
Aliança com o Mafioso
jamilesalvatore · Atualizando · 120.4k Palavras
Introdução
Sozinha e consumida pelo luto, ela precisa encontrar forças para continuar, principalmente porque ainda existe alguém que depende dela: sua irmã mais nova. Sabendo que o perigo não terminou e que sua família continua sendo um alvo, ela abandona seus medos e decide lutar contra aqueles que destruíram sua vida. O desejo de justiça se transforma em uma obsessão, e cada passo que dá a aproxima de um caminho sem volta.
Determinada a se vingar, ela descobre que a única maneira de chegar perto do homem responsável pela tragédia é através de seu próprio filho, Alexei Corleone. Herdeiro de um império construído sobre poder e violência, Alexei carrega o peso do sobrenome e também os próprios conflitos com o legado de sua família.
Entre eles existe uma história marcada pelo ódio, pela desconfiança e por uma guerra antiga entre dois clãs inimigos. No entanto, quando circunstâncias inesperadas os colocam lado a lado, uma aliança improvável começa a surgir. O plano inicial é simples: unir forças para destruir o verdadeiro inimigo e garantir a proteção de sua irmã.
Mas para isso, ela terá que fazer o impensável: se casar com o filho do homem que arruinou sua vida. Um casamento baseado em vingança, onde cada olhar esconde uma ameaça e cada sentimento pode se transformar em uma fraqueza.
Capítulo 1
Meses antes.
Eu estava imersa em um mar de sangue.
Literalmente.
Por alguns segundos, meu cérebro se recusava a aceitar a realidade diante dos meus olhos. Era como se meu corpo estivesse preso em um pesadelo do qual eu não conseguia despertar. O líquido quente e viscoso cobria minhas mãos, minhas roupas e o chão ao meu redor, transformando aquele lugar em uma imagem saída do próprio inferno.
O cheiro metálico do sangue dominava cada centímetro daquele ambiente. Era forte, sufocante, impossível de ignorar. Entrava pelas minhas narinas e permanecia preso na minha garganta, como uma lembrança cruel de tudo o que havia acontecido.
Eu respirava com dificuldade, tentando convencer a mim mesma de que aquilo não era real.
Mas era.
Cada detalhe gritava a verdade.
Os corpos espalhados pelo chão. As marcas de tiros nas paredes. Os móveis destruídos. O silêncio estranho que vinha depois de uma tempestade de violência.
Eu estava no meio de uma guerra.
Uma guerra que eu nunca deveria ter conhecido.
Minha visão estava embaçada, não apenas pela dor, mas pelas lágrimas que insistiam em cair. Eu não sabia dizer quanto tempo havia passado desde o momento em que tudo desmoronou. Minutos? Horas? Talvez apenas alguns segundos.
O tempo parecia não existir naquele lugar.
Existia apenas o medo.
A dor.
E a necessidade desesperada de sobreviver.
Meus dedos tremiam ao redor da arma que eu ainda segurava. Uma parte racional da minha mente gritava para que eu soltasse aquilo, para que eu largasse aquele pedaço de metal que parecia pesar toneladas em minhas mãos.
Mas eu não conseguia.
Aquela arma era a única coisa que ainda me dava a sensação de controle.
Mesmo sabendo que ela não poderia apagar o que tinha acontecido.
Mesmo sabendo que ela não poderia trazer meus pais de volta.
A dor em meu corpo aumentava a cada segundo. Eu sentia cada ferida como uma lembrança da batalha que havia enfrentado. O sangue escorria pela minha barriga, quente e lento, revelando um ferimento que eu ainda não tinha coragem de olhar.
Eu tinha medo de descobrir o quanto estava machucada.
Medo de perceber que talvez não tivesse forças para continuar.
Apoiei minhas costas contra a parede destruída, tentando encontrar algum tipo de equilíbrio. O movimento fez uma onda de dor atravessar meu corpo, arrancando de mim um gemido baixo.
Minha respiração ficou presa.
Por um instante, fechei os olhos.
Eu queria desaparecer.
Queria voltar no tempo.
Queria acordar em minha antiga vida, antes de tudo ser destruído.
