
Uma Semana Para O Amor
Evelyn Zap · Concluído · 286.1k Palavras
Introdução
Vicenzo (que na verdade se chamava Leo) vive seu próprio tormento em casa após ter se casado, há 19 anos, com Norka, uma mulher que aceitou casar-se com ele por interesse, mas que mantém um relacionamento clandestino com um dos melhores amigos do marido.
Como poderiam se cruzar as vidas de duas pessoas atormentadas como Lorey e Leo (por aqueles que consideravam o amor de suas vidas) no momento exato e no lugar preciso?
Descubra em…
Uma semana para o amor...
Capítulo 1
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- Lorey * * * * * * * * *
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Paro em frente ao meu espelho e termino de colocar os brincos que escolhi para esta ocasião especial.
— Três anos — sussurro para o espelho enquanto sorrio.
Hoje completo três anos de casamento com Jake. Três anos que, mesmo não sendo de contos de fadas, soubemos lidar bem.
— Meu Deus! — exclamo baixinho ao levar as mãos ao pescoço — O colar; falta o colar — digo ao perceber que ainda não o coloquei. Então, vou para o armário e pego a caixa com o presente que Jake me deu na nossa lua de mel.
— Aqui está — falo para a joia ao tirá-la da embalagem e, imediatamente, volto ao espelho para colocá-la como deveria — Vamos ver… — sussurro enquanto encaixo a peça — Como era mesmo? — pergunto-me ao ter dificuldades com o fecho — Acho que... — estico a silaba — Ah! Sim! — exclamo sorridente — Era assim — menciono ao terminar.
— Pronto — suspiro —, agora sim, Lorey — falo para meu reflexo —, já está pronta — concluo enquanto passo os olhos sobre minha imagem no espelho.
Me sentia extremamente sexy com o vestido que decidi comprar com a ajuda da minha amiga. Adorei como a roupa ficou em mim; amei o penteado, a maquiagem suave e, principalmente, os preciosos stilettos que encontrei, que pareciam feitos exclusivamente para serem usados com o vestido.
— Fantástico — sussurro para mim mesma, verdadeiramente impressionada com o resultado.
Continuo concentrada me observando até que o som do meu alarme me lembra que já são sete horas da noite e isso só significa uma coisa: Jake estava prestes a chegar a qualquer momento. Então, com tempo de sobra, saio do quarto e caminho em direção à sala.
Ao chegar lá, vou direto para a mesa, que havia decorado com carinho para esta noite especial. Assim que chego, pego o fósforo que estava sobre ela para acender as velas do centro, bem como as outras velas que decoravam toda a nossa sala.
Quando termino essa tarefa, pego a cesta de pétalas de rosas vermelhas e espalho mais algumas pelo caminho que leva à escada que sobe ao segundo andar (onde fica nosso quarto).
Depois disso, coloco a cesta de volta no lugar e pego o controle do sistema de som para ligá-lo e começar a tocar nossa música de casamento.
Com tudo pronto, só me resta esperar que Jake chegue logo em casa para começarmos a nossa celebração.
— Sete e vinte — murmuro ao olhar meu relógio de pulso enquanto continuo de pé perto da porta —. Ele deve estar chegando — sussurro, começando a andar tranquilamente de um lado para o outro.
Depois de alguns minutos, volto a olhar meu relógio.
— Sete e quarenta — resmungo ao perceber que ele ainda não chegou. Então, instintivamente, caminho até a janela e mexo um pouco na cortina para olhar lá fora.
«Talvez ele tenha se atrasado no trabalho hoje também», penso soltando um suspiro pesado
«Mas... e se aconteceu alguma coisa com ele?», pergunto-me em silêncio, um pouco preocupada.
— Não, não, não — respondo rapidamente —. Não seja boba, Lorey —repreendo-me —. Talvez ele esteja preso no trânsito e o celular deve estar sem bateria — formulo —. Por isso ele ainda não chegou — concluo desanimada, parando de olhar pela janela e, sem querer, direciono meu olhar para o telefone da sala.
— Mas... talvez seja melhor ligar para Charles — decido; e, imediatamente, vou até o telefone e disco o número do celular do seu melhor amigo, mas ele não atende. Então decido tentar o número da casa dele.
— Alô — responde alguém e eu reconheço a voz na hora.
— Valerie, boa noite — cumprimento —. Sou eu; Lorey.
—Ah! Olá, Lorey! —cumprimenta animada—. Diga-me, o que aconteceu? Você está bem?
