
A Ex do Mafioso - Um Recomeço Inevitável
Yana · Concluído · 229.7k Palavras
Introdução
Ele acreditou numa mentira e ela acabou pagando o preço sozinha.
Sete anos se passaram e o pequeno Bryan está em estado grave no hospital. O sangue de Kevin é a única cura para o menino.
Será Kevin capaz de salvar o herdeiro que um dia renegou, antes que seja tarde demais?
Capítulo 1
O som da fita crepe sendo cortada ecoou pelas paredes emboloradas daquele galpão abandonado em Giambellino-Lorenteggio.
— Tô sufocando! — A voz dela saiu abafada, trêmula, cortada pelo pânico. — Por favor, tira isso!
Justine Delacroix tentou puxar o ar, mas o capuz de tecido grosso e escuro sufocava seus pulmões e bloqueava completamente sua visão.
“Meu Deus, eu não consigo respirar, o que tá acontecendo?”
As suas mãos esguias e suas pernas estavam rigidamente presas à cadeira de madeira desgastada.
De repente, as portas duplas de ferro do local se abriram com um estrondo violento. Passos firmes, pesados e autoritários ecoaram pelo concreto batido.
— Aqui está a traidora, senhor — anunciou Alessandro, apontando para a mulher amarrada antes de arrancar o capuz de sua cabeça com um movimento abrupto e cruel.
La luz fraca e amarelada da única lâmpada pendurada ardeu em seus olhos cor de âmbar. Justine piscou repetidamente, com o rosto vermelho e completamente banhado pelas lágrimas.
Ao erguer a cabeça, ela deparou-se com a silhueta imponente e ameaçadora de Kevin Harrison Giordano.
Aos vinte e cinco anos, o poderoso CEO que secretamente comandava o submundo do crime em Milão exalava uma aura de pura crueldade e frieza.
Ele mantinha a postura ereta e um semblante rigidamente austero, que transmitia arrogância e distanciamento. Apesar da gravidade da situação, ele estava impecavelmente vestido em seu terno preto feito sob medida, com um sobretudo escuro que aumentava sua presença intimidadora.
— Amor, manda esse idiota me soltar — em meio aos prantos e soluçando, Justine pedia, fitando o marido. — Pelo amor de Deus, me tira daqui.
Com um simples olhar inquisidor, Kevin fez com que os homens de terno preto que portavam armas recuassem e saíssem de perto de Justine, deixando-os sozinhos na penumbra. Ele deu um passo à frente, com as veias saltadas nas têmporas e a mandíbula retesada.
— Como pôde me trair, Justine? — A voz rouca e amargurada dele cortou o silêncio como uma lâmina afiada.
— Não! — Desesperada, ela começou a negar freneticamente com a cabeça, os fios loiros colando em sua pele suada. — Eu nunca te traí, meu amor. Juro por tudo!
— Já chega! — Os dentes de Kevin estavam à mostra quando ele vociferou, fazendo as paredes do galpão tremerem. — Para de mentir!
— Posso explicar tudo, meu amor! — A voz dela titubeou, o coração saltitando com força contra o peito. — Me deixa falar!
— Então fala logo — as três palavras de ordem saíram carregadas de ódio.
Justine tentou se levantar da cadeira para alcançá-lo e abraçá-lo, mas subitamente, o seu braço magro foi agarrado pela mão comprida e forte de Kevin. Com um movimento brusco e rude, ele a empurrou de volta contra o assento de madeira.
— Não levanta de novo… — ele mandou, a frieza de suas palavras congelando a alma da jovem francesa.
— Fui na casa da Beatrice só pra mostrar os esboços de uns vestidos… — ela tentou justificar, a voz trêmula buscando uma saída para o labirinto em que havia se metido.
Uma risada cruel, alta e ecoante reverberou pelo quarto mal iluminado do cativeiro. Kevin enfiou a mão no bolso do sobretudo e retirou um envelope pardo que o seu conselheiro havia lhe entregado mais cedo.
Movido pelo ódio e pelo sentimento de posse ferido, ele arrancou as fotografias de dentro do papel e as tacou com força em cima de Justine. As imagens se espalharam pelo chão imundo.
— Isso, vai, continua… — a voz grossa do italiano estava cheia de puro sarcasmo. — Quero ver até onde cê vai com essa palhaçada. Você tava em Quarto Oggiaro com o meu pior inimigo. Não tava, Alessandro? — Ele sibilou a pergunta entre os dentes, sem desviar os olhos azuis da esposa.