Antes de aprender que pessoas podiam sorrir enquanto planejavam sua ruína.
Antes de descobrir que o amor e a família também podiam ser usados como armas.
Mas a realidade era cruel demais para permitir que eu fugisse.
As sirenes começaram a ecoar ao longe.
Um som distante, quase irreal.
O mundo lá fora continuava existindo, mesmo que o meu tivesse acabado naquele momento.
Pessoas ainda caminhavam pelas ruas. Crianças ainda riam. Famílias ainda jantavam juntas sem imaginar que, em algum lugar, alguém estava perdendo tudo.
Eu queria ser uma dessas pessoas.
Queria ter a chance de reclamar de problemas pequenos novamente.
Queria que minha maior preocupação fosse algo simples.
Mas minha vida havia mudado.
E eu sabia que nunca mais seria a mesma.
Passei a mão pelo rosto, tentando limpar as lágrimas, mas apenas espalhei mais sangue e poeira pela minha pele.
Eu parecia uma estranha para mim mesma.
A garota que entrou naquele lugar não existia mais.
Ela tinha sido destruída junto com tudo ao redor.
O som de passos fez meu corpo inteiro ficar em alerta.
Meu coração disparou.
Eu prendi a respiração.
Por um momento, pensei que fosse alguém vindo para me salvar.
Mas uma parte de mim sabia que naquele mundo ninguém aparecia para salvar ninguém.
Principalmente não naquele lugar.
Levantei a arma lentamente, ignorando a dor que percorria meu braço.
Meus olhos procuraram pelo movimento entre as sombras.
Então ele apareceu.
Primeiro, apenas uma silhueta.
Depois, uma presença.
Ele caminhava lentamente entre os destroços como se aquele cenário de morte fosse algo familiar. Como se o caos fosse o lugar onde ele pertencia.
Meu sangue pareceu congelar.
Havia algo nele que fazia meu instinto gritar para fugir.
Mesmo ferido, mesmo coberto por marcas de uma batalha tão cruel quanto a minha, ele carregava uma força assustadora.
Ele não parecia um homem.
Parecia uma ameaça.
Seus olhos encontraram os meus.
E naquele instante eu entendi por que tantas pessoas tinham medo dele.
Havia algo frio naquele olhar.
Algo calculista.
Como se ele fosse capaz de enxergar todos os meus medos antes mesmo que eu percebesse que eles existiam.
Eu recuei instintivamente.
Meu corpo protestou, mas o medo era mais forte que a dor.
Ele continuou andando em minha direção.
Um passo.
Depois outro.
Cada movimento dele diminuía a distância entre nós.
Cada segundo fazia meu desespero crescer.
Eu queria correr.
Queria gritar.
Queria apertar o gatilho.
Mas meu corpo não obedecia.
Era como se eu estivesse presa entre a vontade de sobreviver e a certeza de que aquele homem era o perigo do qual eu precisava fugir.
Ele era a personificação de tudo aquilo que eu odiava.
Violência.
Poder.
Crueldade.
Mas, ainda assim, havia algo nele que me confundia.
Talvez fosse o fato de ele parecer tão destruído quanto eu.
Talvez fosse porque, pela primeira vez naquela noite, eu não estava diante de alguém que fingia não sentir nada.
Ele carregava suas próprias sombras.
E eu conseguia enxergá-las.
Continuei recuando até minhas costas encontrarem algo sólido.
Meu corpo congelou.
Eu não tinha mais espaço.
Não tinha para onde ir.
Foi então que percebi que aquilo atrás de mim não era uma parede.
Era um corpo.
Um arrepio percorreu minha espinha.
Eu estava presa.
Completamente encurralada.
Ele se aproximou mais.
O som da sua respiração era a única coisa que eu conseguia ouvir.
Seu rosto ficou próximo demais.
Perto o suficiente para eu perceber cada detalhe de sua expressão.
As marcas em sua pele.
A tensão em sua mandíbula.
A intensidade daquele olhar que parecia atravessar todas as minhas defesas.
Eu deveria sentir apenas medo.
E eu sentia.
