
Escolhida como a Sétima Noiva do Alfa Amaldiçoado
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Introdução
Emilia Taylor nunca foi desejada na Alcateia Frostridge. Sem loba e sem dignidade, ela foi traída pelo homem que amava e rejeitada pela própria família após falhar em seu despertar. Para piorar, seu próprio pai a entregou de bandeja à Alcateia da Lua Prateada para se casar com Sebastian Simons. Ela seria a sua sétima noiva.
Seis noivas. Seis mortes misteriosas. Casar-se com Sebastian era assinar uma sentença de morte. Todos esperavam pelo funeral de Emilia.
Só que o "despertar fracassado" de Emilia escondia um segredo devastador: ela conseguia ler mentes. Nenhum segredo ou mentira escapava de seus ouvidos. Os pensamentos de todo o mundo eram um livro aberto para ela.
Menos os dele. A mente de Sebastian era um mistério absoluto.
Em um jogo perigoso de segredos e sobrevivência, uma rejeitada sem loba desafiará o Alfa de sangue frio. Será ela a sétima vítima... ou a única mulher capaz de domar o monstro e quebrar a maldição?
Capítulo 1
POV de Emilia
Por muito tempo, acreditei que a dor era algo ao qual uma pessoa conseguia se acostumar, do mesmo jeito que a gente se acostuma com o vento de inverno entrando por janelas rachadas, ou com cicatrizes antigas que doem antes da chuva.
Na Alcateia Frostridge, eu não era apenas malvista. Era considerada um erro que, de alguma forma, tinha sobrevivido ao nascimento.
Meu pai era o Alfa Henry, mas ser filha dele nunca me protegeu. Minha mãe tinha sido uma bruxa, e em uma alcateia que idolatrava sangue puro de lobo acima de quase tudo, meu sangue misto virou um crime. Um crime que ninguém precisava provar antes de me punir por ele.
Quando eu era mais nova, costumava me perguntar se teriam me tratado de outro jeito caso minha loba tivesse despertado mais cedo. Se eu tivesse me transformado sob a lua como se esperava de toda criança com sangue de Alfa. Se minhas garras fossem afiadas o bastante e meu uivo alto o suficiente para fazer todos esquecerem a metade bruxa dentro de mim.
Mas ano após ano, nada acontecia.
Híbrida.
Bastarda.
Maldição.
As palavras me seguiam pelos corredores da casa da alcateia, pelo campo de treinamento, por todos os lugares. Minha meia-irmã, Linda, era ainda melhor nisso. Nunca precisava levantar a mão quando conseguia virar uma sala inteira contra mim com um único olhar doce e cheio de pena.
Quando completei vinte e dois anos, já tinha aprendido a baixar os olhos quando os anciãos me encaravam com repulsa, a ignorar os criados que sussurravam que eu era amaldiçoada e a fingir que o sorriso gentil da minha madrasta, Dorothy, não doía mais do que a crueldade aberta.
Porque aquele sorriso sempre vinha antes de ela me lembrar, com a voz mais suave possível, que eu deveria ser grata por a alcateia ainda permitir que eu ficasse.
A única razão pela qual eu ainda não tinha desmoronado completamente era Brandon Cole.
Ele foi minha esperança por tanto tempo que eu já nem sabia mais como separar Brandon da própria ideia de sobrevivência.
Brandon era o jovem guerreiro mais forte da nossa alcateia. Bonito, admirado e respeitado de um jeito que nunca fui.
"Quando ela vier, Emmy", ele costumava sussurrar, roçando os lábios nas minhas cicatrizes como se fossem algo precioso, não a prova de cada punição que eu tinha suportado, "todos que olharam para você com desprezo vão se arrepender."
Então esperei.
Esperei durante meu décimo oitavo aniversário, quando a maioria dos lobos se transformava pela primeira vez e eu só sentia silêncio sob a pele. Esperei aos dezenove, aos vinte, aos vinte e um, enquanto a decepção da alcateia se transformava em escárnio e os olhos do meu pai ficavam mais frios cada vez que pousavam em mim.
Esperei até meu vigésimo segundo aniversário, a última noite em que um lobisomem ainda podia despertar antes de ser declarado permanentemente defeituoso.
Essa noite era minha última chance.
Sob a lua cheia, cercada por lobos que tinham se reunido menos para testemunhar meu despertar e mais para saborear meu fracasso final, fiquei descalça no círculo ritual e me forcei a não tremer. A tigela de prata diante de mim refletia a luz da lua, o canto do ancião subia e descia como um trovão distante, e em algum lugar além da multidão, Brandon me observava com uma expressão que eu queria desesperadamente acreditar que era amor.
Então o ritual terminou.
Nada aconteceu.
Alguns lobos riram.
Minha madrasta suspirou como se meu fracasso tivesse incomodado ela pessoalmente. Linda baixou os olhos para esconder o sorriso que se formava nos lábios. Meu pai se virou antes mesmo de o ancião anunciar o que todo mundo já sabia.