— É isso aí, chefe. A patroa tava de papinho com o Andrew Turner antes da gente pegar ela — o subordinado confirmou, observando da porta.
O olhar de Justine voou das fotos para o semblante impiedoso do marido. O pânico a paralisou por completo.
“Ele vai me matar, ele vai me matar e nem quer me ouvir.”
Ela olhou para a mandíbula apertada dele, implorando mentalmente por uma misericórdia que sabia que ele não possuía.
— Eu te amava… mas agora, só consigo te odiar com todas as minhas forças — franzindo o cenho de forma assustadora, Kevin esbravejou. — Você foi o maior erro da minha vida, Justine Delacroix.
Com um movimento rápido e calculado, ele pegou a pistola Glock da mão de seu subordinado e apontou diretamente para a cabeça dela. O cano escuro da arma reluziu sob a lâmpada fraca.
— Por favor, não atira! — Justine se encolheu por completo na cadeira protetora, os braços cruzando-se instintivamente sobre o próprio corpo. — Eu tô grávida… — a voz tremida e desesperada confessou, revelando o segredo que guardava no peito.
Balançado por um breve segundo com a revelation, o homem frio perscrutou a mulher que abraçava a própria barriga.
Mesmo que a odiasse com todas as suas forças naquele momento, ele ainda mantinha um resto de instinto que o impedia de punir fisicamente uma gestante. Ele abaixou a arma.
Tocando o braço magro de Justine com força, ele a obrigou a se levantar, desfazendo os nós finais que a prendiam.
— Some da minha frente antes que eu faça uma merda que vou me arrepender — Kevin voltou a assumir a sua habitual postura autoritária e distante. Era assim que ele agia com os inimigos e subordinados, mas nunca a havia tratado daquela maneira antes.
— Mas eu tô esperando um filho seu! — Ela chorou, estendendo a mão para mostrar o resultado do teste de gravidez que trazia amassado consigo.
— Vai atrás do Andrew, certeza que o filho é dele — a raiva e o orgulho eram tantos que ele se recusou terminantemente a acreditar na paternidade.
— Não! O bebê é teu! — Justine dizia enquanto ele caminhava em direção à saída daquele lugar com paredes emboloradas, deixando-a para trás. — Kevin, por favor, volta aqui, vamos conversar! — ela suplicou, a voz ecoando no vazio.
Parando por um instante no corredor escuro, o mafioso cerrou o punho ao lado do corpo, sentindo uma fúria crescente tomar conta de cada fibra de seu ser. Ele suspirou fundo, resistindo à vontade de retroceder e tomá-la nos braços.
— E quanto às regras da nossa organização, senhor? — O conselheiro de confiança ajeitou os óculos ao indagar discretamente. — Ela cometeu alta traição. Devia ser severamente castigada para servir de exemplo.
— Caspita, cala essa boca! — A voz rouca de Kevin berrou, fazendo o subordinado estremecer. — Tira ela daqui e manda embora, mas não encosta um dedo nela. Capisci? — O olhar inquisidor e mortal parou sobre o consiglieri.
— Sì, chefe, capisco — resignado, o homem mais baixo deu um passo atrás, curvando a cabeça.
Antes que o marido a abandonasse definitivamente à própria sorte, Justine se levantou com dificuldade da cadeira. Seus dedos tremiam enquanto ela passava a mão pelo tecido para ajustar o vestido vermelho amassado.
— Kevin… — ela chamou outra vez, mas as portas se fecharam.
Era tarde demais. Ele não estava disposto a lhe dar outra chance ou a ouvir seus argumentos.
A fisionomia inescrutável dele se misturou ao clima mórbido daquele local com cheiro de mofo. A suposta traição o havia deixado ainda mais frio, duro e rancoroso.
Por quase meia hora, o choro angustiado e solitário de Justine ecoou pelo quarto abandonado.
— Puttana! — A voz de Alessandro estava cheia de profundo desprezo quando ele se aproximou para xingá-la. — Cai fora logo antes que o chefe mude de ideia e resolva apagar você de vez.
Exausta, humilhada e sentindo uma dor lancinante na alma, a jovem grávida se levantou diante das zombarias dos funcionários que, até o dia anterior, obedeciam cegamente às suas ordens.
Sem saber para onde ir, Justine passou a mão no rosto para secar as lágrimas borradas enquanto cambaleava, procurando a saída daquele inferno de concreto.
“Ele nunca vai me perdoar. Acabou tudo, ele me odeia de verdade.”
Mentalmente, ela se lamentava e chorava enquanto dava passos lentos pelo corredor mal iluminado.
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