Mas havia algo mais.
Uma sensação perigosa que eu não queria admitir.
Porque naquele momento eu sabia que estava diante de alguém capaz de destruir minha vida.
E, ainda assim, uma parte de mim continuava olhando para ele.
Como se tentasse descobrir quem era o monstro por trás daquele rosto.
Como se tentasse entender por que, no meio de todo aquele caos, ele parecia ser a única pessoa que também estava perdida.
Eu segurei a arma com mais força.
Mas ele não parecia preocupado.
Como se soubesse que eu não conseguiria atirar.
Como se soubesse que, naquele instante, a minha maior batalha não era contra ele.
Era contra mim mesma.
E então ele fez algo que eu jamais esperaria.
Algo que mudaria completamente o rumo da minha história.
Ele se aproximou.
E quando seus lábios tocaram os meus, o mundo ao redor desapareceu.
Por alguns segundos, não existiram tiros.
Não existiram corpos.
Não existiu vingança.
Existiam apenas nós dois.
Dois inimigos unidos pelo pior momento de nossas vidas.
Dois sobreviventes em meio ao caos.
Eu deveria afastá-lo.
Deveria odiá-lo.
Deveria lembrar que aquele homem fazia parte do mundo que destruiu tudo que eu amava.
Mas naquele instante eu percebi uma coisa assustadora.
Eu não estava apenas diante do meu inimigo.
Eu estava diante do meu destino.
E eu tinha acabado de permitir que o próprio diabo se tornasse meu aliado.
Eu ainda conseguia sentir o toque dele mesmo depois que seus lábios deixaram os meus.
Era isso que mais me assustava.
Não o sangue.
Não os corpos ao meu redor.
Não a arma em minhas mãos.
Mas a forma como, por alguns segundos, aquele homem conseguiu fazer o mundo inteiro desaparecer.
Abri os olhos lentamente, tentando entender o que estava acontecendo. Meu coração batia tão forte que parecia querer escapar do meu peito. A raiva veio primeiro. Uma onda de indignação por eu ter permitido que aquilo acontecesse.
Ele era meu inimigo.
Eu precisava lembrar disso.
Ele era parte da família que havia destruído a minha.
Parte do nome que carregava morte, medo e sofrimento.
Afastei meu rosto, recuperando o pouco controle que ainda me restava.
— Não faça isso novamente — minha voz saiu fraca, muito diferente da mulher que eu queria demonstrar ser.
Ele apenas me observou.
Sem surpresa.
Sem arrependimento.
Como se soubesse exatamente o efeito que causava em mim.
Aquilo me irritou ainda mais.
— Você acha que pode simplesmente aparecer aqui, depois de tudo o que aconteceu, e agir como se nada importasse? — perguntei, sentindo a garganta arder.
Minha mão continuava segurando a arma, embora meu braço estivesse cansado demais para mantê-la levantada.
Ele olhou rapidamente para o objeto em minhas mãos e depois voltou sua atenção para mim.
— Se eu quisesse matar você, já teria feito isso.
A frieza daquelas palavras fez meu corpo inteiro ficar em alerta.
Ele falava como alguém acostumado com a morte.
Como alguém que tinha visto coisas que uma pessoa comum jamais conseguiria suportar.
Eu queria odiá-lo.
Precisava odiá-lo.
Mas havia uma parte de mim que entendia que aquele homem também estava machucado.
Ele tinha sangue nas roupas.
Ferimentos pelo corpo.
O mesmo olhar vazio que eu sentia carregar dentro de mim.
Nós éramos diferentes.
Mas, de alguma forma, estávamos no mesmo lugar.
No fundo do mesmo abismo.
— Quem é você? — perguntei, embora uma parte de mim já soubesse a resposta.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Como se o próprio nome fosse uma arma.
Então respondeu:
— Alexei Corleone.
O mundo pareceu parar.
Mesmo no meio daquela destruição, aquele nome teve o poder de me atingir mais forte do que qualquer tiro.
Corleone.
O sobrenome que minha família odiava.
O sobrenome que estava ligado às noites em que meu pai chegava em casa preocupado.
