.
— Com todo o respeito, Alpha — insisti, forçando controle na minha voz —, essa operação exige um profissional. Eu não tive uma única missão desde que conquistei minha patente. Eu não tenho experiência. A Beta Emily...
O rosnado dele estourou pela sala como trovão, fazendo o vidro tremer.
— Quem foi que te fez Alpha?
Minha respiração congelou. Não existia resposta que me salvasse.
— Você jurou servir sem questionar — ele cuspiu, a voz afiada o bastante pra cortar carne. — E agora tem a audácia de me dizer o que fazer?
Ele se ergueu da cadeira, a sombra dele engolindo a minha por completo.
Os olhos queimavam, não de amor, não mais, mas de anos de fúria engarrafada.
— Eu te disse uma vez pra encontrar algo útil pra fazer da sua vida — ele falou, baixo e perigoso. — Mas você se agarrou a fantasias de honra, murmurando sobre redenção. O nome do seu pai. O pecado dele. A traição dele.
Ele torceu o lábio num deboche.
— Pois tá aí a sua chance. E, igual à cadela inútil que você é, está implorando pra eu mandar outra pessoa.
Minha garganta se fechou.
— Se você recusar — ele continuou, as palavras lentas, calculadas, venenosas —, você perde sua patente. E eu vou garantir que o nome Mooncrest seja apagado desta alcateia por completo. Sua família vai ser exilada. Sua mãe. Seu irmão. Sem teto. Sem proteção. Presa fácil na mata.
O silêncio depois disso pesou mais do que qualquer explosão de raiva.
Agora eu entendia.
Aquilo não era oportunidade. Não era redenção.
Era castigo.
Ele não estava me dando uma missão.
Estava me entregando uma forca
e desafiando que eu mesma apertasse o laço.
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