Achei que aquela seria a pior dor da noite.
Mas eu estava errada.
Ao sair do círculo ritual, algo afiado atravessou meu crânio, e uma enxurrada de vozes desabou sobre mim de uma só vez.
[Que desperdício de luz da lua.]
[Eu sabia que ela não ia se transformar.]
[Brandon já deve estar cansado de fingir.]
Congelei.
Os lobos ao meu redor ainda riam, sussurravam, encaravam. Mas, por baixo das palavras faladas, havia outra camada de som — mais clara, mais feia, impossível de ignorar.
Os pensamentos deles.
O pânico apertou minha garganta enquanto eu cambaleava para trás, pressionando uma mão contra a têmpora. A crueldade escondida da alcateia se derramava sobre mim sem misericórdia. Cada sorriso tinha uma segunda voz. Cada olhar de pena carregava uma faca. Eles me odiavam mais profundamente do que eu jamais tinha permitido imaginar.
Eu precisava de Brandon.
Precisava da única pessoa que sempre fazia o barulho da alcateia parecer distante.
Mas, enquanto eu abria caminho pela multidão, desesperada para encontrar Brandon, uma criada passou perto o bastante para que seus pensamentos cortassem o caos.
[Brandon seguiu Linda até o quarto dela outra vez. Deusa, eu juro, se tiver que esperar eles terminarem e depois esfregar outro jogo de lençóis destruídos, vou surtar.]
Meu corpo parou.
Por uma fração de segundo, o mundo inteiro ficou em silêncio.
Então meu sangue congelou.
Agarrei o pulso da criada com tanta força que ela gritou.
"O que você disse?"
Os olhos dela se arregalaram de terror.
"Senhora Emilia, eu não disse nada."
Ela falava a verdade.
Os lábios não tinham se movido.
Mas eu tinha ouvido.
Um torpor terrível se espalhou por mim enquanto soltei a criada e me virei em direção à casa da alcateia. Não me lembro de atravessar o pátio, subir as escadas ou passar pelos criados que saíam do meu caminho com rostos assustados e mentes culpadas.
Só me lembro das batidas do meu coração e da prece tola e desesperada que se repetia dentro de mim.
Por favor, que ela esteja errada.
Por favor, que esse seja o único pensamento que interpretei mal.
Por favor, que ele ainda seja meu.
Quando cheguei à porta de Linda, eu já sabia.
Empurrei a porta.
A cena diante de mim era pior do que qualquer pesadelo.
A cama rangia em um ritmo constante, sons obscenos escapando pelo quarto.
Brandon — meu Brandon — estava nu, o corpo se movendo sobre alguém estendido na cama. As longas pernas de Linda envolviam a cintura dele, as unhas dela arranhavam as costas dele enquanto ela gemia seu nome.
Minha irmã.
Meu namorado.
Naquele momento, não senti dor.
Não senti nada.
Só um vazio ressoante onde meu coração deveria estar.
Então os pensamentos deles se despedaçaram na minha mente como vidro quebrado.
[Deusa, ela é muito melhor do que Emilia. Mais apertada. Mais viva. Como desperdicei tantos anos com aquela cadela frígida e sem loba?]
A voz de Brandon veio clara dentro da minha cabeça, mesmo com a boca dele ocupada em outro lugar.
[Olha ela ali parada, igual a um fantasminha patético. Será que realmente acha que Brandon algum dia amou Emilia? Por favor. Ele é meu desde o dia em que decidi que queria ele.]
Os pensamentos de Linda escorriam veneno e satisfação.
O torpor se estilhaçou.
A raiva — pura, incandescente — inundou meu corpo.
Agarrei o vaso sobre a cômoda perto da porta e arremessei contra a parede ao lado da cama. Ele se espatifou com um estrondo satisfatório.
Os dois se separaram de um pulo. Linda gritou, Brandon se apressou para se cobrir.
"Emilia!" O rosto de Brandon ficou branco. "Não é... posso explicar..."
"Explicar?"
Minha voz saiu baixa. Mortalmente calma.
"Explicar como você tem se deitado com a minha irmã há três meses enquanto dizia que me amava?"
A mandíbula dele caiu.
"Como você..."
"Isso importa?"
Entrei no quarto, com as mãos cerradas em punhos.
Linda se sentou, sem se importar em se cobrir, um sorriso cruel brincando nos lábios.
"Ah, por favor. Não finja tanta surpresa, Emilia. Você realmente achou que alguém como Brandon se contentaria com uma aberração sem loba como você?"
[Ela é ainda mais patética do que eu pensava. Olha ela ali, quase chorando. Que delícia.]
Me movi antes que pudesse pensar.
Minha mão acertou o rosto de Brandon com um estalo que ecoou pelo quarto.
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