O sobrenome que minha mãe mencionava em voz baixa, como se apenas falar dele pudesse trazer a morte até nossa porta.
Eu ri sem humor.
Uma risada quebrada pela dor.
— Claro...
Meus olhos começaram a arder novamente.
— Tinha que ser você.
Alexei não desviou o olhar.
— Você esperava outra pessoa?
— Eu esperava qualquer pessoa menos o filho dele.
A expressão dele mudou levemente.
Pela primeira vez, vi algo diferente em seus olhos.
Não era raiva.
Era algo mais profundo.
Algo parecido com cansaço.
— Você acredita que conhece toda a história, não é?
Aquelas palavras fizeram minha mandíbula travar.
— Eu sei o suficiente.
— Não sabe.
A resposta dele veio rápida.
Direta.
Aquilo me incomodou porque havia uma segurança em sua voz. Como se ele carregasse informações que poderiam destruir tudo aquilo que eu acreditava.
— Meu pai matou os meus pais.
Dizer aquilo em voz alta tornou a dor ainda mais real.
A imagem daquela noite voltou para minha mente.
Os gritos.
O medo.
A sensação de impotência.
A promessa silenciosa que fiz a mim mesma de que um dia ele pagaria.
Alexei me observava em silêncio.
— Meu pai também destruiu a minha vida.
Aquelas palavras me fizeram hesitar.
Por um instante, não consegui responder.
Porque eu não esperava ouvir aquilo.
Eu esperava arrogância.
Esperava uma defesa.
Esperava alguém tentando proteger o próprio sangue.
Mas ele parecia carregar o mesmo peso que eu.
— Está tentando fazer com que eu sinta pena de você?
Ele deu um passo mais perto.
— Não preciso da sua pena.
Sua voz era baixa, mas carregada de certeza.
— Preciso da sua ajuda.
Aquela frase me pegou completamente desprevenida.
Eu pisquei algumas vezes, tentando entender.
— Minha ajuda?
Uma pequena risada amarga escapou dos meus lábios.
— Você realmente acha que eu vou ajudar um Corleone?
— Não.
Ele respondeu sem hesitar.
— Acho que você vai ajudar porque quer a mesma coisa que eu.
O silêncio entre nós ficou pesado.
Eu sabia exatamente o que ele queria dizer.
Vingança.
Durante meses, aquele sentimento tinha sido a única coisa que me mantinha de pé.
A única razão pela qual eu ainda respirava.
— Você quer destruir seu próprio pai?
Pela primeira vez, algo perigoso apareceu no olhar dele.
Não era apenas raiva.
Era ódio.
Um ódio antigo.
— Mais do que qualquer pessoa.
Eu não sabia o que pensar.
Tudo aquilo parecia uma armadilha.
E talvez fosse.
Afinal, eu tinha aprendido da pior maneira que pessoas poderosas nunca entregavam algo sem esperar outra coisa em troca.
— E por que eu deveria confiar em você?
Ele ficou em silêncio.
Então olhou ao redor.
Para o sangue.
Para a destruição.
Para tudo que restava daquela noite.
— Você não deveria.
A honestidade daquela resposta me surpreendeu.
— Confiança é um luxo que pessoas como nós não têm.
Meu peito apertou.
Porque ele estava certo.
Nós não éramos mais pessoas comuns.
Aquela noite tinha tirado isso de nós.
— Então o que você quer?
Ele me encarou.
E naquele momento percebi que aquela conversa mudaria minha vida para sempre.
— Uma aliança.
Eu quase ri.
— Comigo?
— Sim.
— Você enlouqueceu.
— Talvez.
Ele aproximou-se novamente, mas dessa vez eu não recuei.
Não porque não sentia medo.
Mas porque eu precisava entender.
Precisava descobrir o que aquele homem realmente queria.
— Nossas famílias estão em guerra há anos — ele continuou. — Mas enquanto nós dois continuarmos brigando um contra o outro, ele continua vencendo.
Meu coração acelerou.
Porque eu sabia quem era "ele".
O homem responsável por tudo.
O homem que havia arrancado minha família de mim.
— E qual é o preço dessa aliança?
