
No Lugar da Noiva
hazelhwinchester · Concluído · 171.5k Palavras
Introdução
Com a mãe doente e o pai afundado em dívidas, ela aceita uma proposta desesperada, assumir o lugar de outra mulher em um casamento arranjado com o poderoso bilionário Josh Kameron.
Elizabeth Hayes fugiu para viver seu grande amor, deixando para trás uma aliança milionária que não podia ser quebrada. Para salvar os negócios da família, Maya, idêntica a ela, é transformada na noiva substituta.
Para Josh, aquele casamento não passa de um acordo frio entre famílias. Ainda preso a lembranças de um amor que nunca esqueceu, ele trata Maya como uma estranha dentro de sua própria casa.
Mas tudo começa a mudar quando a verdadeira noiva retorna, tomada pelo ciúme e disposta a destruir a mulher que tomou seu lugar.
Entre humilhações, segredos e jogos de poder, Maya tenta proteger seu coração… até que um acidente deixa Josh em coma e sua poderosa família à beira do colapso.
Enquanto todos esperam sua queda, Maya se torna a única pessoa capaz de proteger o império Kameron.
E quando Josh finalmente abre os olhos… ele percebe que a mulher que sempre ignorou foi a única que nunca o abandonou.
Mas será tarde demais para amar a noiva que ele nunca quis?
Capítulo 1
Maya sempre teve pouco, mas nunca se sentiu pobre de verdade. A casa era simples, os móveis eram antigos, mas havia risadas, café passado na hora e o cheiro de comida da mãe enchendo a cozinha nos fins de semana. Para ela, isso era riqueza.
De manhã, trabalhava meio período em uma cafeteria perto do centro. À tarde e à noite, espalhava linhas e tecidos pela mesa da sala, fazendo barras, ajustando vestidos, costurando pequenos consertos para vizinhas e conhecidas. O dinheiro não sobrava, mas também não faltava o básico.
Até que tudo começou a desandar.
Primeiro, a mãe teve crises de cansaço. Achavam que era só desgaste, excesso de trabalho. Mas ela começou a emagrecer rápido demais, sentia dores constantes, e um dia desmaiou na cozinha. O susto levou todos ao hospital.
— É sério? — Maya perguntou, sentada de frente para o médico, com as mãos frias.
Ele olhou para o prontuário antes de encará-la.
— Ela vai precisar de tratamento contínuo. Exames, remédios, talvez internações.
O pai apertou o joelho com força.
— E… quanto isso vai custar? — ele perguntou, sem coragem de olhar para o médico.
Ninguém precisava responder. O valor apareceu depois, em papéis, boletos e contas.
Maya começou a fazer mais turnos na cafeteria. Pegou pedidos de costura até de madrugada. Mesmo assim, o dinheiro parecia sempre menor que as despesas.
Meses depois, o pai sofreu um acidente no galpão onde trabalhava. Uma máquina falhou, ele caiu, machucou a coluna. Não pôde mais voltar ao serviço.
Na primeira vez em que ele entrou em casa apoiado em uma muleta, Maya sentiu o chão sumir.
— Pai… você vai melhorar, né? — ela perguntou, tentando sorrir.
Ele evitou os olhos da filha.
— Vou, claro que vou… — respondeu, mas a voz não tinha firmeza.
As contas médicas passaram a chegar em montes. Envelope atrás de envelope. Havia também ligações, mensagens, avisos.
Um dia, bateram no portão. Maya abriu e deu de cara com um homem de camisa social e uma pasta debaixo do braço.
— Boa tarde. O senhor Augusto está?
Ela engoliu em seco.
— Está sim. Vou chamar.
O homem entrou na sala com um sorriso profissional, polido demais.
— Infelizmente, as parcelas estão atrasadas há três meses — ele disse, folheando papéis. — O hospital não pode manter esse tipo de débito indefinidamente.
Maya sentiu o queixo travar.
— Estamos fazendo o que podemos — o pai disse, a voz rouca. — Só precisamos de mais um tempo.
O cobrador suspirou, sem muita paciência.
— Eu entendo, senhor, mas existem prazos.
Depois que ele foi embora, o silêncio tomou conta da casa. A mãe chorava baixo no quarto. O pai ficou sentado na sala, olhando para a parede, o papel amassado na mão.
Naquela noite, Maya não conseguiu dormir. Virava de um lado para o outro, o peito apertado.
Levantou para beber água e, ao passar pelo corredor, ouviu a voz da mãe vindo da sala. Ela caminhou silenciosa até a porta e parou, escondida, apenas ouvindo.
— Nós não temos mais nada para vender… — o pai dizia, com a voz quebrada. — Já vendemos a TV, a moto, as economias… tudo.
— Não podemos desistir do tratamento… — a mãe chorava. — Eu ainda quero ver nossa filha realizar os sonhos dela. Ela sempre foi tão esforçada…
— E é justamente por isso que eu não queria que ela carregasse esse peso — ele respondeu. — Ela devia estar pensando em estudar, em viajar, não em dívida de hospital.
Maya sentiu as lágrimas escorrerem. Segurou a própria boca para não deixar nenhum som escapar.
— Talvez eu pudesse… — a mãe começou, mas o pai cortou na hora.
— Não, tem razão. Você não vai parar o tratamento. Não se fala mais nisso.
— E o que vamos fazer? — ela perguntou, desesperada.
Houve um silêncio longo. Maya encostou a testa na madeira da porta.
— Eu não sei… — o pai sussurrou, quase sem voz. — Eu realmente não sei.
Maya voltou para o quarto com o coração despedaçado. Deitou na cama, mas não fechou os olhos. Se eles não sabiam o que fazer, ela teria que descobrir.
