
Vínculo Falso com o Poderoso Inimigo do Meu Ex
PageProfit Studio · Atualizando · 397.1k Palavras
Introdução
Eu? Ficava com as sobras. Com os olhares de desaprovação. Com a certeza constante de que nunca seria suficiente.
Até descobrir que Niall, o Alfa deslumbrante da alcateia vizinha, era o meu companheiro destinado.
Por um segundo, acreditei que finalmente seria a escolhida.
Deus… quanta ingenuidade.
Foram quatro anos de um noivado infernal. Descolori o cabelo para agradar. Me forcei em vestidos que mal fechavam. Fiz papel de empregadinha — tudo para ouvir que eu servia melhor como serva do que como companheira.
Porque o coração dele sempre foi dela. Da minha irmã.
Na noite em que derrubei, sem querer, a foto dos dois, ele me deu um tapa. Forte o bastante para tirar meu ar. E ainda disse que eu jamais chegaria aos pés dela.
Então, pela primeira vez, reagi. Dei um tapa de volta, rasguei a foto e aceitei a rejeição.
Pensei que tinha acabado.
Pensei que estava livre.
Até vê-los no clube, rindo às gargalhadas de como meus quatro anos de esforço tinham sido patéticos. O noivado inteiro — um jogo doentio dos dois.
Bêbada e furiosa, tomei a pior melhor decisão possível: aceitei a carona do meu vizinho misterioso.
Hudson — um Alfa com o rosto esculpido pelos deuses, exalando perigo em cada linha do seu terno impecável.
E o detalhe mais delicioso? Ele é o inimigo mortal do meu ex.
O resultado?
O melhor sexo da minha vida.
Achei que seria apenas uma noite para apagar o passado.
Errado de novo.
Hudson é mais rico que Niall, mais influente que minha família inteira e cem vezes mais perigoso.
E ele não pretende me deixar escapar.
Desta vez, não serei a segunda opção de ninguém.
Nunca mais.
Capítulo 1
Ponto de Vista de Christina
Plaft!
Minha cabeça virou para o lado, a visão embaçando, a pele ardendo como se alguém tivesse pressionado uma marca de ferro em brasa contra mim.
Olhei para cima e encontrei os olhos furiosos de Niall.
Meu companheiro destinado acabou de me bater.
Três minutos atrás, eu estava sonhando acordada sobre redecorar essa casa de alcateia ridiculamente cara. Dois minutos atrás, eu esbarrei sem querer numa foto emoldurada no quarto dele. Uma foto da minha irmã.
Agora o sangue pulsava nos meus ouvidos – agudo, humilhante. Akira rugia dentro de mim, uma tempestade de traição que tirava meu fôlego.
"Você quebrou isso!?" Niall cuspiu as palavras. "Essa era a única foto que eu tinha com a Beatrice. Seu ciúme me dá nojo."
"Você tá pirando?" rosnei entre os dentes.
"Não, a distorcida aqui é você!" ele rugiu. "Eu já aceitei casar com você, o que mais você quer? A Beatrice foi embora por sua causa! Porque você me forçou ao laço de companheiros!"
O ódio nos olhos dele feriu mais fundo que qualquer tapa.
"Ela era sua irmã! E agora você cobiça o que era dela? Não vai parar até apagar qualquer rastro dela, vai?" ele gritou enquanto me empurrava para trás, contra a mesa de centro.
Caí sobre os estilhaços de vidro. A dor atravessou minha palma, e meu sangue manchou o sorriso perfeito de Beatrice.
Que ironia amarga.
Minha bochecha latejava. Minha mão estava sangrando. Mas nada doía mais do que a percepção de que meu suposto companheiro nunca havia me amado.
"Não fui eu," falei, numa última tentativa de ser racional. "Nunca forcei esse laço de companheiros em você. Nunca pedi para ela ir embora."
Falando logicamente, eu entendia por que alguém poderia me culpar.
No meu aniversário de dezoito anos, eu me transformei e percebi que Niall era meu companheiro destinado. Tolamente, escrevi tudo no meu diário. Planejava contar a ele quando voltasse da viagem de negócios. Se ele não pudesse me aceitar, eu estava preparada para a rejeição.
Mas Beatrice encontrou meu diário e tornou tudo público.
Privacidade não significava nada para ela. Ela espalhou meu diário para todo mundo na Alcateia Crescent.
Fui humilhada em público como a reserva patética que ousou mirar acima da própria posição para alcançar o Alfa perfeito da irmã.
Depois Beatrice, tão generosa, foi estudar no exterior, deixando uma carta dizendo que tinha descoberto meu segredo e decidido abrir mão e deixá-lo para mim.
A generosidade dela era tão real quanto alguém ser generoso com um cartão de crédito que não é seu.
E eu era a vilã que expulsou a princesa perfeita da Alcateia Crescent.
Para minha família, eu era uma jogadora esquecida que, de repente, foi promovida ao time titular — uma mudança estratégica que eu agora tinha obrigação de agradecer. Meus pais não se importavam de verdade com qual filha se casaria com Niall, só queriam que a aliança entre as alcateias fosse firmada. Mesmo que Niall literalmente arrancasse meu coração, meus pais só entregariam guardanapos para ele limpar.
Era como se meus pais sempre tivessem me odiado. Não importava o quanto eu superasse Beatrice no treinamento, eles sempre arranjavam desculpas para ela e encontravam defeitos em mim. Eu era amarga, ingrata, alguém que não sabia valorizar a querida irmã.
Meus dedos se cerraram em volta do anel de noivado. Esse símbolo patético da piada que era nosso laço.
Lágrimas quentes embaçaram minha visão. Pisquei rápido para afastá-las.
Corri para a porta e saí antes que as lágrimas caíssem.