Alexei ficou alguns segundos em silêncio.
Então disse:
— Você vai precisar se casar comigo.
O ar pareceu desaparecer dos meus pulmões.
Por alguns segundos, tudo o que consegui fazer foi encará-lo.
Um casamento.
Com o filho do meu inimigo.
Com o homem que eu deveria odiar.
Com alguém que eu mal conhecia.
Era absurdo.
Era loucura.
Era a coisa mais perigosa que eu poderia fazer.
Mas quando olhei para o cenário ao meu redor, para tudo que havia perdido, percebi uma verdade cruel.
Eu já não tinha mais nada a perder.
E talvez fosse exatamente isso que tornava aquela proposta tão perigosa.
Porque naquele momento eu não estava escolhendo entre o certo e o errado.
Eu estava escolhendo entre a vingança e a sobrevivência.
E, sem perceber, eu estava prestes a entregar meu destino nas mãos do homem que deveria ser meu maior inimigo.
A palavra ainda ecoava dentro da minha cabeça.
Casar.
Como se fosse algo simples.
Como se ele não tivesse acabado de me pedir para unir minha vida à dele depois de tudo que aconteceu.
Depois de uma noite onde perdi meus pais.
Depois de descobrir que o mundo que eu conhecia era uma mentira.
Depois de estar coberta pelo sangue de pessoas que eu amava.
Eu deveria rir.
Deveria dizer que ele era completamente insano.
Mas a verdade era que uma parte de mim já sabia que aquela proposta não era apenas uma loucura.
Era uma estratégia.
E estratégias eram tudo o que pessoas como nós tinham naquele mundo.
— Você realmente acha que eu vou aceitar isso? — perguntei, tentando esconder o quanto aquela ideia tinha me abalado.
Alexei continuava parado diante de mim, com aquele olhar impossível de decifrar.
Ele parecia frio.
Controlado.
Como se não tivesse acabado de me pedir algo que poderia mudar nossas vidas para sempre.
— Não acho que você vai aceitar porque confia em mim.
Ele fez uma pausa.
— Acho que você vai aceitar porque quer vingança.
Meu maxilar travou.
Porque ele tinha acertado.
Eu odiava admitir, mas ele tinha visto algo em mim que eu tentava esconder até de mim mesma.
A vingança tinha se tornado parte da minha respiração.
Eu acordava pensando nela.
Dormia imaginando o momento em que o homem responsável pela morte dos meus pais pagaria por tudo.
Era o único motivo pelo qual eu ainda conseguia continuar.
— Você não sabe nada sobre mim.
Minha voz saiu baixa, mas carregada de raiva.
Alexei inclinou levemente a cabeça.
— Eu sei mais do que você imagina.
Aquilo me deixou alerta.
— O que isso significa?
Ele não respondeu imediatamente.
Apenas olhou para mim como se estivesse escolhendo cuidadosamente as próximas palavras.
— Significa que eu sei que você perdeu tudo hoje. Sei que sua irmã é a única coisa que restou da sua família. Sei que, se você sair daqui sozinha, ele vai atrás dela.
Meu corpo ficou completamente imóvel.
Ele tinha mencionado minha irmã.
A única pessoa que ainda importava.
A única pessoa que eu precisava proteger a qualquer custo.
— Não envolva ela nisso.
Minha voz saiu como um aviso.
Pela primeira vez, a expressão de Alexei mudou.
Havia algo quase parecido com compreensão em seus olhos.
— É exatamente por isso que estou oferecendo essa aliança.
— Você está me ameaçando?
— Estou tentando impedir que ela se torne uma vítima.
As palavras dele atingiram um lugar doloroso dentro de mim.
Porque esse era o meu maior medo.
Eu podia suportar perder tudo.
Podia suportar a dor.
Mas não suportaria ver minha irmã passando pelo mesmo inferno que eu.
Fechei os olhos por alguns segundos.
Eu queria encontrar uma falha no plano dele.
Queria encontrar uma razão para recusar.
Mas tudo que eu encontrava eram riscos.
E todos eles me levavam para o mesmo lugar.
Perigo.