No dia seguinte, foi trabalhar com olheiras profundas. A cafeteria estava cheia, o barulho de xícaras, conversas e música baixa misturava tudo. Ela se moveu no automático… anotava pedidos, servia cafés, limpava mesas.
— Maya, está tudo bem? — perguntou Júlia, a colega de trabalho, enquanto pegava uma bandeja.
— Estou cansada só — ela respondeu, forçando um sorriso.
Na pausa do almoço, Maya sentou na calçada, com o celular na mão, tentando procurar bicos, empregos temporários, qualquer coisa. Não tinha nada que pagasse o suficiente.
Ao voltar para dentro, algo chamou a atenção no mural perto do banheiro. Um papel diferente dos outros anúncios de aulas particulares e vendas de móveis.
Ela se aproximou para ler melhor.
— “Procura-se jovem com aparência específica. Trabalho de alto pagamento. Confidencial. Interessadas, entrar em contato com a Agência Hayes.”
Maya franziu a testa.
— “Aparência específica?” — perguntou. — Que tipo de trabalho é esse?
O valor oferecido embaixo, escrito em letras menores, prendeu o olhar dela. Era alto. Alto o suficiente para pagar uma parte grande da dívida. Talvez até para garantir alguns meses de tratamento da mãe.
— Está olhando o quê? — Júlia perguntou, chegando por trás.
Maya apontou.
— Isso. Já viu?
Júlia fez uma careta.
— Agência privada… trabalho confidencial… isso tem cara de problema.
Maya mordeu o lábio.
— Mas olha o valor…
— Justamente. Quando é dinheiro demais assim, tem alguma coisa errada.
Maya riu sem humor.
— Errado já está tudo na minha vida.
Ela tirou uma foto do anúncio com o celular. Durante o resto do turno, a mente dela ficou dividida entre as mesas que atendia e aquele papel grudado na parede.
Ao chegar em casa, encontrou a mãe deitada no sofá e o pai mexendo em contas novamente.
— Mais ligações hoje? — ela perguntou.
— Duas — respondeu o pai, sem levantar a cabeça. — Um deles já falou em acionar advogado.
Maya sentiu um nó na garganta.
— Eu vou resolver isso — ela disse.
O pai riu, sem alegria.
— Você não precisa carregar o mundo nas costas, Maya.
— Eu não estou carregando o mundo — ela respondeu. — Só a nossa família.
Naquela tarde, trancada no quarto, ela digitou o número da Agência Hayes. Pensou em desistir três vezes antes de apertar o botão de chamada. As mãos suavam.
— Agência Hayes, boa tarde — atendeu uma voz feminina, profissional.
— Oi, eu… eu vi um anúncio de vocês, sobre um trabalho para jovem com aparência específica.
— Certo — a atendente respondeu. — Podemos marcar uma entrevista. Qual o seu nome?
— Maya.
— Você pode vir amanhã às dez?
Maya hesitou. Olhou para o teto, respirou fundo.
— Posso sim.
Anotou o endereço, desligou e ficou olhando para o celular por alguns segundos.
No dia seguinte, acordou mais cedo do que o normal. Colocou a melhor roupa que tinha, prendeu o cabelo de um jeito simples, passou um pouco de batom emprestado da mãe.
— Está tão bonita, filha… — a mãe comentou, da porta do quarto. — Vai a algum lugar especial?
Maya forçou um sorriso.
— É só uma entrevista de emprego, mãe.
— Vou rezar para dar certo — ela respondeu, com os olhos brilhando.
O prédio da Agência Hayes era totalmente diferente de tudo que Maya conhecia. Alto, moderno, com uma portaria luxuosa e pessoas bem vestidas entrando e saindo.
Ela quase desistiu na porta.
— Eu não pertenço a esse lugar — sussurrou.
Mas então lembrou da mãe, do pai, das contas. Respirou fundo e entrou.
Na recepção, uma mulher elegante pediu o nome dela e a mandou esperar. Maya sentou em uma poltrona macia, ajeitou a saia, tentou não olhar muito em volta para não parecer deslocada.
Depois de alguns minutos, uma mulher de terno claro apareceu.
— Maya?
Ela se levantou.
— Sou eu.
— Pode me acompanhar, por favor.
O corredor tinha paredes claras, quadros caros. No fim, havia uma sala envidraçada. Maya entrou, sentou na cadeira de frente para a mesa, tentando manter a postura.
A mulher de terno a observou por alguns segundos, calada. Olhou para ela de cima a baixo, os olhos se fixando nos traços do rosto.
Maya começou a se mexer, incomodada.
— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou, sem conseguir esconder a insegurança.
A mulher inclinou a cabeça, surpresa.
— Impressionante… — falou. — Você é praticamente idêntica a ela.
Maya franziu a testa.
— Idêntica a quem?
A mulher recostou na cadeira, cruzando as mãos sobre a mesa. Um sorriso surgiu nos lábios, mas não era um sorriso amigável. Era calculado.
— Talvez você seja exatamente a pessoa que estamos procurando.
Maya sentiu um arrepio percorrer a nuca.
— Procurando… para quê?
A mulher não respondeu de imediato. Abriu uma pasta, puxou uma foto e virou na direção de Maya. Quando ela viu o rosto na imagem, quase prendeu a respiração. Era como olhar para um espelho.
— Essa é Elizabeth Hayes — disse a mulher. — E vocês duas… são como duas gotas de água.
Maya olhou da foto para a mulher à sua frente, completamente confusa.
— Eu não entendo.
A mulher sorriu de novo, ainda com aquele ar misterioso.
— Você vai entender. E, se aceitar o nosso acordo, sua vida, e a da sua família, nunca mais será a mesma.
Maya ainda não sabia, mas aquele encontro estava prestes a virar tudo de cabeça para baixo.
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