Niall agarrou meu pulso para me impedir. "Limpa isso."
"O quê?" Eu o encarei, sem acreditar, precisando confirmar se tinha ouvido direito.
"Você quebrou a moldura da foto. Limpe os pedaços." Uma ordem gélida.
Pena que nunca fui boa em seguir ordens.
"Não." Levantei o queixo. Zero concessão.
A mandíbula dele travou. "Tem certeza de que quer fazer isso, Christina?"
"Sim. Eu disse que não." Enfrentei seu olhar sem vacilar.
Se amar significava triturar minha autoestima até virar pó, então foda-se o amor.
O ar entre nós estalou, a tensão subindo como uma tempestade. Ele se inclinou, a fúria ardendo. "Última chance. Se me desobedecer, eu acabo com esse vínculo agora—"
"Acabou", cortei.
O choque congelou seu rosto.
Por um momento, o ar ficou parado.
Ele não esperava que eu realmente dissesse isso.
Arranquei meu braço livre, a respiração ofegante enquanto a esperança de escapar brilhava — só para ele me agarrar de novo, o aperto machucando, os olhos queimando com algo próximo do ódio.
"Isto é culpa sua, Christina!" Niall rosnou, com o tom de um inimigo mortal, não de um companheiro ao qual o destino tinha me acorrentado.
"Eu, Niall Granger, Alfa da Alcateia Frostpelt, rejeito—"
"Cala a boca!" cuspi.
Se alguém ia terminar esse vínculo, seria eu.
Meu olhar se prendeu ao dele, firme.
"Você não tem o direito de me rejeitar. Eu rejeito você, Niall. Agora aceite."
O mundo pareceu se partir ao meio.
Akira uivou dentro de mim, um lamento agudo de perda, enquanto uma dor dilacerante rasgava meu peito conforme o vínculo se desfazia fio por fio.
A mandíbula dele apertou, mas ele forçou as palavras entre os dentes cerrados.
"Eu aceito a sua rejeição. Agora limpe a bagunça e conserte a droga da foto."
Minhas mãos tremiam enquanto eu pegava a moldura quebrada, os cacos mordendo minha pele, meu sangue manchando o vidro. Rasguei a foto ao meio, arrancando o rosto dele do da minha irmã, como se cortasse o último laço.
Sem hesitar, ergui a mão e dei um tapa forte naquele rosto irritantemente bonito e arrogante. O estalo ecoou entre nós.
Me inclinei, deixando-o ver o fogo nos meus olhos.
"Agora", sibilei, "acabou..."
O silêncio foi absoluto.
Minha palma ardia, mas a satisfação quase abafava a dor no meu peito.
Niall cambaleou para trás, o choque piscando nos olhos.
Não era por causa da dor, mas por perceber que a garota dócil que ele desprezava não existia mais.
Sorri friamente. "Adeus, Niall. Vai lá om sua Beatrice."
E saí daquele inferno sufocante de cabeça erguida.
Eu preferia me afogar nas minhas próprias lágrimas a deixar que ele visse mais uma cair.
Quando cheguei ao estacionamento, o ar frio da noite bateu no meu rosto, mas a dor avassaladora caiu sobre mim como uma onda gigante.
Porra, ninguém nunca me contou que romper o vínculo de companheiros doía desse jeito.
Parecia que meu coração tinha sido fatiado e servido pro Hannibal Lecter. Ele provavelmente ia saborear tudo isso acompanhado de um bom Chianti e umas favas.
Me encolhi no banco do motorista, suando frio.
Akira jazia fraca dentro de mim, gemendo, "É estranho pra caralho! Como se alguém tivesse enfiado a mão no meu estômago e arrancado alguma coisa na marra."
Não podia concordar mais.
Queria encontrar minha mãe, ela com certeza saberia como aliviar esse tipo de dor.
Ou talvez qualquer criatura com dor pense instintivamente na mãe.
Enquanto eu hesitava entre mandar um elo mental ou fazer uma ligação, meu celular vibrou.
Meus olhos estavam tão turvos que eu mal consegui atender.
"Chrissy, você deve estar louca!" minha mãe gritou. "Como ousa humilhar o Niall assim! A aliança entre as alcateias acabou!"
"Mãe, ele me rejeitou," falei fraco. "Tipo… formalmente. E também me bateu. Então tem esse detalhe divertido."
"Ele… o quê?" Pela primeira vez, ela pareceu chocada.
A voz do meu pai entrou na linha, "Não seja dramática. Depois de tudo que a Beatrice sacrificou por você? Você vai se desculpar com o Niall agora mesmo e implorar pra ele se casar com você, ou não será mais bem-vinda no nosso território!"
Ele desligou antes que eu pudesse responder.
Fiquei encarando o celular, sem entender nada, as palavras do meu pai ecoando na minha cabeça.
Nada de "Você está bem?" Nada de "Estamos indo te buscar."
Só ameaças de me expulsar da alcateia.
Por que, por mais que eu tentasse, nunca conseguia conquistar nem um mínimo de aprovação deles? Quando fui rejeitada pelo meu companheiro e estava morrendo de dor, tudo em que meus pais conseguiam pensar era na aliança das alcateias e na maldita da minha irmã que tinha sumido sabe-se lá onde!
Beatrice nunca precisou fazer nada, e ainda assim era a joia preciosa deles.
Então é isso?
No dia em que rompi o vínculo com meu companheiro destinado, finalmente percebi que meus pais nunca me amaram.
Isso destruiu o último resquício, patético e lamentável, do meu desejo pelo amor deles.
Chega.
Cansei de tentar conquistar um amor que nunca seria dado.
Cansei de ser a filha reserva conveniente.
Ia recuperar o amor-próprio que havia perdido há tanto tempo, e ia me libertar desse noivado — não importavam as consequências
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