— Por que um casamento? — perguntei.
Alexei respirou fundo.
Pela primeira vez, parecia cansado.
— Porque nossos nomes juntos criariam uma força que ninguém conseguiria ignorar.
— Ou uma guerra maior.
— A guerra já existe.
Ele se aproximou um pouco.
— A diferença é que agora podemos escolher de que lado lutar.
Eu encarei aquele homem tentando descobrir suas verdadeiras intenções.
Ele era perigoso.
Eu sabia disso.
Mas também sabia que os homens mais perigosos eram aqueles que conseguiam esconder suas fraquezas.
E Alexei Corleone parecia carregar muitas delas.
— Você quer usar esse casamento para chegar até seu pai.
Não era uma pergunta.
Era uma certeza.
Ele não negou.
— Sim.
— E depois?
O silêncio dele respondeu antes das palavras.
— Depois, cada um segue seu caminho.
Eu deveria sentir alívio.
Mas, estranhamente, aquela resposta me incomodou.
Talvez porque uma parte de mim soubesse que aquele acordo não seria tão simples.
Nada envolvendo Alexei Corleone seria simples.
— Você espera que eu acredite que, depois de tudo, você vai simplesmente me deixar ir?
Um pequeno sorriso sem humor apareceu no rosto dele.
— Não.
A sinceridade me surpreendeu.
— Então o que você espera?
Ele me encarou profundamente.
— Espero que você sobreviva.
O silêncio tomou conta do lugar.
Por um momento, esqueci que ele era meu inimigo.
Esqueci o sobrenome.
Esqueci a guerra.
Vi apenas um homem destruído tentando encontrar uma saída.
Mas então a realidade voltou.
Meu pai morto.
Minha mãe morta.
Minha vida destruída.
Tudo por causa daquela família.
Abaixei a arma lentamente, não porque confiava nele, mas porque meu corpo já não tinha forças para continuar naquela posição.
— E se eu disser não?
Alexei me observou.
— Você vai tentar proteger sua irmã sozinha.
— Sim.
— E ele vai usar isso contra você.
Meu sangue ferveu.
— Você fala como se conhecesse meu inimigo melhor do que eu.
A expressão dele ficou sombria.
— Eu conheço.
Aquelas duas palavras carregavam uma verdade pesada.
— Porque ele é meu pai.
Pela primeira vez naquela noite, percebi que talvez Alexei Corleone não fosse apenas o filho do homem que destruiu minha família.
Talvez ele fosse a primeira pessoa que também queria vê-lo cair.
E isso era assustador.
Porque significava que eu não estava mais sozinha.
Mas também significava que eu estava prestes a confiar minha vida ao homem errado.
Ou talvez ao único homem capaz de me ajudar.
Olhei novamente para o sangue ao meu redor.
Para tudo que eu tinha perdido.
Então pensei na minha irmã.
Pensei no medo dela.
Pensei na promessa que fiz aos meus pais de protegê-la.
Minha decisão começou a se formar lentamente.
Não era uma escolha feita pelo coração.
Era uma escolha feita pela necessidade.
Pela sobrevivência.
Pela vingança.
— Eu aceito.
As palavras saíram antes que eu pudesse voltar atrás.
Alexei permaneceu em silêncio.
Mas algo mudou em seu olhar.
Como se ele soubesse que, naquele momento, nós dois tínhamos acabado de atravessar uma linha que não poderia mais ser apagada.
— Você sabe o que está fazendo? — ele perguntou.
Eu quase ri.
Porque a verdade era que eu não sabia.
Eu estava ferida.
Assustada.
Destruída.
Mas havia uma coisa que eu tinha certeza.
Eu não permitiria que o homem que matou meus pais vencesse.
— Não.
Respirei fundo.
— Mas sei o que preciso fazer.
Alexei estendeu a mão para mim.
Um gesto simples.
Mas carregado de significado.
Olhei para aquela mão por alguns segundos.
A mão de um homem que poderia ser minha salvação ou minha ruína.
Então segurei.
E naquele instante, sem perceber, fiz um pacto com o próprio diabo.
Um pacto que mudaria tudo.