—Sim, sim; eu estou bem —respondo tranquila.
—Que bom ouvir isso —responde sincera—. Então me diga no que posso te ajudar.
—Ah... Valerie, eu queria saber se o Charles já tinha chegado em casa.
—Sim, sim; ele já está aqui —responde amavelmente—. Quer falar com ele? Passo pra você? —pergunta.
—Não, não é necessário —respondo—. O que eu queria perguntar pra ele é se ele sabe algo do Jake —esclareço um pouco envergonhada—. Ele ainda não chegou em casa e hoje tínhamos algo importante pra fazer —comento.
—Um momento, Lorey —pede; e a linha fica em silêncio por alguns longos segundos até que...
—Lorey? Ainda está aí? —ouço de repente; e percebo que agora é o Charles quem atendeu.
—Sim, sim, estou aqui —respondo rapidamente.
—Sou o Charles...
—Sim, eu sei —interrompo.
—Claro —o ouço bufar—. Bem, o que aconteceu? —pergunta ríspido; e ouvir aquele tom de voz me lembrava, mais uma vez, que eu era uma das pessoas menos favoritas dele, e ainda não entendia o porquê—. Lorey?
—Sim, estou aqui...
—Lorey, estou prestes a jantar com a minha família —informa um pouco irritado—. Diga o que quer saber —acrescenta impaciente.
—Sim, eu... desculpe, Charles...
—Só diga, Lorey —interrompe com cansaço.
—Sim, sim, perdão —respondo rapidamente—. Eu queria saber se você sabe algo do Jake —articulo—. Não sei... se talvez ele vá demorar um pouco hoje...
—Um pouco? —repete ele com certo tom de diversão—. Pois já adianto que ele vai chegar muito tarde hoje —esclarece.
—Por quê? Aconteceu algo ruim no trabalho? —pergunto preocupada.
—Não, não, nada disso —afirma.
—Então? —sussurro sem perceber.
—Então... acontece que o Jake trabalha muito, Lorey —menciona—. Você devia parar de ficar controlando ele —acrescenta, de repente, com certa irritação.
—O quê? —sibilo—. Não... não é para controlá-lo, Charles —explico.
—É o que você está fazendo, Lorey —retruca—. Pare de perseguir meu amigo —pede—. Ele só...
—Não, Charles —interrompo—. Você está confundindo as coisas. Eu só queria saber se ele vai chegar tarde porque...
—O motivo é o de menos, Lorey —rebate—. Pare de perseguir o Jake —manifesta com voz firme novamente— ou ele vai se cansar...
—Charles, não —objeço rapidamente e um tanto preocupada—. Essa não foi minha intenção...
—Eu já te avisei —diz, interrompendo-me novamente.
—Não, Charles —respondo depressa—. Não é isso, eu...
—Adeus, Lorey —se despede; e, depois, só escuto como (sem esperar qualquer resposta da minha parte) ele encerra a chamada, já que começo a ouvir o sinal de desligamento do telefone. Ao ouvir isso, só fecho meus olhos para depois soltar um pesado suspiro.
Discutir com o Charles era o mesmo que discutir com o Jake, já que ele sempre contava tudo o que via ou ouviam dizer de mim ao meu marido; além de passar suas próprias queixas e, por alguma razão, o Jake sempre acabava acreditando mais nele. Então, se agora o Charles dissesse algo sobre essa chamada, provavelmente eu e o Jake teríamos mais uma discussão que nos levaria a ficar sem nos falar por, pelo menos, uma semana.
—Deus —murmuro de repente ao abrir meus olhos e afastar o telefone do ouvido para colocá-lo no lugar—. Só espero que dessa vez ele não conte —desejo em voz alta.
—Bem... —inspiro e expiro lentamente—, acho que agora é só esperar —digo a mim mesma; e decido ir me sentar no confortável sofá da sala para esperar o homem pelo qual ainda estava apaixonada.
Tínhamos obstáculos; muitos obstáculos (demais, na verdade), mas, apesar disso, tinha que tentar. Não podia jogar fora mais de 15 anos de relação.
—Só mais uma vez —murmuro enquanto me deito no sofá para esperar por meu marido—. Só mais uma vez —repito; e, depois, fico a escutar a bela canção da Faith Hill que tocava no meu estéreo: Like We Never Loved At All.
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Um beijo.
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CHAMADA CRUZADA
Mais uma obra feita por mim, espero que gostem.
Um beijo Nat.