Porque eu ainda não sabia que o homem que eu pretendia usar para conseguir minha vingança seria o mesmo homem que destruiria todas as certezas que eu tinha sobre amor, ódio e família.
E que, no fim, talvez a maior batalha não fosse contra nossos inimigos.
Mas contra aquilo que começava a nascer entre nós.
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Quando um anúncio é feito sobre o Alpha Prime Darius procurando por sua Luna, Elara se inscreve secretamente. Escondendo o fato de que já foi reivindicada e mordida, ela espera nunca mais ouvir falar disso. No entanto, fica chocada quando os Soldados do Alpha Prime chegam para buscá-la.
Embora Alpha Draven queira recusá-la e mantê-la, ele está impotente e tem que seguir a ordem e deixá-la partir.
Quando Elara chega ao castelo, ela se vê entre outras possíveis Lunas e rapidamente percebe que essa competição nunca teve a intenção de encontrar a verdadeira companheira do Alpha Prime, mas sim a melhor candidata para ser Luna.
Sem um lobo, ela tem certeza de que será eliminada na primeira rodada. No entanto, fica surpresa quando não é mandada de volta para casa, mas sua presença ali não passa de publicidade. As coisas se complicam ainda mais quando Alpha Prime Darius escolhe uma Luna, e no mesmo dia, o lobo de Elara é devolvido a ela.
Para capturar um coração
Foi como se um balde de água fria tivesse sido jogado no meu peito. Virei-me para ele com um riso incrédulo. Queria rir e jogar as mãos para o alto para mostrar que entendi que o que ele disse era uma piada.
Mas a escuridão em seus olhos e a seriedade em sua expressão me disseram o contrário. Ele estava falando sério. Ele inclinou a cabeça, seus olhos piscando para meus lábios por um momento antes de voltar a olhar nos meus olhos.
"Usar você?"
Ele deu de ombros, seus olhos pousando novamente em meus lábios, "Posso impedir que ele te incomode."
"Como um guarda-costas?" Meu estômago estava se revirando, um nó de nervos me deixando tonta.
Seus ombros tremeram enquanto ele ria, levantando os olhos para os meus, "Você sabe que não é isso que eu quero dizer."
Kian estava apaixonado por Inesa desde a primeira vez que a viu, mas ela só tinha olhos para outra pessoa. Depois de um ano difícil enfrentando a morte, a decepção e o ódio, ele voltou para a escola apenas para ser capturado pelo olhar dela novamente.
Inesa não tinha ideia da existência de Kian, namorando felizmente Micah. Só depois que ele despedaçou seu coração em mil pedaços que ela notou os olhos verde-esmeralda que a observavam de longe.
Kian permitirá que seu coração a conquiste, ou seu passado o manterá afastado dela? Inesa deixará que ele conquiste seu coração, ou se esconderá dele, com medo de seus próprios sentimentos?
Desta Vez Ele Me Persegue Com Tudo
Do lado de fora do salão, ela foi até ele enquanto ele fumava perto da porta, querendo pelo menos se explicar.
— Você ainda está com raiva de mim?
Ele jogou o cigarro longe e olhou para ela com um desprezo evidente.
— Com raiva? Você acha que eu estou com raiva? Deixe-me adivinhar: a Maya finalmente descobre quem eu sou e agora quer "se reconectar". Mais uma chance, agora que ela sabe que meu sobrenome vem acompanhado de dinheiro.
Quando ela tentou negar, ele a interrompeu.
— Você foi um mero detalhe. Uma nota de rodapé. Se não tivesse aparecido esta noite, eu nem teria me lembrado de você.
Lágrimas arderam nos olhos dela. Ela quase lhe contou sobre a filha deles, mas se conteve. Ele apenas pensaria que ela estava usando a criança para prendê-lo e ficar com seu dinheiro.
Maya engoliu tudo a seco e foi embora, certa de que seus caminhos nunca mais se cruzariam — apenas para que ele continuasse aparecendo em sua vida, até ser ele aquele a se rebaixar, implorando humildemente para que ela o aceitasse de volta.












